Von Der Leyen a morder a lingua!

(Pierre Olivier in jeune-nation.com, 16/05/2022)

(Publico este texto porque ele revela a estupidez da Comissão Europeia e da dona Úrsula. As sanções servem apenas para roubar os haveres da Rússia e dos seus cidadãos, e para a comunicação social continuar a enganar o público. A Europa está atada de pés e mãos à energia russa, mas também está amarrada às ordens que vêm da NATO e dos EUA. E quando as amarras entram em conflito o resultado só pode ser a destruição do amarrado. É o que está a suceder e vai concluir-se nos tempos que aí vêm.

Estátua de Sal, 18/05/2022)


Segundo a agência Bloomberg*, 20 empresas europeias já abriram contas no GazpromBank para pagar o gás russo convertendo euros em rublos. Outros 14 clientes solicitaram os documentos necessários para as abrir. E 4 já fizeram o pagamento em rublos!

De fato, o tempo está se esgotando, os prazos de pagamento dos envios de abril, para os principais compradores da Europa Ocidental, estão a aproximar-se este mês.

Em 11 de maio, o primeiro-ministro italiano chegou a anunciar que a Alemanha já havia começado a pagar o gás russo em rublos. Além disso, os gastos alemães com importações de bens da Rússia aumentaram 77,7% em março (ou 4,4 bilhões de euros). E seus números são impulsionados pelo aumento dos preços do petróleo e do gás…

A Comissão Europeia de Von Der Leyen está a morder a lingua. Mas, para não parecer ultrapassada pela realidade, a Comissão anuncia que elaborou um plano para comprar gás da Rússia que não viola as sanções. O órgão executivo da UE, numa reunião à porta fechada, permitiu que os governos dos países europeus abrissem contas em rublos no GazpromBank para a compra de gás russo.

É o Rei Ubu: a Comissão anuncia que autoriza as empresas a contornar o seu próprio embargo ao novo sistema de pagamento de gás desenvolvido pela Rússia!

A União Europeia é, portanto, forçada a permitir que os importadores de gás violem as suas próprias sanções ao comprar combustível na Rússia, atendendo às exigências de Vladimir Putin de usar o novo sistema de pagamento : abrir uma conta no GazpromBank. Este último recebe os pagamentos na moeda do contrato (euros, dólares, yuans, etc.), converte-os em rublos e os transfere para a Gazprom.

Para não perder a face, a Comissão espera que as empresas de gás façam uma declaração clara de que consideram cumpridas as suas obrigações quando pagam em euros ou dólares de acordo com os contratos existentes.

Longe vão todas as declarações dos líderes dos países da UE, num discurso de “grandes machos”, afirmando que “não pagariam o gás russo em rublos”. Hoje todos esses charlots preferem não comentar a situação para que esta não pareça uma capitulação em toda a linha frente ao mestre do Kremlin.

Original aqui


  • Nota – A Bloomberg é um grupo financeiro americano especializado em serviços para profissionais do mercado financeiro e em informações económico-financeiras tanto como agência de imprensa quanto diretamente, por meio de diversos meios de comunicação.

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A maioria do Mundo está do lado da Rússia contra os Estados Unidos

(John V. Walsh, in Unz Review, 28/04/2022)

2014 assistiu a dois acontecimentos fulcrais que conduziram ao actual conflito na Ucrânia.

O primeiro, familiar a todos, foi o golpe na Ucrânia, no qual um governo democraticamente eleito foi derrubado sob a direção dos Estados Unidos e com a ajuda de elementos neonazis que a Ucrânia há muito alberga.

Pouco tempo depois, os primeiros tiros na actual guerra foram disparados sobre a região de Donbass, simpática à Rússia, pelo recém-instalado governo ucraniano. O bombardeamento do Donbass que ceifou 14.000 vidas continuou durante 8 anos, apesar das tentativas de cessar-fogo ao abrigo dos acordos de Minsk que a Rússia, França e Alemanha concordaram, mas a Ucrânia, apoiada pelos EUA, recusou-se a implementar. A 24 de Fevereiro de 2022, a Rússia respondeu finalmente ao massacre em Donbass e à ameaça da OTAN à sua porta.

