A descida à barbárie

(Prabhat Patnaik, in Resistir, 19/02/2024)

No Panfleto Junius, escrito na prisão em 1915, Rosa Luxemburgo afirmou que a escolha da humanidade era entre a barbárie e o socialismo. A opinião liberal contestou esta afirmação, argumentando que a barbárie que marcou as duas guerras mundiais e o período entre elas não estava relacionada com o capitalismo; de facto, a tendência liberal que surge sob o capitalismo, afirmava, lutou contra a barbárie desse período…

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Uma guerra de mentiras

(David Sacks, in X/Twitter, 17/02/2024, trad. Estátua de Sal)

(Publico este texto porque nele, o autor, um multimilionário norte-americano, insuspeito de ser apoiante da Rússia, lista e desmonta a coleção de embustes com que se anda a encharcar os cidadãos no Ocidente. Para saberem quem é o autor, David Sacks, podem seguir este link.

Estátua de Sal, 19/02/2024)


A guerra na Ucrânia baseia-se em mentiras – mentiras sobre como começou, como está a decorrer e como vai acabar.

Dizem-nos que a Ucrânia está a ganhar quando, na verdade, está a perder.

Dizem-nos que a guerra torna a NATO mais forte quando, na verdade, a está a esgotar.

Dizem-nos que o maior problema da Ucrânia é a falta de fundos do Congresso dos EUA quando, na verdade, o Ocidente não consegue produzir munições suficientes – um problema que levará anos a resolver.

Dizem-nos que a Rússia está a sofrer mais baixas quando, na verdade, a Ucrânia está a ficar sem soldados – outro problema que o dinheiro não pode resolver.

Dizem-nos que o mundo está connosco quando, na verdade, a Maioria Global acredita que a política dos EUA é o cúmulo da insensatez.

Dizem-nos que não há oportunidade para fazer a paz quando, de facto, rejeitámos várias oportunidades para um acordo negociado.

Dizem-nos que, se a Ucrânia continuar a lutar, melhorará a sua posição negocial, quando, na verdade, as condições serão muito piores do que as que já estavam disponíveis e foram rejeitadas.

No entanto, as mentiras vão conseguir prolongar a guerra. O Congresso vai afetar mais fundos. A Rússia conquistará mais território. A Ucrânia mobilizará mais homens e mulheres jovens para alimentar o moedor de carne. O descontentamento aumentará. Eventualmente, haverá uma crise em Kiev e o governo de Zelensky será derrubado.

E então, quando a guerra estiver finalmente perdida, quando todo o país estiver a jazer em ruínas fumegantes numa pira funerária feita por eles próprios, os mentirosos dirão “bem, nós tentámos”. Tendo impedido qualquer alternativa, tendo difamado todos os que disseram a verdade como fantoches do inimigo, os mentirosos dirão: “Fizemos o nosso melhor. Fizemos frente a Putin”.

De facto, dirão eles, teríamos conseguido se não fosse a quinta coluna de apologistas de Putin que apunhalou os ucranianos pelas costas. Depois, tendo transferido as culpas e dado palmadinhas nas costas, passarão alegremente para a próxima guerra, tal como passaram para a Ucrânia depois dos seus desastres no Afeganistão e no Iraque.

As mentiras são mais que muitas – mas estão a funcionar.


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Mais que um negociante, Trump é um mafioso

(Whale project, in Estátua de Sal, 18/02/2024, revisão da Estátua)


(Este artigo resulta de um comentário a um texto que publicámos sobre Trump, ver aqui. Pela sua pertinência, neste momento, resolvi dar-lhe o destaque que, julgo, merece.

Estátua de Sal, 18/02/2024)


A Máfia siciliana surgiu, justamente, como um negócio de proteção. Os agricultores cultivavam pacificamente o seu campo e criavam o seu gado. Entretanto, apareciam no meio da noite ladrões que roubavam o gado e as colheitas, espancando quem lhes fizesse frente. No dia seguinte, o desesperado lavrador recebia a visita de uns sujeitos, bem-falantes, que lhe ofereciam proteção. Era pagar-lhes e nunca mais teria problemas daqueles. Quem recusava podia contar com mais ataques, ou até ser morto, ou ter a casa queimada.

