O Comentador Oliveira!

(Joaquim Vassalo Abreu, 07/12/2018)

 

(Temos publicado com regularidade os textos do Daniel Oliveira. No entanto, algumas das suas mais recentes prosas, não tem feito o pleno entre aqueles que seguem este blog, o que só prova a diversidade opinativa do universo dos que nos lêem. A discordância deve originar um debate aberto e leal, o qual deve nortear sempre aqueles que querem contribuir para uma democracia sã, como é o nosso caso.

Aqui fica pois a opinião de Vassalo Abreu, que terá certamente os seus apoiantes, tal como as posições de Daniel Oliveira também terão quem as subscreva sem reserva.

Comentário da Estátua, 07/12/2018)


Quem tão prolixamente fala e escreve e tantos conselhos tem para dar, querendo sempre no politicamente correcto estar, forçosamente que um dia nas suas contradições irá esbarrar…digo eu do alto da minha “sabedoria” popular!

Não o Comendador, lá chegará, mas o Daniel, ele mesmo que, ao que parece, continua solteiro. Entendamo-nos: assim a modos que sem Partido, percebem? Segundo o velho oráculo de Willy Brandt de que “Comunista na juventude, Socialista ou Social Democrata na idade madura”, já só lhe resta o PS! Mas como não é para já, é só para quando este for oposição, o Daniel vai continuar solteiro e a insinuar-se para tudo quanto é lado até ao Costa sair de cena …

Aliás não é só dele, mas comum a muitos outros pensadores que se dizem das Esquerdas, a tendência para em nome do purismo ideológico juntarem-se à Direita para atacarem a Esquerda (o PS), cometendo como que um “harakiri”. Mas convenhamos que ao fim e ao cabo eles sentem-se muito mais confortáveis na sua actividade quando a Direita está no poder. Daí, tanto eles como os próprios partidos à esquerda do PS pouco ou nada façam para o impedir…dói, mas é a verdade!

Eu, sem quaisquer receios a críticas veladas ou não dos “meus”, há algum tempo venho neste espaço chamando a atenção para o que eu considero um crescente caminho ao retorno do pré 2011, isto é, ao suicídio de uma certa esquerda por, tendo como fim único a conquista de ganhos no eleitorado à esquerda do PS, impedindo-lhe a maioria absoluta, ao entrarem no jogo da Direita através da participação conjunta em lutas contra este Governo …

Ora esta Direita, por muito que os Danieis Oliveira desta vida a subestimem, é inteligente e, mais importante ainda, não tem escrúpulos.

E este comportamento só serve, no meu entender, os interesses dessa Direita. E ao deixar que sejam os seus representantes (caso das greves dos Enfermeiros, por exemplo), através da Ordem e daquela enormidade de Sindicatos, a dirigir a greve e a decidir os modos de luta, só a sua credibilidade compromete. Mas ainda não se deram conta, ou o que interessa é mesmo fragilizar o Governo?

É que, exactamente ao invés do que eu venho escrevendo e alertando, o Daniel e outros, de um modo erróneo e diletante, vêm dissertando sobre a espuma dos dias, preferindo aterem-se a detalhes, como se os seus estados de alma fossem assim tão importantes e decisivos na manutenção deste Governo e na prossecução de uma política de esquerda. E dissecando afirmações de Costa, chamando-o até de “arrogante” no tratamento para com os seus aliados, como também “prepotente” quando Costa referiu a não entrada das esquerdas à esquerda do PS num futuro Governo, utilizando, pois, precisamente as mesmas palavras da Direita.

E o que fica depois disto tudo? É que o Daniel Oliveira e a Direita, o mesmo não pensando, mostram afinal pensar o mesmo!

