O neoliberal

(Maria Azenha, publicado como comentário a um artigo deste blog, 18/10/2017)

neoliberal

O neoliberal não cai. Há-de cair.
O neoliberal cheira mal. Nunca vai cheirar bem.
É pior que o dantas.
É pior que a dona constança
e que a dona leonor teles.
O neoliberal não tem dó do dantas.
O dantas ao pé dele é uma criança.
O neoliberal é sempre a favor de uma europa geral
com o pseudónimo de merkel ou holand.
A necessidade que portugal tem de ser um neoliberado mete nojo!
No tempo do afonso não havia EDP nem GALP nem TAP nem PT!
Nem sabiam nada das pedantices do coelho
nem dos manguitos do zé !
Nem dos silva da silva nem dos rodrigues da silva
nem das marias tontas.
O neoliberal vai-se enchendo com o bónus dos incêndios
e lava-se com sabonetes de marca branca.
Calça peúgas de mousse e cheira mal dos pés.
Quando se levanta limpa as mãos à parede e fica com as mãos a cheirar às entranhas.
O neoliberal não tem vergonha das partes íntimas da boca.
Tudo o que diz é uma indecência.
O neoliberal corta a relva com os dentes.
Ele é uma tartaruga política .

Tenho a certeza que o neoliberal escreve poesia com o criptónimo da troika.
O neoliberal puxa o autoclismo com toda a força e deita o mês de abril pela pia abaixo.
Em dois tempos decide o futuro das tartaruguinhas neoliberadas.
Senão vejamos: O neoliberal tem um corno azul e outro vermelho
e anda de joelhos com as cuecas à vista!
Nada do que sai do seu bocal é credível.
Fiquem a saber que o neoliberal se reúne todos os dias
com os coelhos e com os chinas! E com os excrementos dos párias.
O neoliberal tem sempre a mão esticada para a Banca.
E está-se a transformar num entulho com a máscara do trump.
O neoliberal sofre de perturbação auditiva.
Nunca ouviu falar de hanna arendt nem da gulbenkian
nem do Café Gelo.
O neoliberal traz lágrimas de crocodilo
embrulhadas em papel de alumínio.

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O ovo estrelado da serpente

(João Quadros, in Jornal de Negócios, 29/09/2017)
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Após as eleições alemãs do passado domingo, os jornalistas portugueses foram a correr ver o dicionário português-alemão para saber como se diz geringonça. Eu como não sou jornalista fiz investigação: fui ao Google translate. Obtive: contraption. Não parece uma palavra alemã. O que é natural, porque eles detestam geringonças.

Apesar de ter vencido, Merkel sofreu uma grande derrota, pior só a de Schulz, que parece ser mais popular em Portugal do que na Alemanha. O grande destaque das eleições vai para a AfD, a extrema-direita alemã, um eufemismo para nazis, que passou a a ser o terceiro maior partido na Alemanha com 13,5%. O Bundestag alemão vai ter dezenas de deputados nazis. Se estivéssemos em 1938 e a Europa estivesse meio dividida e houvesse um ditador na Rússia , era coisa para ficar assustado. Além do mais temos os EUA que são do mais antifascista que há e contamos sempre com eles.

Acho que, se calhar, o Muro de Berlim estava lá, não para separar a democracia do mundo ocidental da ditadura comunista, mas para evitar que os alemães se juntassem outra vez. Na verdade, se calhar, era um muro antinazi. Se os alemães se juntam todos, acabamos sempre nisto. Setenta anos depois do Holocausto, há 13,5% de eleitores alemães que assumem que querem ser nazis. É uma espécie de sair do armário da Anne Frank. Acho extraordinário haver pessoas que estão admiradas por haver nazis na Alemanha. Por exemplo, sobre ovos moles em Aveiro, ainda não vi nada

Eu não tenho nada contra os alemães, excepto o humor que é fraco e o porno, péssimo, mas vamos lá ver uma coisa, os alemães perderam a guerra, mas eles queriam ganhar. Eles não perderam porque chegaram à conclusão: “Ai, se calhar isto do nazismo é feio, mais vale perder isto.”

