Apaziguamento? Não. Teatro para enganar incautos!

(Zé Oliveira Vidal, in Estátua de Sal, 19/09/2026, revisão da Estátua)

Imagens retirada do mural de João Gomes no Facebook

(Este artigo resulta da resposta a um comentário a um texto de Brian Berletic. que publicámos, sobre a submissão da Europa aos interesses dos EUA (ver aqui), e o dito comentário ver aqui. Pela sua acutilância na defesa de algumas posições incómodas – e por isso mesmo sempre polémicas -, resolvi dar-lhe destaque.

Estátua de Sal, 20/09/2026)


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Não percebeste o artigo do Brian Berletic, e como tal continuas a ler mal a realidade: a Dinamarca não tentou apaziguar o Trump.

O regime vassalo/cliente da Dinamarca está de acordo com o que lhe foi exigido pelos EUA, independentemente do “Presidente” ser Trump ou Biden ou outro fantoche qualquer.

O teatro feito em público (ai, ai, ai, o Trump, ai, ai, ai, o abandono dos EUA, ai, ai, ai, a ameaça Russa) foi usado, de propósito, de forma coordenada entre Washington DC e Copenhaga e respetivas redes de PRESStituição desde o primeiro dia desta “ameaça de anexação da Gronelândia pelos EUA”.

Este teatro foi feito de forma a convencer a população da Dinamarca e da Europa de que o que estes regimes queriam fazer (mais bases militares dos EUA na Gronelândia, militarização do Ártico) seria no final uma coisa “aceitável”, porque “menos má” que a “ameaça” inicial.

Não houve tentativa de apaziguamento nenhuma. A vassala/cliente Mette Frederiksen, e companhia, prostra-se em total submissão em Washington DC desde que anda a subir na política Dinamarquesa.

O teatro não teria sucesso se fosse um monólogo do outro lado do Atlântico. Os EUA já há muito tempo que têm o seu exército de atores deste lado também.

Quando, de forma excecional, um vassalo/cliente (“cliente” porque usa o dinheiro do seu povo para comprar o que os EUA querem vender, acima de tudo armas e tecnologia com capacidades de vigilância orwellianas) sai da linha, como Sánchez fez em relação a “israel” versus Palestina, acontecem coisas como ameaças a sério, como se viu em Ceuta.

Mas o vassalo/cliente Sánchez percebeu, e como tal respondeu: – “Sim, mestre, peço desculpa pela desobediência”. E, nos dias seguintes, apesar de saber que o ataque a Ceuta instrumentalizando 70 mil imigrantes, –  com a respetiva cobertura 100% pró-sionista e 100% pró-VOX feita nas redes sociais do Tio Sam -, foi feito em coordenação pela ditadura de Marrocos, pela colónia ilegítima genocida de “israel”, e pelo império nazi terrorista dos EUA, o Pedrinho lá meteu o rabo entre as pernas e culpou… a Rússia de Putin.

Da mesma forma, a “negociação” dos 5% para a NATO em que a Espanha “conquistou” uma divisão mais equilibrada dessa militarização: “só” 3.5% diretamente para a Defesa/NATO, e 1.5% para questões de Segurança Nacional – é em tudo um teatro comparável ao que se passou agora entre os EUA e a Dinamarca em relação à Gronelândia.

Ou seja, onde num lado se queriam mais bases militares dos EUA, no outro lado queriam os 3.5% + 1.5% desde início. Onde num lado se “ameaçava” com a invasão e anexação da Gronelândia, no outro lado “ameaçou-se” com os 5% diretamente só para a NATO/Defesa. Onde num lado o vassalo/cliente disse que tudo iria fazer para se defender dessa invasão, do outro lado o vassalo/cliente disse que tudo faria para proteger os interesses dos contribuintes. Mas, no final, fez-se exatamente o que se queria, e em ambos os casos a militarização avança contra a Rússia, como parte da distribuição de tarefas contra a Rússia e Irão e China e companhia.

E, convenhamos, 3.5+1.5 continuam a ser 5. Ou seja, os europeus foram chamados de idiotas, e ainda por cima aplaudiram quem gozou com eles, e vão pagar até ao último cêntimo. Tal como a Ucrânia “paga” até ao último homem. E tal como a Venezuela agora paga até à última gota de petróleo. E tal como os vassalos/clientes no Golfo pagam até ao último dia de bloqueio. E tal como Taiwan e Filipinas pagarão também até ao último cêntimo e último homem na guerra que os EUA já planearam para o Mar do Sul da China e que, graças à vassalagem na Europa e Golfo, será mesmo possível e mais em breve do que se pensa.

