A União Europeia proíbe a comemoração da derrota da Alemanha nazi

(SCF, in Resistir, 20/04/2025)


– Agora, atingiu-se um novo mínimo de degeneração. A UE está a proibir a homenagem aos que derrotaram o nazismo.


A União Europeia está a advertir os líderes europeus para não participarem no 80º aniversário do Dia da Vitória, em Moscovo, a 9 de maio.

.Aparentemente, a razão para tal proibição é que a Rússia está alegadamente a travar uma guerra contra a Ucrânia e a ameaçar o resto da Europa, segundo a UE. Esta é uma forma de ver a questão.

Outra forma de ver a questão é que o conflito na Ucrânia é uma guerra por procuração patrocinada pela UE e pela NATO para derrotar a Rússia, oito décadas depois de a Alemanha nazi não o ter conseguido. As elites europeias que passaram a dominar a definição de políticas partilham a mesma mentalidade fascista. Não admira, portanto, que se oponham a participar no evento do 80º aniversário em Moscovo, no próximo mês. Precisam de manchar esse acontecimento para encobrir a sua política desprezível.

O acontecimento que assinala a derrota da Alemanha nazi e do fascismo na Europa é uma data histórica extremamente importante para todo o mundo. Há oitenta anos, a 9 de maio de 1945, o Exército Vermelho soviético esmagou o regime nazi em Berlim, pondo assim fim à mais terrível guerra da história da humanidade.

Cerca de 27 milhões de cidadãos soviéticos – talvez mais – deram as suas vidas na luta épica para derrotar a Alemanha nazi e os seus aliados europeus fascistas, incluindo a França de Vichy, a Itália, a Hungria, a Finlândia e os Estados bálticos da Estónia, Letónia e Lituânia.

A Rússia tem a honra de libertar a Europa do mal do fascismo. Em comparação, os outros aliados antifascistas dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha perderam menos de 5% das baixas que os cidadãos soviéticos sofreram.

Este ano, muitos líderes internacionais vão assistir ao desfile do Dia da Vitória em Moscovo. Dentre eles estão Xi Jinping, da China, e Narendra Modi, da Índia.

Muitos outros, no entanto, não estarão em Moscovo, o que é lamentável. O Presidente americano Donald Trump e o Primeiro-Ministro britânico Keir Starmer deveriam estar presentes para prestar homenagem aos soldados e civis que sacrificaram as suas vidas. Deploravelmente, a política tóxica que envenenou as relações entre os Estados ocidentais e a Rússia tornou impossível essa participação.

O que é ainda mais chocante, porém, é a proibição explícita de os líderes europeus assistirem às celebrações em Moscovo.

Esta semana, Kaja Kallas, a Comissária dos Negócios Estrangeiros da União Europeia, emitiu um aviso de que quaisquer políticos que se deslocassem a Moscovo enfrentariam graves consequências. Kallas, que foi anteriormente primeira-ministra do pequeno Estado báltico da Estónia, foi nomeada no ano passado como a mais alta funcionária da UE em matéria de política externa.

Um dos que desafiam as ordens é o primeiro-ministro eslovaco Robert Fico. Fico repreendeu Kallas por se atrever a dizer-lhe, enquanto líder de uma nação soberana, onde deve e onde não deve ir. E acrescentou: “Irei a Moscovo prestar homenagem aos milhares de soldados do Exército Vermelho que morreram a libertar a Eslováquia” (ler abaixo a magnifica resposta do líder da Eslováquia).

Fico foi eleito com base numa plataforma que apela a relações amigáveis com a Rússia e ao fim da guerra por procuração da NATO na Ucrânia. Tem-se oposto sistematicamente ao envio de mais ajuda militar ao regime de Kiev. No ano passado, Fico sobreviveu a uma tentativa de assassinato em que foi baleado por um atirador motivado por políticas pró-Ucrânia.

As sanções impostas pela União Europeia aos políticos que participaram na comemoração do Dia da Vitória em Moscovo têm como alvo os países candidatos à adesão ao bloco de 27 membros. Kallas ameaçou que a sua candidatura poderia ser cancelada. Entre estes países contam-se a Albânia, o Montenegro, a Macedónia do Norte, a Bósnia-Herzegovina e a Sérvia, bem como a Moldávia e a Geórgia.

No entanto, o Presidente sérvio Aleksander Vučić afirmou que iria a Moscovo, apesar da intensa pressão de Bruxelas. “Estamos orgulhosos da nossa luta contra o fascismo, e essa foi a principal razão pela qual aceitei o convite”, disse Vučić. Falou, no entanto, da influência sinistra sobre o seu governo.

“Parece-me que o céu está prestes a cair sobre a minha cabeça, devido à pressão em torno da viagem a Moscovo”, disse o Presidente sérvio, que acrescentou que o seu país estava a ser desestabilizado por agitadores externos.

A controvérsia indecorosa sobre o desfile do Dia da Vitória em Moscovo serve para realçar as crescentes tendências maligna da UE.

