A direita será devorada pelo bicho que julga domar

(Daniel Oliveira, in Expresso Diário, 10/03/2020)

Daniel Oliveira

O Movimento Europa e Liberdade (MEL), fundado originalmente para dificultar a vida a Rui Rio (e não para fazer oposição a António Costa), inicia esta terça-feira, na Culturgest, em Lisboa, a sua segunda tentativa de replicar a “Aula Magna das esquerdas”, do tempo da troika, à direita. No cardápio estão várias figuras da direita portuguesa e os diretores do “Público”, “Observador” e “Eco”, numa saudável transparência quanto ao seu posicionamento político. Rui Rio voltou a declinar o convite (por razões de agenda, claro), enviando Paulo Mota Pinto para encerrar os trabalhos das tropas inimigas.

Mas o facto mais interessante, que corresponde a uma estreia e a uma declaração política, é o convite André Ventura, que falará amanhã, quarta-feira. Não vale a pena vir com conversas sobre o pluralismo político. Este é um encontro politicamente circunscrito, para o qual não foram convidadas personalidades do centro-esquerda e da esquerda. Assim sendo, o que os organizadores dizem é que no espaço político em que situam cabe André Ventura mas não cabem pessoas do PS, do BE ou do PCP. Que Ventura é um deles. Que a fronteira entre a esquerda e a direita é, para eles, mais relevante do que, por exemplo, a fronteira entre os xenófobos e os que os combatem. É uma clarificação relevante.

Alguns organizadores verão no Chega um aliado natural. É seguramente a linha dos que venceram a luta interna no CDS e de parte dos que a perderam no PSD, como Miguel Morgado, mais próximo de Ventura do que da matriz original do PSD. Outros acreditarão que integrar André Ventura é a melhor forma de o neutralizar. Tem sido essa a mensagem errada do Presidente da República. É tentador pô-lo ao lado de Daniel Proença de Carvalho e José Miguel Júdice, dois símbolos daquilo a que chamamos “sistema”. Mas este pequeno prazer não neutralizará ninguém.

Em França, a direita republicana manteve durante muitos anos um cordão sanitário com a extrema-direita xenófoba. Não os aceitava no governo, não os apoiava nas autarquias ou nas segundas voltas para a eleição de deputados, não tinha frentes políticas com ela. Esse cordão, a que estupidamente se juntou uma lei eleitoral que permitiu a permanente vitimização da Frente Nacional, não impediu a lenta progressão da família Le Pen, sobretudo depois de Marine ter socializado o seu discurso. Mas conteve-o. Enquanto durou, permitiu que muitos eleitores da direita tradicional olhassem para aquele partido como uma escolha que merecia censura social e política. Em Portugal, esse cordão sanitário não durou umas semanas. Na Europa, o único país que o mantém é a Alemanha. Por pouco tempo, suspeita-se. Do Brasil aos EUA, passando pela generalidade dos países europeus, os partidos da direita tradicional acreditaram no mesmo em que acreditam os promotores do MEL mais bem intencionados, que são provavelmente uma minoria.

A extrema-direita aproveitou o palco e a credibilização que lhe foi oferecida, não cedendo um milímetro na sua agenda e nos seus métodos (especialmente evidente desde que as redes sociais passaram a desempenhar um papel fundamental no debate público), e conseguiu dirigir-se com muito mais eficácia aos eleitores da direita tradicional. Graças à ação dos próprios dirigentes dos partidos em que costumavam votar.

Não preciso de explicar o que aconteceu depois. Por todo o lado, a extrema-direita já não está a receber votos da esquerda, como aconteceu nos anos 80 e 90. Está a dizimar a direita tradicional. Nos seus valores, a extrema-direita é inimiga de todos os democratas e defensores dos direitos humanos e do Estado de Direito. Mas do ponto de vista eleitoral os seus maiores adversários são os partidos da direita tradicional. André Ventura não vai à Culturgest para juntar forças contra António Costa. Vai receber o certificado de credibilidade que o ajudará a roubar votos à direita tradicional.

Claro que, como Miguel Sousa Tavares e Ricardo Sá Fernandes, o excesso de autoconfiança de alguns os faz acreditar que com bons argumentos vencerão Ventura. Talvez num debate civilizado sobre a castração química ou até física, a prisão perpétua e a pena de morte que não repugna o professor de Direito. Como descobriram os dois, Sá Fernandes e Sousa Tavares, em direto e na televisão, rapidamente descobrirão que só se debate com quem quer debater. O jogo de Ventura é outro e nesse terreno não o vencem seguramente.

