Esta direita insaciável e ansiosa

(Carlos Esperança, 15/04/2019)

Cavaco, o verrinoso

Esta direita tem os jornais, as televisões e a rádio; tem os bombeiros, os incêndios e os incendiários; tem a sofreguidão do poder e a nostalgia do “nosso Ultramar infelizmente perdido”; tem os antigos líderes como comentadores profissionais e a maior parte dos comentadores profissionais como satélites; tem as redes sociais e as redes de corrupção dos autarcas do Norte, que a Visão denunciou e a PGR ignora, mas tem Passos Coelho e Portas, Durão Barroso e Santana Lopes, Assunção Cristas e Nuno Melo, Marta Soares e Marco António. São o seu calcanhar de Aquiles.

Em períodos eleitorais esconde os mais detestáveis e mostra as estrelas da Companhia, que julga perdoadas. Ontem surgiu Durão Barroso, com o caso da quinta da Falagueira e a aventura iraquiana esquecida com a atual atividade financeira; hoje surgiu Cavaco Silva que, à semelhança de Américo Tomás, julga que o povo o ama.

Cavaco, odeia os cravos, pelo menos na lapela, e deve aos militares de Abril tudo o que foi, mas é o salazarismo que o guia e os pides o símbolo do heroísmo que aprecia. Hoje, saído da hibernação, surgiu a predizer que Portugal será a lanterna vermelha da Europa, enleado no ódio a este governo, esquecida a cumplicidade com Passos Coelho e Portas.

Ver declarações de Cavaco aqui


Este homem cuja memória anda pelas ruas da amargura esquece que a sua ministra da Saúde foi a única governante europeia impune pela compra do sangue contaminado, que colocou no gabinete o irmão Zezé que viajou para a Ásia quando o secretário de Estado, Costa Freire, foi julgado e preso e tem o despudor de acusar este governo da degradação do SNS devida ao governo de Passos e Portas, de que foi cúmplice, e cuja criação teve os votos contra do PSD e CDS.

Cavaco não é um estadista, é um algoritmo mal sequenciado, um depósito de bílis com saliva na comissura dos lábios, a destilar ódio contra a esquerda, que acaba por ajudar, pela repulsa que provoca.

Aliás, a desfaçatez e a falta de memória são a imagem de marca desta direita que resvala para a direita musculada sem precisar de Cavaco, Santana Lopes, André Ventura ou do merceeiro holandês do Pingo Doce.

Basta recordar Paulo Rangel a defender uma lei que tornasse incompatível a advocacia e a atividade parlamentar ☹ ☹ ☹.


Advertisements

E foi ele que saiu da toca para dar lições de moral?!

Antigo Presidente da República nomeou a cunhada para fazer assessoria no gabinete de Maria Cavaco Silva. Depois foi nomeada para um cargo na Casa Civil.

Fonte aqui: Cavaco nomeou cunhada para cargo em Belém


Cavaco deve achar que somos todos atrasados mentais e que não há jornais, investigações, e sobretudo memória. É preciso ter uma lata descomunal para vir atacar o Governo devido ao “excesso de familiares” e depois ter feito o mesmo ou pior enquanto foi Primeiro Ministro e Presidente da República. Qualquer tipo medianamente inteligente ficava calado e ninguém se daria ao trabalho de ir repescar os pecadilhos de um reformado da política. Mas Cavaco, é um fenómeno de tal ordem, que sendo burro até dizer chega, conseguiu ser eleito e reeleito sem que ninguém desse pela sua falta de inteligência. O que não é nada abonatório dos portugueses. Depois da desgraça de Alcácer-Quibir, Cavaco é a maior nódoa na História de Portugal. Já o era, e este último episódio é apenas mais um prego a acrescentar ao acervo das provas de tal momento negro.

Parafraseando Almada Negreiros, no célebre manifesto anti Dantas : Morra Cavaco, morra, pim!

Estátua de Sal, 09/04/2019

As múltiplas singularidades de Cavaco Silva

(Carlos Esperança, 30/03/2019)

Cavaco, político singular, que transformou o órgão de soberania unipessoal – PR –, em órgão matrimonial, e o Palácio de Belém em domicílio de três gerações, foi à Covilhã (UBI) proferir uma conferência sobre “A singularidade da construção europeia e o futuro do euro”, na companhia da singular prótese conjugal, D. Maria.

Do mérito da conferência não houve notícias. Houve da censura ao Governo onde não precisa das quintas-feiras, e quaisquer outros dias lhe servem para fustigar a Geringonça cujo fracasso previu com a certeza da solidez do BES, de Ricardo Salgado, em cuja vivenda se preparou, com a presença conjugal, a sua candidatura a PR.

Com o habitual rancor e falta de memória, quem engendrou escutas do PM e esqueceu o cartório notarial onde fez a permuta da vivenda Mariani pela Gaivota Azul, quem logrou comprar ações da SLN, não cotadas em bolsa, e arranjar comprador, com elevadas mais-valias, referiu-se às relações familiares do atual governo. O homem, que não lia jornais, afirmou: “segundo li também na comunicação social, parece que não há comparação em nenhum outro país democrático desenvolvido”.

Com as jugulares externas intumescidas pela raiva, a atingirem o calibre das internas, mais turbado pelo rancor do que pela senilidade, esqueceu-se de que, em 2015, foi ele a dar posse aos governantes com relações familiares, que continuam no atual executivo, e que, desde o primeiro dia, se sentam no Conselho de Ministros: os ministros Eduardo Cabrita e Ana Paula Vitorino, marido e mulher, e José Vieira da Silva e Mariana Vieira da Silva (pai e filha), ele como ministro e ela então como secretária de Estado adjunta do PM e hoje ministra da Presidência, já estão com assento no Conselho de ministros.

Esqueceu-se. Já, em tempos, se havia esquecido de ter preenchido a ficha na Pide onde a ortografia revelou impreparação cultural e as considerações sobre a madrasta da mulher, a despropósito, definiam o carácter. Quis agora ser a vuvuzela da direita que, após três anos, descobriu a arma de arremesso que todos os órgãos da central de intoxicação da direita disparam diariamente, enquanto aguardam que o País arda.

A primavera acordou da hibernação o homem singular que mantém o ódio e a falta de memória de quem precisa de que alguém nasça duas vezes para ser tão sério como ele.
Compreende-se a preocupação com os laços familiares de membros do atual governo. Os membros dos seus governos não precisaram disso para fazerem bons negócios, nem ele próprio, ou os do governo Passos/Portas e Maria Luís por que tanto se bateu. Ele mesmo, há três anos com a pensão de PR, cujo vencimento foi proibido de acumular, não precisou de nomear o genro para qualquer cargo. Os negócios vieram ter com ele.

Espera-se que a pala de Siza Vieira, na Expo, não lhes caia em cima.

Apostila – A escritura de Cavaco omitiu a vivenda em construção há nove meses, e a permuta realizou-se sem tornas, com a curiosa coincidência de 135 mil euros (isenta de sisa), sendo posteriormente obrigado a pagar 8.133,44 euros de Imposto de Sisa (taxa de 10%), em resultado da diferença entre os valores patrimoniais dos bens permutados, definidos pela própria Administração Fiscal.