E essa quase diletância, e essa ausência de fixação no que é realmente importante e decisivo para não voltarmos atrás, nota-se no “Eixo do Mal”, por exemplo onde, ao invés de um encontro de gente pensante abordando temas da actualidade, porque não, e projectos políticos, se transformou num encontro de amigos no café, numa tertúlia mesmo, com o permanente galhofar como pano de fundo da leviandade com que tratam o que devia ser sério. E o Daniel entra naquele jogo de “egos” cada um pugnando para ser o mais engraçado. Uma tristeza Daniel, uma tristeza…Já acompanhei, deixei de ver, vi os últimos dois programas e…parei novamente. Não tem jeito mesmo e não vejo quem aquilo queira mudar.

Eu estou e estarei sempre disponível para o contraditório, mas quem sou eu para que o Comentador Daniel perca um pouco do seu precioso tempo comigo? É que ele ganha à peça ou por avença nos sítios onde fala e escreve e o tempo é ouro- ganha pão-para ele! Eu já o tinha chamado à atenção por duas vezes, mesmo depois de troca de argumentos em Posts no Facebook, onde por mim interpelado manteve de modo sobranceiro a sua postura e não tive outro remédio que publicar dois duros textos ( um sobre o Centeno a quem ele chamou de “nabo” em politica e outro acerca da morte  de Fidel onde ele afirma, assim de peito cheio de ar, que Cuba tem um sistema de Saúde perfeito, um sistema de Educação exemplar e o Desporto massificado, entre outros exemplos, mas faltava-lhe o pequeno almoço, o almoço e o jantar… Levou e levou forte, como tinha que ser e podem relembrar: (Daniel, Um Noviço em Nabiças) e  ( Daniel, o Pensador)…

E chamo a Vossa especial atenção para este último texto pois aqui estão muito bem expressas as nossas diferenças e o porquê de, mais uma vez, não conseguir deixar passar… desta vez, embora de modo diferente, também tem que parar para pensar ou então a sua credibilidade perante mim ficará gravemente ferida. Eu só respondo por mim, é claro, e só eu sou responsável pelo que escrevo. Claro!

Mas ao Comentador Oliveira exige-se sempre mais rigor, exige-se continuidade e, acima de tudo, coerência. E uma marca de DIFERENÇA, que teimo em tentar encontrar, passe a sua habilidade dialética e a rapidez de pensamento. Mas, se realmente defende as Esquerdas e um Governo progressista das Esquerdas, embora o facto de continuar “solteiro” possa servir de atenuante, deve pugnar por essa mesma Esquerda, sem quaisquer tibiezas e hesitações pesem os coletes de forças onde actua dentro do politicamente correcto, para que estas forças continuem detendo o poder, não cedendo nunca à crítica fácil a esta Esquerda que nos Governa.

E nem é preciso aqui dizer que, não consigo sequer dizer se bem se mal, faz opinião! E ao dizer que “faz opinião” quero dizer que, com uma simples aparição num debate na TV, seja ela qual for, ele atinge mais gente que todos os Blogs juntos… mas a sua responsabilidade cresce exponencialmente, não tenhamos dúvidas!

Mas, e daí os motivos deste texto e desta veemente critica, uma salutar critica a quem pela sua exposição e dimensão não pode deixar nunca de fazer vincar as suas posições (coisas que dificilmente tenho notado), o Comentador Daniel no que às leitura politicas diz respeito, tem sido de um diletantismo tal que eu não me eximo a Ir ao fundo do fundo do seu pensamento e tentar vislumbrar o alcance da essência da essência do que quer dizer com estas algumas frases…:

-“Cada vez que o PS sobe nas sondagens ele afasta-se do “espirito” da Geringonça”… E conclui que o PS é simplesmente o “porteiro do Poder”! Conseguem atingir?!!!

– “Costa só pode decidir sozinho se tiver maioria absoluta (La Palice di-lo-ia também…)! Esta frase é tão profunda que nem eu, mesmo meditando, consegui alcançar o significado! Mas apenas pergunto: e se o PS for o partido mais votado, não atingir a maioria e pretender formar governo, um governo minoritário: o que farão o BE e o PCP? Viabilizam, tal como fizeram na génese da Geringonça ou voltam ao passado, esse do “quanto pior melhor”? Desde já afirmo que decididamente votarei PS. A não ser que… Percebe, Daniel?

