MAKE LOVE NOT CIMENTO

(In Blog O Jumento, 02/07/2018)

Cavaco meninos

O Cavaco voltou atrás e renegou a sua política do betão. Agora, fazer muitos meninos é que está a dar.  – Imagem In Blog 77 Colinas

Parece que Cavaco Silva tem de aparecer de vez em quando, deve estar com receio de ser esquecido e de tempos a tempos vai fazendo a sua prova de vida, como se fosse um pensionista a cumprir com as obrigações para com a Segurança Social. O esquema é sempre o mesmo, um grupo de saudosistas organiza uma festarola de homenagem e o pobre senhor lá aparece, discursando virado para as quatro e dez, destilando a sua raiva ao governo que foi forçado a empossar.

Desta vez lá fez o discurso dos incêndios e das responsabilidades ao mais alto nível, só se tendo esquecido de prestar homenagem aos que se suicidaram em Pedrógão. Mas depois de servir o ódio do costume o homem, que sempre foi um governante para quem o ser humano esteve à frente, lembrou-se de falar de um dos problemas mais graves da sociedade portuguesa, o da natalidade.

Foi então que este pobre senhor, lembrado pelo cimento, alcatrão e eucaliptos com que encheu o país, veio explicar aos portugueses que a prioridade não são as autoestradas ou os pavilhões gimnodesportivos, diz ele que a prioridade é ter filhos.

Só não explicou se defende que o dinheiro das obras públicas deve servir para abonos de família ou para mandar os frasquinhos de esperma e pagar ás mães de aluguer americanas, à semelhança do que faz o melhor do mundo.

Com o país mais interessado no regresso dos heróis que só não fizeram melhor porque os uruguaios são uns malandros, enquanto vai percebendo as causas dos resultados  nas Flash Interviews dadas pelo repórter Marcelo, quase ninguém se interessa pelas intervenções do senhor da Quinta da Coelha, que quase já só merece a atenção da CMTV e mesmo assim fora do prime time.


Fonte aqui

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O Congresso do PS, as televisões e os cromos da minha caderneta

(Carlos Esperança, 29/05/2018)

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O congresso de qualquer partido é importante, não apenas para os militantes, para todos os cidadãos que se interessam pela res publica.

Sendo o PS o partido do Governo aumenta o interesse pelos seus principais atores e as propostas que apresentem, malgrado a liturgia que as ofusca ou o ruído que provocam. O que eu dispenso é a explicação do que é dito por profissionais da exegese política e a sobreposição destes ao filme dos congressos. Representam para os telespetadores o que os tradutores gestuais são para os surdos-mudos, às vezes com a qualidade do intérprete que se notabilizou num ato solene da África do Sul, a gesticular sem nexo.

É, pois, por uma questão de salubridade mental que assisto, em diferido, aos congressos, limitando-me à imprensa escrita. Evito as colunas que explicam o que leio, e divirto-me com outras leituras. Exultei com o aparecimento da múmia de Cavaco Silva, receosa de que a eutanásia seja retroativa, a declarar que, nas próximas eleições, vota PCP ou CDS, isto é, por exclusão, em partidos que sejam contra a legalização da eutanásia.

No sábado, João César das Neves, talibã romano que, em matéria de fé, nunca desilude, zurzia «a liberalização da reprodução artificial, a subsidiação do aborto, a banalização do divórcio, a educação sexual libertina, o casamento homossexual, a promoção das uniões de facto, o laxismo na mudança de sexo e o planeamento da eutanásia e do suicídio assistido já na próxima semana.» [sic]. E, nessa homilia semanal no DN, numa tirada de humor negro, deixa esta pérola:

«Se vamos permitir matar crianças no seio das mães, porquê limitar às 24 semanas? O aborto devia ser permitido pelo menos até aos 18 anos; afinal um adolescente gera muito mais despesa e problemas do que um bebé. Se a definição de casamento depende apenas do amor, porquê reduzir a extensão aos homossexuais? Porque não autorizar incesto, poligamia, até o matrimónio com animais? Será que somos caninofóbicos ou felinofóbicos? Porquê confinar a eutanásia ao sacrifício físico? Porque não permitir eutanasiar pobres, deprimidos, criminosos e tantas outras formas de sofrimento?»