Isto só será travado, pelo menos da nossa parte aqui na Europa, quando:

– a ditadura da UE for desmantelada,

– os países recuperarem soberania monetária em vez da ditadura do Euro,

– os criminosos de guerra da NATO forem julgados em Nuremberga 2.0 (idealmente realizada em Donetsk),

– o nazismo ucraniano e sua colaboração forem incondicionalmente ilegalizados e afastados da política europeia,

– as ideologias atlantista e sionista forem comparadas legalmente ao nazismo,

– o ICC for desmantelado para dar lugar a um tribunal internacional a sério que persiga Bush e Obama e companhia,

– se puser fim à nossa participação no FMI,

– os EUA forem bloqueados no SWIFT, e o Novo SWIFT (só europeu) for integrado nos meios de pagamentos dos países BRICS+,

– a NATO for desmantelada, e uma arquitetura de defesa europeia for assinada com a Rússia, deixando os EUA de fora,

– todos os políticos vassalos/clientes dos EUA/israel forem presos;

– toda a rede de PRESStituição for posta na rua, e substituída por jornalistas a sério como o Bruno Amaral de Carvalho,

– as redes sociais da CIA/NSA/Mossad foram bloqueadas na Europa, e substituídas por verdadeiras redes sociais livres e democráticas, descentralizadas, sem algoritmos manipuladores, e sem controlo por parte de nenhum Estado ou bilionário em particular,

– os EUA forem completamente bloqueados, sancionados, a nossa economia desdolarizada, e os meios de projeção dos EUA neutralizados (seja a proibição da presença das suas embaixadas, seja a proibição da passagem dos seus aviões e barcos de guerra no nosso espaço), ou seja. isolamento total,

– os cidadãos europeus forem reeducados para perceberem porque é que devem deixar de comprar/usar produtos dos EUA, pois até o simples ato de beber um refrigerante famoso significa que estamos a financiar as agressões do império dos EUA contra a Humanidade,

– e finalmente quando a “elite” económico-financeira do neoliberalismo for posta no olho da rua, com as necessárias nacionalizações compulsivas e restituição de bens ao povo (que os neoliberais chamarão de “roubo” ou “novo PREC”), de forma a termos um sistema económico mais justo, e líderes económicos mais capazes de seguir os bons exemplos da China.

Ou seja, está tudo por fazer, no que à salvação da Europa diz respeito e, enquanto nada mudar, continuaremos vertiginosamente a caminho da nossa própria desgraça.

E vou dizer isto preto no branco: gentinha que vai sorridente a reuniões da ditadura da UE ou da NATO (ou seja. o departamento do Pentágono na Europa) não pode continuar à solta na Europa! Têm de ser presos, e toda a sua estirpe afastada da nossa política e dos nossos ecrãs.

Isto não acontecerá pacificamente! E abominações, como a Meloni, a AfD, etc, não mudam absolutamente nada, pois nada mais são do que filiais do movimento MAGA, isto é. uma resposta antecipada do próprio regime imperial para enganar os que já estão fartos dos vassalos/clientes tradicionais nos respectivos países.

Nos países onde as eleições ainda mudam alguma coisa, este regime faz (ou tenta fazer) golpes ou guerras “civis”: Bolívia, Brasil, Venezuela, Nicarágua, Arménia, Moldávia, Ucrânia, Bielorrússia, Sérvia, Geórgia, Bangladesh, Nepal, Myanmar, Indonésia, Síria, Iémen, Iraque, Líbano, Níger, Mali, Sudão, África do Sul, etc.

Se não faz isso aqui, na Europa, é exatamente porque sabe que por cá nada muda, pois nem há qualquer tipo de democracia nem representatividade, nem existe sequer um acesso dos cidadãos a notícias reais e à verdade, de forma a que haja sequer uma maioria educada e informada que ameace o regime ou exija sequer uma mudança de política. É a distopia de George Orwell, mas ainda pior!

E, o facto de tu achares que a Dinamarca é “soberana” para sequer negociar um “apaziguar” com os EUA, e de pessoalizares a questão em Trump, é uma prova disso mesmo.

A esmagadora maioria das pessoas, mesmo as bem-intencionadas como tu, não fazem a ponta de um corno do que se passa na realidade. E, mesmo eu, por vezes sou enganado por este ou aquele teatro feito por este regime e seus vassalos/clientes.,Não tem mal nenhum admitir isto. O que importa é ir abrindo os olhos!

