(Rui Pereira, in Facebook, 18/04/2025, Revisão da Estátua)

Indignamente, o parlamento alemão excluiu a Rússia e a Bielorrússia das celebrações em Berlim da importantíssima efeméride do octogésimo aniversário da derrota do nazi-fascismo, a 9 de maio de 1945 (ver artigo sobre o tema aqui).
Já antes a Rússia fora, da mesma indigna forma, excluída da celebração do “Dia D” no norte de França. Nunca tive pulsões germanófobas. Do que pude ir aprendendo sobre o assunto, relacionei sempre a tragédia alemã da primeira metade do século muito mais com as recomposições imperiais do capitalismo do que com qualquer vocação “nazista” intrínseca ao povo alemão. Não creio, aliás, que existam vocações intrínsecas a qualquer povo – expressão já de si tão complexa (esta de “povo”) que não precisamos de complicá-la ainda mais.
Sobre o caso alemão, existe até uma literatura, chamar-lhe-ia situada entre a analítica e a expiação, virtualmente inabarcável sobre A Questão da Culpa acerca dos alemães e o nazismo, título seminal precisamente de uma dessas obras, da autoria de Karl Jaspers. Mas, poderíamos juntar-lhe a extensa e dorida investigação biográfica de Joachim Feist sobre Hitler ou, ainda, Nós, filhos de Eichmann: carta aberta a Klaus Eichmann, de Günther Anders, entre toda uma, como disse, inextinguível literatura de origem alemã – para não falar da de outras origens – sobre a questão da Alemanha e do nazismo.
O que cai nestas operações de imediatismo propagandístico feitas à custa do revisionismo histórico e da mentira ordinária, não é tanto o valor dos factos históricos, pois nada modificará o facto de os russos-soviéticos terem sido quem mais sangue entregou ao mundo para derrotar o nazismo (27 milhões de mortos – para os historiadores mais diletantes, no conforto ocidental e que nunca viram os seus povos metidos numa tragédia desta dimensão, tratar-se-á apenas de um detalhe negligenciável). O que cai, sim, e esse é o objetivo da operação, é a capacidade de pensar um mundo diferente não daquele que existiu, mas do que existe, em favor da redução dos possíveis do humano, ao existente inumano que marca a nossa experiência contemporânea do mundo.
O salariato propagandístico de governantes, académicos, agentes mediáticos e outros traficantes de irrealidades emerge daqui como um chico-espertismo perigosamente remunerador.
Que estamos, com exemplos destes, a ensinar às gerações presentes e futuras? Só um pensamento ausente é capaz de se ausentar desta questão. Porque se desabituou de pensar seja o que for com profundidade, ou mais banalmente porque troca o valor da dignidade pelos valores do estipêndio. Disto, em boa medida, terá sido o próprio nazismo feito.
Por mim tenciono celebrar os 80 anos do 9 de maio de 1945 mais até do que num gesto de homenagem àquele passado, enquanto um ato contra o cinismo deste presente.

Sabendo isto, depois vemos a Kaja Kallas a referir-se à Rússia como “revisionista” nos seus discursos oficiais. E no entanto quem tenta constantemente reescrever, ou até mesmo apagar a História são as “democracias liberais” que constituem e NATO e a UE. E isto acontece a nível governamental, como se vê nos EUA com Trump a mandar eliminar os registos históricos que não se coadunam com os seus “princípios e valores”. Ou na UE, cujos aliados constantemente se esquecem de incluir a Rússia nas cerimónias evocativas da vitória sobre o III Reich, nem sequer na libertação de Auschwitz, por exemplo.
E se reescrevem a História do século XX, imaginem o quanto manipulam os eventos mais recentes e actuais com a sua desinformação e propaganda industriais…
Nunca me passou pela cabeça comparar desgraças ou diminuir umas e empolar outras.
Apenas quis salientar que a mentalidade e as técnicas de manipulação de massas que as permitem todas e a mesma.
E agradecia que ninguém defina o meu luto como “obsessão”. Já levei que chegue por não meter reforços no bucho.
Levanto a voz contra o genocídio na Palestina até porque Portugal e um dos poucos países europeus onde ainda o podemos fazer sem ser presos.
Mas também contra quem nos continua a impingir veneno. Correndo o risco que o definam como obsessão.
Talvez tenham mesmo a pouca vergonha de dizer que não sabiam.
Com a mesma pouca vergonha com que autoridades que deviam zelar pela nossa saúde continuam a instar idosos e famílias para se irem vacinar contra a COVID ou fazerem os pobres diabos lá irem.
