Velhos tiques

(Por Estátua de Sal, 16/03/2017)

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Era assim que ele falava do TC. As mãos pareciam garras prontas a estrangular os juizes.

A direita anda colérica e perdida nas suas próprias contradições. Agora fala em asfixia democrática, ditadura das esquerdas, e outros mimos. Em suma, sempre que não são eles a mandar e locupletar-se à custa do erário público sentem-se asfixiados.

Mas, depois de ver este vídeo que recomendo a todos, o meu desabafo é só este: DO QUE NOS LIVRÁMOS. Sim, a governação pafiosa, foi ela sim, asfixiante. Contra os trabalhadores, contra os pensionistas, contra os pobres, contra os remediados, contra a Constituição, contra o Estado de Direito, e finalmente contra o Tribunal Constitucional, que impediu ainda assim que as tropelias não fossem maiores.

Tinham tudo, a troika, a maioria na Assembleia da República, a conivência da cavacal figura da Presidência da República, a comunicação social avençada, e rasgaram as vestes contra o única instituição que não controlavam e contra os seus legítimos representantes.

Sim,  se houve asfixia democrática e ditadura em Portugal, foi durante os quatro anos de governação pafiosa e não hoje. Por muito que lhes doa e por muita baba e ranho que agora destilem.

Perante tanta falta de ar, é recomendável que usem e abusem dos anti-histamínicos, que bem precisam, para ver se calam de vez e tem vergonha do que fizeram. Os portugueses e o país, precisa de não perder a memória, e revisitar o passado em vídeos como este, para que não esqueçamos o que ocorreu, o que fizeram e do quão perigosa e deletéria é a turba pafiosa.


(Vídeo de Luís Vargas, in Geringonça.com, 12/03/2017)

A LEAL contra a “DESLEAL”!

(Joaquim Vassalo Abreu, 15/03/2017)

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Não vai ser nada parecido com um “Kramer contra Kramer”, o célebre filme protagonizado por dois dos melhores actores de sempre, Meryl Streep e Dustin Hoffman, penso que ali dos finais dos setenta, nada disso, vai ser, antes sim, uma acesa disputa entre membros da mesma família política, a direita, pela Câmara de Lisboa. Ou será que já não são da mesma família?

Passo a explicar: eu ontem, naquele programa da RTP3 em que os oradores são o José Eduardo Martins, o Pedro Adão e Silva e aquele do Livre, o Rui Tavares, o José Eduardo perguntado sobre se já havia candidato ou candidata do PSD a Lisboa, disse que vai haver sim senhora e que o programa para a cidade que está a elaborar está em vias de ser apresentado.

Mas como não pode haver programa sem candidato ou candidata, embora até agora o programa não se pudesse dirigir concretamente ao perfil de qualquer candidato ou candidata, ele descaiu-se e penso, tenho a certeza mesmo, que falou de uma candidata feminina!

Ora eu, que não tenho um dedo mindinho com as capacidades daquele do Mendinhos, recorri ao meu faro. Faro sim, não porque seja de Faro, até sou quase do extremo oposto, mas porque nasci ali no sopé do Monte de Faro, em Góios, Marinhas, Esposende, ali a paredes meias com Palmeira do Faro, lá está, e Vila Chã!

Quem ali teve o sortilégio de nascer, nasceu com um faro acrescido e, fazendo uso do mesmo, antes de passar do estado de sentado para o de deitado, passei os olhos pelas capas dos jornais e o que vi? Aquilo que ninguém deve ter visto, ou então não viu como eu. O que foi, perguntarão vocês, que tu viste e mais ninguém viu? É só olhar para uma daquelas notícias de fundo de jornal “I” que diz: “Teresa Leal (esqueceram-se de acrescentar Coelho), diz não à CM de Odivelas a pensar em Lisboa”. E remete depois para as páginas 4 e 5. Eu não me remeti pois já não precisava, nem ia comprar o jornal por causa disso.

Estão a ver, portanto, o que faz ter faro. Associei logo tudo e pensei: este PSD não faz nada por acaso! Para combater uma “desleal”, que melhor escolha que uma Leal? Ainda por cima Coelho! E ainda por cima do por cima com um nome de “santa”, seja ela de Calcutá ou de Ávila!

Que ela é Leal é uma constatação. Mas quem será a “desleal”? É também óbvio que é a Maria de Assunção! Mais que desleal, uma autêntica traidora. Como é que uma Ministra, e Ministra da Agricultura e não sei se também dos Mares, de um governo superiormente dirigido por um ser tão iluminado como outro não teremos, faz o que faz e fez o que fez? Primeiro candidata-se à CM de Lisboa sem avisar sequer o seu ainda “pafiano” parceiro. Depois vem dizer que de Banca nos conselhos de ministros não se lembra de se ter falado, quanto mais no sistema financeiro. E depois, cereja em cima do bolo, que assinou de cruz a resolução do BES a pedido da Maria Luís!

Quer dizer: em plena actividade balnear, entre um mergulho, a mamada da filha mais nova e a preparação da espreguiçadeira, ela despachou um Mail de altíssima responsabilidade. Mas aqui até que não posso ser tão injusto: aqui até demonstrou lealdade. A deslealdade foi a revelação!

Mas, recorrendo novamente ao meu faro, ele cheira-me que não terá sido tão simples assim. Para mim ela primeiro telefonou ao Paulo que lhe terá dito: aguarda só um momento Maria “de”!

Entretanto o Paulo telefona, ou estava mesmo com o Coelho e pergunta-lhe: quantos lugares por esta assinatura? Ligou à Maria “de” e disse-lhe: feito, assina! Esta troca de uma assinatura por vários lugares para os seus nos mais diversos departamentos estatais. Que fique bem claro que isto não fui eu que inventei: foi o antigo ministro da economia, o Álvaro Santos Pereira, que o relatou num livro que escreveu. Verosímil, portanto…

De modos que vai ser bonita a “festa”, pá! A campanha, quero eu dizer. Os debates, direi melhor.