“ Até eleitores Socialistas sabem como o PS é um adolescente. Quando fica sozinho em casa, as suas festas costumam provocar estragos”. Ora isto é, ipsis verbis, o que diz a Direita. Até atribuem a Milton Friedmam, o guru da descola de Chicago, a tal que dizia que o Mercado se regulava a si próprio (e viu-se à saciedade quanto isso era uma falácia) aquela frase de que se os socialistas fossem governar os desertos até as areias desapareceriam… O Daniel não tem vergonha de copiar a Direita e, ainda por cima, no mais redutor e populista que ela consegue?

E finalmente: “ É este Governo que, com as cativações, desvirtua um Orçamento aprovado, não é o Parlamento que, com alterações na especialidade, desvirtua um Orçamento por aprovar…”.

Desculpe-me Daniel mas esta frase, tendo sido por si escrita, só pode ter sido passada a papel em momento de embriaguez ou sono absoluto! Nem é preciso alongar…

Mas, o Daniel também entende ser um Orçamento uma coisa elástica? Só se for o de sua casa, uma casa onde as receitas são tais que não são precisas cativações, isto é, receitas que ficam de lado para uma posterior compra: um carro novo, uma viagem de sonho ou um casamento inesperado. Um daqueles que até nos fazem largar tudo… olaré, e se não fossem aquelas benditas cativações…É melhor pensar nisso, ó Daniel! Olhe que é melhor do que ser Comendador!

Eu ia, para finalizar, falar das “coligações negativas” mas nem o vou fazer. Só vou referir aquilo que o grande Comentador Oliveira acerca do referido proclamou:

Nunca houve coligação negativa alguma, tanto na votação do PEC 4, como na contagem do tempo de serviço dos Professores, na questão dos Enfermeiros ou nas propostas Orçamentais rectificadas onde, afirma o Daniel, o BE e o PCP se mantiveram onde sempre estiveram e que os outros (os Partidos de Direita) é que se deslocaram…

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Santana e a arte de se fazer desejado 

(Daniel Oliveira, in Expresso Diário, 09/10/2017)

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Luís Montenegro deixou que se especulasse durante um ou dois dias. Até perceber o óbvio: que não tem estatuto político para ser um verdadeiro candidato à liderança do PSD. Nem mesmo como candidato previamente derrotado em representação do legado passista. Paulo Rangel deixou passar mais um dia. Até ele mesmo perceber que o apoio tão encarniçado como pouco sincero que deu à liderança de Passos não se limpava em poucos meses. Que quem queira virar a página no PSD não pode ter mácula de passismo. Passos é passado. Para ele, sobram os agradecimentos do exército de colunistas militantes de uma direita que existe quase apenas nos jornais e na academia e que o País descobriu com a troika e quer esquecer rapidamente. A estes órfãos isso irei noutro texto.

Mas com Pedro Santana Lopes nunca poderia ser assim. E mais uma vez, a segunda neste ano, a enésima nos últimos anos, o mundo político e mediático – o restante está-se nas tintas –, espera pela sua reflexão e decisão. Em quase todas as eleições, sejam presidenciais, autárquicas ou internas, é assim. E, no entanto, Santana só ocupou cargos nacionais nomeado como sucessor que ninguém desejava. Também foi por causa de meses de espera por uma nega de Santana que Passos Coelho foi obrigado a uma solução de recurso e a sofrer, em Lisboa, uma humilhante derrota. Não deixaria de ser irónico que Pedro Santana Lopes fosse eleito presidente do PSD como resultado de uma crise interna de que ele é um dos principais responsáveis.

O valor de Santana não é ser invencível apesar de ter, sabe-se lá como, criado a ideia que é uma máquina em campanhas eleitorais. A única eleição relevante que venceu (Figueira da Foz não conta num currículo de primeira linha) foi a de Lisboa, em 2001. Quem acompanhou essa campanha sabe bem que foi mais João Soares que a perdeu do que o PSD que a ganhou.

