Poderá Trump salvar a América de si própria?

(Alastair Crooke, in Strategic Culture Foundation, 10/01/2025, Trad. Filipe Alexandre)

Trump pode simplesmente escalar a escada metafísica para dizer simplesmente que só ele tem a visão para salvar a América da Terceira Guerra Mundial.


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Na semana passada, o Primeiro-Ministro russo Lavrov rejeitou as propostas de paz da Equipa Trump para a Ucrânia, considerando-as insatisfatórias. Essencialmente, o ponto de vista russo é que os apelos a um conflito congelado falham precisamente o objectivo: Do ponto de vista russo, tais ideias – conflitos congelados, cessar-fogo e forças de manutenção da paz – não começam a qualificar-se como o tipo de acordo base em tratados, “Big Picture”, que os russos têm vindo a defender desde 2021.

Sem um fim sustentável e permanente para o conflito, os russos preferirão confiar num resultado de campo de batalha – mesmo com o elevado risco da sua recusa levar a uma escalada contínua – mesmo a nuclear – do jogo de cintura dos EUA.

A questão é antes a seguinte: Uma paz duradoura entre os EUA e a Rússia – será sequer possível?

A morte do antigo Presidente Jimmy Carter recorda-nos a turbulenta “revolução” política dos anos 70, que ficou sintetizada nos escritos de Zbig Brzezinski, Conselheiro de Segurança Nacional de Carter – uma revolução que atormenta as relações entre os EUA e a Rússia desde então até hoje.

A era Carter assistiu a um importante ponto de inflexão com a invenção por Brzezinski do conflito identitário armado e a sua defesa das mesmas ferramentas identitárias – aplicadas de forma mais alargada – a fim de colocar as sociedades ocidentais sob o controlo de uma elite tecnocrática “[praticando] a vigilância contínua de todos os cidadãos … [juntamente com a manipulação pela elite] do comportamento e do funcionamento intelectual de todas as pessoas …”.

Os livros seminais de Brzezinski defendiam, em suma, uma esfera identitária cosmopolita gerida, que substituiria a cultura comunal – ou seja, os valores nacionais. É na reacção hostil a esta visão tecnocrática de “controlo” que podemos enraizar os problemas que hoje se manifestam por todo o lado, em todas as frentes globais.

Dito de forma simples, os acontecimentos actuais são, em muitos aspectos, uma repetição da turbulenta década de 1970. A marcha actual em direção a normas antidemocráticas começou com o seminal The Crisis of Democracy (1975) da Comissão Trilateral – o precursor do WEF (“Davos”) e de Bilderberg – com, (nas palavras de Brzezinski), os bancos internacionais e as corporações multinacionais a serem coroados como a principal força criativa no lugar do “Estado-nação como unidade fundamental da vida organizada do homem”.

A percepção preconceituosa de Brzezinski sobre a Rússia não é nova. Pelo contrário, remonta ao Hudson Institute, nos anos 70, e ao senador Henry “Scoop” Jackson, duas vezes candidato à nomeação democrata para as eleições presidenciais de 1972 e 1976. Jackson (de ascendência norueguesa) odiava simplesmente o comunismo; odiava os russos, e tinha tido muito apoio dentro do Partido Democrata.

Brzezinski, de origem polaca, partilhava a russofobia de Scoop Jackson. Persuadiu o Presidente Carter (em 1979) a inserir no Afeganistão uma cultura identitária radicalizada e jihadista para contrariar a cultura socialista secular de Cabul, que Moscovo apoiava. O resultado da guerra do Afeganistão foi posteriormente retratado como uma enorme vitória americana (que não foi).

No entanto – e este é o ponto – a reivindicação de vitória sustentou a noção de que os insurgentes islâmicos eram os “solventes” ideais em projectos de mudança de regime (e ainda o são, como testemunhamos hoje na Síria).