Depois, quando a morte acontece fica a culpa.
O caso mais recente. Um homem de 88 anos que ainda fazia mais de três quilómetros todos os dias e exercícios de musculação.
Tinha dado a primeira vacina com Jansen e saiu da coisa cantando e rindo.
Teve COVID duas vezes com sintomas tão ligeiros que continuou a fazer a vidinha resolvendo a coisa com uns quantos lenços de papel. Nem febre teve. Saiu também da COVID cantando e rindo.
Enfim, toda a gente achava que se alguém podia bater o record do Manuel de Oliveira era ele.
Das duas vezes que foi chamado teve a sorte de ter COVID. Por isso livrou se sempre dos mal fadados reforços.
Pois no ano passado em Setembro uma das filhas convenceu o pobre diabo a ir dar três de seguida, COVID, gripe e pneumonia.
Em Novembro teve a primeira trombose.
Para mim foi uma surpresa pois tinha visto o homem cheio de vida, alegria e saúde dois meses antes.
Tudo bem que a idade isto e aquilo mas estamos a falar de alguém que ainda foi considerado elegível para reabilitação por ter um corpo com 80 por cento de massa muscular.
Ali não havia obesidade, não havia diabetes, não havia colesterol, não havia porra nenhuma.
Mas o pobre diabo continuou a ter micro tromboses umas atrás das outras até que morreu.
No enterro a tal filha chorava agarrada a mãe suplicando lhe que não desse mais nenhuma vacina.
A coisa foi há mais de duas semanas e a criatura chora que nem Maria Madalena arrependida. Diz uma cunhada que quase morreu na Alemanha a conta de um par de reforços com Pfizer que a criatura chora e de remorsos, não só de tristeza pois que falta de aviso não foi.
Mas as pessoas continuam com a propaganda metida na cabeça e acham que os detractores da vacina sao malucos.
Se conto esta história e para que vejamos o bico de obra que isto tudo e.
Gente formada, como e o caso dessa filha, que continua a acreditar que os detractores das vacinas sao todos malucos, ou fascistas, ou ambos.
E o mesmo mecanismo que leva todos a acreditar que os palestinianos são todos terroristas, fanáticos religiosos, maltratadores de mulheres ou tudo ao mesmo tempo. E que por isso merecem ser mortos que não ficam a fazer falta nenhuma no mundo.
Tal como os bêbados da minha terra dizem que os russos deviam ser banidos da terra e que tudo se resolvia “dando um tiro nos cornos do Putin”. Se os maus de 100 milhoes de russos fossem exterminados ate ao último como tentou fazer Hitler eles achariam que não ficavam a fazer falta nenhuma ao mundo.
Tal como os vacineiros que continuam a dizer que quem não se for vacinar merece morrer com a doença na enxerga dos cuidados intensivos de um hospital. Porque não ficamos a fazer falta nenhuma ao mundo.
E todo o mesmo mecanismo de bovinizacao e inculcar de desprezo pela vida do outro, do diferente, do dissidente. De desejo activo de que morram para que o problema acabe.
Que grande patranha e que grande sarilho em que estamos metidos.
Caso não tenhas reparado, os vídeos acima falam da Palestina e do genocídio em curso, levado a cabo, em frente do mundo inteiro, pelo nazismo sionista. É para esses crimes e para as suas vítimas que é absolutamente prioritário mobilizar a nossa atenção e a nossa voz. Misturar a questão do massacre contemporâneo, actual, diário, de dezenas ou centenas de palestinianos, 70% dos quais mulheres e crianças, com a questão COVID/vacinas/sequelas, sem comparação possível em termos de actualidade, percentagem de mortos e estropiados e extrema crueldade como as vítimas palestinianas são assassinadas, tem como resultado, acredito que involuntário, diluir, distrair e diminuir a extrema gravidade do genocídio praticado pelo supremacismo racista do sionismo, que urge travar, ou pelo menos tentar. Compreendo que haja motivos para a tua obsessão, por teres visto morrer pessoas que te eram próximas e cujo tempo acreditas que não tinha ainda chegado, mas os palestinianos assassinados diariamente não têm culpa nenhuma disso e não merecem que nos distraiamos da sua desgraça. Um abraço.