Cada vez mais, a centralização do poder político do bloco está a tornar-se mais autoritária e hostil em relação à Rússia. Qualquer dissidência entre os membros da UE que questione o apoio do bloco à guerra por procuração na Ucrânia é impiedosamente suprimida com ameaças de sanções políticas e económicas.

A liderança da UE, sob o comando de autocratas russofóbicos como a Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e Kaja Kallas, está implicada na supressão de eleições na Roménia, na Moldávia e na Geórgia para impedir partidos que apelam ao fim da guerra na Ucrânia e a melhores relações com a Rússia.

A recente acusação duvidosa, em França, da política nacionalista Marine Le Pen, que tem criticado a guerra por procuração da NATO, é outro exemplo terrível da ação da UE para esmagar a dissidência.

É surpreendente a forma como a UE tem funcionado como um bloco fascista. As decisões políticas sobre o financiamento de um regime neonazi na Ucrânia para travar uma guerra por procuração contra a Rússia estão a ser tomadas por elites russofóbicas sem qualquer responsabilidade democrática.

Ironicamente, a União Europeia, que foi galardoada com o Prémio Nobel da Paz em 2012, transformou-se num eixo militarista em que a economia civil está a ser subordinada a um impulso desmedido para a guerra, alegadamente para fazer face à agressão russa.

Desde há vários anos, a UE tem caminhado para esta manifestação nefasta. O bloco é dirigido por pessoas como Von der Leyen, cujo pai, político alemão, tinha filiações nazis. Os Estados Bálticos que erguem monumentos a colaboradores nazis estão agora sobre-representados nos gabinetes de decisão política da UE.

É apropriado – embora abominável – que o bloco esteja hoje aliado a um regime neonazi em Kiev que homenageia fascistas ucranianos como Stepan Bandera e Roman Shukhevych e muitos outros que colaboraram com o Terceiro Reich no seu extermínio de milhões de pessoas há oito décadas.

Um marco vergonhoso foi a aprovação de uma resolução pelo Parlamento Europeu em 2019 que equiparava a União Soviética à Alemanha nazi por alegadamente ter iniciado a Segunda Guerra Mundial. A Rússia condenou esse revisionismo político.

Agora, foi atingido um novo mínimo de degeneração. A UE está a proibir a homenagem àqueles que derrotaram o nazismo.

Fonte aqui.


Ó Kallas, porque não te calas?!

(Resposta de Robert Fico à pindérica Kallas, in Twitter/X, 15/04/2025, Trad. Estátua)

Senhora. Kallas, gostaria de a informar que sou o legítimo Primeiro-ministro da Eslováquia – um país soberano. Ninguém me pode ditar para onde posso ou não viajar.

O aviso e ameaça da Senhora. Kallas são desrespeitosos e eu oponho-me veementemente a eles. A Alta Representante da União Europeia (UE) para os Negócios Estrangeiros, Kaja Kallas, está a alertar os líderes da UE contra a participação nas comemorações do Dia da Vitória em Moscovo, em maio. Afirma que tal participação não será considerada levianamente.

 Irei a Moscovo no dia 9 de maio. O aviso da Sra. Kallas é uma forma de chantagem ou um sinal de que serei punido ao retornar de Moscovo? Não sei. Mas sei que estamos em 2025 e não em 1939. O aviso da Sra. Kallas confirma que precisamos de um debate dentro da UE sobre a essência da democracia. Sobre o que aconteceu na Roménia e na França em conexão com as eleições presidenciais, sobre as “Maidans” organizadas pelo Ocidente na Geórgia e na Sérvia, e como o abuso do direito penal contra a oposição na Eslováquia foi ignorado.

Sra. Kallas, gostaria de a informar que sou o legítimo Primeiro-ministro da Eslováquia – um país soberano. Ninguém pode ditar-me para onde posso ou não viajar. Irei a Moscovo para prestar homenagem aos milhares de soldados do Exército Vermelho que morreram libertando a Eslováquia, bem como aos milhões de outras vítimas do terror nazi.

Assim como prestei homenagem às vítimas do desembarque na Normandia, ou às vítimas do Pacífico, ou como pretendo homenagear os pilotos da RAF. E permitam-me lembrar que sou um dos poucos na UE que fala consistentemente sobre a necessidade de paz na Ucrânia e não apoia a continuação desta guerra sem sentido.

As suas palavras, Sra. Kallas, são desrespeitosas e eu oponho-me a elas veementemente.

Votas no A ou votas no B, mas no fim ganha o Ministério Público

(Francisco Fortunato, in Facebook, 18/04/2025, Revisão da Estátua)

Tão amigos que eles eram e tão bem lhes correu a manobra… 🙂

Os socialistas, em Portugal, estão sempre perto de ganhar eleições e ser governo. O Ministério Público (MP), em Portugal, está sempre perto de, em plena campanha eleitoral, engendrar investigações que dificultem ou impeçam a vitória dos socialistas, ou, em último caso, lançar dúvidas num Primeiro-ministro do PS, sem que haja qualquer prova para isso.