Soares foi displicente e, quando percebeu o erro de cálculo, optou por uma estúpida campanha de apelo a um combate antifascista que decisivamente não estava em causa naquela eleição. Depois de cumprir parte do mandato, Pedro Santana Lopes não voltou a ir às urnas em Lisboa. Abandonou, como abandonara sempre, o lugar a meio para se tornar primeiro-ministro por procuração.

Quando se candidatou ao cargo de primeiro-ministro, em 2005, ofereceu ao PSD o pior resultado desde 1983, de que nem Passos Coelho, depois de terríveis quatro anos de autoridade, se conseguiu aproximar. A sua incompetência deixa mais mossa eleitoral do que qualquer crise. E também ofereceu ao país a mais vergonhosa das campanhas, onde o “menino guerreiro” até se dedicou a insinuações sobre a orientação sexual do seu opositor.

Nas corridas à liderança do PSD, foi esmagado por Marcelo Rebelo de Sousa em 1996, perdeu para Durão Barroso em 2000 e ficou, nas primárias de 2008, atrás de Manuela Ferreira Leite e de Passos Coelho. Perdeu, perdeu, perdeu. Apesar deste invejoso currículo de derrotas mantém uma fama enganosa de vencedor, graças à vitória contra João Soares e a um fascínio da imprensa por esta colorida personagem política. E por isso esperam. Porque Santana tem uma arte única: a de se fazer desejado mesmo quando ninguém sabe ao certo porque raio o há de desejar.

Não sei se esta espera dará em alguma coisa. António Costa arranjou uma poltrona para Santana Lopes, que lhe permite alguma estabilidade e um certo estatuto de que precisa, para que se arrede da política. De todos os defeitos que lhe posso encontrar – de que o pior é a sua total vacuidade intelectual e política –, a falta de coragem para se atirar um confronto não é uma delas. Como se vê pela sua história, Santana não tem medo da derrota, o que é bom. Mas não sei se largará a poltrona da Santa Casa para esta batalha. A não ser, claro, que Vieira da Silva lhe diga que o lugar fica à espera de mais esta aventura. Será que o governo o deseja tanto a ponto de permitir que o lugar de provedor seja apenas um resguardo para um político intermitente? Duvido.


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PCP na geringonça: se correr o bicho pega se ficar o bicho come 

(Daniel Oliveira, in Expresso Diário, 04/10/2017)  

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A brutal derrota do PSD nas autárquicas do último fim de semana não consegue esconder uma nova fonte de problemas para a “geringonça”: o desgaste autárquico do PCP. Pior: a transferência de votos dos comunistas fez-se quase exclusivamente para os socialistas. Enquanto se pensou que eram umas câmaras no Alentejo, tudo não passaria de um incómodo. Quando ficou claro que Beja e Berreiro também seriam perdidos a coisa piorou. Quando se descobriu, com estupefação, que Almada estava entre as nove autarquias perdidas para o PS percebeu-se que o problema era mais grave. Há uma tendência consistente e não localizada de transferência de voto da CDU para o PS.

Tenho as minhas ideias sobre o assunto. O eleitorado comunista está, socialmente, entre os principais beneficiários das medidas de reposição de rendimentos deste governo. O PCP pode, como fez Jerónimo de Sousa, puxar a brasa à sua sardinha e atribuir aos comunistas muitas das medidas tomadas. Mas a ideia não passa. O que quer dizer que o PCP suporta um governo que, também graças ao seu apoio, está a tomar as medidas que tiram votos aos comunistas. Não porque as pessoas estejam descontentes com a geringonça, mas porque estão satisfeitas. Isto só não se sentiu de forma tão aguda com o Bloco porque ele tem pouca relevância autárquica e porque há um eleitorado mais jovem do BE que ainda está muito longe de ver grande parte das suas aspirações respondidas. E porque o Bloco sabe surfar melhor neste tipo de situações.