Assim sendo, muito obrigado à Estátua de Sal por finalmente publicar uma explicação adequada da realidade, dada pelo sempre exemplar, Brian Berletic.

A “Rede de Partilha de Encargos” dos EUA ganha forma

(Por Brian Berletic in TheAltWorld, 15/09/2026, Trad. Estátua de Sal)


Em 2025, o documento da Estratégia de Segurança Nacional dos EUA seria amplamente mal interpretado como um plano dos EUA para romper com a sua busca histórica pela primazia global e, em vez disso, recuar para o Hemisfério Ocidental, enquanto de alguma forma se reconciliaria ou coexistiria com os alvos tradicionais da agressão dos EUA.


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Muitos analistas chegaram mesmo a afirmar que não houve qualquer menção direta à Rússia ou à China como parte da longa “competição entre grandes potências”.

No entanto, mesmo ao longo do próprio documento, termos como “influências hostis e subversivas ” simplesmente substituíram “Rússia” e “China”, reafirmando a continuidade dos objetivos da política externa dos EUA, em vez de os contrariar ou romper com eles.

O documento de 33 páginas incluía uma explicação detalhada de como os Estados Unidos continuariam a procurar a “competição entre grandes potências” não só contra a Rússia e a China, mas também contra todas as outras nações que obstruíssem a primazia dos EUA.

Numa secção intitulada “prioridades”, existia uma política de “partilha e redistribuição de responsabilidades” que declarava explicitamente:

“…os Estados Unidos organizarão uma rede de partilha de encargos, com o governo a actuar como articulador e apoiante. Esta abordagem garante que os encargos são partilhados e que todos estes esforços beneficiam de uma legitimidade mais ampla. O modelo consistirá em parcerias direccionadas que utilizem ferramentas económicas para alinhar incentivos, partilhar encargos com aliados que partilhem os mesmos ideais e insistir em reformas que consolidem a estabilidade a longo prazo. Esta clareza estratégica permitirá aos Estados Unidos combater influências hostis e subversivas de forma eficiente, evitando a sobrecarga e foco difuso que prejudicaram os esforços anteriores.”

Note-se que a introdução de uma “rede de partilha de encargos” dos EUA, que descreve a coerção de outras nações para servirem como extensões do poder e da influência dos EUA, seguiu-se a uma secção intitulada “primazia das nações” , que afirmava: “é natural e justo que todas as nações coloquem os seus interesses em primeiro lugar e protejam a sua soberania”, o que configura uma completa contradição.

Mas isto só se aplica se partirmos do pressuposto de que os EUA discutiram a “primazia das nações” como um princípio geral aplicado a todas as nações e não apenas como um meio de absolver os EUA — e apenas os EUA — das suas obrigações perante o direito internacional.

A ameaça de “instrumentos económicos” para “alinhar incentivos” e “insistir em reformas” para o que o jornal americano alega ser “estabilidade a longo prazo” são claramente eufemismos para a coerção de nações a fim de servir os objectivos da política externa dos EUA e, especificamente, para manter a primazia americana mesmo em detrimento dos melhores interesses objectivos dessas nações.

A Rede de Partilha de Encargos na Prática

Uma das implementações mais flagrantes desta “rede de partilha de encargos” foi anunciada publicamente meses antes da publicação do documento da Estratégia de Segurança Nacional. Em Fevereiro de 2025, o Secretário da Defesa dos EUA, Pete Hegseth, exigiria publicamente que a Europa “redobrasse os seus esforços e reafirmasse o seu compromisso” com aquilo a que chamou “necessidades imediatas de segurança da Ucrânia” e “objectivos de defesa e dissuasão a longo prazo da Europa”.

Numa altura em que muitos nos círculos públicos e analíticos ainda acreditavam que os EUA, sob a nova administração Trump, estavam a tentar pôr fim à guerra em curso na Ucrânia ou a distanciar-se dela, o Secretário Hegseth deixou claro que qualquer mudança na política dos EUA em relação à Ucrânia era meramente o que ele chamaria de uma ” divisão de trabalho” entre os interesses dos EUA na Europa e no Pacífico e as limitações realistas que impediam os EUA de prosseguir ambos sem extrair mais recursos dos seus países clientes.