O MP assume, desde há muito, uma ação política que visa impedir partidos de esquerda de ser poder. O que faz com os socialistas faria também com o PCP e o BE, caso estes estivessem no Poder e, não julguem as almas puras, que eles necessitariam de qualquer prova para lançar a dúvida. Vejam o caso do parágrafo dedicado a António. Costa, independentemente da opinião que, agora, se tenha da sua figura de servo da Ursula.

Na União Europeia (UE), quando as eleições não elegem quem se quer, utilizam-se os poderes não eleitos para repor a vontade de quem, na sombra, manda. Os socialistas têm batido palmas a todos esses processos, que vão desde os partidos proibidos na Ucrânia, à intervenção judicial na Roménia e em França, para além do desrespeito, por parte de Macron, dos últimos resultados eleitorais ganhos pela esquerda, assim como, apoiam a perseguição da UE ao Primeiro-ministro da Hungria e ao da Eslováquia por quererem manter ligações políticas com a Rússia, que faz parte da Europa.

Os socialistas parecem não perceber que, aqui em Portugal, o poder judicial lhes anda a fazer a folha há muito tempo, contando para isso com o precioso apoio de Marcelo em quem, figuras gradas do PS, apelaram ao voto. Nem uma maioria absoluta foi capaz de lhe resistir…

Nota final.

Estou à vontade para escrever este texto: até nem vou votar PS, por causa do apoio à guerra na Ucrânia, assim como, toda a esquerda o faz, à exceção do PCP. Não voto na Guerra nem no rearmamento, voto na Paz.

Do indigno do presente sobre a História

(Rui Pereira, in Facebook, 18/04/2025, Revisão da Estátua)

O embaixador russo na Alemanha, Sergey Nechayev (ao centro, de gravata vermelha), participou nesta semana de evento por ocasião dos 80 anos da Batalha das Colinas de Seelow, em que o Exército Vermelho e tropas polonesas enfrentaram os nazis.

Indignamente, o parlamento alemão excluiu a Rússia e a Bielorrússia das celebrações em Berlim da importantíssima efeméride do octogésimo aniversário da derrota do nazi-fascismo, a 9 de maio de 1945 (ver artigo sobre o tema aqui).

Já antes a Rússia fora, da mesma indigna forma, excluída da celebração do “Dia D” no norte de França. Nunca tive pulsões germanófobas. Do que pude ir aprendendo sobre o assunto, relacionei sempre a tragédia alemã da primeira metade do século muito mais com as recomposições imperiais do capitalismo do que com qualquer vocação “nazista” intrínseca ao povo alemão. Não creio, aliás, que existam vocações intrínsecas a qualquer povo – expressão já de si tão complexa (esta de “povo”) que não precisamos de complicá-la ainda mais.

Sobre o caso alemão, existe até uma literatura, chamar-lhe-ia situada entre a analítica e a expiação, virtualmente inabarcável sobre A Questão da Culpa acerca dos alemães e o nazismo, título seminal precisamente de uma dessas obras, da autoria de Karl Jaspers. Mas, poderíamos juntar-lhe a extensa e dorida investigação biográfica de Joachim Feist sobre Hitler ou, ainda, Nós, filhos de Eichmann: carta aberta a Klaus Eichmann, de Günther Anders, entre toda uma, como disse, inextinguível literatura de origem alemã – para não falar da de outras origens – sobre a questão da Alemanha e do nazismo.

O que cai nestas operações de imediatismo propagandístico feitas à custa do revisionismo histórico e da mentira ordinária, não é tanto o valor dos factos históricos, pois nada modificará o facto de os russos-soviéticos terem sido quem mais sangue entregou ao mundo para derrotar o nazismo (27 milhões de mortos – para os historiadores mais diletantes, no conforto ocidental e que nunca viram os seus povos metidos numa tragédia desta dimensão, tratar-se-á apenas de um detalhe negligenciável). O que cai, sim, e esse é o objetivo da operação, é a capacidade de pensar um mundo diferente não daquele que existiu, mas do que existe, em favor da redução dos possíveis do humano, ao existente inumano que marca a nossa experiência contemporânea do mundo.

O salariato propagandístico de governantes, académicos, agentes mediáticos e outros traficantes de irrealidades emerge daqui como um chico-espertismo perigosamente remunerador.

Que estamos, com exemplos destes, a ensinar às gerações presentes e futuras? Só um pensamento ausente é capaz de se ausentar desta questão. Porque se desabituou de pensar seja o que for com profundidade, ou mais banalmente porque troca o valor da dignidade pelos valores do estipêndio. Disto, em boa medida, terá sido o próprio nazismo feito.

Por mim tenciono celebrar os 80 anos do 9 de maio de 1945 mais até do que num gesto de homenagem àquele passado, enquanto um ato contra o cinismo deste presente.