Quando os ingénuos e os oportunistas que puseram Ventura no seu barco perceberem que estão a repetir os erros de outros derrotados será tarde demais. Ou serão, como a direita francesa e espanhola, reféns da agenda de ódio e intolerância da extrema-direita, ou acabarão por se submeter a ela, como aconteceu nos Estados Unidos, Brasil ou Itália. Também eles julgaram, quando romperam o cordão sanitário, que integrariam a extrema-direita. Foram integrados por ela. Ela é que passou a ser o novo normal. Com a prestimosa ajuda daqueles que dizimou.

Em Portugal, a legitimação de André Ventura começou por ser dada pelo próprio Passos Coelho, quando, ao contrário do CDS, manteve o apoio à sua candidatura à Câmara Municipal de Loures, depois de declarações públicas claramente racistas. Como viram, o resultado não foi a sua integração. Foi a sua legitimação para voos mais altos. Ventura usou o PSD para rampa de lançamento de um projeto a solo e usará esta nova legitimação para crescer mais um pouco, desdramatizando o voto no seu partido.

Afinal de contas, é uma escolha como qualquer outra. São os seus concorrentes mais próximos que o dizem. Julgam que metem o leão na jaula para o domar. Estarão trancados nessa jaula quando o bicho os fizer em postas. Como tem acontecido em todo o lado em que se achou que a convivência era possível. Não aprendem nada.


Não estamos todos no café, Tânia Laranjo

(Daniel Oliveira, in Expresso Diário, 28/11/2019)

Esta quarta-feira, Tânia Laranjo, jornalista do “Correio da Manhã” e da CMTV, local onde André Ventura se fez político às cavalitas do futebol, partilhou uma piada no seu Facebook. Num “meme”, lê-se: “Black Friday. Leve dois e não pague nenhum.” A acompanhar, as fotografias de dois dos poucos políticos negros deste país: Joacine Katar Moreira e Mamadou Ba. O post foi apagado depois de uma reação viral.

Não sei se consigo explicar, pela enésima vez, que o humor não é uma espécie de salvo conduto para se dizer tudo o que se queira e não se tem coragem. Claro que o humor deve ser lido e ouvido como humor. Conta o contexto em que é dito. É por isso que não foram muitas as vezes que me viram protestar com piadas, mesmo de mau gosto. Raramente dou para esse peditório, porque as fronteiras entre o puritanismo e a exigência ética nem sempre são claras. Mas isso não implica que o humor nos limite a capacidade crítica. Pelo contrário, ele deve servir para a aguçar. E “só” humor não chega.

Não tenho dúvidas que Tânia Laranjo não queria ser racista. Quando se insiste que o racismo não é uma questão meramente pessoal, é porque se tem consciência que o racismo social começa pela insensibilidade perante a sensibilidade dos outros. É a ausência desses outros, quase sempre com menos poder para reagir no espaço público, que permitiu que imensa gente se convencesse que isso não os incomodava. É como se fossem todos nossos amigos, não tem mal nenhum. Neste caso, a coisa é um pouco pior. Uma piada com a compra de negros num dia de saldos, num país que tem uma história de escravatura, é especialmente ofensiva. Obviamente tal ideia nem sequer ocorreu a Tânia Laranjo. A pouca gente, aliás. No país que transformou a escravatura num negócio global nada que não engrandeça os nossos feitos é tema. Publicasse esta piada nos EUA ou em muitos países europeus e Tânia Laranjo estaria em muito maus lençóis.

Dirão que estou ser hipersensível com o post de Tânia Laranjo. A minha sensibilidade é a mesma que Tânia Laranjo demonstrou, e muito bem, quando o inenarrável advogado de José Sócrates lhe disse “a senhora devia tomar banho, cheira mal!” Pôs-lhe um processo, para além da multa de oito mil euros que João Araújo teve de lhe pagar. Não me parece que se o advogado dissesse que aquilo era só uma piada se tivesse livrado da condenação. Pois a sensibilidade de Tânia Laranjo não vale mais do que a sensibilidade de Mamadou Ba e Joacine Katar Moreira.

