Calças o 37 ou o 38?

(In Blog O Jumento, 09/09/2019)

Esta mania de os políticos irem aos mercados receber banhos de multidão começa a ser preocupante, como se viu no espetáculo triste recentemente proporcionado pela líder do CDS? O espetáculo deprimente proporciona mais uns minutos de tempo de antena, mas não há um único português que mude de voto porque levou um beijinho de um líder de um partido entre as batatas e os pimentos.

O que estes espetáculos estão proporcionando é uma imagem triste dos nossos políticos. Todos sabemos que os mercados não deverão ser o forte da líder do CDS e que o tratamento por tu não será a sua norma de comportamento e muito menos com comerciantes.

Ver um comerciante berrar para saber onde está a “Assunção” de pois meter-lhe o braço por cima, conduzindo-a para a banca para lhe vender uns ténis, perguntando-lhe “calças o 37 ou o 38” proporcionam uma imagem muito triste de um político.

Pode ser muito popular, pode ser politicamente correto, mas se para se ser primeiro-ministro a qualidade que se exige é descer desta forma, permitindo a um comerciante um tratamento que ninguém permite isso significa rebaixar o nível da classe política. Compreende-se o desespero da líder que um dia se gabava de ser o terceiro partido e que agora sujeita-se a tudo para não ficar atrás do PAN, não se importando de atirar a imagem dos políticos para a sarjeta.

Esta imagem não condiz em nada com a de uma política que apesar de se a líder partidária mais jovem dá mostras de já ter nascido velha. Ainda há poucos dias víamos uma Assunção Cristas que nos debates quase nem mexia a cabeça para não estragar um penteado que parecia ser uma homenagem a alguma bisavó. A imagem proporcionada pela líder do CDS não é a imagem de nenhum dirigente político deste país, é uma imagem que a líder do CDS tem do que deverá ser um político popular, o que é lamentável porque ela de popular nada teve, de uma política de baixo nível talvez…


Fonte aqui

Advertisements

De como o Diabo tentou Cristas

(Mário João Fernandes, in Jornal i, 02/08/2019)

Cristo resistiu por três vezes à tentação do Diabo, aos políticos há quem exija que resistam três mil…


Satanás, sempre atento à modernidade e ao espírito do tempo, respeita o princípio da igualdade e procura tentar todos por igual, independentemente da raça, religião, origem política, género, dificuldades de orientação capilar ou instrução em matéria culinária. Nestes tempos estivais, o Maligno não dá descanso aos pecadores e lembrou-se hoje da líder do CDS-PP.
Diabo – São, São, andas esquecida de mim?
Cristas – Credo, vade retro!
D – Que é lá isso, não queres seguir o meu conselho?
C – Nanja eu, ó coisa ruim.
D – Andas esquecida. A inveja tolda o pensamento e a gula apaga a memória…
C – Invejosa, eu?
D – Sim, tu. Que outra coisa senão a inveja te faria seguir os passos de um dos meus mais fiéis discípulos? Porque cobiçaste tu os feitos de Mário Nogueira e confundiste o Largo do Caldas com a sede da Fenprof?
C – Não se tratava de apoiar Mário Nogueira, mas sim de fazer oposição ao Governo.
D – E era por esse caminho que te vias chegar a primeira-ministra?
C – Os caminhos do Senhor são misteriosos…
D – E os meus são auto-estradas sem portagem. Vê onde é que a gula te levou: não voltarás a ter um partido do táxi, mas não terás mais do que um partido da Hiace.
C – Isso é o que dizem as sondagens.
D – Inveja, gula e, agora, soberba. Continuas a pontuar. Estás a lutar pelo quinto lugar na lista dos partidos com assento parlamentar?
C – O diabo que carregue o PAN mailos amiguinhos dos animais! Eu sou pela festa brava!
D – E agora a ira. Lembra-te de não cobiçar o boi ou o jumento alheio. E tens alguma coisa a propor aos que não são animais?
C – É preciso ir buscar os votos onde eles estão, bater a todas as portas, não afastar ninguém.
D – Vê lá a que portas bates. Há coisas que se fazem e não se propagandeiam. Tens muitos correligionários que acham esse teu bater à porta alheia uma coisa demasiado “moderninha”.
C – Esses são os preguiçosos, os que nada fazem para crescermos em número de votos.
D – E os que vão votar nas novidades eleitorais, nos que não têm medo de chamar os bois pelos nomes.
C – Esses são os que já venderam a alma ao Diabo.
D – Ou os que se cansaram de esperar por um partido de direita. A preguiça é um dos pratos que não me canso de servir, tem sempre muita saída.
C – A avareza de espírito não ajuda ninguém. Temos as melhores ideias e passam a vida a roubar-nas.
D – Terás ideias, mas se são os outros que as propagandeiam cometes o pecado da luxúria, na modalidade do voyeurismo. Com que fitas atas essas ideias que dizes ter?
C – Já ninguém liga a rótulos: direita, liberal, progressista, nacionalista, popular… O que as pessoas querem é futuro, não podem viver agarradas à saudade.
D – São, São, não se pode servir a Deus e ao Diabo ao mesmo tempo… Eu sou pela fidelidade. Não gosto de modernices e de ménages à trois. Essas tuas ideias assustam-me. Olha à tua volta, aqui ao lado os saudosistas deram 10% dos votos ao Vox. A saudade envergonhada não gosta de pouca-vergonha.
C – Esses são os fachas! Em Portugal não temos disso.
D – Rapariga, tu estás possuída pelos esquerdalhos! Vou-te mandar para o Caldas meia dúzia de hóspedes que tenho no Inferno a ver se te recordam os bons ensinamentos. Começas com uma romagem a Santa Comba e vais recitando: “Não discutimos Deus e a virtude. Não discutimos a pátria e a sua história. Não discutimos a autoridade e o seu prestígio. Não discutimos a família e a sua moral. Não discutimos a glória do trabalho e o seu dever.”