A tentação dos comunistas pode ser a de começar a pôr fim a este entendimento, criando-lhe dificuldades e alimentado, para fins partidários, uma conflitualidade social crescente. Os sinais saídos do Comité Central não são os mais animadores. Mas não podem e não devem fazê-lo. Não podem porque quem roer a corda à “geringonça” será fortemente penalizado pelo seu eleitorado. Não devem porque, para além de muito do que tem sido conquistado ser a razão de ser um partido de esquerda, a travagem do processo de liberalização do mercado de trabalho e de privatização das funções do Estado é condição para sobrevivência do próprio PCP. Se os comunistas apoiam o governo o PS fica-lhes com os louros, mas se os comunistas desapoiam o PS fica-lhes com o descontentamento.

O Bloco de Esquerda irá aproveitar o desconforto do PCP para ganhar protagonismo como aquele aliado que ajuda a construir a maioria à esquerda. Já o começou a fazer. Horas depois do PCP se mostrar indisponível para construir uma maioria em Lisboa, Catarina Martins veio dizer o oposto, mostrando mais arrojo e autonomia em relação aos comunistas do que é habitual. Uma estratégia inteligente que tenta impedir que os efeitos que se estão a sentir no PCP cheguem ao Bloco.

Na realidade, o problema está a montante. PCP e BE ficaram de fora de governo para não serem responsabilizados pelas suas derrotas. Consequentemente, não estão a ser responsabilizados pelas suas vitórias. É uma ingenuidade pensar que se pode estar fora para o que é mau e dentro para o que é bom. A situação piorou quando os acordos assinados foram quase totalmente cumpridos. Antes disso os dois partidos ainda podiam chamar a si medidas concretas, como, aliás, Jerónimo de Sousa fez no seu discurso de derrota. A navegar à vista resta a comunistas e bloquistas dizer aquilo que impediram, passando grande parte do tempo a explicar que este não é o seu governo (Jerónimo até nega a existência de um acordo parlamentar) apesar de o apoiarem. É curto, confuso e pouco mobilizador. Deviam ser os primeiros a querer um novo acordo, com novas medidas que ultrapassem a restituição de rendimentos. E deviam ter conseguido isto antes do PS se ter reforçado eleitoralmente.

Depois deste resultado, António Costa será tentado a fazer o que quer e a confiar que comunistas e bloquistas não podem roer a corda. Até fará juras inconsequentes de novo casamento para atrair o voto de eleitores comunistas e bloquistas enamorados com a sua abertura à esquerda. De outro lado, haverá mesmo quem, mais excitado, comece a dizer que o PS não precisa do PCP para nada. Nem do Bloco. Seria cauteloso com a condescendência e com a arrogância. O PSD vai passar por meses difíceis mas, lá para janeiro, deverá ter uma nova liderança. Boa ou má, virá mais fresca e sem o peso dos anos da troika. Com um PCP acabrunhado e os laços da geringonça menos firmes será fácil explorar todas as contradições desta frágil solução de governo. Daqui a dois anos nunca se sabe o que acontecerá. Também Passos descorou as autárquicas, convencido que por esta altura o governo estaria nas lonas. Enganou-se redondamente.

A “geringonça” tem meio ano para garantir que esta soma é boa para todos. Para começar, PCP e BE têm de assumir a “geringonça” como sua em vez de passarem o tempo a dizer que o governo é de outros. E ganhar a iniciativa negocial. Para acabar, o PS tem de perceber que o sonho de uma maioria absoluta é isso mesmo: um sonho.

O problema, se o PCP e BE concluírem que só perdem com esta solução, será o que Costa identificou há mais de dois anos e regressará mal o PSD se recomponha: os socialistas ficam condenados a ter de conquistar maioria absoluta se não quiserem depender do PSD para governar. E o que se desfaça agora dificilmente se refará no futuro.


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