100 mil milhões de dólares (pelo menos) desapareceram sem deixar rasto no “buraco negro” da Ucrânia

(José Catarino Soares, in A Tertúlia Orwelliana, 05/02/2025) 

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Volodymyr Zelensky, o putativo presidente da Ucrânia (o seu mandato expirou em 21 de Maio de 2024) não é flor que se cheire, por vários motivos. Um deles é o seguinte: antes do início do seu mandato, Zelensky transferiu a sua avultada fortuna pessoal (estimada em 30 milhões de dólares americanos pela revista americana Forbes, em 21 de Abril de 2022) para paraísos fiscais, a fim de poder fugir aos impostos pagos pelo comum dos seus concidadãos.

Em resumo, no cocuruto do regime ucraniano está um comediante espertalhão e corrupto. Não sou eu quem o diz. É a conclusão que se retira das revelações feitas pelos “Pandora Papers”, uma investigação do International Consortium of Investigative Journalists (ICIJ) [v. Elena Loginova, “Pandora Papers Reveal Offshore Holdings of Ukrainian President and his Inner Circle.” OCCRP/Slidstvo.Info, 3 October 2021; “Zelensky apanhado nos Pandora Papers com contas offshore.” Correio da Manhã, 6 de Agosto de 2022; Steven Derix & Marina Shelkunova, Zelensky: A Biography of Ukraine’s War Leader. Canbury Press. August 2022].

As revelações dos “Pandora Papers” são anteriores ao início da 2.ª guerra na Ucrânia (24 de Fevereiro de 2022), bem antes, portanto, da operação internacional de rebranding (reformulação de marca) que apresentou Zelensky aos olhos do mundo como se ele fosse o Churchill do século XXI. Parece-me razoável supor que, se essas revelações tivessem sido divulgadas depois dessa operação, teriam sido imediatamente abafadas e os seus autores vilipendiados como “agentes de Putin”.

Seja como for, a corrupção do regime ucraniano é bem conhecida e já provocou muitas baixas no círculo próximo de Zelensky ao longo destes 3 anos de guerra. Mas agora é o próprio Zelensky que veio confessar publicamente que não sabe onde param 100 mil milhões de dólares (!!), 58% do total da ajuda que os EUA lhe forneceram até agora (177 mil milhões de dólares, segundo as contas de Zelensky) para sustentar a sua guerra suicidária.

Em 31 de Outubro de 2024 (últimos dados disponíveis da fonte mais fidedigna, o “Ukraine Support Tracker” do Kiel Institute of World Economy), a ajuda dos 27 países da União Europeia (UE) à Ucrânia cifrava-se em 201 mil milhões de euros, em números redondos. Se a este montante adicionarmos as contribuições do Reino Unido, Suíça, Noruega e Islândia (39 mil milhões de euros), obtemos um total de mais 240 mil milhões de euros de ajuda de 31 países europeus ao esforço de guerra da Ucrânia.

Fonte: Christoph Trebesch, et al. (2024). “The Ukraine Support Tracker: Which countries help Ukraine and how?”. Kiel Working Paper, N.º 2218, 1-75.

Por isso, é muito expectável que o que aconteceu com a ajuda dos EUA à Ucrânia tenha acontecido também com a ajuda da UE+4, e que outros tantos milhares de milhões de euros oriundos desta última proveniência tenham também desaparecido sem deixar rasto no “buraco negro” da Ucrânia. Chegará o dia em que ficaremos a saber toda a verdade sobre o assunto.

As declarações de Zelensky, com legendas em Inglês, podem ser vistas no vídeo aqui.

Fonte do artigo aqui.

Atos de ignorância e intransigência cognitiva

(Major-General Carlos Branco, in Jornal Económico, 02/01/2025)

É angustiante continuar a assistir, passados quase três anos de guerra, à insistência de dirigentes europeus na adesão da Ucrânia à NATO, mesmo diferida no tempo.


