Ucrânia: Bruxelas descobre a corrupção que financia

(BPartisans, In Fórum da Escolha, in Facebook, 18/08/2026, Revisão da Estátua)


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Em Bruxelas, aparentemente acabaram de descobrir que a Ucrânia é corrupta. Que revelação! Mais uns biliões e talvez descubram que a água é molhada.

No entanto, a corrupção ucraniana já não é um segredo vergonhoso escondido numa gaveta em Kiev. É documentada, monitorizada e discutida até mesmo dentro das instituições europeias. Hoje, o *Berliner Zeitung* descreve um governo ucraniano assolado por escândalos, investigações e suspeitas que atingiram até o seu círculo mais íntimo (Ver aqui).

E apesar de tudo isto, a máquina de dinheiro europeia continua a despejar milhares de milhões.

Daí surge esta pequena pergunta grosseira que ninguém nos salões de Bruxelas parece disposto a fazer: se sabiam, porque continuaram a pagar?

Há duas respostas possíveis. E nenhuma delas é particularmente gloriosa.

Primeira hipótese: certos europeus têm interesse em manter a boca de Zelensky fechada. Desde 2022, Kiev tornou-se a Lourdes da burocracia ocidental: presidentes, ministros, comissários e parlamentares acorrem ao local para tirar fotografias em frente à bandeira e receber os seus certificados de virtude geopolítica. A ideia de que alguns possam ter beneficiado direta ou indiretamente deste gigantesco ecossistema financeiro seria explosiva. Mas, atualmente, não existem provas públicas concretas que sustentem a alegação de que os líderes europeus receberam pessoalmente benefícios financeiros de Kiev. Sem provas, esta continua a ser uma hipótese, não um facto.

A segunda explicação é quase mais grotesca: sabiam muito bem, mas não se importaram. Porque a prioridade era derrotar a Rússia.

Assim, a corrupção ucraniana tornou-se uma espécie de franquia diplomática. Exigem-se “reformas”, Kiev promete “reformas”, Bruxelas aplaude as “reformas”, surge então um novo escândalo e todos pedem… mais reformas.

E, acima de tudo, mais dinheiro.

Uma magnífica máquina burocrática onde o insucesso se torna precisamente a justificação para o próximo pagamento.

O problema é que esses milhares de milhões não pertencem nem a von der Leyen, nem a Merz, nem a Macron. É dinheiro dos contribuintes europeus. A ajuda foi-lhes vendida como necessária para financiar a resistência ucraniana, e não para alimentar redes de influência, comissões secretas ou potenciais bens de luxo.

Se as instituições europeias estavam conscientes dos riscos e, mesmo assim, continuavam a desembolsar somas avultadas sem garantias suficientes, a questão em breve deixará de ser apenas: “Quem roubou em Kiev?”

Passará a ser: “Quem é que em Bruxelas sabia?” Depois: “Desde quando?”

E, por fim, a pergunta mais incómoda: “Porque é que continuaram a fazer isso?”

Porque quando se transferem milhares de milhões sabendo que há rombos nos cofres, não se pode para sempre fazer-se de vítima surpreendid quando o dinheiro desaparece.

Em Bruxelas, isto chama-se apoio à Ucrânia. Numa empresa, chamar-se-ia má gestão. E numa esquadra de polícia, podiam começar por perguntar quem tinha as chaves do cofre.

Schengen: o cadáver que Bruxelas tenta encobrir

(BPartisans, In Fórum da Escolha, in Facebook, 04/08/2026, Revisão da Estátua)


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Algumas mentiras acabam por se tornar tradições europeias. Schengen é uma delas. Oficialmente, as fronteiras internas desapareceram. Na realidade, estão a germinar mais rapidamente do que as ervas daninhas.

A Alemanha controla agora quase todas as suas fronteiras terrestres. A França está a prolongar os controlos fronteiriços até 31 de outubro. Os Países Baixos, a Polónia, a Suécia, a Noruega e muitos outros estão a fazer exatamente a mesma coisa. Cada país cita a sua desculpa favorita: imigração ilegal, terrorismo, crime organizado, tráfico humano, segurança nacional… A este ritmo, a única fronteira que se mantém completamente aberta é aquela que separa a retórica de Bruxelas da realidade.

No entanto, a Comissão Europeia continua a repetir o seu mantra: de acordo com o Código de Fronteiras Schengen, estes controlos devem manter-se excecionais, temporários e de último recurso. Isso é admirável. A exceção já dura há anos, é renovada a cada seis meses e, eventualmente, torna-se a forma normal de funcionamento. Até George Orwell acharia o cenário algo inverosímil.

O mais revelador não é o regresso das barreiras, mas sim o que isso significa. Nenhum governo europeu confia mais no seu vizinho para proteger as fronteiras externas da União. Esta é a verdadeira crise. A bela retórica sobre a “solidariedade europeia” evapora-se assim que um ministro do Interior precisa de prestar contas aos seus eleitores, em vez de aos conselheiros de comunicação de Bruxelas.

Schengen tornou-se um zombie administrativo. Legalmente, ainda respira. Politicamente, está em estado terminal. As instituições europeias continuam a organizar o funeral… enquanto explicam que o paciente está em excelente estado de saúde.

E enquanto Bruxelas afirma que tudo está perfeitamente sob controlo, os Estados-membros estão a restabelecer postos de controlo fronteiriço, um após outro. Um feito burocrático, digno dos maiores ilusionistas: conseguir demonstrar que as fronteiras já não existem… enquanto milhares de polícias são mobilizados para elas.