Mas Brzezinski tinha ainda mais conselhos para dar ao Presidente Carter. No seu Grande Tabuleiro de Xadrez de 1997, Brzezinski argumentou que os Estados Unidos e Kiev poderiam potencialmente alavancar complexidades culturais e linguísticas antigas (como foi feito no Afeganistão) para formar a dobradiça em torno da qual o poder do Heartland poderia ser dissolvido, negando à Rússia o controlo da Ucrânia:

“Na ausência da Ucrânia, a Rússia nunca se tornaria a potência do Heartland; mas com a Ucrânia, a Rússia pode e seria [uma potência do Heartland]”, insistiu. A Rússia precisava de ser enredada num atoleiro de identidade cultural ucraniana semelhante, defendia.

Porque é que esta decisão política foi tão prejudicial para as perspectivas de uma paz definitiva entre os EUA e a Rússia? Porque Kiev, incentivada pela CIA, promoveu a afirmação identitária totalmente falsa de que “a Europa acaba na Ucrânia” – e que, para além dela, estão “os eslavos”.

Só esta manipulação permitiu que Kiev se transformasse num ícone da guerra cultural-identitária total contra a Rússia, apesar do facto de a língua ucraniana (corretamente conhecida como o Ruteno) não ser uma língua germânica. Também não se encontra qualquer ADN viking (germânico) entre os ucranianos ocidentais actuais.

No seu desejo de apoiar Kiev e de agradar a Biden, a UE saltou para este revisionismo estratégico ucraniano: a “Ucrânia” entendida como “valores europeus” na defesa contra os valores “russos” (asiáticos).  Era um pólo, embora falso, em torno do qual a unidade europeia poderia ser forjada numa altura em que a realidade era a dissipação da unidade da UE.

Então, será possível uma “paz sustentável” com a Rússia? Se ela for pensada em termos de tentar manter uma Ucrânia sem força como um istmo belicoso da “Europa e dos seus valores” contra a “esfera eslava regressiva”, então a paz não é possível. Porque a sua premissa subjacente seria totalmente falsa e conduziria seguramente a um novo conflito no futuro. Moscovo rejeitaria quase de certeza um tal acordo.

No entanto, há uma ansiedade crescente entre o público americano de que a guerra na Ucrânia parece estar presa a uma escalada eterna, com receios públicos palpáveis de que Biden e os “falcões” no Congresso estejam a levar os EUA a um “holocausto nuclear”.

Será que nós – a Humanidade – vamos continuar a oscilar à beira da aniquilação se um “acordo” de Trump – estreitamente circunscrito à Ucrânia – for recusado em Moscovo? A urgência de travar o deslizamento para a escalada é clara; no entanto, o espaço de manobra política diminui continuamente, uma vez que a compulsão dos falcões de Washington-Bruxelas para lançar um ataque fatal contra a Rússia não está esgotada.

Mas visto da perspectiva da equipa Trump, a tarefa de negociar com Putin é tudo menos simples. O público ocidental simplesmente nunca foi psicologicamente condicionado a esperar a possibilidade de uma Rússia mais forte emergir. Pelo contrário, têm suportado “especialistas” ocidentais a escarnecer dos militares russos; a denegrir a liderança russa como incompetente; e a sua liderança a ser apresentada nas suas televisões como puramente má.

Tendo em conta a contribuição seminal de Brzezinski sobre a democracia e a sua posterior “concentração” numa “esfera identitária” gerida por uma elite tecnológica, não é difícil de notar como um país tão fragmentado como a América se encontra numa situação de desvantagem à medida que o mundo desliza para uma multipolaridade de base cultural.

É claro, não é exactamente verdade afirmar que a América não tem uma cultura comunitária, dada a grande diversidade de culturas imigrantes nos EUA. Afinal, foi esse o cerne da recente eleição presidencial – e das eleições em muitas outras nações.

A noção de que os enviados de Trump estiveram inicialmente em Moscovo, e partiram de mãos vazias, Trump entrará de rompante para concluir um acordo sobre a Ucrânia, não reflecte o que Moscovo tem vindo a salientar incessantemente. O que é necessário é um acordo baseado num Tratado “Big Picture” que estabeleça a arquitectura de segurança e as fronteiras entre os interesses de segurança do Heartland e do Rimland.