A Rússia vira-se para o Oriente – A China fornece uma potência económica alternativa.

O segundo evento crucial de 2014 foi menos notado e, de facto, raramente mencionado nos principais meios de comunicação social ocidentais. Em Novembro desse ano, de acordo com o FMI, o PIB da China ultrapassou o dos EUA em termos de paridade de poder de compra (PIB PPP). (Esta medida do PIB é calculada e publicada pelo FMI, Banco Mundial e mesmo pela CIA. Estudiosos de relações internacionais como o Prémio Nobel da Economia, Joseph Stiglitz, Graham Allison e muitos outros consideram esta métrica a melhor medida do poder económico de uma nação). Alguém que tomou nota e que menciona frequentemente a posição da China no ranking PPP-GDP não é outra senão o Presidente Vladimir Putin da Rússia.

De um certo ponto de vista, a ação russa na Ucrânia representa uma viragem decisiva do Ocidente hostil para o Oriente mais dinâmico e para o Sul global. Isto segue-se a décadas de boicote do Ocidente a uma relação pacífica desde o fim da Guerra Fria. À medida que a Rússia faz o seu pivot para Leste, está a fazer o seu melhor para garantir que a sua fronteira ocidental com a Ucrânia esteja assegurada.

Na sequência da ação russa na Ucrânia, as inevitáveis sanções dos EUA recaíram sobre a Rússia. A China recusou a juntar-se a elas e recusou-se a condenar a Rússia. Isto não foi surpreendente; afinal, a Rússia de Putin e a China de Xi tinham estado cada vez mais próximas durante anos, sobretudo com o comércio denominado na bolsa rublo-renminbi, avançando assim para a independência do regime comercial dominado pelo dólar ocidental.

A Maioria Mundial Recusa-se a Apoiar as Sanções dos EUA

Mas depois uma grande surpresa. A Índia juntou-se à China na recusa em honrar o regime de sanções dos EUA. E a Índia manteve a sua determinação apesar das enormes pressões, incluindo apelos de Biden a Modi e um comboio de funcionários de alto nível dos EUA, do Reino Unido e da UE que partiam para a Índia para intimidar, ameaçar e tentar intimidar a Índia. A Índia enfrentaria “consequências”, e a ameaça cansada dos EUA subiu. A Índia não cedeu.

Os estreitos laços militares e diplomáticos da Índia com a Rússia foram forjados durante as lutas anticoloniais da era soviética. Os interesses económicos da Índia nas exportações russas não podiam ser contrariados pelas ameaças dos EUA. Agora, a Índia e a Rússia estão agora a trabalhar no comércio através da troca rublo-rupias. De facto, a Rússia acabou por ser um fator que colocou a Índia e a China do mesmo lado, perseguindo os seus próprios interesses e independência face ao diktat dos EUA. Além disso, com o comércio rublo-renminbi já sendo uma realidade e com a troca rublo-rupias no futuro, será que estamos prestes a assistir a um mundo de comércio Renminbi-Rublo-Rupia – uma alternativa “3R” ao monopólio do dólar-euro? Estará a segunda relação política mais importante do mundo, aquela entre a Índia e a China, prestes a tomar uma direção mais pacífica? Qual é a primeira relação mais importante do mundo?

A Índia é apenas um exemplo da mudança no poder. Dos 195 países, apenas 30 honraram as sanções dos EUA contra a Rússia. Isso significa que cerca de 165 países no mundo recusaram-se a aderir às sanções. Esses países representam, de longe, a maioria da população mundial. A maioria da África, América Latina (incluindo México e Brasil), Ásia Oriental (exceto Japão, Coreia do Sul, ambos ocupados por tropas americanas e, portanto, não soberanas, Singapura e a renegada província chinesa de Taiwan) recusaram-se. (só a Índia e a China representam 35% da Humanidade).