No meio desta mesma orientação, o Secretário Hegseth insistiu que a Europa aumentasse as despesas militares de 2% para 5% do PIB de cada país — uma insistência que as nações europeias acataram obedientemente (por exemplo, o Reino Unido , a Alemanha e a França ).

O Secretário Hegseth também exigiria explicitamente:

“Isto significa: doar mais munições e equipamento; aproveitar as vantagens comparativas; expandir a sua base industrial de defesa; e, principalmente, ser transparente com os seus cidadãos sobre a ameaça que a Europa enfrenta.”

Parte disso é falar francamente com a sua equipa sobre como esta ameaça só pode ser enfrentada investindo mais na defesa.”

Sendo o aumento das despesas militares extremamente impopular em todo o continente europeu, criar e vender uma “ameaça à Europa” é essencial na criação e utilização da “rede de partilha de encargos” de Washington.  Esta ameaça é retratada não só através de alegações continuamente fabricadas a respeito da Federação Russa e dos seus aliados e parceiros (China, Irão e Coreia do Norte), mas também pela ameaça adicional de os EUA “abandonarem” a Europa à Rússia e à sua alegada “agressão”.

O Secretário Hegseth admitiu publicamente que a relação EUA-Europa é de “divisão de trabalho”, posteriormente alargada na Estratégia de Segurança Nacional de 2025 como uma “rede de partilha de encargos”, permitindo aos EUA “combater influências hostis e subversivas de forma eficiente, evitando a sobrecarga e o foco difuso que prejudicaram os esforços anteriores”.

A guerra na Ucrânia começou e continua a ser exclusivamente uma guerra por procuração dos EUA contra a Rússia — uma guerra por procuração desencadeada primeiro pela captura política da Ucrânia pelos EUA em 2014, depois pela tomada de controlo e utilização das agências militares e de inteligência ucranianas bem ao longo das fronteiras da Rússia e, desde 2022, pela direção da guerra contra a Rússia a partir de uma base americana na Alemanha, no topo da cadeia de comando da “Ucrânia” , incluindo a direção de ataques com drones contra a infraestrutura energética dentro do território russo, bem como ataques a navios que exportam energia russa em alto mar.

Se alguém acreditasse na narrativa dos media ocidentais sobre uma “cisão” entre os EUA e a Europa , teria de acreditar que os EUA simplesmente “abandonaram” a Europa e até a própria guerra por procuração de Washington na Ucrânia contra a Rússia. Isto exigiria ignorar o facto de que os EUA ainda estão a conduzir a guerra na Ucrânia a partir da sua base militar na Alemanha, fornecendo armas directamente à Ucrânia , mas também à Europa, com armas destinadas explicitamente a serem entregues à Ucrânia.

Isto também exigiria ignorar a admissão do Secretário da Defesa Pete Hegseth de que os EUA não estão a abandonar a sua própria guerra por procuração, mas simplesmente a pôr em marcha a sua “rede de partilha de encargos” e a exercer a “divisão de trabalho” EUA-Europa estabelecida em Fevereiro de 2025.

Rede de Partilha de Encargos: O Gabinete Saudita

Farsas semelhantes já foram realizadas, incluindo entre os EUA e o Canadá, após o que o Canadá assinou um acordo de 100 anos com a Ucrânia, consolidando retoricamente o seu compromisso com o que é uma guerra por procuração dos EUA.

Mais recentemente, a Arábia Saudita terá telefonado ao presidente dos EUA, Donald Trump, solicitando apoio militar em resposta aos recentes avanços do Ansarallah ao longo da costa sudoeste do Iémen. No meio do circo político diário promovido pela comunicação social ocidental, os EUA terão negado o pedido de Riade.

Na realidade, o envolvimento da Arábia Saudita no Iémen é uma guerra dos EUA em tudo menos no nome — e parte da guerra mais ampla dos EUA contra o próprio Irão.

Durante décadas, os EUA têm vindo a reforçar as capacidades militares da Arábia Saudita.

Os ataques “sauditas” contra alvos no Iémen — há anos — têm sido realizados por aviões de guerra construídos pelos EUA, mantidos por contratados americanos , transportando munições americanas e guiados até aos seus alvos através de informações de inteligência, vigilância e reconhecimento dos EUA , recolhidas não só por recursos americanos no campo de batalha, mas também por forças especiais americanas que operam no Iémen , no próprio campo de batalha.

Mesmo com o Presidente dos EUA, Donald Trump, a rejeitar publicamente o pedido de assistência militar de Riade, os EUA estariam a expandir o apoio de ISR (Inteligência, Vigilância e Reconhecimento) às operações sauditas em curso no Iémen.

