A Saturnália portuguesa

(José Pacheco Pereira, in Público, 18/06/2016)

Autor

               Pacheco Pereira

Indiferentes à sucessiva entrega de Portugal às fatias aos angolanos e aos chineses e mesmo aos espanhóis, guardamos a nossa fanfarronice para a bola salvífica.


A Pátria, que estava enfunada como um navio ao vento do largo, agora está de velas murchas pelo “empate”. Ronaldo disse umas gabarolices, nada de novo no contínuo linguajar de presidentes dos clubes, treinadores, jogadores, e recebeu a resposta que merecia do treinador islandês: “Queriam ganhar? Jogassem melhor”. Parece-me sensato. Mas a sensatez tem pequeno papel nestes dias.

Parece que até no exame de filosofia se falou de futebol e do “igualitarismo”. Não vi o ponto, à data em que escrevo, mas conheço bem demais a questão que periodicamente os intelectuais do futebol, que há muitos, trazem para justificar tudo: o futebol iguala os ricos e os pobres na mesma Saturnália emocional e irracional, uma espécie de espasmo, para não lhe chamar outra coisa, colectivo, que revela a “alma” de um povo que, de um modo geral, está dividido e desalmado.

A sucessão de imagens fabulosas dos políticos portugueses a prestarem honras a esta nova forma de altar da Pátria, a bola, é o sinal de um unanimismo desejado que, como é evidente, a democracia não contém no plano político. Deixou de haver Benfica, Sporting, Porto, somos todos da Selecção, esse local ideal da ausência do conflito, da paz perpétua. Mas que fabuloso retrato de Marcelo e Costa, na encarnação do Senhor Feliz e do Senhor Contente, nos autógrafos ao Ronaldo e de Passos Coelho zangado, firme e hirto numa sucessão de fotografias que o PSD colocou no seu site e que é um dos melhores espelhos do “estado” do partido.

Nelas, na sede do PSD, em sucessão hierárquica de importância medida pela distância de cada mesa e cadeira ao Poder, sem qualquer espontaneidade, numa postura norte-coreana, destoa apenas um homem sem cachecol, o verdadeiro líder, Passos Coelho fardado de Primeiro-ministro com a célebre bandeirinha à lapela. Pôr cachecol tornava-o igual aos outros, tirava-o do pedestal. Ao ver estas fotos, apeteceu-me gritar “volta Lopes, estás perdoado!” Se me pedirem que descreva o Portugal político destes dias, aqui está ele em todo o seu esplendor – Quem lhe tirou o la minute foi o futebol.

Mas pobre retrato este, dos retratados e do fotógrafo invisível. No pacote vêm todas as ambiguidades da nossa vida colectiva, povo, media e política, todos demasiado iguais na objectiva futebolística, mistura de oportunismo, ou seja, escolha de oportunidades que não se podem falhar, cegueira, apologia da irracionalidade numa sociedade que tanta falta tem de racionalidade, brutalidade, e alarvidade, desculpa pela violência, encolher de ombros perante a alternância bipolar entre a gabarolice antes e a depressão depois, como se o destino de tudo dependesse do sucesso do futebol, para Portugal ser grande de novo.

Indiferentes à sucessiva entrega de Portugal às fatias aos angolanos e aos chineses e mesmo aos espanhóis, fazendo de conta que não vêem que já somos governados por gente em que não votamos e que não controlamos e que não responde perante os portugueses, guardamos a nossa fanfarronice para a bola salvífica. Não somos únicos nesta atitude, mas com os males dos outros eu cuido, mas não agora. Agora é com os nossos males escondidos atrás dos urros, da cerveja, do folclore do vestuário, dos vikings de cornos de borracha.

A ideia peregrina e até um pouco salazarista, embora com expressão também à esquerda, de que na “festa” se encontram os “desiguais”, está bem para a gentry inglesa ou para os vários Lampedusa do sul ou para a nossa nobreza cavalar que bebe uns copos entre cavaleiros tauromáquicos de nome velho (ou que parece velho, como me dizia o meu avô) e os campinos e os forcados, mas é puramente ilusória, ou melhor, intencionalmente ilusória.

O que é “desigual” continua desigual. E basta olhar para as imagens das gentes à saída ou à entrada dos jogos, para ver as tias e os betos e o mecânico de automóveis e a caixa de supermercado, mesmo quando todos estão de cachecol, cara pintada, e de chapéus com cornos. A desigualdade é uma coisa tramada, cola-se à pele e não há maneira de a tirar, a não ser “igualando”.

