Sanções Loucas do Trump

(Dieter Dellinger, 13/05/2018)

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O General Michem Hayden, ex-diretor da NSA (National Security Agency) e da CIA garante em entrevista à revista alemã “Der Spiegel” que o Irão não possui armamento nuclear nem está a construir, mas poderá fazê-lo a partir de agora.

Segundo o general americano, a maior sumidade americana em investigações militares secretas, Trump deixou-se influenciar por Israel e pelo genro de origem judaica, aceitando as afirmações de Natanayu que podem colocar o Mundo em pé de guerra.

Trump declarou sanções ao Irão que abrangem muito mais que o simples comércio entre o Irão e os EUA.

Tal como fizeram com Cuba, os EUA proíbem a atividade industrial e comercial no seu país a qualquer empresa do Mundo que exporte ou compre a Cuba e, agora, ao Irão.

Assim, se aparecer um VW nas ruas de Teerão, a grande empresa alemã terá de fechar as suas fábricas nos EUA e não venderá um parafuso sequer aos americanos.

As sanções ao Irão são extremamente injustas para não dizer CRIMINOSAS da parte de Trump porque o Irão está altamente interessado em ter uma indústria de bens de consumo e negociar com todo o Mundo, principalmente agora que o barril de petróleo subiu bastante para cima dos 60 dólares.

O Irão tinha contratado a compra de cerca de 200 aviões à Boeing, à Airbus e a outra empresa e negociava o fabrico de automóveis.

Assim, com as sanções fica limitado a negociar com a Rússia que não exporta quase nada para os EUA, mas também não possui uma importante indústria de bens de consumo.
Trump já disse que está contente por fazer vergar a Europa e, em particular, a Alemanha.

A resposta alemã e europeia em geral é deixar de apoiar Israel e não devemos esquecer que os alemães, a troco de uma encomenda de dois submarinos, ofereceram um terceiro muito mais adiantado e destinado a lançar mísseis de cruzeiro com ogivas nucleares tal como fornecem a preço muito baixo os motores dos tanques e outras viaturas israelitas e muita coisa mais.

Israel tem há mais de 20 anos a arma nuclear e os meios para a lançar em toda a zona do Médio Oriente, pelo que está devidamente defendido e os iranianos sabem que nunca poderiam atacar Israel. E se os israelitas acharem que os iranianos estão a construir armas nucleares, que façam o mesmo que já fizeram com o Iraque e a Síria quando bombardearam aquilo que poderiam ser o início da construção de centrais nucleares, o que não significa possuir bombas.

A Europa está desarmada, possui apenas uma brigada incompleta por cada 20 milhões de habitantes, pelo que tem de modernizar o seu equipamento, mas à sua custa com material 100% europeu. Claro que a revista “Der Spiegel” diz que os israelitas continuam a fornecer certos equipamentos militares à Europa e a negociar parcerias comuns.

A posição da China e as suas relações com os EUA são desconhecidas ainda. Os chineses têm nos EUA o seu maior mercado, tal como a Coreia do Sul. A única solução para eles é colocar empresas suas, mas disfarçadas na Coreia do Norte que daí exportem para o Irão a troco do seu petróleo. Contudo não sabem se o Trampa não se vai zangar e partir novamente a loiça na península coreana.-

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O caso Skripal e as dúvidas que ainda subsistem

(Por Major-General Carlos Branco, in Expresso Diário, 01/04/2018)

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Na sequência das declarações de Theresa May, a primeira-ministra britânica, no parlamento, a 12 de março, e de Boris Johnson, o seu ministro dos Negócios Estrangeiros, sobre o alegado envenenamento do agente duplo Sergei Skripal e de sua filha Yulia, as relações político-diplomáticas entre os países ocidentais – nomeadamente Estados Unidos e Reino Unido – e a Rússia deterioram-se a um ponto nunca visto desde o fim da guerra-fria, piores mesmo do que nos anos cinquenta do século passado. Theresa May acusou a Rússia de ser “muito provavelmente” responsável pelo duplo envenenamento. O assassinato “teria sido planeado diretamente pelo Kremlin”, ou a “Rússia teria permitido que o gás tivesse caído em mãos erradas”.