Nos meios de comunicação locais sauditas , os avanços do Ansarallah estão a ser retratados como uma ameaça existencial tanto à segurança nacional da Arábia Saudita como à estabilidade económica de toda a região, numa tentativa de obrigar o público a aceitar os gastos militares necessários (tanto em recursos financeiros como em vidas humanas) para continuar ou expandir o que era e ainda é uma guerra por procuração dos EUA contra o Iémen e os seus aliados iranianos.

Tal como aconteceu com a “cisão” entre os EUA e a Europa ou com a recente “divisão” entre os EUA e o Canadá, o alegado “abandono” da Arábia Saudita pelos EUA, no meio do que é essencialmente uma guerra por procuração dos EUA no Iémen, visa simplesmente ajudar Riade a “ser transparente com os seus cidadãos” sobre as “ameaças” que enfrentam, para justificar “gastar mais em defesa” e outros sacrifícios impopulares exigidos pela sociedade saudita como parte da “rede de partilha de encargos” de Washington.

À medida que os EUA interrompem deliberadamente as exportações de energia de toda a Ásia Ocidental (incluindo países clientes dos EUA, como a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos, o Qatar e outros), ao mesmo tempo que exigem a venda de maiores quantidades de armas americanas a estas nações, o corte de programas sociais em toda a região para atingir este objectivo exigirá narrativas políticas e controlo suficientes para evitar a instabilidade interna.

A Canibalização dos Estados Clientes

Durante décadas, os EUA utilizaram a sua rede global de Estados clientes como uma extensão do seu próprio poder político, económico e militar. Com o ressurgimento da Rússia, a ascensão da China e a crescente polarização do poder global ilícito e abusivo dos EUA, estes necessitarão, sem dúvida, de pressionar ainda mais estes estados clientes.

A Estratégia de Segurança Nacional dos EUA para 2025 defende abertamente uma “rede de partilha de encargos” para extrair mais recursos dos estados clientes dos EUA do que nunca — mas, como ilustrado pelo Secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, na diretiva que entregou à Europa no início de 2025 — para tal será necessário convencer as populações dos estados clientes dos EUA da existência de “ameaças” suficientes que enfrentam.

Se uma fictícia “invasão russa” da Europa ou “ataques de mísseis Ansarallah” contra a Arábia Saudita não forem suficientes para levar as populações dos estados clientes dos EUA ao pânico, fazendo-as entregar os seus programas sociais e futuro colectivo em prol da preservação da hegemonia global americana em declínio, talvez a ameaça de os EUA abandonarem os seus aliados no meio de guerras por procuração em que os próprios EUA os arrastaram seja suficiente.

Apesar do teatro político das divisões emergentes entre os EUA e os seus estados clientes, estes últimos estão a gastar mais agora do que em qualquer outro momento após o fim da Guerra Fria em capacidades militares — seja comprando armas adicionais aos próprios EUA ou desviando fundos públicos de programas sociais para a produção industrial militar, a fim de apoiar as guerras em curso dos EUA e as guerras por procuração em todo o mundo.

A ironia é que, enquanto os governos dos estados clientes dos EUA apontam a Rússia, a China, o Irão e outras nações como “ ameaças” à paz, à estabilidade e à prosperidade, é justamente a sua subordinação aos EUA e a sua participação obediente nas guerras americanas e em guerras por procuração que destroem ativamente as suas respectivas economias e arruínam a vida das suas populações.

E embora os EUA tenham acelerado a pressão sobre os seus países clientes através desta “rede de partilha de encargos”, nada na forma como isto é feito é sustentável. A estratégia dos EUA parece ser a de usar o seu poder remanescente — e espremer até à última gota os seus aliados — para travar a ascensão do mundo multipolar mais rapidamente do que este consegue estabelecer-se e deslocar a influência indevida de Washington e Wall Street pelo globo.

Esta estratégia dos EUA tem menos a ver com a manutenção do domínio do que com uma aposta desesperada contra o declínio inevitável. Ao liquidarem os recursos e a estabilidade dos seus próprios países clientes para ameaçar a ascensão do multipolarismo, Washington e Wall Street estão a acelerar os próprios factores que contribuem para o seu contínuo declínio.

Em vez de se deixarem enganar pelo teatro político que os EUA utilizam para sustentar esta estratégia, as pessoas que vivem entre os EUA e os seus estados clientes devem tentar estabelecer contacto e ligar-se ao mundo multipolar antes que os EUA — através da sua “rede de partilha de encargos” — arrastem  consigo esses estados clientes.