Por seu lado, a esquerda, a começar por certa esquerda radical, como já não encontra o povo em lado nenhum e já não há operários, nem camponeses, nem soldados nem marinheiros, vai encontrá-lo na turba futebolística, hooligans incluídos. Ainda se fosse a esquerda inglesa, vá que não vá, porque a classe operária inglesa ainda permanece com alguma identidade, fala diferente, bebe diferente, veste diferente e o futebol tornou-se uma coisa muito deles. Não era na sua origem, mas tornou-se. Mas fora de Inglaterra, há muito tempo que o povo é muito diferente do povo dos livros. Aliás, o dos livros também não era bem assim.

Não quero, nem muito menos podia se quisesse, tornar diferente o mundo do futebol. Mas ao menos que paguem o preço da crítica, aqueles para quem a crítica ainda tem algum papel. Não são muitos, nem adianta muito, mas pelo menos que se saiba e se diga, que os media deixam nestes dias de ser media para serem uma sucursal do Entretenimento Inc., e que participam alegremente numa operação de dopagem colectiva que empobrece o país. O exagero absoluto que já tem pouco a ver com o que se passa no jogo, para se tornar reality show permanente, tão aditivo como um químico.

George Orwell, que percebia destas coisas, escreveu: “Futebol, cerveja e acima de tudo o jogo, enchiam o horizonte das suas mentes. Mantê-los controlados não era difícil”. Nestes dias de bola, percebe-se que não é.

Descer a Rodrigues dos Santos

(Daniel Oliveira, in Expresso Diário, 17/06/2016)

Autor

                              Daniel Oliveira

A má literatura, escrita a metro e pobre em recursos estilísticos, não me incomoda. Não leio mais do que duas páginas e sei que, venda o que vender (e no caso de José Rodrigues dos Santos vende muito), terá o mesmo destino de quase tudo o que é mau: quando os seus autores se vão deste mundo a obra vai com eles. O mau gosto dos leitores costuma ser resolvido com a justiça do tempo, não carregando as costas das próximas gerações com o lixo do passado. Terão apenas de suportar a mediocridade contemporânea e viver na ilusão de que antes só se faziam as coisas aceitáveis que passaram a implacável peneira da História para lhes chegar às mãos.

Ainda assim, e sei que isto choca as almas mais democráticas e igualitárias, há mundos que não é suposto tocarem-se sem estarem protegidos pelo escudo da ironia. George Steiner não faz críticas a livros de Dan Brown porque George Steiner escreve, entre outras coisas, sobre literatura, e Dan Brown apenas escreve livros. Qualquer embate seria um ato de arrogância de um e de atrevimento de outro.

António Araújo é um historiador respeitado. Um intelectual de direita que foi assessor de Cavaco Silva e é assessor de Marcelo Rebelo de Sousa. Leio-o com frequência pelo simples prazer de apreciar a sua inteligência e erudição. Em suma, ele não é do campeonato de José Rodrigues dos Santos. Mas António Araújo tem um “guilty pleasure”: ler e comentar os romances de José Rodrigues dos Santos. Os seus sete textos sobre a obra deste autor, com o titulo genérico de “A sexualidade das onomatopeias” (ver AQUI http://malomil.blogspot.pt/2014/11/rodrigues-dos-santos-sexualidade-das.html), aproximam-se perigosamente do bullying intelectual. Descobri-os, com culpa e deleite, pouco antes da polémica sobre o marxismo rebentar, e não me arrependo do tempo que lhes dispensei. Araújo não se fica pela popular e já batida sopa de peixe com leite de mamas de sueca, da fase inicial e mais radical do romancista. Ao longo dos textos, que nos dispensam a leitura da extensa obra, podemos enternecer-nos com as obsessões estilísticas do autor-jornalista, que se repetem de obra para obra, com especial fixação em olhos cor de mel e seios de dimensões generosas, consistência gelatinosa e com mamilos arrebitados como chupetas – há obsessões bem piores, mas a repetição em várias obras e mulheres acaba por banalizar a coisa. Aconselho, para um serão bem passado, a leitura das hilariantes e bem documentadas recensões de Araújo, com quem, no estudo da obra de Rodrigues dos Santos e no talento para lhe encontrar os traços de continuidade e ruptura, nunca conseguiria competir.

Já num registo um pouco mais sério, António Araújo resume bem a lógica deste tipo de autores: “Por razões exclusivamente comerciais, estes livros, mesmo sem alma, têm de ganhar corpo; e se, noutros cultores do género, o corpo do livro flui naturalmente da mestria de quem o concebe, José Rodrigues dos Santos encontrou um expediente habilidoso e espertalhão para enchumaçar as suas historietas, carregando baldes e baldes de informação wikipédica para o interior dos romances, que se convertem em lições patéticas e intermináveis, reveladoras da total incompetência narrativa do autor e da imaturidade do seu intelecto criativo.” E para se defender, Rodrigues dos Santos carimba o que escreve com a credibilidade de especialistas, operacionais da Al-Qaeda, académicos, historiadores, todos “conceituados”.