Mas será que um tal acordo será visto por muitos americanos como uma “fraqueza”; como uma concessão da “liderança” e da “grandeza” dos EUA? Claro que será visto dessa forma – porque Trump estaria efetivamente a selar a derrota da América e a reposicionar os EUA como um Estado entre iguais num novo Concerto de Poderes – ou seja, num Mundo Multipolar.

É um grande “pedido”. Conseguirá Trump fazê-lo – engolir o orgulho americano? Uma forma viável de avançar seria voltar ao nó górdio original e desatá-lo: isto é, desatar o nó de não haver um tratado escrito pós-Segunda Guerra Mundial que delimite o movimento sempre em frente da NATO e, ao fazê-lo, acabar com a pretensão de que a deslocação da NATO para onde quer que seja que ela escolha não é da conta de ninguém a não ser dela própria.

Infelizmente, a outra forma possível de “equilibrar” a aparência de derrota americana e da NATO em relação à Ucrânia, pode ser vista pelos conselheiros falconados de Trump como sendo o pulverizar do Irão – como um sinal da “virilidade” americana.

As negociações, em última instância, têm a ver com interesses e com a capacidade de resolver o enigma de duas partes perceberem como “a outra” se vê a si própria – como fraqueza ou como força. Trump, se for apanhado num impasse literal sobre a Ucrânia, pode simplesmente escalar a escada metafísica para dizer simplesmente que só ele tem a visão para salvar a América da 3ª Guerra Mundial. Para salvar a América de si própria.

Fonte aqui.


A decadência do Ocidente e o caos como arma

(Major-General Raúl Cunha in Facebook, 04-01-2025)


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Está mais do que visto que a possibilidade de passar a vigorar no mundo um sistema multipolar não se enquadra no processo global de dominação e subordinação construído por Washington, baseado no dólar e no despotismo dos EUA.

As elites euro-atlânticas já certamente o perceberam mas recusam-se, obstinadamente, a aceitar a perda do seu antigo poder. Estão a tentar convencer o resto do mundo de que a única alternativa ao poder ocidental é o caos. E, para o fazer, estão a desestabilizar deliberadamente a situação em regiões-chave do planeta. Ou seja, estão literalmente a agir como líderes de gangues criminosos, na lógica de “morres tu hoje, para que eu só morra amanhã”.

Esta tendência para a destruição é especialmente percetível nos estados que resultaram da fragmentação da União Soviética e na Grande Eurásia como um todo. Onde quer que o Ocidente procure estender os seus tentáculos, assiste-se a divisões e desestabilização, sendo o exemplo mais marcante o da Ucrânia. A partir do momento em que se deixou tentar pela assim chamada “integração europeia”, a Ucrânia transformou-se no principal instrumento anti russo do Ocidente e o resultado é que hoje a Ucrânia é um Estado falhado, ou seja, um Estado incapaz de manter a sua existência como sendo uma entidade política e economicamente viável.

Agora a Moldávia está a seguir o mesmo caminho. A política divisionista e vendida do regime totalitário de Sandu conduziu a uma polarização catastrófica da sociedade local. E isto ficou demonstrado de forma convincente nas recentes eleições, cujo resultado foi determinado através de manobras administrativas e pelos votos da diáspora na Europa. A vantagem mínima obtida pela candidata mais votada e a raiva sentida pela metade enganada da população tornam esta deriva europeia de Chisinau extremamente problemática e, na prática, podem vir a ter o efeito de uma bomba-relógio sob a integridade do Estado moldavo.

A situação é ligeiramente diferente na Geórgia. As autoridades locais, inicialmente mais atraídas para o Ocidente, com o passar do tempo começaram a aperceber-se da perniciosidade de uma tal orientação. O partido no poder, o “Sonho Georgiano”, começou a demarcar-se da agenda ultraliberal e passou a defender os interesses, as tradições e os valores nacionais da sociedade georgiana. Mas o Ocidente nunca desiste de perseguir as suas vítimas assim tão facilmente. Hoje Tbilisi está a enfrentar uma outra tentativa de “revolução colorida”, ou seja, uma tentativa de golpe de Estado. Vamos esperar que falhe, tal como anteriormente falharam as descaradas tentativas do Ocidente de desestabilizar a Bielorrússia e o Cazaquistão.