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Antecipando uma possível interrupção nos combates que se travam em território ucraniano, após a tomada de posse de Donald Trump, tem vindo a germinar na comunicação social do velho continente a irrealista, inútil e perigosa ideia de colocar forças de manutenção de paz em território ucraniano para monitorizar o cumprimento de um eventual cessar-fogo entre forças russas e ucranianas. A sua apresentação tem-se revestido de algumas variantes, mas todas elas incorporando a premissa de que com Trump na presidência e Washington a preparar-se para abandonar o barco, serão os europeus quem carregará com o fardo do apoio à Ucrânia.

Caso estivéssemos distraídos, o candidato a chanceler alemão Friedriech Merz lembrou-nos que o envio de forças de manutenção da paz europeias para a Ucrânia deve ser coordenado com a Rússia, como se fosse possível ser de outra maneira.

O que fará a próxima Administração americana relativamente à Ucrânia tem sido objeto de abundante especulação. Há soluções para todos os gostos. Se Kiev não estiver disponível para se sentar à mesa das negociações, Trump cessará o apoio à Ucrânia, mas se a indisponibilidade for da parte russa, então o apoio a Kiev continuará incessantemente enquanto for necessário.

O “Financial Times” veio com outra ideia, bastante plausível que, a concretizar-se, deixará os europeus com os cabelos em pé. Trump poderá forçar a Ucrânia a aceitar a paz sem lhe proporcionar garantias de segurança, aliviando simultaneamente as sanções à Rússia. A América vai concentrar-se em dominar o hemisfério ocidental, coaptando o México e o Canadá, e colocando o Canal do Panamá e a Gronelândia debaixo da sua asa, ressuscitando, assim, a doutrina Monroe.

Segundo Lavrov, numa entrevista à agência noticiosa russa TASS, a sempre fiel e leal diplomacia francesa, que instigou o envio de tropas europeias para a Ucrânia, que preparou e continua a preparar as forças armadas da Ucrânia no seu território, que afirma ser necessário atacar a Rússia na sua profundidade, e que defende a preparação da Ucrânia para negociar com a Rússia numa posição de força, teria vindo propor-lhe, pela calada e violando o princípio de que o Ocidente não debaterá o futuro da Ucrânia sem a Ucrânia, que “ajudemos [Rússia e França], que estabeleçamos um diálogo sobre a questão ucraniana.”

Enviar tropas de manutenção da paz da União Europeia (UE) para a Ucrânia com o objetivo de monitorizar o cumprimento de um cessar-fogo é, por variadas razões, uma ideia disparatada. Não só desafia o senso comum, como corre também o risco de agravar o conflito, transformando a Europa num campo de batalha por procuração.

Os seus promotores não percebem porque é que essa ideia não faz sentido. Presumem que haverá um cessar-fogo e que os russos, apesar de terem recusado repetidas vezes essa possibilidade, a vão aceitar, não entendendo que os russos não estão na disposição de perder à mesa das negociações aquilo que ganharam no campo de batalha. Não darão aos países da NATO, de mão beijada, aquilo que eles não conseguiram no campo de batalha, isto é, colocarem contingentes militares em território ucraniano.

Há semelhança de outras congeminações estapafúrdias, esta dificilmente deixará de ser um nado morto. Alguns países já declararam abertamente a sua oposição. Enviar tropas europeias para “morrer na e pela Ucrânia” não é apenas um suicídio, mas uma catástrofe política, sobretudo quando as opiniões públicas europeias se afastam cada vez mais do envolvimento militar no conflito.

O ceticismo sobre o envolvimento militar na Ucrânia é particularmente elevado na Polónia e na República Checa. Até a França promotora da ideia, parece relutante em entrar neste campo político minado. São estes mesmos proponentes que não percebem porque é que a direita, sobretudo a designada extrema-direita, está em ascensão na Europa e os povos rejeitam o neoliberalismo globalista abraçando, em alternativa, projetos de direita nacionalista que se coloca contra a guerra e o impacto que esta tem na vida das pessoas.