Desconheço quem possa estar por detrás deste incidente, mas estou particularmente interessado em saber o que realmente aconteceu. A serem verdadeiras as acusações feitas à Rússia justifica-se uma resposta firme. Contudo, a argumentação utilizada pelas autoridades britânicas apresenta algumas fragilidades não negligenciáveis. Mais de três semanas passadas sobre o incidente, justificava-se a apresentação de provas inequívocas e irrefutáveis sobre o envolvimento russo. Continua-se sem conhecer a identidade do perpetrador, assim como as circunstâncias e o local da ocorrência. O que se tem sabido é pela comunicação social e a informação é contraditória. Uns falam num pub, outros num restaurante, parece que os Skripal teriam sido encontrados moribundos num banco de jardim. Segundo alguns relatos o polícia que os encontrou teria tido contacto com o veneno em casa dos Skripals, segundo outros durante a prestação do auxílio. Seria conveniente conhecer a versão oficial.

Preocupa-me sobretudo a desastrosa gestão política do acontecimento. A falta de evidência tem sido acompanhada por um retórica inaceitável, pouco consentânea com aquilo que são as boas práticas da diplomacia internacional. O assunto deveria ter sido logo encaminhado no dia 4 de março para a OPWC, o fórum próprio onde o assunto deveria ser analisado. A Rússia argumenta com os termos do Artigo IX da CWC, que estipula a necessidade de se efetuar um primeiro esforço para clarificar e resolver, através de troca de informações e consultas entre as partes, qualquer assunto que possa colocar em dúvida o cumprimento das normas em vigor. Por seu lado, o governo britânico recusou-se a partilhar as alegadas evidências, assim como as amostras do produto alegadamente utilizado. A sua publicitação seria um xeque-mate. Contudo, não o fez, prolongando inutilmente (ou não) uma discussão.

O Reino Unido optou por politizar o assunto e levá-lo ao Conselho de Segurança da ONU, no dia 14. Nesse mesmo dia, já com todas as “certezas”, as autoridades britânicas convidaram a OPWC a levar a cabo uma investigação independente. Com a crise já instalada, a 19 de março – duas semanas após o envenenamento – chegaram ao Reino Unido os especialistas da OPCW. Felizmente que o tema não foi considerado ao abrigo do Artigo V pela NATO, apesar de ser considerado um ataque a um país da Aliança. Um caso baseado em hipóteses e não sustentado em evidências foi rapidamente equiparado a um ato de guerra. Teria sido mais curial esperar pela finalização das investigações. Acusar primeiro e investigar depois não parece ser a prática mais adequada.

Esta questão assume contornos burlescos quando o laboratório científico inglês que fez análises ao sangue dos Stripal concluiu pela exposição a um “nerve agent or related compound”… e as amostras indicaram a presença de um “novichok class nerve agent or closely related agent), não se comprometendo com uma prova irrefutável. Esperava-se que May tivesse promovido uma audição parlamentar ao diretor do laboratório para que este fornecesse todas as evidências e prestasse todos os esclarecimentos, nomeadamente sobre a origem russa da substância, uma prática comum nas democracia avançadas.

Ao contrário do que afirmou Theresa May são muitos os possíveis perpetradores, para além da Rússia, claro está. Naturalmente que a Rússia não poderá ser excluída da lista dos suspeitos, assim como muitos outros, nomeadamente os mais de 300 espiões que constavam na lista que Skripal entregou às autoridades britânicas. Mas a lista de putativos suspeitos não acaba aqui. São conhecidas as ligações profissionais de Skripal a Christopher Steele, e ao seu possível envolvimento no Russiagate. Skripal tinha-se tornado um elemento perigoso que podia causar danos na comunidade de inteligência americana, no Partido Democrata e por aí adiante. Existem vários precedentes similares. As autoridades policiais britânicas, tão zelosas noutras circunstâncias, revelaram-se particularmente descuidadas na proteção dos Skripal.

Não podemos deixar de nos interrogar sobre o que é que objetivamente teria a Rússia a ganhar – a alguns meses da realização do campeonato mundial de futebol no qual investiu avultadas somas de dinheiro para fosse um sucesso – em liquidar nesta altura um simples espião que deixara há muito de constituir um perigo, agravando assim as já tensas relações com o ocidente? A resposta não é evidente. Putin tem provado ser um ator racional. Tendo tido a oportunidade para eliminar Skripal enquanto este permaneceu nos calabouços russos, não o fez, porque o faria agora, depois de este viver oito anos em Inglaterra? É de facto difícil descortinar uma razão (lógica).