A Maria “de” há muito que marcou o terreno, há muito que anda em campanha prometendo reverter aquilo que tirou no seu consulado e até já reuniu com o Medina para se certificar se eram verdadeiros os boatos que diziam estar a CM de Lisboa de boa saúde financeira. E até disse: pois se assim é poderia e deveria ter feito mais, muito mais. Ela tê-lo-ia feito!

Entrementes a Leal, que vem atrasada e tem muito que recuperar, está confrontada com um dilema: gastaria mais ou pouparia mais? Mas ela vai ler o programa e vai fazer como os jogadores de futebol quando entram a substituir outros: o adjunto do Mister mostra-lhe aquelas folhas todas, com aquelas tácticas todas esquematizadas de modo que eles, quando entram, já sabem o que vão fazer, o lugar que vão ocupar, o espaço em que vão jogar e os círculos que devem vigiar. De modo a não perderem as “segundas” bolas e a ocuparem os espaços entre linhas, como dizem aqueles entendidos todos em futebolez!

Mas, como disse, vai ser bonito! Leal sou eu, dirá a Leal! Católica sou eu, dirá a Maria “de”! Traidora és tu, dirá a Leal! Traidora o “camando”, responderá a Maria “de”! Tu e a tua família trouxeram para aqui a Uber, diz a Leal! E tu andas nela, replica a Maria “de”! Eu tenho uma já longa carreira política, diz a Leal e enumera: já fui administradora da SAD do Benfica no tempo do Vale e Azevedo, já presidi a várias comissões de inquérito, fui contra o Constitucional e até combati os Maçons! E tu, desafiou ela a Maria “de”?

Mas esta não se ficou e retorquiu: eu fui Ministra e, mais que tudo, fui contra o aborto, seu “aborto”. Já agora diz-me: porque andas sempre de cachecol, mesmo no verão? Tens alguma coisa a esconder? Hummm…

O Fernando Medina, mais o João Ferreira, riam-se a bandeiras despregadas e o do Bloco, novato nessas coisas, ainda imberbe, estava amarelo e não acreditava no que ouvia.

E dizia para consigo: coisas de mulheres! Onde eu me vim meter…


Fonte aqui

A besta volta a atacar

(Por Estátua de Sal, 15/03/2017)

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Sempre que se encontra em dificuldades, quer ao nível da política interna alemã, quer ao nível do confuso e decrepito cenário político europeu, o ministro das finanças alemão, Wolfgang Schäuble, tira sempre da cartola a eminência parda de um novo resgate a Portugal. (Ver notícia aqui)

Na senda do seu fiel seguidor e amigo de peito, Passos Coelho, Schäuble também é um devoto do diabo a quem acena e invoca com particular denodo. Ora, o que aconteceu hoje, deve-o ter deixado colérico e enfurecido. Portugal foi hoje aos mercados financiar-se a curto prazo e, contrariamente ao que a besta teutónica pretendia com as suas declarações catastrofistas, as taxas de juro foram negativas e ainda mais negativas do que tinham sido no último leilão de dívida pública realizado com prazos semelhantes.

Ou seja, a besta ladra e os mercados já assobiam para o ar e não lhe passam cartão. É que, para os mercados, vale mais hoje em dia um suspiro do sr. Draghi do que uma saraivada de latidos do sr. Schäuble que se arrisca a fazer as malas em Setembro, caso a D. Merkel perca as eleições para o SPD – cenário cada vez mais provável de acordo com as sondagens mais recentes.

Este tipo de intervenções do ministro alemão, deviam merecer de imediato um protesto diplomático veemente por parte do Governo português. Elas revelam que a besta se acha uma espécie de capataz a zurzir numa cambada de escravos que tem que baixar a cerviz sob o estalido da verborreia dos seus sonhos de ditador.

As nossas elites, a classe política quase toda, continuam a defender que o país se deve manter alinhado com uma vocação europeísta e contribuir para a prossecução de um programa de integração económica que deve ser aprofundado. Cada vez mais duvido do sucesso e vantagens desse percurso quando ouço declarações deste tipo e a forma como , este e outros personagens, tratam e consideram os países mais pequenos e economicamente mais débeis. Tratam-nos como colónias e territórios subordinados que devem obedecer sem discussão aos ditames dos donos do império.

Por isso, o debate sobre o que podemos esperar da integração na Europa e da permanência no Euro, não é hoje, longe disso, um debate descabido ou sequer radical, mas sim uma necessária e urgente reflexão. Por enquanto ainda temos alguma soberania e podemos fazê-lo. E devemos fazê-lo antes de  perdermos completamente a margem de autonomia política que ainda temos e nos permite, por enquanto, decidir o nosso destino como nação soberana.

Resistir durante 800 anos como nação independente e virmos a passar de colonizadores, nas sete partidas do Mundo, a colonizados dentro da nossa própria terra, zurzidos por Schäuble ou outra qualquer besta alemã, não me parece ser um grande desígnio nacional.

A obrigação do nosso Presidente da República seria pois, pronunciar-se sobre estas declarações e exigir que o país fosse respeitado e não sujeito ao reiterado bullying político do sr. Schäuble. E a obrigação do primeiro-ministro e do ministro dos Negócios Estrangeiros seria protestar formalmente junto do governo alemão pelas abusivas interferências do seu ministro  das finanças  nas nossas opções de política interna.

Se nada fizerem e nada disserem, só lhes deixo, para reflexão, um conhecido ditado popular: “Quanto mais a gente se baixa, mais o rabo se vê”.