Neste momento histórico, está a ser gradualmente formado um espaço de cooperação novo na Grande Eurásia, baseado na sinergia do potencial económico, nas infraestruturas comuns de transporte e logística e num entendimento comum de segurança segundo o princípio de “soluções regionais para os problemas regionais”. Este constituirá, assim, provavelmente, um poderoso desafio à ordem unipolar americana e, por conseguinte, não é surpreendente que os Estados Unidos e os seus satélites europeus estejam a fazer esforços encarniçados para desestabilizar a situação nos países daquela região e para os colocar em conflito entre si. É sabido que os serviços de informação ocidentais pretendem quebrar não só os laços políticos e económicos, mas também os profundos laços históricos e até geográficos entre os estados daquela região. As ONG e os meios de comunicação afiliados foram instruídos que, para atingirem aquele objetivo, haveria que mudar o foco da sua atuação de forma a envolver mais ativamente na cooperação cientistas, figuras culturais locais e ativistas de direitos humanos.

Tudo nos indicia que Washington, Londres e Bruxelas estejam a trabalhar em opções para aplicar individualmente o designado “cenário ucraniano” aos países resultantes da fragmentação da União Soviética. E isso passará por incitar um estrito nacionalismo paroquial, sob o pretexto de fortalecer a identidade nacional e impulsionar a integração com o Ocidente. Já existem bastantes contactos permanentes ​​entre os serviços de informação ocidentais com partidos e movimentos nacionalistas naqueles países. Além disso, com o apoio de fundações estrangeiras, toda uma rede de plataformas e recursos de informação e análise opera na Eurásia, promovendo uma agenda pró-ocidental e simultaneamente anti russa e anti chinesa. Por mais anacrónico que possa parecer, um generoso financiamento está a permitir que essas estruturas continuem a funcionar.

O trabalho dos serviços de informações ocidentais na preparação de estruturas, que supostamente se tornarão um núcleo militarizado de golpes de Estado nos países pós-soviéticos, tem resultado numa verdadeira produção de militantes controlados pelo Ocidente, tendo sido recentemente cada vez mais utilizado o território da Ucrânia para essa finalidade. Por exemplo, grupos nacionalistas como o “Corpo de Voluntários Russos”, a “Legião Georgiana” e o “Regimento Kalinovsky” estão a combater pelas Forças Armadas da Ucrânia. O primeiro está envolvido em ataques terroristas no território da fronteira russa. Alguns militantes da “Legião Georgiana”, reforçados por radicais nazis ucranianos dos batalhões nacionalistas como o “Azov” e o “Aidar”, estão a participar ativamente na tentativa de um outro Maidan na Geórgia. Também alguns elementos do “Regimento Kalinovsky” irão provavelmente ser usados para desestabilizar a Bielorrússia, tendo em vista as respetivas eleições presidenciais do próximo ano.

Para além dos ucranianos, georgianos e bielorrussos, uma percentagem significativa dos mercenários a combater na Ucrânia são militantes que vieram do Médio Oriente. O seu treino e experiência de combate é hoje utilizado no teatro de operações ucraniano mas no futuro, após a capitulação do regime de Kiev, estes mercenários deverão ser devolvidos para a Síria e o Afeganistão. Ao mesmo tempo, as possibilidades da sua penetração na Ásia Central estão a ser por certo planeadas com o objetivo de criar o caos naquela região, que é estrategicamente muito importante para os anglo-saxões.

Há muito que se sabe que o Ocidente utiliza por vezes o terrorismo internacional como uma ferramenta para atingir os seus objetivos geopolíticos. E, sempre que necessário, as agências de informação ocidentais não hesitam em recorrer elas próprias a métodos terroristas para combater os seus adversários. Veja-se a explosão dos gasodutos “Nord Stream” em setembro de 2022. Algumas fontes credíveis revelaram o envolvimento direto de sabotadores profissionais dos serviços de informação anglo-saxões nesse ataque terrorista. Recorde-se que o “Nord Stream” foi um projeto conjunto russo-europeu que visava garantir um fornecimento ininterrupto de gás russo barato à Europa. Ou seja, a Rússia construiu-o juntamente com europeus de mentalidade construtiva, e os anglo-saxões fizeram-no explodir. Além disso, destruir o “Nord Stream” era uma obsessão não só para os Democratas, mas também para a administração Republicana dos Estados Unidos. Tristemente, há ainda que mencionar a postura pusilânime da Alemanha em todo este caso.