Com este crescimento da extrema-direita, Angela Merkel está para a UE como o último bastião das ideias que deram origem à União. Chegou aquele momento em que é suposto nós, portugueses, estarmos agradecidos a Merkel e arrependidos de lhe termos chamado nomes. Era só o que faltava. Tiro o chapéu tirolês aos discursos de Merkel sobre os refugiados, mas não engulo ver a Angela com o discurso antixenófobo depois do que disse dos calões do Sul. Só falta vir o Schäuble dizer que tem sangue grego.
Pode ser do que ando a tomar, mas faz-me confusão ver Merkel e companhia assustados com o crescimento da extrema-direita, como se o discurso a uma só voz , alemã, sobre a Europa, mais o castigo dos “gastadores” e apologia da austeridade não tivessem contribuído para o aparecimento de populistas. Agora, temos de estar todos agradecidos à Merkel porque é o último muro que nos separa dos radicais de direita. Muito obrigado, Doutora Frankenstein.

TOP 5

Na Alemanha sê alemão

1. André Ventura, candidato do PSD a Loures, quer forçar ciganos a terem “formação obrigatória” em Direito Penal – Passar de cigano para advogado, que desgraça.

2. Mensagens antitabágicas devem ter em conta diferenças de género, defende SPMI – Vamos ter de percorrer labirintos para comprar tabaco.

3. Homem em estado vegetativo há 15 anos recupera consciência – Cavaco Silva: “pfffff…”

4. Marcelo nadou e jogou basquetebol em Angola – Marcelo podia ser embaixador do cogumelo do tempo.

5. Passos: “Não fomos nós que vendemos a alma ao diabo para governar” – Só em Loures.

Alternativa para a Europa

(Sandro Mendonça, in Expresso Diário, 28/09/2017)

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Sandro Mendonça

Europa parece quer renormalizar economicamente e anormalizar politicamente. Nem tudo é nítido pois vários ciclos se justapõem. E há um ciclo longo e há um ciclo curto, note-se.


Um ciclo curto, afinal mesmo muito curto. O ano entrou soluçando ansiedade pois as eleições na Holanda e na França podiam desafiar a normalidade política. Depois dos eventos gémeos anglo-americanos (Brexit & Trump) tudo continuaria a ser possível. Na verdade, Le Pen e Geert Wilders tiveram desaires eleitorais. E o establishment suspirou de alívio.

No entanto, o contraste entre o primeiro e o último quarto do ano é quase dramático: a entrada de rompante da direita anti-sistema no parlamento alemão e uma eminente declaração de secessão na Catalunha. Da bonança à tempestade foi, portanto, um ciclo curto.

E os corredores de fundo não abandonaram o tartan, continuam activos como se vê aqui e aqui. A Europa vai entrar em 2018 sendo de novo a sua própria primeira fonte de maior risco.

Foi bonito esse ciclo longo, pá. Nos EUA a actual responsável da Reserva Federal termina já o mandato em Fevereiro de 2018. E o mandato de Draghi terá o seu términus também, sensivelmente daqui a dois anos (31 Outubro 2019). As políticas que se se perfilam para a condução da política são conservadoras: na Europa, inclusivamente, o mais provável é ser um alto quadro da nomenclatura económico-financeira alemã a assumir o poder no BCE (note-se que nenhum alemão ainda comandou esta instituição, e só um a Comissão Europeia já há muitas décadas atrás). A expectativa é assim de um endurecimento da política monetária. Entretanto, os franceses (que não se vêem livres da reputação de terem empurrado a Europa para dentro do projecto da moeda) voltaram à carga: querem agora um reforço da integração em torno da política fiscal. E para azar deles é isso realmente o que poderão vir a ter. É que Wolfgang Schäuble pode agora estar de saída do cargo de ministro das finanças da Alemanha, mas a política das finanças alemã não sairá da Europa assim tão cedo.

Heterodoxia política e ortodoxia económica. Duas massas de ar em formação. Por enquanto é uma brisa, depois será uma corrente de ar. Ventos de mudança no ciclo-político-económico.