O regresso d’Os (in)desejados

(Carlos Esperança, 10/03/2021)

( O QUE TOCA A ORQUESTRA? A ópera A TROIKA, conduzida pelo maestro Gaspar com solos dos violinistas Coelho e Portas… 🙂 – Comentário da Estátua )


No intervalo pungente da direita jurássica, a suspirar pelo regresso de Passos Coelho, surgiu no espaço mediático o seu principal cúmplice, sem açaime, primeiro, a acusar de amordaçada a democracia, depois, a afrontar o PR, de direita democrática, com a subtileza de um azemeleiro.

Prestou à democracia um inestimável serviço e a Marcelo um invulgar favor, mostrando a diferença entre o salazarista amargo e a finura de um conservador ilustrado, sensível e inteligente.

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A sua qualificação da democracia mostrou a que deseja, a desforra do 28 de maio contra o 25 de Abril, a nostalgia da Constituição de 1933 contra a que jurou várias vezes. A declaração n.º 27.003, “declaro por minha honra que estou integrado na ordem social estabelecida pela Constituição de 1933, com ativo repúdio do comunismo e de todas as ideias subversivas”, continua o código de valores que rumina na defunção política a que se condenou.

Falta agora o regresso d’O Desejado, em qualquer manhã, entre brumas da memória dos que ainda o julgam capaz, os mesmos que julgavam o outro um estadista.

Não há lixívia que lhe branqueie o passado nem eleitores que o sigam na reincidência. Pode tomar o partido, para o perder de vez, mas jamais conquistará o país que iludiu.

A antecipação de Cavaco mostrou como estava viva a memória e morta a ressurreição, e a vinda do ora catedrático Passos Coelho, sem categoria, sem vergonha e sem cabelo, é a dádiva que favorece os adversários.

A pandemia produzirá a maior crise das nossas vidas, e vai ser demolidora na economia, no emprego e na saúde. A volubilidade do eleitorado é inevitável, mas era preciso que o País ensandecesse para reincidir em falhados.

Tal como a orquestra do Titanic, há orquestras que não tocam duas vezes.


O Cavaco não cumprimentou o Marcelo…? Deixá-lo. Antes isso do que ainda lhe dar para lá algum daqueles chiliques dele 

(In Blog Um Jeito Manso, 09/03/2021)

A múmia ressabiada de vez em quando sai do cacifo onde a Maria o deve ter amordaçado para vir dizer coisas que mais parecem taralhoquices. Razão tem Jerónimo, o moicano, ao dizer que a múmia está velha.
 
Pleonasmo: todas as múmias são velhas — embora, reconheço, haja múmias mais velhas que outras …/…

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Mais do mesmo, o que poderá ser um bom sinal!

(Jorge Rocha, in Blog Ventos Semeados, 09/03/2021)

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Dispenso-me quase sempre de ouvir o que diz Marcelo. Nunca com ele simpatizei e não é nesta altura da vida, que vou mudar de opinião quanto à sua sobrevalorizada personalidade. Filho e afilhado de fascistas, soube reciclar-se nos padrões canónicos da Democracia, mas sem perder de vista os valores e a perspetiva ideológica das direitas, que tão opostas são relativamente ao tipo de sociedade onde anseio viver e em que sinta potencialmente mais felizes as minhas netas.

Desta vez, porém, abri exceção tendo em conta o sucedido da vez anterior em que um presidente se viu reconduzido para um segundo mandato. Quem esquece a guerra anunciada por Cavaco contra José Sócrates nesse dia em que soubemos toldado o futuro imediato pelo previsível acesso das direitas entroikadas ao que qualificavam como pote?

Talvez o sinal mais emblemático da razão porque talvez, desta feita, não se perspectivem grandes embates institucionais entre Belém e São Bento, seja o de Cavaco ter saído da cerimónia sem ter cumprimentado o reempossado sucessor. Por não ter gostado da passagem do discurso em que ele rejeitava expressamente a imagem do país amordaçado que, ridiculamente, quis colar à ação deste governo que execra? Por certo que sim, embora os antigos prosélitos, queiram desculpar-lhe a vindicta rancorosa a título de inexplicável distracção.

Mas, não excluindo a sua senilidade – que a sê-lo assim manifestada, de há muito data! – sabemos bem que tipo de (falta de) carácter o norteia, não havendo assim novidade, que nos cause verdadeira admiração. Afinal, e apenas, o auto convencimento de quem já de tudo se julga legitimado por se considerar inimputável das muitas malfeitorias, que foi acumulando no curriculum.

No geral o discurso de Marcelo foi apaziguador das tensões, que as direitas gostariam de vê-lo promover contra o governo, desarmando quem teima em criticar quem tudo tem feito dentro do possível para vencer as sucessivas vagas da crise pandémica e se vem confrontando com a permanente dose de imprevisibilidade das suas circunstâncias. A deslegitimação dessas críticas transforma em pólvora seca as munições, que as oposições consideravam deter para prosseguir o afã de sucessivos disparos contra o governo. Razão para se reconhecer genuína a tranquilidade de António Costa durante toda a cerimónia ou na intervenção depois feita perante os jornalistas.

Com tão incompetente oposição o primeiro-ministro sabe que os maiores desafios dos anos vindouros continuarão a ser os decorrentes da pandemia e os das ameaças ambientais, que obrigarão a decisões económica e socialmente exigentes. Com Marcelo a cumprir o seu papel de figurante, embora aparentemente com um poder que sabe não ter…