Acrescente-se a isso o facto de 40 países diferentes serem agora alvo de sanções dos EUA e de haver um círculo eleitoral poderoso para se oporem às táticas económicas de bandido dos EUA.

Finalmente, na recente Cimeira dos G-20, a uma greve liderada pelos EUA, quando o delegado russo falou, juntaram-se os representantes de apenas 3 outros países do G-20, com os líderes de 80% destas nações a recusarem-se a aderir! Do mesmo modo, uma tentativa dos EUA de impedir um delegado russo de participar numa reunião do G-20 no final do ano em Bali foi rejeitada pela Indonésia, que detém atualmente a Presidência do G-20.

Nações Tomando o lado da Rússia já não são pobres como na Guerra Fria 1.0.

Estes países dissidentes do Sul Global já não são tão pobres como eram durante a Guerra Fria. Dos 10 países do topo do PPP-GDP, 5 não apoiam as sanções. E estes incluem a China (número um) e a Índia (número 3). Assim, a primeira e terceira economias mais poderosas estão contra os EUA nesta matéria. (A Rússia é o número 6 dessa lista, perto da Alemanha, número 5, estando os dois perto de se igualarem, o que contraria a ideia de que a economia da Rússia é insignificante).

Estas posições são muito mais significativas do que qualquer voto da ONU. Tais votos podem ser coagidos por um grande poder e pouca atenção lhes é dada no mundo. Mas os interesses económicos de uma nação e a sua visão do principal perigo no mundo são determinantes importantes da forma como ela reage economicamente – por exemplo, a sanções. Um “não” às sanções dos EUA é pôr o dinheiro onde está a boca.

Nós no Ocidente ouvimos dizer que a Rússia está “isolada no mundo” em resultado da crise na Ucrânia. Se estamos a falar dos Estados Euro-vassalos e da Anglosfera, isso é verdade. Mas considerando a Humanidade como um todo e as economias em ascensão no Mundo, são os EUA que estão isolados.

E mesmo na Europa, estão a surgir fissuras. A Hungria e a Sérvia não aderiram ao regime de sanções e é claro que a maioria dos países europeus não irão, e na verdade não podem, afastar-se das importações russas de energia cruciais para as suas economias. Parece que o grande esquema de hegemonia global dos EUA a ser trazido pela mudança dos EUA para a II Guerra Mundial Redux, tanto Fria como Quente, atingiu um poderoso obstáculo.

Para aqueles que anseiam por um mundo multipolar, esta é uma viragem bem-vinda dos acontecimentos que emergem da cruel tragédia da guerra por procuração dos EUA na Ucrânia. A possibilidade de um mundo multipolar mais são e mais próspero está à nossa frente – se conseguirmos lá chegar.

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A UE e as sanções

(Jorge de Freitas Monteiro, in Facebook, 21/03/2022)

1. O ataque russo à Ucrânia não poderia passar sem sanções.

2. Numa primeira fase os Estados membros da UE da Europa Ocidental resistiram à imposição de sanções que pudessem prejudicar as suas economias mais do que o nível que consideraram razoável e apropriado.

3. Foi o período, que agora parece longínquo e para citar apenas alguns exemplos, em que a Itália pretendia excluir os produtos de luxo, a Bélgica os diamantes e todos eles o corte da ligação da Rússia ao SWIFT.

4. Sob pressão americana, coadjuvada pelos Estados membros de leste, a UE acabou por impor sucessivos pacotes de sanções que configuram um nível de sanções inédito.

5. Escapam de momento apenas alguns sectores nomeadamente o energético.

6. Há no entanto pressões americanas sobre os Estados membros da Europa Ocidental, como sempre apoiadas pelos Estados membros de leste (que, neste como noutros aspetos, vêm funcionando segundo uma lógica de cavalo de Tróia), no sentido de uma rutura de toda e qualquer relação comercial com a Rússia, incluindo no sector energético.