Fonte aqui

A UE morreu. A NATO morreu. A Europa morreu. O rato morreu.

(Por Hans-Jürgen Geese , 19/07/2026, Tradução da Estátua)


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Se quer compreender a história dos últimos 81 anos, precisa de começar a sua pesquisa pelo princípio. Logicamente. Mas muito poucas pessoas realmente o fazem. Começar por que evento? Pela morte do presidente norte-americano Franklin D. Roosevelt.

O presidente dos Estados Unidos, Franklin D. Roosevelt, morreu a 12 de abril de 1945, 26 dias antes do fim da Segunda Guerra Mundial na Europa. Tinha 63 anos. A causa da morte foi uma hemorragia cerebral.

Com base na lógica dos acontecimentos subsequentes, deve presumir-se que o presidente Franklin D. Roosevelt foi assassinado. Porquê?

Roosevelt queria criar um mundo de cooperação e paz após a guerra. Isto também se aplicava à sua relação com a União Soviética, à qual tinha generosamente prometido ajuda para a reconstrução. Mas isso nunca aconteceu.

A 12 de abril de 1945, Harry S. Truman tornou-se presidente dos Estados Unidos da América. Truman, um antigo funcionário bancário que mais tarde geriu o seu próprio negócio de vestuário antes de chegar ao Senado, percebia muito pouco de política mundial.

Após o fim da guerra, Truman tomou três decisões devastadoras que influenciaram o curso da história mundial até aos dias de hoje:

Em primeiro lugar, optou por uma política de confronto contra o comunismo. O início da Guerra Fria data de 1947/48.

Em segundo lugar, a 26 de julho de 1947, Truman fundou a CIA. Anos mais tarde, admitiu que esse foi o maior erro da sua vida. Disse estar “profundamente perturbado” com o facto de a CIA se ter tornado um braço operacional e político, independente do governo. A CIA começou logo a instalar e a remover governos na Europa e noutras partes do mundo.

Terceiro: Os alemães queriam tornar-se neutros após o fim da Segunda Guerra Mundial. Truman negou aos alemães o direito à autodeterminação.

Truman rejeitou um entendimento com a União Soviética, em parte porque a União Soviética tinha proposto uma Alemanha neutra, unificada e desarmada. Os EUA, no entanto, queriam a rica Alemanha como um Estado vassalo.

O início da era das guerras intermináveis.

Truman enviou tropas norte-americanas para a Coreia em 1950 sem a aprovação formal do Congresso, como exige a Constituição. Chegou mesmo a autorizar a travessia do paralelo 38. Esta decisão provocou a entrada maciça da China no conflito. Quem provocou esta guerra? A CIA.

Em suma: desde 26 de julho de 1947, data da fundação da CIA, que a política externa dos Estados Unidos da América é controlada e decidida pela CIA. Não por Truman. E nem por Trump.

O Presidente Eisenhower revelou esta verdade no seu discurso de despedida televisionado, em 17 de janeiro de 1961.

Quando o presidente Kennedy chegou a conclusões semelhantes, disse que queria “destruir a agência de informação em mil pedaços e espalhá-los ao vento”. A CIA assassinou-o então. O diretor da CIA, Allen W. Dulles, demitido por Kennedy, foi membro da Comissão Warren, que investigou o assassinato de Kennedy. O mundo conhecia agora o poder da CIA.

Ao longo dos anos, a CIA conseguiu construir uma rede mundial, aliando-se a outras agências de inteligência e adquirindo milhares de milhões de dólares através de atividades ilegais como o tráfico de droga, o comércio de armas e a escravatura, de forma a executar os seus próprios planos independentemente do Congresso.

Em 1976, a CIA foi investigada pelo Congresso pela primeira e única vez (Comissão Church). A CIA foi apanhada a realizar atividades de espionagem doméstica. Isto foi em 1976. Ninguém no Congresso dos EUA ousaria conduzir hoje uma investigação â CIA.

Todos os presidentes dos EUA desde John F. Kennedy não passaram de idiotas úteis para a CIA. Donald J. Trump não é exceção. Sobretudo Donald J. Trump. Goza do privilégio de enriquecer à vontade, sob a supervisão da CIA.