Em todo o lado há escritores de obras de entretenimento e um dos géneros mais em voga é esta espécie de romances históricos, quase sempre repletos de revelações estapafúrdias e teorias da conspiração, em que autores sem instrumentos de investigação básicos dão abadas a historiadores experimentados. Sendo ficção, não é grave. Acontece que o sucesso deste género depende da sua verosimilhança. E é por isso que José Rodrigues dos Santos diz que “demonstra” coisas e que apresenta “provas” nos seus romances, equiparando-os, sem se perceber com que métodos, a obras de investigação.

Umberto Eco caracterizou assim o autor do “Código de Da Vinci”, o Papa deste género: “Dan Brown é mais uma personagem do meu romance ‘O Pêndulo de Foucault’ do que alguém com uma existência de verdade. Ele teve um sucesso extraordinário, quase cósmico, mesmo que o que conta seja evidentemente falso. Dan Brown comprou os mesmos livros que eu para as investigações de ‘O Pêndulo’, só que eu fiz uma representação grotesca enquanto ele convenceu os leitores de que tudo o que escreveu era verdadeiro.” Tirem-se os livros que Dan Brown leu e ponham-se no seu lugar buscas na Internet e temos um bom retrato de José Rodrigues dos Santos.

A necessidade do autor enxertar na obra a ilusão de conhecimento permite a leitores menos preparados acreditar que não se estão apenas a divertir e a passar o tempo – o que não tem mal algum –, mas também se estão a cultivar, o que não é verdade. A única coisa que assusta é que Rodrigues dos Santos parece acreditar que está mesmo a revelar estrondosas descobertas à comunidade religiosa, científica, política ou académica, dependendo do tema. Ou então não acredita. Seja como for, temos um jornalista com enorme visibilidade que ou é mitómano ou é aldrabão, sendo qualquer uma destas características pouco recomendável para a profissão que desempenha quando não está a encher tijolos de palavras.

Uma das coisas que distingue um escritor de um vendedor de livros é que o escritor não tem, pelo menos na construção da sua obra, estratégias de marketing. Tem apenas a obra e o seu dever para com ela. Porque vender livros é uma possível consequência da escrita, não é o objetivo. Já José Rodrigues dos Santos procura, nos temas e nas tontas polémicas que promove, apenas vender. E era esse o objetivo da entrevista ao “Diário de Notícias” (que pode ler AQUI http://www.dn.pt/artes/interior/jose-rodrigues-dos-santos-o-fascismo-tem-origem-marxista-5189844.html ) e do artigo do “Público” (AQUI https://www.publico.pt/politica/noticia/o-fascismo-tem-origem-no-marxismo-1733362 ): a busca desesperada de uma reação que desse que falar e ajudasse a vender a sua sopa de peixe.

O facto de ter merecido resposta de intelectuais sérios em jornais sérios é demonstrativo do tal espírito aparentemente democrático do país, onde mundos que normalmente não se tocam – o do entretenimento comercial e o da academia exigente – se confrontam em pé de igualdade. Uma coisa é o olhar deliciosamente sobranceiro dos textos de Araújo publicados no seu blogue, obviamente dirigidos a quem nunca leu nem pretende ler José Rodrigues dos Santos, outra são textos sérios (ler AQUI https://www.publico.pt/politica/noticia/fascismo-e-quando-um-homem-quiser-1733440), procurando desconstruir as mal amanhadas teses de José Rodrigues dos Santos, alguém sem equipamento cultural para distinguir filiação política de evolução histórica, descendência ideológica de semelhanças que são fruto do caldo político, social e cultural do tempo.

Mas muito mais estranho do que isto é jornais de referência, como o Expresso ou o “Público”, darem a José Rodrigues dos Santos tanto espaço para ser protagonista numa polémica historiográfica em que lhe falta tudo para ser parte. A estratégia de autopromoção, procurando espalhar a polémica por todos os órgãos de comunicação social, é compreensível da parte de um vendedor de livros. É mais difícil de compreender do ponto de vista dos jornais. É mais ou menos o mesmo que dar a Margarida Rebelo Pinto uma página para perorar sobre “O Capital no Século XXI”, de Thomas Piketty. Os leitores têm direito a um verdadeiro debate intelectual acima dos delírios ligeiros da literatura de aeroporto.

Tenho uma formação marxista, dediquei uma parte considerável da minha vida a uma militância ideológica que, pelo menos no meu caso, implicou estudo e debate de vários autores marxistas e suspeito que li mais de e sobre Marx na minha juventude do que José Rodrigues dos Santos na sua vida toda. E, no entanto, não me sentiria preparado para um debate intelectual deste calibre. Só a megalomania do Rodrigues dos Santos lhe pode ter criado a ilusão de que, antes de sedimentar conhecimentos básicos sobre a história do marxismo, poderia atrever-se a anunciar revelações e envolver-se em controvérsias filosóficas, historiográficas e políticas desta dimensão.