Agrava tudo isto o facto de a piadista ser jornalista. Uma jornalista que, a qualquer momento, poderá ter de contactar ou entrevistar a deputada do Livre. Ao abrigo da liberdade de imprensa e dos deveres dos deputados perante os eleitores, espera-se que Joacine fale com jornalistas. Mas estará obrigada a falar com uma jornalista que fez piadas com a sua cor? Terão alguns jornalistas que usam as redes sociais como se fossem cidadãos comuns a consciência da situação em que se colocam e em que colocam os órgãos de comunicação social para que trabalham? O código deontológico dos jornalistas é, no seu ponto 9, bastante claro: “O jornalista deve rejeitar o tratamento discriminatório das pessoas em função da ascendência, cor, etnia, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social, idade, sexo, género ou orientação sexual.” Não me parece que esta rejeição só se aplique à hora de expediente. Aplica-se a todos os momentos públicos, que são os únicos que interessam.

Quis o destino que este episódio acontecesse no mesmo dia em que a deputada Joacine Katar Moreira resolveu fazer-se acompanhar por um sargento da GNR nos corredores da Assembleia da República para não ser importunada por jornalistas. Carregado de razão, o Sindicato dos Jornalistas considerou que “a decisão da deputada atenta contra a liberdade de imprensa e revela uma prática antidemocrática tomada dentro da própria Casa da Democracia”. A própria secretaria-geral da Assembleia da República foi obrigada a esclarecer que os oficiais da GNR de São Bento só podem acompanhar os deputados quando estiver em causa a sua segurança. Não são um escudo contra jornalistas atrevidos que fazem perguntas a deputados. Espero que à justa condenação da atitude prepotente da deputada se venha a juntar a condenação de mensagens racistas de uma jornalista que a teve como alvo. Seja a sério ou em versão piadística.

A reação de muita gente a este tipo de casos é dizer que há uma hipersensibilidade com piadas que antes se diziam sem qualquer problema. Isso pode ser verdade, e significa apenas que há gente que se ofende e antes não tinha voz (vejam a etnia de muitas das pessoas que, ofendidas, partilharam o post da jornalista). Mas a principal mudança não é essa.

A grande mudança destes tempos é que, com as redes sociais, as pessoas passaram a escrever no espaço público o que antes diziam aos amigos, numa mesa de café. E há uma diferença, que provavelmente temos de reaprender, entre o espaço privado, onde falamos com pessoas que conhecemos e cuja sensibilidade podemos prever, e o que dizemos no espaço público, onde ajudamos a formar opinião, damos força a preconceitos e ódios ou ferimos pessoas que não conhecemos de lado nenhum.

Assim como a frase “a senhora devia tomar banho, cheira mal!” dita numa discussão privada ou em frente às câmaras é bastante diferente. Os limites do humor são seguramente outros, mas nada disto deixa de ser verdade por ser uma piada. E achem o que acharem da história de Bernardo Silva, não são legítimas quaisquer comparações. Tânia Laranjo tem outras responsabilidades e, que se saiba, não é amiga de Mamadou Ba e Joacine Katar Moreira.

Para se defender, a jornalista socorreu-se da velha frase “até tenho amigos pretos”. No caso, “tenho na minha família angolanos pretos”. Pouco interessa se Tânia Laranjo é racista com familiares negros ou não é racista, mesmo que só tenha parentes brancos. Interessa que é jornalista, que fez uma piada evidentemente racista num espaço público com um dirigente associativo e um deputado sobre o qual poderá escrever a qualquer momento. Isto não é como se estivéssemos todos à volta de uma mesa de café. E está na altura de pessoas que têm responsabilidades públicas e usam redes sociais o começarem a perceber.


O Comentador Oliveira!

(Joaquim Vassalo Abreu, 07/12/2018)

 

(Temos publicado com regularidade os textos do Daniel Oliveira. No entanto, algumas das suas mais recentes prosas, não tem feito o pleno entre aqueles que seguem este blog, o que só prova a diversidade opinativa do universo dos que nos lêem. A discordância deve originar um debate aberto e leal, o qual deve nortear sempre aqueles que querem contribuir para uma democracia sã, como é o nosso caso.

Aqui fica pois a opinião de Vassalo Abreu, que terá certamente os seus apoiantes, tal como as posições de Daniel Oliveira também terão quem as subscreva sem reserva.

Comentário da Estátua, 07/12/2018)


Quem tão prolixamente fala e escreve e tantos conselhos tem para dar, querendo sempre no politicamente correcto estar, forçosamente que um dia nas suas contradições irá esbarrar…digo eu do alto da minha “sabedoria” popular!