A argumentação de May apresenta igualmente fragilidades quando responsabiliza Putin por ter permitido a fuga do gás. Como se sabe, nos tempos da União Soviética, o novichok era produzido no Uzbequistão, fábrica essa que foi desmontada com a ajuda dos Estados Unidos em 1993. Sem salários, a venda de Nnovichok foi uma forma que na altura muitos funcionários encontraram para sobreviver. Dizer que se trata de um gás do “tipo desenvolvido pela Rússia”, não prova que a substância utilizada tenha sido processada na Rússia. Ser atropelado por um Mercedes não significa que a responsabilidade seja “muito provavelmente” do governo alemão.

É desconcertante vir agora o Reino Unido acusar a Rússia de não ter declarado todas as suas capacidades, não cumprindo as suas responsabilidades no âmbito CWC. A ser verdade – o que desconheço – sendo esta informação conhecida antes de 27 de setembro de 2017, a data em que a OPCW declarou a total destruição do arsenal russo, porque é que o Reino Unido não informou a OPCW com base no seu próprio intelligence, que tanto quanto sei tinha a obrigação de o fazer? Seria muito importante ouvir o que os responsáveis britânicos têm a dizer sobre isto.

Para além das questões de natureza técnica apontadas – que não se encontram esgotadas – há várias outros aspetos a relevar. Em primeiro lugar, o rasto de fiabilidade deixado pelos dois personagens responsáveis pela presente crise. Um, ainda ontem fazia campanha contra o Brexit e hoje lidera o processo de separação do Reino Unido da União Europeia, que por sinal lhe está a correr bastante mal; o outro, liderou a campanha contra o Brexit mas depois não quis assumir as devidas responsabilidades colocando a responsabilidade na condução do processo no primeiro. Convém lembrar que o partido liderado por May não tem, nem nunca teve pruridos em ser financiado pelos pouco recomendáveis oligarcas russos que se refugiaram em Londres, transformando a city num enorme tanque de lavagem de dinheiro russo. De acordo com o London Times e o Daily Telegraph, o partido da Sr.ª May terá recebido deles donativos no valor de £820,000.

Em segundo lugar, convém trazer à memória as conclusões do relatório Chilcot aprovadas pelo parlamento inglês, que chamava à atenção para as narrativas deliberadamente exageradas apoiadas em intelligence fabricado à “medida das necessidades” para convencer e receber o apoio das opiniões públicas. Claramente que esta possibilidade não pode nem deve ser descartada neste caso. Terão sido as mesmas fontes – igualmente credíveis – em que se baseiam agora May e Johnson que terão convencido Blair da irrefutável posse de armas de destruição massiva pelo Iraque. São conhecidas as consequências desastrosas dessas crenças sem a devida certificação.

Recordamos ainda o papel desempenhado pelas chamadas empresas de “Strategic Communications” como a Cambridge Analytica e a Strategic Communication Laboratories próximas do partido Conservador e do aparelho militar britânico, contratadas para influenciar a opinião pública levando-a apoiar o Brexit, algo de que apenas se conhece a ponta do iceberg. É pois na palavra destas pessoas que estamos a colocar o nosso futuro coletivo. Fará, provavelmente, algum sentido parar para pensar e refrear os ânimos.

Encontramo-nos numa estrada perigosa. Assistimos a algo que se assemelha ao início de uma guerra. As guerras, leia-se os confrontos militares generalizados, são sempre precedidos por uma escalada que passa pela subida de tom na retórica, a demonização do oponente, o reforço dos dispositivos militares e a conquista da opinião pública para apoiar ações mais assertivas contra o oponente.

Depois é necessário criar um acontecimento, um pretexto que não tem necessariamente de ser causado pelo oponente e que é normalmente provocado por quem pensa que vai beneficiar com o resultado da guerra. Sabe-se hoje quem montou a armadilha que levou à guerra do Vietnam, à guerra espanhola-americana e muitas outras mais recentemente. Por isso, convinha que prevalecesse o bom senso.

Começa a ser claro que o campeonato mundial de futebol será um palco desta luta. Mas enquanto for só isso… a histeria russofóbica faz parte da operação de moldagem das opiniões públicas, preparando-as para o confronto. Com o clima criado poderá nem ser necessário conceber um pretexto. Bastará um imprevisto, um erro de cálculo para nos levar para uma situação sem retorno, fazendo com que a crise político-militar se transforme numa confrontação militar direta. Essa possibilidade afigura-se-nos muito elevada. A nova postura nuclear dos Estados Unidos e a crença de que se consegue manter uma guerra ao nível nuclear tático, sem evoluir para o patamar estratégico e para a destruição total são mais alguns ingredientes que nos devem fazer refletir. A presente crise – real ou fictícia – enquadra-se perfeitamente no modelo. O que está mesmo a fazer falta é testar os efeitos das novas armas hipersónicas.