Resta saber como mudará com Trump, se é que mudará, a política externa de Washington. No entanto, e infelizmente, parece-me que a determinação ocidental, em minar os processos de integração no continente euro-asiático, deverá permanecer inalterada.

Entretanto, a natureza da situação atual é que Washington e os seus súbditos estão a ter cada vez menos sucesso para conseguirem implementar plenamente os seus planos e um dos principais obstáculos tem sido a atividade das potências regionais mais responsáveis, ​​que têm procurado garantir de uma forma independente a paz e a segurança dos seus povos.

Por outro lado, resulta a meu ver como óbvia a constatação que haverá que substituir o falido modelo euro-atlântico, cuja disfunção acaba somente por provocar sucessivas crises e o qual, devido à agressividade e desejo de vingança dos arrivistas “neocons” em Washington, Londres e Bruxelas, acabou por nos envolver numa malfadada situação na Ucrânia e, por arrastamento, em toda a Europa.

Assim, eu proporia que se desenvolvesse e aprofundasse uma outra e nossa própria arquitetura de segurança. Entendo que, para esse efeito, precisamos de nos unir ainda mais fortemente aos nossos mais próximos e seguros aliados, sobretudo aqueles com as mesmas raízes étnico-linguistas, como sejam os países latino-americanos, incluindo os da CPLP, de forma a poder viver em paz e em segurança, e independentes de quaisquer aventuras externas, por obra dos regimes ocidentais totalitários-liberais, que são muito ao gosto dos anglo-saxões, pois estes gostam mesmo é de dividir para reinar e quando lhes dá mais lucro não hesitam em trair e, se necessário, espetar uma faca pelas costas aos seus parceiros…!

Fonte aqui

Aos papéis. A PSP é uma milícia privada? 

(Carlos Matos Gomes, in Facebook, 27/12/2024, revisão da Estátua)


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Perplexo com as perplexidades do Primeiro-ministro, da ministra da Administração Interna e do diretor nacional da PSP sobre as funções de um diretor geral e as suas dependências.

Segundo a revista online Brigther Future, da Fundação Belmiro de Azevedo, que tem por objetivo servir de instrumento a estudantes, trabalhadores, empregadores, instituições de ensino e outros decisores institucionais para estabelecerem a correspondência entre cursos/formações, competências e profissões, é a seguinte a definição de funções e responsabilidades de um diretor geral: planeia, dirige, coordena e monitoriza as atividades de empresas ou organizações, seguindo as orientações definidas pelo conselho de administração ou direção, a quem reportam em termos de gestão e de resultados.

Hoje, a propósito de qualquer que seja o acontecimento, o Primeiro-ministro, a ministra da Administração Interna e o diretor nacional da polícia vieram jurar que a operação da PSP no Martim Moniz era da exclusiva responsabilidade da PSP, a ministra jurou por todos os santos que não instrumentalizava a polícia e o mesmo disse o Primeiro- ministro: o governo não dá ordens à Polícia. Em conclusão, a Polícia não depende do governo. Anda aos papéis. Ou o governo.

Acontece que existe a lei. Os ditos papéis. E é perante a lei que se levanta a perplexidade dos cidadãos contra a perplexidade do chefe do governo, da ministra e do diretor nacional da Polícia. Ora, diz a Lei 53/2007 publicada no DR Nº 168, de Agosto de 2007, logo no Artigo 2º: “A PSP depende do membro do governo responsável pela administração interna…”. E, no Artigo 21º: “O Diretor Nacional tem as competências próprias dos cargos de direção de 1º grau.”

Em conclusão: a PSP depende do governo, da ministra da Administração Interna e o governo tem de dar orientações à PSP, que o diretor nacional da PSP tem de seguir e a quem tem de reportar os resultados. Nem o Primeiro-ministro nem a ministra nem o diretor nacional sabiam destas dependências e competências! Maldito Diário da República.