Ai Costa, Costa – que bosta!

(João Gomes, in Facebook, 13/10/2026, Revisão da Estátua)


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Ao fim de tantos anos de político, António Costa nada aprendeu ou, aliás, aprendeu que a política era para ser aproveitada para floreados europeus maciços porque lhe ia enchendo a conta bancária e tinha oportunidade de privar com os “grandes” dirigentes.

Uma desilusão completa entre o autarca que passeava pelas ruas do Intendente para aferir das necessidades de Lisboa e o posterior chefe de governo que se agarrou á geringonça para fingir que queria resolver os problemas estruturais do país e os sociais. Se alguma coisa fez, nessa época, foi graças às insistências do PCP e do BE que só lhe dariam apoio na AR se ele fizesse “obra”.

Alguma coisa se conseguiu por essa via, mas agora percebem-se os objetivos “costistas”: apoio popular para se guindar a uma posição política no centro esquerda internacional. O “esquema” foi o famoso parágrafo da PGR que, hoje, se percebe ter sido a forma de sair airosamente do governo e ser considerado um “injustiçado”.

Hoje apresenta-se como um claro vendido ao poder dos grupos da UE que estão a conduzir a Europa para a sua maior crise financeira e económica das últimas décadas, com hipótese inclusive de criar uma crise social de dimensão ainda imprevisível e uma adesão á Terceira Guerra Mundial que a Europa pode vir a enfrentar.

O que escrever no epitáfio deste sujeito? Talvez isto: “deu à costa e apodreceu estirado na areia”.

António Costa tornou-se um populista!

(João Gomes, in Facebook, 25/08/2026)


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Há frases políticas que são apenas frases. Há outras que, pela responsabilidade de quem as pronuncia, obrigam a perguntar o que existe por detrás delas.

Quando António Costa, presidente do Conselho Europeu, afirma que “a paz só é possível com a vitória da Ucrânia e a derrota da Rússia”, não está SÓ a manifestar solidariedade com a Ucrânia. Está a formular a sua tese política e estratégica: a paz, segundo ele, dependeria necessariamente da derrota de uma potência nuclear.

É precisamente aí que começa a minha perplexidade. Porque uma coisa é “defender a Ucrânia”. Outra, completamente diferente, é acreditar que a paz só poderá nascer da derrota da Rússia.

E a pergunta que eu faria a António Costa é muito simples: E depois da derrota da Rússia, António Costa? O que acontece no dia seguinte? Por que é esta pergunta que parece desaparecer do discurso político europeu.

Nenhuma paz começa no dia de uma vitória e há uma tendência perigosa na política contemporânea para imaginar a guerra como uma equação simples: há um agressor, há uma vítima, derrota-se o agressor e aparece a paz. Ora a História não funciona assim. Uma guerra pode terminar militarmente e continuar politicamente durante décadas. Uma potência pode perder uma batalha e tornar-se mais perigosa depois dela. Um regime pode cair e ser substituído por outro ainda mais radical. E uma derrota pode criar condições para uma nova guerra, em vez de impedir uma nova guerra.

No caso da Rússia, esta questão não é académica. Estamos a falar de uma potência nuclear, com um enorme território, vastos recursos naturais, capacidade militar, indústria de defesa, uma população de dezenas de milhões de pessoas e uma posição geográfica que liga Europa e Ásia. Ora a Rússia não desapareceria depois de perder a guerra. Continuaria ali. E seria precisamente nesse momento que começaria uma nova incógnita: que Rússia resultaria da derrota?

Uma Rússia derrotada seria necessariamente uma Rússia pacificada? É esta a primeira grande fragilidade da frase de António Costa. Partir do princípio de que uma derrota militar russa produziria automaticamente uma Rússia disposta à paz é uma hipótese, não uma certeza. Poderia acontecer. Mas também poderia acontecer o contrário. Uma derrota poderia provocar uma luta pelo poder em Moscovo. Poderia desencadear uma disputa entre diferentes sectores políticos, militares e nacionalistas. Poderia produzir uma reação de humilhação perante aquilo que uma parte da sociedade russa interpretasse como uma derrota imposta pelo Ocidente.

