O “projeto europeu” nas ruas da amargura

(Por Albarda-mos, in Estátua de Sal, 03/05/2026, revisão da Estátua)

Hand writing with a quill pen in an old history book titled História da Europa, with words 'Unidade' and 'Progresso' highlighted

Alguém marca um livro de história sobre a Europa destacando as palavras unidade e progresso que, entretanto foram abolidas do projeto europeu… Imagem gerada por IA.

(Este texto resulta de um comentário a um artigo que publicámos de João Gomes sobre o fim da Segunda Guerra Mundial e a tomada de Berlim pelo exército soviético, (ver aqui). Pela análise que faz às motivações que levarão a UE a tentar reescrever a História, conectando tais motivações à morte do “projeto europeu”, resolvi dar-lhe destaque.

Estátua de Sal, 03/05/2026)


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A UE é um projeto tecnocrata, tem um programa próprio que se impõe sem grande atenção às necessidades reais das populações dos países e regiões que a compõem, às suas diferentes característica, culturas e necessidades. Em tempos apregoava a coesão, a convergência socioeconómica entre os estados membros, a atenuação das desigualdades sociais, um mercado comum e aberto, a defesa de valores humanistas, democráticos e o progresso civilizacional, etc.

Hoje em dia tudo isso se inverteu, alguns estados põem e dispõem e ditam aos outros as regras orçamentais, a política sectorial, fiscal, empresarial, económica, etc. Há uma canalização absurda de verbas para Estados que não são membros e chegam a condicionar mais as políticas da UE que alguns dos membros. As desigualdades sociais e entre países são cada vez maiores, a convergência é um mito, tudo encarece e a vida dos europeus não abastados – a grande maioria -, é cada vez mais difícil, com menos tempo e recursos, mas muito mais desinformação, ruído, propaganda, controlo mental e pressão – as exigências e deveres aumentam, os direitos diminuem.

Os valores progressistas e igualitários foram substituídos pelo ódio, a xenofobia, a discriminação, a marginalização e a segregação. A verdade é um alvo a abater, e se na guerra ela é a primeira vítima, numa sociedade belicista, armamentista e militarista como se pretende a UE, ela já vem a definhar e é tratada como uma pobre coitada que só alguns iluminados e outros vultos da comunicação social estão em condições de nos dizer qual é: já nem sequer pode ser procurada e conhecida por intermédio de outras fontes que não as dos especialistas de painel, que ora são generais e tenentes-coronéis ora diretores da Cruz Vermelha ou da AMI, manobrados por jornalistas que ora são moderadores, ora comentadores, ora editores, por vezes tudo no mesmo dia e até à mesma hora, consoante o discurso, a narrativa e a mensagem programadas naquele horário.

E perante toda esta demência, há cada vez uma maior deferência aos centros institucionais de poder e aos seus líderes, mesmo apesar dos escândalos cada vez mais frequentes de corrupção, alienação e outros crimes de lesa-pátria, como os emails da Ursula às farmacêuticas, a Mogherini que desapareceu rapidamente das notícias, entre outros casos que pelos vistos não abalam mas reforçam a crença da bondade e da solidariedade europeias, assim como da defesa dos direitos humanos e das liberdades individuais.

Tudo isto numa UE a reboque e na sombra dos EUA, coisa que não acontece em mais nenhuma organização continental relativamente a outra nação de outro continente, não com os mesmos níveis de submissão, aculturação política e sabujice. Até o inglês continua e é cada vez mais a língua oficial dos líderes da UE, mesmo após o Brexit! E não me venham dizer que é por causa da Irlanda ter ficado na UE…

Perante tudo isto, como esperar que o “projeto europeu” tenha qualquer respeito pela “verdade” ou “realidade” históricas, se sucumbiu a fantasias, divagações e a lucubrações corporativas e pessoais de poder?

E sucumbiu em detrimento do bem comum e do progresso social e civilizacional, com o retorno ao volkismo e às correntes racistas e segregacionistas do século passado, antissocialistas e profundamente não igualitárias, tão em voga no “farol do mundo livre” pelo qual a UE se orienta e define atualmente, e onde a separação de poderes é tão ténue e manipulada.

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