Não o Comendador, lá chegará, mas o Daniel, ele mesmo que, ao que parece, continua solteiro. Entendamo-nos: assim a modos que sem Partido, percebem? Segundo o velho oráculo de Willy Brandt de que “Comunista na juventude, Socialista ou Social Democrata na idade madura”, já só lhe resta o PS! Mas como não é para já, é só para quando este for oposição, o Daniel vai continuar solteiro e a insinuar-se para tudo quanto é lado até ao Costa sair de cena …

Aliás não é só dele, mas comum a muitos outros pensadores que se dizem das Esquerdas, a tendência para em nome do purismo ideológico juntarem-se à Direita para atacarem a Esquerda (o PS), cometendo como que um “harakiri”. Mas convenhamos que ao fim e ao cabo eles sentem-se muito mais confortáveis na sua actividade quando a Direita está no poder. Daí, tanto eles como os próprios partidos à esquerda do PS pouco ou nada façam para o impedir…dói, mas é a verdade!

Eu, sem quaisquer receios a críticas veladas ou não dos “meus”, há algum tempo venho neste espaço chamando a atenção para o que eu considero um crescente caminho ao retorno do pré 2011, isto é, ao suicídio de uma certa esquerda por, tendo como fim único a conquista de ganhos no eleitorado à esquerda do PS, impedindo-lhe a maioria absoluta, ao entrarem no jogo da Direita através da participação conjunta em lutas contra este Governo …

Ora esta Direita, por muito que os Danieis Oliveira desta vida a subestimem, é inteligente e, mais importante ainda, não tem escrúpulos.

E este comportamento só serve, no meu entender, os interesses dessa Direita. E ao deixar que sejam os seus representantes (caso das greves dos Enfermeiros, por exemplo), através da Ordem e daquela enormidade de Sindicatos, a dirigir a greve e a decidir os modos de luta, só a sua credibilidade compromete. Mas ainda não se deram conta, ou o que interessa é mesmo fragilizar o Governo?

É que, exactamente ao invés do que eu venho escrevendo e alertando, o Daniel e outros, de um modo erróneo e diletante, vêm dissertando sobre a espuma dos dias, preferindo aterem-se a detalhes, como se os seus estados de alma fossem assim tão importantes e decisivos na manutenção deste Governo e na prossecução de uma política de esquerda. E dissecando afirmações de Costa, chamando-o até de “arrogante” no tratamento para com os seus aliados, como também “prepotente” quando Costa referiu a não entrada das esquerdas à esquerda do PS num futuro Governo, utilizando, pois, precisamente as mesmas palavras da Direita.

E o que fica depois disto tudo? É que o Daniel Oliveira e a Direita, o mesmo não pensando, mostram afinal pensar o mesmo!

E essa quase diletância, e essa ausência de fixação no que é realmente importante e decisivo para não voltarmos atrás, nota-se no “Eixo do Mal”, por exemplo onde, ao invés de um encontro de gente pensante abordando temas da actualidade, porque não, e projectos políticos, se transformou num encontro de amigos no café, numa tertúlia mesmo, com o permanente galhofar como pano de fundo da leviandade com que tratam o que devia ser sério. E o Daniel entra naquele jogo de “egos” cada um pugnando para ser o mais engraçado. Uma tristeza Daniel, uma tristeza…Já acompanhei, deixei de ver, vi os últimos dois programas e…parei novamente. Não tem jeito mesmo e não vejo quem aquilo queira mudar.

Eu estou e estarei sempre disponível para o contraditório, mas quem sou eu para que o Comentador Daniel perca um pouco do seu precioso tempo comigo? É que ele ganha à peça ou por avença nos sítios onde fala e escreve e o tempo é ouro- ganha pão-para ele! Eu já o tinha chamado à atenção por duas vezes, mesmo depois de troca de argumentos em Posts no Facebook, onde por mim interpelado manteve de modo sobranceiro a sua postura e não tive outro remédio que publicar dois duros textos ( um sobre o Centeno a quem ele chamou de “nabo” em politica e outro acerca da morte  de Fidel onde ele afirma, assim de peito cheio de ar, que Cuba tem um sistema de Saúde perfeito, um sistema de Educação exemplar e o Desporto massificado, entre outros exemplos, mas faltava-lhe o pequeno almoço, o almoço e o jantar… Levou e levou forte, como tinha que ser e podem relembrar: (Daniel, Um Noviço em Nabiças) e  ( Daniel, o Pensador)…

E chamo a Vossa especial atenção para este último texto pois aqui estão muito bem expressas as nossas diferenças e o porquê de, mais uma vez, não conseguir deixar passar… desta vez, embora de modo diferente, também tem que parar para pensar ou então a sua credibilidade perante mim ficará gravemente ferida. Eu só respondo por mim, é claro, e só eu sou responsável pelo que escrevo. Claro!