Escreve à sexta-feira, sem adopção das regras do acordo ortográfico de 1990

A primeira cimeira da RIOGONÇA

(In Blog 77 Colinas, 20/07/2019)

Imagem in Blog 77 Colinas

River:  Meus senhores, a minha proposta de Riogonça inclui PSD, CDS, PAN e Aliança.
Flopes: Ó River, segundo as sondagens, isso tudo junto dá à volta de 34%, o que é curto. 
River: Ó Flopes, eu é que sei. Tu, até levaste uma abada nas eleições do PSD.
Cristas: Eu ainda não perdi a esperança de ser primeira ministra
River: E eu o Trump II
André: Nós, no PAN, aceitamos coligar-nos com quem der mais. A Riogonça ou o Costa.
River: E quais são as tuas exigências?
André: Escolher quatro ministros.
River: Quais?
André: Um camelo para primeiro ministro, uma galinha para vice-primeira ministra, um burro para a Educação e eu as Finanças.
Cristas: Isso seria quase o Triunfo dos Porcos (Orwell).
André: Porcos verdes.
Flopes: Desculpa, mas Finanças é comigo. Até sei umas larachas de economês.
River: Deves ter aprendido na discoteca Kapital.
Cristas: Continuamos com apenas 34%. Onde vamos buscar os restantes votos?
André: Não há problema, os camelos votam todos em nós.
Cristas: Mas também há muitos camelos a absterem-se.
River: Continua a não chegar. Temos que pensar nuns incêndios.
Cristas: Mas, o raio do verão não está a ajudar nada.
River: Podemos organizar umas greves dos médicos e dos enfermeiros.
Cristas: Que não sejam só à sexta-feira.
Flopes: Os bastonários dos médicos e dos enfermeiros teriam de ser ainda mais ativos.
River: A SIC teria de dar-lhes ainda mais tempo de antena.
Cristas: Temos de arranjar um caso qualquer para lixar o Costa.
Flopes: Prometemos baixar o IRS em 50%.
André: Já ouvi tudo e acho que vou escolher o Costa
River: Traidor.

Neste momento aparece o segurança do manicómio.
Segurança: Vamos lá colocar os coletes de segurança e voltar para os vossos quartos.

Faz-se silêncio no Ninho de Cucos.