Rapidamente toda a gente se submeteu. Era bem mais seguro pagar do que armar-se em herói, até porque a Máfia também tratou de controlar as autoridades policiais, corrompendo-as e matando quem não entrasse no esquema. Ao longo da história a Máfia foi crescendo, expandindo áreas de negócio e, se hoje parece ter perdido muito da sua força, contínua a ser uma verdadeira praga no Sul de Itália.

Mas não é a história da Máfia que interessa aqui. Interessa é a sua estratégia. Porque a estratégia dos Estados Unidos é a mesma. Criam instabilidade, hostilizam povos à porta da Europa, lançam guerras em todo o lado e depois exigem à Europa que lhes pague proteção. Proteção contra a instabilidade que eles criam.

Mais que um negociante, Trump é um mafioso. Nem mais nem menos. Mas, também os bons democratas falam da necessidade da Europa se rearmar, beneficiando, mais uma vez, a indústria de armamentos americana. Trump é simplesmente mais bombástico e boçal. Mas, estamos a contas com a Máfia, seja lá quem for que por lá ocupe a cadeira do poder. E a necessidade de rearmar vem justamente da instabilidade criada por esta Máfia que, com as suas guerras de agressão, tornou o entorno da Europa muito mais inseguro. E a Europa morde o isco: em vez de procurar a paz fomenta a guerra; temos o Borrell a falar da necessidade de proteger o jardim contra a selva e, por isso, resta-nos mesmo pagar proteção mafiosa.

Trata-se de Máfia, não de negócios. E estão-se nas tintas para os países que são pobres, assolados por secas, e por isso têm muito mais onde gastar o dinheiro que pagar 2% do PIB em proteção mafiosa, leia se comprar armas aos americanos.

Mas as nossas elites, muitas delas só indiretamente eleitas, como a Comissão Europeia, estão-se nas tintas para as nossas vidas e para o facto de haver gente que quase não come para que possamos, todos, pagar a tal proteção mafiosa. Proteção de que não precisaríamos se não andássemos sempre a embarcar nas cantigas deles e de uma Alemanha, que nunca foi desnazificada e que nunca deixou de sonhar com o seu Espaço Vital em terras russas. Proteção de que, certamente, não precisaríamos se engolíssemos o racismo que nos fazia comprar escravos aos tártaros – ou andar a caçá-los por conta própria -, e tratássemos de falar com a Rússia, em vez de tentarmos a escalada da guerra, fomentando um clima de insegurança perpétua à nossa porta.

Porque os mafiosos estão do outro lado do mar. E, se a coisa correr o pior possível, quem vai levar com a maior gordura do cozido somos nós. E, os mafiosos vão assistir de camarote.

Esta cegueira dos dirigentes europeus talvez se explique pela corrupção, arma que a Máfia também usava, quando nasceu na Sicília e continuou a usar à medida que se expandiu. Porque é impossível, que gente com dois dedos de testa acredite mesmo que, se pagarmos essa proteção mafiosa, acabaremos por deitar a mão aos recursos da Rússia pela destruição do seu povo, ou que ache normal a manutenção de um clima de guerra eterna. Corrupção – e, se calhar, algumas ameaças à mistura -, porque ninguém se esqueceu ainda do assassinato de Olof Palme, político muito critico dos métodos da NATO, abatido na rua como caça grossa.

Quem se lixa no meio disto tudo é o mexilhão. Somos nós que andamos a pagar estes circos todos, e depois vamos votar na extrema-direita mafiosa porque a culpa é dos imigrantes, muitos deles fugidos ao caos que os mafiosos criam nas suas terras.

O problema da imigração ilegal na Europa multiplicou-se desde as destruições lançadas pelos mafiosos, com a nossa cumplicidade, no Iraque, na Líbia e na Síria. Mas a culpa é da Rússia. Enquanto pensarmos assim, é pagar à Máfia e não bufar.


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