Não deixa de ser curioso, para não dizer insano, que os impulsionadores desta ideia não tenham pejo em esconder que um cessar-fogo não passará de um artifício temporário para a Ucrânia ganhar tempo, lamber as feridas e preparar-se para confrontar militarmente a Rússia, quando devidamente recuperada, entenda-se treinada e equipada, tendo como subjacente a este raciocínio a menoridade mental do oponente. Não sendo o caso, é altamente improvável que Moscovo alinhe na repetição de um acordo do tipo “acordos de Minsk” patrocinados pela França e Alemanha e ratificados pela Resolução do Conselho de Segurança 2022 (2015), em que a monitorização da sua implementação ficou a cargo da Organização para a Cooperação e Segurança na Europa.

É angustiante continuar a assistir, passados quase três anos de guerra, à insistência de dirigentes europeus na adesão da Ucrânia à NATO, mesmo diferida no tempo. Não perceberam nada do que está em jogo! Não perceberam que os russos não vão alinhar num cessar-fogo, mas somente num acordo de paz de âmbito alargado, para além dos problemas colocados pela guerra na Ucrânia. O acordo de paz ocorrerá antes do cessar-fogo e a ordem dos fatores não será arbitrária.

Para terem um entendimento do que está em causa, seria conveniente que estas pessoas revisitassem, entre outros acontecimentos, o discurso de Putin na Conferência de Segurança de Munique, em 2007; que procurassem explicações lógicas para a invasão da Geórgia, em agosto de 2008, quatro meses após a Cimeira da NATO em Bucareste, em que a Ucrânia e a Geórgia foram convidadas para se tornarem membros da Aliança; que entendessem a proposta do então presidente russo Medvedev, quando propôs, em 2008, um tratado de segurança europeia que tornaria juridicamente vinculativo o princípio da indivisibilidade da segurança e o princípio do não reforço da segurança à custa dos outros; que se lembrassem das iniciativas diplomáticas de Moscovo, no final de 2021, poucos meses antes da invasão da Ucrânia, para se criar conjuntamente com os EUA e a NATO uma plataforma de entendimento no domínio securitário, nomeadamente, sobre a expansão da Aliança as quais não tiveram resposta. Tal como agora, a Rússia procurava obter do Ocidente garantias de segurança.

Se tivessem efetuado o trabalho de casa, teriam percebido que Moscovo está a travar uma guerra na Ucrânia para conseguir aquilo que não conseguiu pela via diplomática, ou seja, definir uma nova arquitetura de segurança na Europa que lhe dê garantias de segurança e aos seus vizinhos, através de uma formulação jurídica que dificulte/impossibilite a violação dos acordos estabelecidos e onde tenha um estatuto condizente com a sua importância na nova ordem multipolar em construção. Seguramente que isso não passará pela colocação de mísseis na Polónia e na Roménia (capazes de atingir Moscovo e S. Petersburgo, em cinco/sete minutos) com a justificação de um ataque do Irão à Europa; pela promoção de operações de mudança de regime no “near abroad” russo; ou pela renúncia à implementação de medidas de construção de confiança.

Se tivessem entendido o racional por detrás das preocupações securitárias russas, antigas de séculos, não teríamos de assistir ao espetáculo ridículo e deprimente da primeira-ministra dinamarquesa dizer que tem rações na despensa para sobreviver durante três dias em caso da agressão russa; ou das autoridades suecas distribuírem à população manuais de sobrevivência em caso do país ser atacado.

Perante o iminente revés estratégico e como já tive oportunidade de explicar, os dirigentes europeus optaram por meter medo às suas populações agitando o papão de um ataque russo à Europa: “… uma vez ganha a guerra na Ucrânia (uma admissão implícita de que a guerra está ou vai ser ganha pela Rússia), a Rússia não parará nas suas novas fronteiras, e entrará pela Europa dentro! …”, sem explicarem porquê e para quê, quando historicamente foram as potências ocidentais que, em diversas ocasiões, ao longo dos séculos, invadiram a Rússia e não o contrário.