Mas ao Comentador Oliveira exige-se sempre mais rigor, exige-se continuidade e, acima de tudo, coerência. E uma marca de DIFERENÇA, que teimo em tentar encontrar, passe a sua habilidade dialética e a rapidez de pensamento. Mas, se realmente defende as Esquerdas e um Governo progressista das Esquerdas, embora o facto de continuar “solteiro” possa servir de atenuante, deve pugnar por essa mesma Esquerda, sem quaisquer tibiezas e hesitações pesem os coletes de forças onde actua dentro do politicamente correcto, para que estas forças continuem detendo o poder, não cedendo nunca à crítica fácil a esta Esquerda que nos Governa.

E nem é preciso aqui dizer que, não consigo sequer dizer se bem se mal, faz opinião! E ao dizer que “faz opinião” quero dizer que, com uma simples aparição num debate na TV, seja ela qual for, ele atinge mais gente que todos os Blogs juntos… mas a sua responsabilidade cresce exponencialmente, não tenhamos dúvidas!

Mas, e daí os motivos deste texto e desta veemente critica, uma salutar critica a quem pela sua exposição e dimensão não pode deixar nunca de fazer vincar as suas posições (coisas que dificilmente tenho notado), o Comentador Daniel no que às leitura politicas diz respeito, tem sido de um diletantismo tal que eu não me eximo a Ir ao fundo do fundo do seu pensamento e tentar vislumbrar o alcance da essência da essência do que quer dizer com estas algumas frases…:

-“Cada vez que o PS sobe nas sondagens ele afasta-se do “espirito” da Geringonça”… E conclui que o PS é simplesmente o “porteiro do Poder”! Conseguem atingir?!!!

– “Costa só pode decidir sozinho se tiver maioria absoluta (La Palice di-lo-ia também…)! Esta frase é tão profunda que nem eu, mesmo meditando, consegui alcançar o significado! Mas apenas pergunto: e se o PS for o partido mais votado, não atingir a maioria e pretender formar governo, um governo minoritário: o que farão o BE e o PCP? Viabilizam, tal como fizeram na génese da Geringonça ou voltam ao passado, esse do “quanto pior melhor”? Desde já afirmo que decididamente votarei PS. A não ser que… Percebe, Daniel?

“ Até eleitores Socialistas sabem como o PS é um adolescente. Quando fica sozinho em casa, as suas festas costumam provocar estragos”. Ora isto é, ipsis verbis, o que diz a Direita. Até atribuem a Milton Friedmam, o guru da descola de Chicago, a tal que dizia que o Mercado se regulava a si próprio (e viu-se à saciedade quanto isso era uma falácia) aquela frase de que se os socialistas fossem governar os desertos até as areias desapareceriam… O Daniel não tem vergonha de copiar a Direita e, ainda por cima, no mais redutor e populista que ela consegue?

E finalmente: “ É este Governo que, com as cativações, desvirtua um Orçamento aprovado, não é o Parlamento que, com alterações na especialidade, desvirtua um Orçamento por aprovar…”.

Desculpe-me Daniel mas esta frase, tendo sido por si escrita, só pode ter sido passada a papel em momento de embriaguez ou sono absoluto! Nem é preciso alongar…

Mas, o Daniel também entende ser um Orçamento uma coisa elástica? Só se for o de sua casa, uma casa onde as receitas são tais que não são precisas cativações, isto é, receitas que ficam de lado para uma posterior compra: um carro novo, uma viagem de sonho ou um casamento inesperado. Um daqueles que até nos fazem largar tudo… olaré, e se não fossem aquelas benditas cativações…É melhor pensar nisso, ó Daniel! Olhe que é melhor do que ser Comendador!

Eu ia, para finalizar, falar das “coligações negativas” mas nem o vou fazer. Só vou referir aquilo que o grande Comentador Oliveira acerca do referido proclamou:

Nunca houve coligação negativa alguma, tanto na votação do PEC 4, como na contagem do tempo de serviço dos Professores, na questão dos Enfermeiros ou nas propostas Orçamentais rectificadas onde, afirma o Daniel, o BE e o PCP se mantiveram onde sempre estiveram e que os outros (os Partidos de Direita) é que se deslocaram…