Teria a Rússia enfim perdido a paciência?

(Lucas Leiroz, in S. C. F., 26/05/2026)


O recente ataque ucraniano contra dormitório em Lugansk parece ter motivado uma mudança de postura por parte da Rússia.


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Os recentes eventos na operação militar especial indicam a possibilidade de o conflito estar enfim entrando em uma nova fase, na qual a Rússia estaria disposta a tomar medidas mais incisivas contra o inimigo para proteger sua população civil.

O terror ucraniano, apoiado pelo Ocidente Coletivo, esgotou a tolerância estratégica da Federação Russa. O mais recente desdobramento dessa situação manifestou-se na região de Kiev, onde as forças russas empregaram novamente o sistema de mísseis hipersônicos de alcance intermediário Oreshnik contra infraestruturas militares vitais do regime, acompanhado de um movimento diplomático e de segurança ainda mais sério à medida que Moscou emitiu novos alertas contundentes para que civis e cidadãos estrangeiros deixem a capital ucraniana imediatamente.

O uso dessa tecnologia de vanguarda não é um ato de rotina, mas uma medida excepcional de alta precisão cirúrgica que sinaliza o esgotamento das saídas diplomáticas convencionais. Capaz de contornar e anular qualquer barreira de defesa antiaérea atualmente operada pelo bloco ocidental, o Oreshnik redefiniu as regras do engajamento militar moderno.

Os registros visuais das ogivas reentrando na atmosfera e se dividindo em submunições de alta velocidade nos subúrbios da capital ucraniana demonstram a absoluta obsolescência dos complexos de defesa fornecidos pela OTAN. Não houve reação, interceptação ou resposta possível; houve apenas a constatação da vulnerabilidade total das forças por procuração do Ocidente, agora agravada pelo aviso explícito de Moscou de que o perímetro de Kiev tornou-se insustentável para a permanência de não combatentes e delegações estrangeiras.

Esta operação de larga escala combinou o vetor hipersônico Oreshnik a uma salva coordenada de mísseis Iskander, Kinzhal e outros mísseis e drones. O sucesso tático absoluto da incursão desmascara a narrativa ocidental de desespero de Moscou. Trata-se do oposto: uma demonstração de autossuficiência industrial e militar que atinge alvos de alto valor estratégico com danos colaterais mínimos, motivada por uma perda de paciência russa diante das provocações inimigas.

A resposta russa foi a consequência direta e anunciada de ações terroristas perpetradas pelas forças de Kiev contra o território soberano russo, culminando no criminoso bombardeio a um alojamento estudantil na República Popular de Lugansk, onde dezenas de jovens civis (21 até o momento, podendo aumentar devido aos hospitalizados) sem qualquer ligação com o esforço de guerra foram vitimados.

Diante da barbárie em Lugansk, o cartel midiático ocidental optou pelo silêncio corporativo, recusando-se a documentar o ocorrido no terreno. Essa cumplicidade midiática e diplomática valida a impunidade do regime e forçou Moscou a adotar medidas de retaliação severas.

O recado atual é claro: o Estado russo possui os meios para punir crimes de guerra de forma imediata, e os novos alertas de evacuação imediata para estrangeiros e civis em Kiev indicam que a intensidade das próximas ações mudará de patamar. A insistência dos estrategistas da OTAN em prolongar o conflito através do endosso a ataques contra alvos civis em solo russo produziu o esgotamento definitivo da complacência de Moscou.

Se a Europa se preocupa tanto com a Ucrânia, o correto a fazer é pressionar o regime para limitar seus objetivos a alvos estritamente militares. Atacar infraestrutura civil e regiões fora da zona de conflito simplesmente trará o fim da Ucrânia. A Rússia já mostrou que está disposta a reagir de forma incisiva e imediata, gerando impacto nas capacidades estratégicas do regime. E, ao contrário da Rússia, a Ucrânia já não tem os meios para repor suas perdas.

No fim, o que parece é que enfim a Rússia está disposta a levar o conflito a uma nova fase. Uma fase na qual cada crime ucraniano será respondido com força total. Resta saber se o regime de Kiev está disposto a enfrentar as consequências – ou se decidirá enfim interromper a matança de civis.

Texto em português do Brasil de acordo com a fonte aqui.

Nota: Se não conseguirem aceder à fonte acima indicada é devido ao bloqueio da UE a sites que considera “indesejáveis”. É esta a liberdade de expressão e informação na UE. Eu acedi à fonte via VPN, ligado a um servidor hungaro. Viva a “democracia” europeia… 🙂

Da propaganda odiosa à sensação de ridículo

(Miguel Castelo Branco, in Facebook, 24/05/2026, Revisão da Estátua)


Julgando tratar-se do argumento infalível vazado do princípio a que comummente se chama navalha de Occam, os inimigos da Rússia – aqueles que ainda há anos afirmavam ser a Rússia uma bomba de gasolina armada de armas nucleares – repetem ad nauseam «não haver uma só marca russa», argumento a que infalivelmente acrescentam «não ter a Rússia vencido a guerra em quatro anos de combates».