Importante: Se trabalha para a CIA, é “imortal”. Caso contrário, o jogo com a CIA não funciona, porque todos os presidentes e outros participantes querem naturalmente colher os frutos desta relação. Isto também se aplica, por exemplo, a Volodymyr Zelenskyy.

Sim, todos os aliados da CIA são intocáveis. Pergunte a Macron, Merz ou Merkel. Os índices de aprovação pública são completamente irrelevantes. A democracia não passa de uma bela fachada. É preciso dizer que todos os cidadãos destas democracias não passam de idiotas úteis.

A União Europeia (UE)

A ironia da história da UE reside certamente no facto de a UE e as suas organizações antecessoras terem sido criadas para evitar outra guerra na Europa. E agora a UE está praticamente obcecada em travar uma guerra na Europa. Repare, a UE sempre teve uma ligação muito limitada com a economia.

Isto é também evidente pelo facto de que, quando um novo país é admitido na UE, necessita quase sempre de se tornar mais tarde membro da NATO.

O principal objetivo da UE não é, portanto, o bem-estar económico dos seus cidadãos, mas sim o controlo sobre os mesmos. É simplesmente mais fácil controlar a UE do que todos os países individualmente. Isso seria uma tarefa gigantesca. Agora, passados ​​muitos e muitos anos, conseguiram instalar idiotas intelectuais e morais como chefes de governo em todos os países da UE. Uma conquista verdadeiramente admirável. Não há um único país com um dissidente. São todos agentes impecáveis ​​da CIA.

Se a Alemanha se tivesse tornado neutra em 1945 e nunca tivesse aderido à União Europeia, seria hoje praticamente um paraíso na Terra. Claro que isso não podia acontecer. Muito provavelmente, teria levado a uma estreita cooperação com a União Soviética, para benefício de ambos os países. Uma perspetiva assustadora para Washington e Londres.

Em contrapartida, a República Federal da Alemanha é agora o tesoureiro da Europa. Hoje, a riqueza da República Federal está a ser sistematicamente explorada em benefício de outros. Restará pouco. O objetivo é uma espécie de asilo para pobres.

A abolição do marco alemão foi um erro colossal. O que raio levou Kohl a pensar isso? Que loucura! Regra número um para um Estado soberano: nunca abdique da sua soberania. Jamais. Contudo, a República Federal da Alemanha não pode abrir mão da sua soberania hoje. Porque, para começar, ela não a possui.

NATO

Ouça os discursos proferidos pelos políticos na Conferência de Segurança de Munique (13 a 15 de fevereiro de 2026) e na recente cimeira da NATO em Ancara (7 e 8 de julho de 2026). Estes políticos estão completamente desvairados. A única coisa que lhes importa é a guerra. E trata-se de desperdiçar centenas de milhares de milhões de euros na guerra planeada contra a Rússia. No final do dia, isto representará biliões de euros — dinheiro desesperadamente necessário para investimentos em infraestruturas, educação, saúde e outras áreas na Europa. Estes políticos estão obcecados com a ideia de derrotar a Rússia. O bom senso já não tem qualquer efeito  neles.

Se alguma vez quis saber como se deu a Primeira ou a Segunda Guerra Mundial, então está agora a viver uma projeção desses tempos no presente.

A NATO deveria ser abolida. Assim como a UE. Ambas as organizações são instrumentos do diabo. É preciso dizê-lo sem rodeios. Nada de bom pode vir destas organizações. Vejam Ursula von der Leyen. Corrupta até à medula. Ou o Secretário-Geral da NATO, Mark Rutte, que chama “papá” a Donald Trump. Figuras tão patéticas lideram a Europa. Repito: como pode algo de bom advir disto?

É necessário reconhecer que o dinheiro governa o mundo, logicamente, direta ou indiretamente, e que todas estas organizações representam, em última análise, modelos de negócio concebidos para canalizar ainda mais dinheiro, direta ou indiretamente, para canais específicos.

A depravação, a corrupção, a pura crueldade da classe política são difíceis de discernir e compreender para nós, cidadãos. É necessária uma predisposição psicopática para cometer tais crimes. Todos os dias, centenas de pessoas morrem na guerra na Ucrânia. Todos os dias, centenas de pessoas morrem nas guerras no Médio Oriente. Os políticos podiam pôr um fim a isto. Mas não o fazem. São escravos de uma agenda obscura. A UE e a NATO não são mais do que organizações criminosas.