Coitado do Moscovici

(Por Estátua de Sal, 18/11/2016)

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O dia de hoje foi muito interessante em termos da agenda noticiosa das televisões, mormente da SICN. Nunca a D. Avoila dos sindicatos da função pública teve tanto tempo de antena nem a manifestação dos sindicatos da função pública exigindo aumentos de ordenados e descongelamento das carreiras teve tantos diretos. O repórter, de guarda-chuva em riste, coitado, lá ia marchando ao lado dos manifestantes. À D. Avoila, a pergunta mais escaldante e repetida era se a manifestação tinha sido encomendada pelo PCP.

A direita anda há meses a exigir que os sindicatos saiam para a rua para criar problemas à coligação que suporta o Governo. Como não tem, nem gente, nem capacidade de mobilização, nem jeito, nem apaniguados capazes de molhar as botas ou partir os saltos altos dos sapatos nas pedras da calçada, só lhes resta implorar ao PCP que exerça os seus bons encómios junto dos sindicatos que contam (os da CGTP) para que se manifestem. E hoje teve um pequeno brinde.

É claro, que os sindicatos já conhecem de ginjeira estes “cantos de sereia” dos próceres da direita, Montenegros, Coelhos e afins. Só saíram para a rua quando lhes conveio. Isto é, quando decidiram pressionar o Governo na fase final de negociação do Orçamento para 2017, na especialidade.

Em simultâneo, tivemos cá o comissário Moscovici, que veio de propósito de Bruxelas, para vir dizer, alto e bom som, que o Orçamento para 2017 é do melhor “vintage” da zona Euro, um tinto de truz, o deficit é da mais fina porcelana, não há sanções para o país, e os Fundos Estruturais vão jorrar em força dos odres cheios da Europa. E mais: que Portugal foi o melhor aluno na cadeira de Austeridade Aplicada, que frequentou durante os anos da troika, tendo saído do exame com um Muito Bom com distinção e louvor. Mas coitado do Moscovici. Ao lado da D. Avoila, a sua mensagem foi apenas um zumbido para as televisões. As boas notícias não agradam aos comentadores de serviço. O Gomes Ferreira não apareceu a opinar: deve também ter ido à manifestação e, como chovia e o guarda-chuva lhe deve ter empancado, constipou-se e ficou em casa a tomar antigripais.

Acresce que, no bom estilo da televisão do Correio da Manhã, outra notícia houve que mereceu grandes parangonas. Prenderam meia dúzia de militares que a Justiça responsabiliza pela morte dos dois comandos em Setembro último. Finalmente parece que há responsáveis e, temos que convir, apurados em tempo record, tendo em conta o que é normal nestas coisas de Justiça em Portugal.

 Este tema dos comandos também tirou o brilho ao Moscovici. Vem um homem de Bruxelas, esfalfa-se todo, evita falar por Skype, que é bem mais confortável e dá menos canseira, e ninguém lhe liga nenhuma. Achou ele que as notícias eram tão boas que mereciam ser dadas de viva voz, em conferência de imprensa, ao lado do Ministro das Finanças. Pois bem, a maior parte das questões que os jornaleiros de serviço acharam por bem colocar foram sobre a novela da CGD. É claro que, estão sempre como vampiros a virar as antenas para donde lhes cheira a sangue. Corja.

Em síntese e em termos de conclusão. Continuamos a ter uma comunicação social, especialmente a televisiva, a fazer descaradamente oposição ao governo. E nem sequer é tanto por aquilo que cala. É pela ênfase que dá a tudo aquilo que pode causar dificuldades à governação, sobretudo tudo aquilo que possa minar a coligação dos três partidos que apoiam o governo. Dividir para reinar é a máxima da direita, como o foi desde sempre, quer nas práticas de César, de Filipe II da Macedónia, de Napoleão, e nas estratégias propostas por Sun Tzu em A Arte da Guerra.

Que a Geringonça se mantenha coesa e vá navegando contra ventos e marés, e tornando o discurso da direita uma catilinária estéril para os súbditos reverentes e saudosos das práticas pafiosas. Que os partidos políticos á esquerda, que suportam este governo, saibam distinguir o acessório do essencial. E o essencial é manter a direita afastada do poder não por dois, não por quatro anos, mas de forma continuada e perene.