Cavalgando a onda dessa implausível invasão, estes dirigentes vêm propor, com vista à preparação de uma futura guerra com a Rússia, o aumento dos encargos com a defesa (fala-se agora em contribuições nacionais de 3% do PIB e Trump veio falar de 5%) em detrimento da economia, do estado social e das despesas com a saúde, habitação, educação, pensões, etc.

Torna-se cada vez mais claro que as opiniões públicas europeias foram enganadas pelos seus líderes quando lhes venderam uma vitória fácil: “… um passeio na praia no confronto com uma estação de serviço com armas nucleares”. Afinal, em vez do cordeiro manso saiu-lhes um urso. Perante isto, fará, pois, mais sentido a Europa mudar de rumo, moderar os seus apetites revanchistas e pensar seriamente em adotar uma estratégia de soma positiva.

Zelensky e Al-Julani recauchutados

(Joaquim Camacho, in Estátua de Sal, 15/12/2024, revisão da Estátua)


(Este artigo resulta de um comentário a um texto que publicámos sobre a situação geopolítica mundial, (ver aqui). Pela sua atualidade e pelo seu sentido cáustico, retratando a realidade da manipulação a que nos querem sujeitar, resolvi dar-lhe destaque.

Estátua de Sal, 15/12/2024)


É bem sabido que o Império não brinca em serviço e não se poupa a esforços para controlar a perceção que os borregos têm da realidade, essencial para o seu condicionamento e para que, como borregos, continuem a comportar-se.

Pouco depois do início da invasão russa da Ucrânia, soube-se, pelo site americano Grayzone (de Max Blumenthal e Aaron Maté, salvo erro), que, para tornar simpática e palatável aos olhos dos ovinos ocidentais a imagem dos nazis e das instituições corruptas paridas pelo golpe de Maidan, foram contratadas 134 agências de comunicação, quase todas americanas.

Lavandarias há muitas, né? Mais tarde, a imagem de Herr Zelensky von Pandora Papers, engenhariada e retocada até à obscenidade, continuou e continua a beneficiar do trabalho de algumas dessas lavandarias. Daí aquele ar ridiculamente marcial do dono da pila pianista, os bíceps gordinhos em permanente exibição pretensamente viril (eu diria pornográfica), áreas enormes da parte superior das patilhas e do cabelo da testa diariamente barbeadas, apenas para parecer mais inteligente, etc.

Imagem do concerto em que Zelensky tocou piano com o pénis…,

O Putin, só porque apareceu uma ou duas vezes em tronco nu, em cima de um cavalo, nunca mais se livrou do gozo dos humoristas das ocidentais praias, ridicularizando o que apontavam como manifestação de virilidade tóxica do mafarrico da Moscóvia. Imagine-se o que aconteceria se, em vez de duas vezes em tronco nu em cima de um cavalo, o senhor do CremeLin exibia diariamente, há dois anos, os bracinhos nus, bamboleando a bunda com aquele andar gingão de chuleco do Bairro Alto que Herr Zelensky nos esfrega diariamente no focinho.

Pois bem, agora atentem também na imagem recauchutada que as televisões e jornais nos impingem diariamente do terrorista chefe da Hayʼat Tahrir al-Sham (HTS), a Al-Qaeda síria agora milagrosamente reciclada em campeã da democracia e dos direitos humanos.

Comparem-na depois com as que podem ser vistas aqui e aqui e digam-me lá se não se trata de uma manobrazinha subliminar para amolecer eventuais resistências de algum povo, que a si próprio se vê como “de esquerda”, saudoso dos tempos em que se julgava romanticamente simpatizante de revoluções longínquas.