Europa

Vivi e trabalhei em vários países. É uma ilusão presumir que um alemão e um francês pensam e agem da mesma forma. Basta perguntar a um maestro alemão se interpreta a música da mesma forma que os seus colegas italianos. Culturas diferentes criam pessoas diferentes. Isso é simplesmente da natureza humana. Mas é precisamente esta diversidade que enriquece a Europa. É algo muito positivo.

Serão muito poucas as pessoas que se descreverão primordialmente como europeias. Nunca conheci ninguém que tenha feito tal afirmação.

Tal como a diversidade na Europa é o que a torna rica, a diversidade do povo alemão é o que torna a Alemanha rica. Um saxão não é um bávaro.

Se a Europa for inundada por estrangeiros, esta vantagem cultural desaparecerá. E é esse o objetivo desta entrada de milhões de pessoas de culturas estrangeiras que nunca poderão ser integradas.

Basta observar as taxas de natalidade dos alemães e dos imigrantes para calcular quanto tempo levará até que os alemães se tornem uma minoria no seu próprio país. Isso já é previsível. É irreversível. Isto é uma guerra contra os alemães.

“A Alemanha está a autodestruir-se”, “A Europa está a autodestruir-se” são meras conclusões, nada mais do que o resultado da aplicação do senso comum. Quem discordaria disto hoje em dia?

A Europa, enquanto instituição, foi e continua a ser um nado-morto

Após os Estados Unidos assumirem a hegemonia mundial após a Segunda Guerra Mundial, tiveram naturalmente de se livrar dos seus adversários mais próximos. Para além da União Soviética, estes incluíam a Europa Ocidental, especialmente a Alemanha.

O Plano Marshall não foi mais do que um programa de estímulo económico para a economia americana. Depois de os americanos terem bombardeado a Alemanha até a destruir completamente, sem qualquer sentido, depois de terem morto centenas de milhares de civis, também sem qualquer sentido, e lucrado enormemente com isso, ofereceram-se generosamente para reconstruir tudo. Só para lucrar com a guerra mais uma vez.

O que estes alemães adoradores dos americanos não compreenderam, e não querem compreender, é o seguinte: na América venera-se o dólar. Dinheiro.

Os alemães, no entanto, sempre viveram numa cultura diferente, onde, para além do dinheiro, existem valores muito mais importantes, especialmente o bem comum, que na América é equiparado ao socialismo ou mesmo ao comunismo.

A americanização da Europa significa o fim da Europa. Significa também, antes de mais, um completo emburrecimento da Europa, o que é praticamente o pré-requisito para alcançar a desejada americanização e, consequentemente, o seu declínio.

Nota: A educação era o bem supremo para os alemães. A educação era o bem supremo para os europeus. Os americanos nunca conseguiriam competir com isso. Então, qual foi a solução para os americanos? O abaixamento do nível educacional dos europeus. Diplomas do ensino secundário para todos.

A Europa é uma colónia dos americanos

Pode achar essa afirmação exagerada. Mas os americanos consideram-nos seus súbditos. Basta ouvir Trump ou os seus comparsas. Não nos levam a sério. E até o dizem abertamente.

Só pode negociar ou conviver com alguém se negociar em termos iguais e for visto como um parceiro em pé de igualdade. Isto aplica-se ao seu casamento. Isto aplica-se à coexistência das nações.

A saída é uma rotura radical com os Estados Unidos. A Europa precisa de se reinventar. Mandem os americanos para casa. Todos eles. De preferência hoje. E que Trump seja feliz no seu Washington. Ignorem-no.

Por isso, falem com os russos e encontrem uma solução para o conflito na Ucrânia. Sem os americanos. Porque, para os americanos, o que é a guerra? Um modelo de negócio. Sempre foi e provavelmente sempre será. Em 250 anos de história, tiveram apenas 19 anos sem um conflito militar! 19 anos em 250!

A Alemanha para os alemães. E Europa para os europeus. Que uma nova Alemanha e uma nova Europa surjam então da paz e da prosperidade. Nós, europeus, nós, alemães, devemos esperar pela ressurreição de pelo menos parte da Europa no futuro. A Europa de outrora, a Europa de hoje, nunca mais voltará a existir. Só em bolsas isoladas a cultura europeia, e consequentemente a cultura alemã, poderá sobreviver.

Atingir esta modesta meta só será possível em cooperação com a Rússia. Sem a UE, sem a NATO, sem estes políticos idiotas. A profissão de político deve ser abolida de uma vez por todas. Tal processo não funcionou. São controlados por outros. O povo precisa de aprender a autogovernar-se. 

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