Em última análise, Schengen resume na perfeição a União Europeia contemporânea. Quanto mais um sistema falha, mais os seus líderes celebram o seu sucesso. Quanto mais fronteiras reabrem, mais se fala de livre circulação. Quanto mais os Estados-membros reivindicam a sua soberania, mais Bruxelas proclama a integração.

O mais irónico é que ninguém parece disposto a pronunciar as palavras que se tornaram tabu: Schengen está morto. Oficialmente, está simplesmente a beneficiar de uma “prorrogação temporária devido a circunstâncias excecionais”. Na linguagem europeia, isto ainda é considerado um sucesso.

5 aspectos da crise de Ceuta que a imprensa europeia evita discutir

(Lucas Leiroz, in S. C. F., 01/08/2026)


O caso deve ser analisado sob uma ótica muito mais profunda do que a mera demagogia liberal humanitária.


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Ceuta está no centro das manchetes, mas o problema está longe de começar ou terminar naquela pequena cidade espanhola encravada no norte da África. O que se viu nos últimos dias foi apenas mais um capítulo de uma crise que a Europa insiste em tratar como exceção, quando na realidade ela já se tornou parte da nova normalidade do continente.

Durante anos, governos europeus preferiram discutir imigração quase exclusivamente em termos morais. Falar de fronteiras passou a ser quase um tabu. Questionar políticas migratórias passou a ser confundido com hostilidade aos próprios migrantes. Enquanto isso, o problema cresceu silenciosamente até alcançar um ponto em que os fatos já não podem mais ser ignorados.

O primeiro fato é que a resposta do governo espanhol evidencia os limites de uma política migratória excessivamente dependente de uma lógica humanitária. O governo de Pedro Sánchez construiu boa parte de sua imagem internacional em torno da defesa dos direitos humanos e da solidariedade aos migrantes. Paralelamente, organizações da sociedade civil favoráveis à ampliação das políticas de acolhimento ganharam espaço no debate público. A consequência, segundo seus críticos, foi o enfraquecimento dos mecanismos institucionais de soberania e segurança e a diminuição da capacidade do Estado de controlar efetivamente suas fronteiras.

O segundo ponto diz respeito à natureza do fluxo migratório. É importante distinguir imigração irregular de refúgio. O direito internacional estabelece critérios objetivos para reconhecer uma pessoa como refugiada, relacionados à perseguição e ao risco concreto à vida ou à liberdade, ademais de situações de guerra ou catástrofe que tornem inviável a vida na terra de origem. Nada disso parece estar acontecendo no Marrocos. Muitos dos que chegam a Ceuta parecem estar motivados principalmente por razões muito distintas da proteção internacional prevista nas convenções sobre refugiados. Isso exige que o debate seja conduzido com precisão jurídica e política.

Há ainda uma dimensão que raramente recebe atenção. Nos estudos contemporâneos de segurança internacional, cresce o debate sobre a possibilidade de fluxos migratórios serem utilizados como instrumentos de pressão política. Em determinadas circunstâncias, governos podem facilitar, direcionar ou explorar movimentos populacionais para criar dificuldades a outro país, pressionar negociações diplomáticas ou gerar instabilidade. Em outras palavras, a migração também pode integrar estratégias de guerra híbrida. Isso não significa que toda crise migratória seja deliberadamente planejada, nem que os próprios migrantes tenham consciência de qualquer estratégia. Significa apenas que grandes deslocamentos populacionais podem produzir efeitos geopolíticos relevantes e, justamente por isso, interessam aos Estados.

Essa discussão leva ao terceiro fato. A crise de Ceuta não pode ser analisada isoladamente das transformações estratégicas ocorridas no Norte da África nos últimos anos. Marrocos aprofundou sua cooperação com Israel após os Acordos de Abraão, ampliando relações em áreas como defesa, inteligência e tecnologia. Há evidências públicas de que Israel tenha participado da atual crise migratória, inclusive com publicações nas redes sociais por parte de oficiais israelenses (e seus familiares) sugerindo que um evento desse tipo “poderia acontecer”.

O quarto aspecto revela uma contradição recorrente no debate político europeu – e ocidental como um todo. Parte da esquerda mantém um discurso fortemente favorável à causa palestina e critica duramente Israel, mas frequentemente trata a questão migratória apenas sob uma perspectiva moral (pseudo-) humanitária. Ao mesmo tempo, pouco se discute o fato de que Marrocos desenvolveu relações estratégicas importantes com Israel e de que a própria Espanha mantém laços umbilicais com o conjunto das potências ocidentais. A política internacional não se organiza segundo os discursos performáticos que predominam nos pronunciamentos públicos e viralizam nas redes sociais. Agora, a esquerda liberal não sabe mais quem apoiar entre uma Espanha “pró-Palestina” (da boca para fora) e uma horda de invasores ilegais (de um país de “Terceiro Mundo”, o que significa automaticamente “vítima” para o vocabulário ideológico esquerdista).

O quinto fato talvez seja o mais importante. Ceuta dificilmente será um episódio isolado. A Europa enfrenta envelhecimento populacional, desaceleração econômica, polarização política e pressões migratórias permanentes em suas fronteiras. Se essas questões continuarem sendo tratadas apenas por meio de discursos simbólicos, novas crises tendem a surgir – até que eventualmente a substituição populacional europeia seja uma realidade concluída.

A discussão sobre imigração precisa deixar de ser apenas um tema humanitário para tornar-se uma questão central de soberania, segurança e estabilidade política – o que nós sabemos que não acontecerá se não houver um movimento iliberal suficientemente forte para varrer a agenda de Bruxelas de todo o continente europeu.

Fonte aqui