A reforma das Forças Armadas (FA) e a emersão da múmia Cavaco Silva

(Carlos Esperança, 22/05/2021)

Tenho dúvidas sobre a bondade da reforma que o PS e o PSD acordaram aprovar, dada a tradicional inaptidão do PS para lidar com as FA e a desconfiança que nutro pelo PSD, e, independente da decisão, é de registar o desprezo do PSD pelo seu antigo líder e feliz contemplado com a vivenda Gaivota Azul, na Praia da Coelha.

Cavaco Silva, um salazarista que deve tudo à democracia e tão pouco lhe deu, não é figura simpática. É um ativo tóxico, alguém que se tornou patinho feio, até no PSD, ao serviço do qual se propôs sacrificar a CRP para perpetuar Passos Coelho no poder, ao arrepio da vontade da AR.

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Há neste homem azedo, nesta figura que os acasos da sorte içaram aos mais altos cargos do Estado, um ódio visceral a tudo o que se afasta da sua matriz conservadora, e a todos os que se colocam à sua esquerda. Não tem adversários, só vê inimigos. Nunca foi um estadista, foi sempre um chefe de fação, sectário, vingativo e videirinho, no Estado e na vida privada. É o único ex-PR civil que terminou a vida política abandonado, sem cargo internacional, isolado, a escrever Roteiros que ninguém lê e a destilar fel que já nem os apaniguados suportam.

A reforma das Forças Armadas foi o pretexto para uma vingança, contra o PS e o líder do seu partido, não porque discordasse da submissão à Nato, porque quis fingir-se vivo, a combater o PS e a demolir o líder do PSD, onde preferia o venal Passos Coelho, mais próximo da sua estatura ética e intelectual, do que de Rui Rio, sem mácula reputacional.

Querendo atacar António Costa e condicionar Rui Rio, esquecido das últimas vezes em que foi notícia, pela deselegância em não cumprimentar o PR na cerimónia de posse do segundo mandato e na ausência previsível à celebração do 25 de Abril na AR, surgiu no espaço mediático a considerar “chocante” e “um erro grave” o PSD aprovar a reforma das Forças Armadas proposta pelo Governo.

Não contava com o desprezo generalizado do espetro partidário, com exceção do PSD, e este para o zurzir através do seu coordenador para a defesa nacional, Ângelo Correia, um seu antigo ministro com pensamento e negócios próprios.

Ângelo Correia pediu mesmo ao antigo PR e PM, que “não fale” por ser “uma pessoa que desta área não sabe nada”, e aconselhou-o a fazer um pequeno esforço para se ajudar a si próprio, que é estar calado quando não sabe do que está a falar. E insistiu, na TVI, que, “neste caso não tem qualquer sentido tático nem técnico nem político, são palavras de uma pessoa que desta área não sabe nada”.

Haverá quem pense que é um sábio noutras áreas, mas, quando o seu próprio partido o manda calar, é porque pretende pôr uma rolha no frasco de veneno.

Triste fim!


O regresso d’Os (in)desejados

(Carlos Esperança, 10/03/2021)

( O QUE TOCA A ORQUESTRA? A ópera A TROIKA, conduzida pelo maestro Gaspar com solos dos violinistas Coelho e Portas… 🙂 – Comentário da Estátua )


No intervalo pungente da direita jurássica, a suspirar pelo regresso de Passos Coelho, surgiu no espaço mediático o seu principal cúmplice, sem açaime, primeiro, a acusar de amordaçada a democracia, depois, a afrontar o PR, de direita democrática, com a subtileza de um azemeleiro.

Prestou à democracia um inestimável serviço e a Marcelo um invulgar favor, mostrando a diferença entre o salazarista amargo e a finura de um conservador ilustrado, sensível e inteligente.

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A sua qualificação da democracia mostrou a que deseja, a desforra do 28 de maio contra o 25 de Abril, a nostalgia da Constituição de 1933 contra a que jurou várias vezes. A declaração n.º 27.003, “declaro por minha honra que estou integrado na ordem social estabelecida pela Constituição de 1933, com ativo repúdio do comunismo e de todas as ideias subversivas”, continua o código de valores que rumina na defunção política a que se condenou.

Falta agora o regresso d’O Desejado, em qualquer manhã, entre brumas da memória dos que ainda o julgam capaz, os mesmos que julgavam o outro um estadista.

Não há lixívia que lhe branqueie o passado nem eleitores que o sigam na reincidência. Pode tomar o partido, para o perder de vez, mas jamais conquistará o país que iludiu.

A antecipação de Cavaco mostrou como estava viva a memória e morta a ressurreição, e a vinda do ora catedrático Passos Coelho, sem categoria, sem vergonha e sem cabelo, é a dádiva que favorece os adversários.

A pandemia produzirá a maior crise das nossas vidas, e vai ser demolidora na economia, no emprego e na saúde. A volubilidade do eleitorado é inevitável, mas era preciso que o País ensandecesse para reincidir em falhados.

Tal como a orquestra do Titanic, há orquestras que não tocam duas vezes.


O Cavaco não cumprimentou o Marcelo…? Deixá-lo. Antes isso do que ainda lhe dar para lá algum daqueles chiliques dele 

(In Blog Um Jeito Manso, 09/03/2021)

A múmia ressabiada de vez em quando sai do cacifo onde a Maria o deve ter amordaçado para vir dizer coisas que mais parecem taralhoquices. Razão tem Jerónimo, o moicano, ao dizer que a múmia está velha.
 
Pleonasmo: todas as múmias são velhas — embora, reconheço, haja múmias mais velhas que outras …/…

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