No domingo foi António Barreto quem me deliciou. Dissidente do PCP para a extrema-esquerda, viajou através do PS para a AD, como Renovador útil. Falhada a liderança do PS, onde era o seu único apoiante, o sucessivamente marxista, estalinista, soarista, eanista, cavaquista, soarista (de Alex. Soares dos Santos), e ora marcelista, é o verdugo do partido que o fez ministro e lhe permitiu verter o ódio à reforma agrária:

«Na verdade, hoje, o PS existe por um acaso estatístico e um golpe de sorte irrepetível. Não fora o período de austeridade, talvez o PS não fosse hoje mais do que uma coleção de cromos.».

Cavaco, César das Neves e Barreto hilariam. São cromos de estimação. Não valem uma missa, mas substituem um congresso.

O HOLOGRAMA DA MÚMIA!

(Joaquim Vassalo Abreu, 25/05/2018)

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A Múmia voltou e voltou sob a forma de um holograma, isto é, não se sabe bem de onde veio, em que sarcófago estava, nem o que estava ali a fazer, mas deu para notar que estava preso por pinças e por adesivos transparentes e translúcidos que lhe davam uma forma aparentemente real, mas a que faltava algo: substância e corpo!

A substância ou o conteúdo, que definem a oportunidade, não estavam presentes e o seu aparecimento, vindo de uma tumba qualquer, exalou um cheiro tão nauseabundo que até as palavras que proferiu, em tom de ameaça como sempre, como se o seu reaparecimento isso o fosse, se sentia estarem envolvidas em enxofre. Terá vindo do inferno mandatado pelo demo?

E o que ele disse, em suma, foi: se votarem a favor da Eutanásia eu não voto em vós…

Não fiquei incrédulo com o que disse, pois incrédulo apenas fiquei com o seu reaparecimento e mais até com a forma, como antes disse. O que ele disse é para mim completamente irrelevante, mas não é tão irrelevante a dita forma.

Se repararam, à sua frente na secretária de onde a custo retirou a cábula que leu, em voz grave e de um pretensiosismo ameaçador de fazer ir às lágrimas, estava visivelmente ostensivo um placard com o seu nome: Prof. Dr. Cavaco Silva!

Que terá passado pela sua já desfragmentada cabeça, ou na de quem o “ameaçou” para o fazer, ao colocar aquilo? Com o medo de, colocando lá assim à americana, um “Former President”, não ser reconhecido? Colocando um “Former Prime Minister” levar com ovos ou tomates? Só poderá para mim ter sido para, à semelhança do actual, ser lembrado como Professor! E Dr., é claro!

Mas eu pergunto, a ver se alguém me responde: mas alguém se lembrará dele como Professor? Quantos anos terá dado aulas? Que terá ele escrito de relevante para a ciência económica? Pois, mas ele quer ser lembrado, ou quer que se recordem dele, como Prof. Dr.!

Mas foi pior a emenda que o soneto! É que em ambas as situações tudo cheira a mofo, tudo cheira a podre e tudo cheira a enxofre! É que poucos o recordarão na nossa História pelo que académica e politicamente exerceu, mas a grande maioria pelo seu farisaísmo insanável, pelo seu reaccionarismo militante e pela sua vacuidade absoluta.

Como pode um ser de pensamento tão vetusto como o do regime que apoiou, vir-nos dar, ainda por cima em tom ameaçador (com o fogo dos infernos onde certamente habita), lições sobre a Nossa Liberdade Individual e o de que fazermos com a nossa Vida?

Disse ele, ainda, e em jeito de resumo da sua explanação, que “a Eutanásia é perigosa”! Assim como o Aborto, o Casamento Gay, a Mudança de Sexo, os Direitos das Minorias, a Igualdade de Sexos, a Lei da Adopção….etc e etc… são perigosos, perigosíssimos até, diria eu! Como doloroso é muitas vezes viver e ainda mais doloroso morrer-se em sofrimento.

Ser-se, em nome não sei de quê, contra a liberdade individual de se escolher partir desta vida sem sofrimento não adiando o inadiável, só de cabeças de mentes tão farisaicas e hipócritas como as das “madames” de antanhos que recorriam amiúde a “serviços externos”, em Espanha e não só, para fazerem abortos e depois apareciam a rezar contra o mesmo de cartazes em punho…

Vote lá no sua Cristas à vontade, homem! Estão muito bem um para o outro! Recomendo, sim senhor!