Ora, se a Rússia não tem a Zara, a Hermès, a L’Oréal ou a Amazon, possui os Orechnik, os Kinzhal, os Zircon, os Sukhoi Su-57, os Sukhoi Su-35, a Estação Espacial Internacional, a Rosatom e a maior produção de isótopos para a medicina nuclear. Entre trapos, perfumes e chefs, a Rússia tem engenheiros, cientistas e tecnólogos que proporcionalmente excedem a soma de todos os seus pares internacionais.

Quanto ao aspecto militar, se Israel não conseguiu tomar Gaza, território com a dimensão da Costa da Caparica, se os EUA foram batidos por pastores de sandálias no Afeganistão e agora retiram humilhados da guerra com o Irão invicto, a Rússia bateu uma coligação de 27 Estados que se empenharam encarniçadamente para a bater económica, política e militarmente sem, contudo, o lograrem.

A simplificação serve para alimentar a propaganda, mas esta só é convincente se acertar com os factos. Ora, estes demonstram que a Rússia se mostrou superior na tecnologia e na guerra, pelo que as ilusões da propaganda, tantas vezes odiosa, em breve darão lugar a uma inocultável sensação de ridículo.

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O mundo vive os estertores do capitalismo

(Por José Goulão, in SCF, 23/05/2026, revisão da Estátua)


O Ocidente colectivo fragmentou-se, mas em todos os nichos a única estratégia de sobrevivência que conhece é a guerra.


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O chamado Ocidente colectivo entrou numa deriva existencial que pode arrastar o mundo para o caos e uma tragédia de proporções imagináveis, porque o único antídoto que conhece é o da guerra – método da mentalidade colonial perene e da sua expressão extrema, o imperialismo.

O Ocidente, dizem os estrategos ocidentalistas, é a “nossa civilização”. Um conceito que assume o autoconvencimento de uma superioridade rácica, do direito a definir princípios civilizacionais e humanos únicos – os “nossos valores – da posse das riquezas do mundo por uma espécie de usucapião divino. E que, se necessário, assenta em supremacia religiosa – o espírito de cruzada. De que a guerra contra o Irão e as atrocidades na Palestina são exemplos.

Porém, o Ocidente colectivo está a fragmentar-se.

Em termos simplistas, começou por quebrar-se em dois, devido ao terramoto Trump, um imperador que tem qualquer coisa de Nero e coloca o seu narcisismo psicopata acima de tudo, principalmente da vida humana.

Trump, contudo, não é um fenómeno que surgiu do nada, como uma espécie de erro histórico. É fruto do estado de decadência e de disfuncionalidade a que que chegou o motor do dinheiro, que faz mover o Ocidente colectivo e garante a fonte de todas as suas supostas superioridades. O capitalismo entrou na fase decisiva da sua crise existencial.

Isto é, depois de atingir o estado de anarquia neoliberal, e uma vez que esta não consegue, mesmo assim, sustentar todas as farsas como representante da democracia, da liberdade, do humanismo e dos direitos humanos, derrapa agora para um desespero ainda mais extremista: o fascismo.

É aí que estamos, embora o fascismo esteja a chegar-nos com facetas diferenciadas, por exemplo entre a franqueza descuidada de Trump e as elaborações próprias, com resquícios aparentes de democracia, de um Merz (num país que arreganha os dentes), de um Starmer, de um Montenegro venturista, de um Zelensky, de um Modi, de um Macron, de uma Meloni, etc.

O Ocidente colectivo fragmentou-se pelo Atlântico, entre os Estados Unidos e a Europa, mas não se fica por aí. Na Europa, a União Europeia desmorona-se numa angústia de orfandade, porque Trump parece levar a sério a intenção de lhe retirar a tutela militar.

Os Estados Unidos e Israel, numa simbiose que materializa o imperial-sionismo em termos operacionais militares, ocupam-se do Médio Oriente, de maneira a tentar garantir as riquezas naturais e estratégicas reforçando a presença policial do estado sionista.

Trump deixou à União Europeia, num quadro em que a NATO não sabe às quantas anda, a tarefa de se haver com a Rússia e, para já, defender o fascismo zelensquista até ao derradeiro suspiro. Vale à União Europeia que a Rússia não é uma ameaça militar real. Mas se continuar a insistir…

O Ocidente colectivo fragmentou-se, mas em todos os nichos a única estratégia de sobrevivência que conhece é a guerra. É isso que nos leva ao caos e, quiçá, à tragédia.

São os estertores do capitalismo, que assim dispara em todas as direcções manejando o fascismo. Mas que haja luta até que os povos de todo o mundo acordem e tentem evitar que o desespero da anarquia capitalista conduza o planeta ao extermínio da vida tal como a conhecemos.

Fonte aqui