7. A verificar-se, uma tal ruptura significaria a paralisação largos sectores da economia de alguns Estados membros.

8. Ao contrário do que é habitualmente afirmado as sanções não foram impostas pela “comunidade internacional”, isto é pelas UN ou sequer por uma maioria de Estados a nível mundial.

9. Impuseram sanções os países da NATO, da UE e alguns países com alianças militares fortes com os US: Japão, Coreia do Sul, Taiwan, Austrália e a Nova Zelândia. A Suíça, tal, como Singapura, depois de recusar num primeiro tempo, cedeu às pressões exercidas a adotou também um pacote de sanções. A Turquia e Israel recusaram-se a fazê-lo.

10. É fácil verificar que de entre os países que impuseram sanções os países da UE e os outros países europeus são de muito longe os que mais sofrem o seu impacto. Na realidade são os únicos que realmente o sofrem enquanto os US poderão até beneficiar com elas graças ao novo mercado que se abre para o seu gás de fracking vendido à Europa a pelo menos o dobro do preço do gás Russo.

11. Segundo a Sky News a família média britânica verá o seu rendimento anual diminuir em mais de 3000€ em resultado das sanções. Com algumas variações o mesmo acontecerá no resto da Europa com os mais pobres, países, famílias e indivíduos, a serem os mais sacrificados.

12. Não foram feitas contas sérias e muito menos estudado o impacto profundo das sanções adoptadas, nem a nível da UE nem a nível de cada um dos seus Estados membros.

13. É geralmente aceite que vamos ter uma depressão económica acompanhada da subida em flecha dos preços dos alimentos, dos combustíveis e de forma global de uma inflação generalizada que vai reduzir substancialmente o poder de compra dos salários. O desemprego vai aumentar com as falências e a redução da produção em numerosos sectores. As finanças públicas vão de novo entrar em desequilíbrio. Em resumo, uma espécie de 2008/2011 só que para pior.

14. Se por um lado é óbvio que os governos que decidiram impor as sanções já adotadas (e as que possivelmente estão para vir) não poderiam dispor de um mandato explícito dos seus eleitores nesse sentido (a situação era impossível de prever) é igualmente óbvio que a adoção de sanções desta dimensão inédita com um impacto igualmente inédito na vida dos cidadãos europeus coloca um problema de legitimidade.

15. À medida que os efeitos expectáveis das sanções se fizerem sentir na Europa a questão da legitimidade será cada vez mais evocada, com consequência imprevisíveis para a imagem da UE e para estabilidade dos governos e dos próprios regimes democráticos.

16. Tudo isto ainda poderia ser justificável se as sanções produzissem o efeito desejado de forma rápida, neste caso o fim do ataque russo e a queda de Putin.

17. A experiência demonstra o contrário, as sanções não só nunca atingem os objetivos que se propõem atingir como frequentemente acabam por reforçar os regimes que pretendem enfraquecer. Estes passam a poder apresentar as sanções não só como explicação para as suas falhas mas também como elemento mobilizador e de unidade contra um inimigo externo.

18. Em síntese a UE adotou um conjunto de sanções que lhe foi imposto, que são segundo toda a probabilidade inúteis, cujo fardo suporta de forma completamente desproporcionada em relação aos seus aliados, sem se colocar as questões de custo, de legitimidade e de estabilidade a prazo do consenso social indispensável.

19. Neste momento em que estão em cima da mesa propostas para novas sanções ainda mais prejudiciais aos interesses europeus seria indispensável que os Estados membros da Europa Ocidental se coordenassem para resistirem às já habituais pressões externas e internas, cada vez mais reforçadas por uma opinião pública sabiamente condicionada no sentido da escalada da guerra e das sanções.

20. Isto sob pena de daqui a uns meses vermos os mesmos que agora clamam no conforto dos seus sofás por mais sanções a manifestarem-se violentamente na rua contra os respetivos governos e contra a UE.


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