E nesse cenário surgiria uma pergunta ainda mais inquietante: quem sucederia ao poder russo? Um dirigente mais moderado? Talvez. Mas também poderia surgir alguém que considerasse Putin excessivamente conciliador e entendesse que a Rússia tinha sido derrotada precisamente porque não tinha ido suficientemente longe.

A História está cheia de exemplos em que a humilhação de uma potência não produziu necessariamente moderação. Por isso, a afirmação de que a derrota da Rússia é condição necessária para a paz contém uma contradição elementar: para obter a paz, poderíamos estar a criar as condições para uma Rússia politicamente mais instável e potencialmente mais radical.

Mas, para que essa afirmação seja uma análise política e não apenas uma convicção, falta responder à pergunta decisiva: como se garante que a derrota da Rússia não seja precisamente o acontecimento que desencadeia os conflitos que hoje ainda conseguimos evitar? É aqui que, do meu ponto de vista, a personalidade política de António Costa desaparece por detrás do slogan.

António Costa tornou-se um populista! Não temos pena, por que já tínhamos desconfiado.

António, o Náufrago do Berlaymont

(Jorge Rocha, In Blog Ventos Semeados, 12/08/2026)


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Há ingratidões que se pagam devagar, e a de António Costa para com Pedro Nuno Santos foi dessas: o homem que segurara a Geringonça nos anos difíceis, quando segurá-la exigia mais nervo do que aplauso, viu-se, no Congresso seguinte, tratado não como herdeiro mas como ameaça, mal ousou dizer em voz alta o que todos já sabiam — que também ele queria, um dia, suceder. Não faltaram rasteiras discretas, do tipo que não deixa marca visível mas deixa carreira manca.

Mas Costa veio a desistir da política nacional com uma facilidade suspeita, ele que discutira orçamentos e maiorias com unhas e dentes durante oito anos. Bastou uma busca à residência oficial, uma conspiração nunca cabalmente explicada, com Lucília Gago e Marcelo nos papéis principais, para que largasse Lisboa sem drama excessivo, atraído pelos fulgores de Bruxelas como quem troca subitamente de amante por uma mais vistosa, sem se dar ao trabalho de disfarçar o entusiasmo.

Passados dois anos, a pergunta merece resposta honesta: valeu a pena? Porque o homem que geria maiorias absolutas em Lisboa geme agora consensos entre vinte e sete, o que é uma forma elegante de dizer que já não decide nada sozinho, apenas modera quem decide. É presidente do Conselho Europeu, título sonoro que soa a poder e significa, na prática, sentar à mesa e sorrir enquanto Macron e Merz discutem por cima da sua cabeça.

Prova disso foi o episódio do Kremlin: quis fazer o que a razão mandava, abrir um canal com Putin, preparar o terreno para uma paz que a guerra na Ucrânia precisa mais do que de heroísmo continuado — e foi imediatamente chamado à ordem, como aluno apanhado a passar um bilhete na aula, pelo bloco franco-alemão que prefere a guerra prolongada à negociação prematura. Chamaram-lhe “mal orientado”, compararam-no ao erro do antecessor, e Costa, que em Lisboa despachava ministros renitentes num telefonema, teve de explicar-se em cimeira como quem pede desculpa por bom senso fora de horas.

Fica o retrato irónico de um homem que trocou o poder de decidir pelo poder de presidir — dois verbos que parecem primos e são, na prática, opostos. Em Lisboa mandava e era criticado; em Bruxelas sugere e é repreendido.

Talvez seja este o destino reservado a quem confunde protagonismo com influência: descobrir, dois anos depois do desembarque europeu, que trocou uma pátria onde podia agir por um continente onde apenas lhe é permitido, com sorte, ser ouvido.

Fonte aqui