A razão pela qual José Rodrigues dos Santos conseguiu, com tanta facilidade, ser admitido num debate historiográfico sobre o marxismo feito em jornais de referência, para o qual obviamente lhe falta o equipamento cultural e intelectual, não é a magnânima e descomplexada atitude dos nossos intelectuais. É vivermos num país quase sem elite cultural, onde os bons autores são lidos por pouquíssimos, as polémicas ideológicas vivem no circuito fechado da Academia e de alguns círculos políticos muito restritos e o “Correio da Manhã” é o jornal mais lido nas classes mais instruídas.

Num país assim, José Rodrigues dos Santos faz escola. Não são os nossos intelectuais que são muito democratas ao escolher com quem debatem. É a nossa elite que é tão frágil que até os disparates de José Rodrigues dos Santos têm de ser rebatidos para não ganharem o estatuto público de verdade científica.

Foi Dijsselbloem ou eu que caí do cavalo?

(Nicolau Santos, in Expresso Diário, 17/06/2016)

nicolau

Esta manhã, ainda ensonado, vi na televisão o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, a dizer que se devia aproveitar as historicamente baixas taxas de juro no Velho Continente para resolver a dívida excessiva dos países da zona euro. Como a declaração passou tão depressa e não encontrei ainda confirmação nos vários sites a que recorri, fiquei na dúvida se ouvi mal, se estava a sonhar ou se foi Dijsselbloem que caiu do cavalo. Já me explico.

Um dia, recebi um elogio viperino de um ex-ministro das Finanças deste país. “Você caiu do cavalo e bateu com a cabeça numa pedra? É que está a escrever muito melhor.” Pois a minha dúvida é se Dijsselbloem também não terá caído no cavalo e batido com a cabeça numa pedra para dizer o que disse – ou o que eu penso que o ouvi dizer.

É que se alguém tem uma cabeça muito dura e cheia de ideias erradas sobre a situação económica na zona euro é Dijsselbloem, que mesmo perante as ululantes evidências não muda de posição, tendo muito recentemente estado no pelotão da frente dos que querem que a Comissão Europeia aplique sanções a Portugal e Espanha por não terem cumprido o défice de 3% em 2015.

Ora para o homem chegar à conclusão que, sem um alívio da dívida que impende sobre os países periféricos, estes não conseguirão dar a volta à situação e crescerem a ritmos que lhes permitam pagar os seus compromissos, alguma coisa de extraordinário deve ter acontecido. Ou teve uma visão, ou o sr. Wolfgang Schauble lhe segredou qualquer coisa ao ouvido (coisa muito pouco improvável) ou bateu mesmo com a cabeça.

É que na verdade o brutal endividamento dos países periféricos – e não só da zona euro – é o que está a travar a possibilidade do lançamento de programas de investimento que reativem o crescimento anémico de que a União Europeia padece. E sem crescimento não só não se pagam dívidas como a Europa se aproxima cada vez mais do abismo da deflação, do desemprego estrutural muito elevado e de convulsões sociais, que podem colocar em causa de forma irreversível a moeda única.

Talvez tenha sido isto que Dijsselbloem finalmente percebeu. Provavelmente ainda não aceita que a responsabilidade da crise não tem como única explicação as derrapagens orçamentais dos países periféricos, mas que elas resultaram, em larga medida, de orientações da própria Comissão Europeia (presidida na altura por Durão Barroso) para que os Estados membros investissem a fundo nas suas economias para evitar a recessão, as falências e o desemprego; do disparo dos défices públicos que daí decorreu, com empresas e bancos privados a serem salvos por dinheiros públicos, mas os Estados a serem penalizados porque viram os seus défices e dívidas crescerem rapidamente; da lentíssima resposta de Bruxelas, por ordens de Berlim, à crise grega, que deu origem à crise das dívidas soberanas, que provocou um tsunami sobre as economias europeias; ou dos elevadíssimos juros que os países periféricos tiveram de pagar porque os mercados ficaram com os nervos em franja com a possibilidade da implosão do euro, taxas essas que não eram justificadas pelos fundamentos económicos desses países.

Mas já é um avanço que, depois de aceitar que é necessário aliviar a dívida grega (porque, como é óbvio, os helénicos não têm qualquer possibilidade de pagar o que já lhes emprestaram), venha agora generalizar o conceito e estendê-lo a outros países da zona euro que se encontram em situações semelhantes, embora menos desesperadas, como é o caso de Portugal.

Espero ter sido isto que eu ouvi o Jeroen dizer. E, se foi, peço a todos os santinhos que os amigos não o deixem andar a cavalo nos próximos tempos. É que se ele volta a cair do equídeo e a bater de novo com a cabeça na pedra, lá regressa ao que sempre andou a dizer até ontem. Oremos!