Haverá um dia, espero que não muito distante, em que a questão que a todos se colocará será esta: de que lado estavas, o que fazias ou não fazias, o que dizias, gritavas, escrevias ou calavas sobre o que, à frente dos teus olhos e ouvidos, à frente dos olhos e ouvidos do mundo inteiro, o nazismo sionista fazia aos palestinianos? E também aos libaneses, e aos sírios, e aos iemenitas, e a todos os que à frente do Estado bandido e país ladrão chamado Israel se atrevessem a meter-se. Para memória futura, aqui fica um pouco do que, nesse dia espero que não muito distante, ninguém poderá dizer que não sabia.
https://youtu.be/gEo813rYm8g?si=UI-UVt9CtP2luPRB
https://youtu.be/1gIEqQ3R8AU?si=AkkS9Z_gbk-rzoA1
https://youtu.be/AxLtxX7kPcU?si=tDzqDtnAFRrPgpnZ
Também não deixa de ter lógica.A derrota da Alemanha nazi pela União Soviética, que incluia ambos os países esta atravessada na goela de muita gente na Alemanha embora ninguém tenha tomates para o dizer.
Na goela da Van der Pfizer está de certeza pois que até teve um avô noto na dita guerra, o mesmo para o chanceler Scholz.
A verdade e que muitos alemães de hoje gostariam que o desfecho tivesse sido outro, simplesmente fica mal dize lo.
Quanto a relação dos alemães com o nazismo a verdade e que o terreno ali era fértil.
Os alemães estiveram entre os colonizadores mais cruéis. Chegaram tarde a África mas deixaram lá uma marca indelével de total desprezo pelas vidas negras.
Os Namas e Hereros que então habitavam o território da actual Namibia, que deve o seu nome a essa povo, foram massivamente exterminados com uma crueldade terrível.
Os alemães sempre se acharam superiores a povos vizinhos europeus e depois em relação a todos os outros.
Por isso foi fácil a alguém como Hitler inchar lhes ainda mais o ego.
O resultado foi um conflito que matou mais de 50 milhões de pessoas e arrasou praticamente todo o Continente europeu.
Muitos alemães sonham agora com vingar a sua derrota de há 80 anos e contam com a guerra em curso na Ucrânia para o conseguir.
A Alemanha nunca foi desnazificada.
O seu cerco a Grécia nos anos da troika foi exemplo disso mesmo. Lançaram a fome e a miséria sobre um povo sem a menor restea de misericórdia. Sobre um povo que tinham tratado com toda a crueldade poucas décadas antes.
A Grécia foi o país da Europa Ocidental onde a ocupação alemã foi mais cruel. Aldeias inteiras foram queimadas e toda a população morreu queimada ou fuzilada. O metodo muitas vezes era enfiar as pessoas na escola ou na Igreja da povoação, deitar fogo ao edifício pelos quatro cantos e matar a metralhadora quem tentava fugir as chamas. E para tanto bastava que um soldado alemao tivesse sido morto nas imediações da povoação.
Nos anos da troika muitos velhos sobreviventes devem ter se lembrado dessas dias de chumbo.
O cerco feito a quem não se quis vacinar contra a COVID foi quase tão grande como o feito em relação aos judeus no tempo do nazismo. Foi onde a discriminação foi maior, foram impedidos de trabalhar e nem atestar o carro podiam.
Muita gente enfrenta hoje sequelas horrendas por ter dado mais de um reforço daquilo porque era isso ou perder o emprego e qualquer direito a apoios sociais.
Era a vacina ou a fome e a situação de sem abrigo.
Hoje o cerco aos críticos de Israel e cruel. Gente estrangeira está a ser deportada ou ameaçada com deportação.
E não são só os palestinianos que podem ser mandados para territórios ocupados por Israel que estão em perigo nos tempos que correm.
Um americano com um processo de deportação as costas punha a coisa nestes termos. “Vivo aqui há anos, construi uma vida, sou uma pessoa Trans (transexual) e a perspectiva de ser mandado para os Estados Unidos e simplesmente assustadora nos tempos que correm”.
Mas uma Alemanha que nunca foi desnazificada não quer saber disso para nada.
Por isso não admira que agora recordam alegremente a guerra da Ucrânia para excluírem os artífices da sua derrota de há 80 anos.
Por mim comemoro sempre essa derrota.
Se eles tivessem ganho a guerra, partindo do princípio que eu teria tido o direito de nascer, provavelmente já cá não estava se eles tivessem podido fazer em toda a Europa a barbaridade que fizeram com as vacinas COVID.
Se ainda estou aqui e porque eles perderam e espero sinceramente que percam outra vez.
O Whale project continua sem papas na língua, como é usual dizer-se.
Bem haja!!!