As próximas 72 horas serão críticas para o mundo

(Ibrahim Majed, In canal do Telegram, Camille Moscow, 03/01/2026, Trad. Estátua)


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Se os Estados Unidos conseguirem impor um controlo sobre a Venezuela e, por extensão, sobre as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, isso marcará uma viragem importante no equilíbrio das potências mundiais.

Tal medida não teria como objetivo restaurar a democracia ou proteger os direitos humanos, mas sim reafirmar o domínio estratégico sobre a energia, as rotas comerciais e as alianças regionais.

Nesse caso, o Irão provavelmente passaria a ser a principal prioridade estratégica de Washington.

Assegurar o controlo sobre o petróleo venezuelano reduziria a vulnerabilidade dos Estados Unidos às perturbações energéticas no Golfo e proporcionaria uma almofada contra os choques de abastecimento em caso de confronto com o Irão.

Com uma fonte alternativa confiável de petróleo pesado sob sua influência, Washington estaria em melhor posição para absorver ou compensar a destruição ou paralisação das infraestruturas energéticas no Golfo Pérsico em tempo de guerra.

Isso reduziria o custo económico da escalada e tornaria a pressão militar contra o Irão mais viável política e economicamente.

Ao mesmo tempo, tal controlo reforçaria a capacidade dos Estados Unidos de moldar os fluxos mundiais de petróleo e os preços, consolidando o papel central do dólar nos mercados energéticos e ajudando a preservar o sistema do petrodólar que sustenta o poder financeiro americano.

A Venezuela tornar-se-ia assim muito mais do que uma questão regional.

Tornar-se-ia um precedente estratégico, uma demonstração de que a pressão económica, a engenharia política e, se necessário, a força podem ser utilizadas para reestruturar Estados soberanos e realinhar o equilíbrio global de poder.

No entanto, se os Estados Unidos se envolverem na Venezuela e enfrentarem uma resistência sustentada, o resultado mudaria radicalmente.

Uma crise prolongada esgotaria o capital político, esticaria os recursos militares e económicos e enfraqueceria a capacidade de Washington de projetar o seu poder noutros locais, incluindo no Médio Oriente.

Isso também complicaria o planeamento estratégico israelita, intimamente ligado à influência regional americana.

O que está a acontecer na Venezuela não ficará restrito à América Latina. Isso moldará o futuro do controlo energético, os limites do poder americano e a orientação dos confrontos geopolíticos muito além de Caracas.

Acusação de fraude eleitoral é jogo Venezuela x EUA e o prémio é o petróleo venezuelano

(Caio Teixeira In Diálogos do Sul, 30-07-2024)


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Definitivamente, disputa entre Venezuela e EUA não é só “ideológica”: com todas as letras, trata-se de R-O-U-B-O, em todos os sentidos.

É roubo antes do jogo porque quem está escrevendo as regras é o competidor mais forte. É roubo durante o jogo porque o juiz autonomeado é o próprio competidor mais forte e os árbitros de VAR são nomeados por ele escolhidos entre países com governos ou alinhados ou com medo de represálias, ou o pior, governos ingênuos que se deixam levar pelo discurso moralista do mais imoral personagem de toda a trama: os EUA.

É roubo gigantesco de propriedade. É como assaltar o Banco Central de um país e levar todas as suas reservas monetárias. É isso que representam as enormes reservas de petróleo da Venezuela que pertencem ao seu povo. 

Se os EUA vencerem esse jogo roubado, vão assaltar a Venezuela e roubar toda sua principal riqueza que pode garantir um futuro de desenvolvimento econômico e social para o povo venezuelano. Para os EUA tanto faz se o governo fantoche de direita ou de extrema direita, ou simplesmente criminoso, bandido, vai massacrar o povo venezuelano como Israel faz em Gaza com total apoio e participação estadunidense. Desde que lhes venda a empresa estatal de petróleo da Venezuela, a PDVESA, e entregue todo o petróleo, podem cometer todas as perversidades e imoralidades que quiser, especialmente se for para conter as imensas mobilizações populares de um povo politizado e consciente, que com absoluta certeza acontecerão para tentar impedir o roubo e defender a soberania do país. Para os EUA, transformar a Venezuela numa praça de guerra é juntar o útil ao agradável. Rouba o petróleo e provoca uma guerra civil que será alimentada pela indústria armamentista estadunidense gerando empregos e ingressos de capital para tentar salvar sua economia cada vez mais decadente. Encurralados pela nova ordem mundial que surge veloz e com passos firmes justamente a partir da Ásia e da África, os EUA estão chegando à zona do desespero. 

É irônico que justamente os continentes saqueados por anos a fio pelo império britânico, por iniciativas menores mas igualmente imperialistas de países da Europa e, finalmente, pelos EUA, estejam agora colocando em cheque os antigos algozes no seu próprio território, o capitalismo, com cheque mate previsível. Irônico, mas com a satisfação de saber que todo tirano um dia tem seu fim, e que ele não precisa ser substituído por outro. A queda do Império pode significar o retorno a um tempo de solidariedade entre todos da espécie e dela com o planeta. 

A China, líder da atual resistência ao Império, assumiu compromisso com energia limpa, assinou e está cumprindo o protocolo de Kioto, e de lambuja, tomou o mercado mundial de carros elétricos de Elon Musk com tecnologia mais avançada e preços menores e hoje é disparado a maior vendedora de carros elétricos do mundo. Ops! Prejuízo para o Império. Tem gente que sabe jogar capitalismo e ganhar deles no tabuleiro e com as regras deles! 

Quem só conhece uma árvore não sabe o que é uma floresta. É para esse jogo maior, que devemos olhar se quisermos entender qual a parte que nos toca desse latifúndio e que peleias vamos ter que pelear para tomá-la de tiranos apossados de coisas que não tem dono. Estamos diante de uma luta entre o Império decadente querendo se apossar de uma reserva de petróleo maior que a da Arábia Saudita, ao lado de casa. Sem precisar atravessar meio mundo ema petroleiros. Basta um oleoduto menor que o Nord Stream que eles explodiram. É como redescobrir petróleo no Texas. Uma nova e romântica era de ouro do petróleo. -Mas tem um problema senhor diretor da CIA, esse petróleo tem dono. 

É, esse petróleo tem dono! Pertence a Venezuela, um país formado pelo seu território e pelo seu povo de cultura milenar e espírito guerreiro ancestral. 

Ora disse o cowboy, esses índios não importam! Sempre soubemos lidar com índios. Vamos usar a solução de sempre, substituír de regime. Transformamos a vida do povo num inferno com sanções econômicas e congelamos as reservas internacionais, para deixar o governo sem caixa. É fácil. Tudo está em nossos bancos. Deus salve o santo espírito de Bretton Woods! Criamos uma oposição financiando quem garantir a venda da PDVESA para nós, e ganhamos a próxima eleição. Democraticamente! 

Mas não deu. O grande legado de Chávez foi a organização do povo desde a base da sociedade e organizada ela se defende bem. 

Não deu?, disse o cowboy, vamos organizar um golpe. Achem um bandidinho confiável. Serve este? Guaidó é o nome. E está em posição estratégica, é o presidente da Assembléia Nacional e pela primeira vez os chavistas não tem maioria. Mas tem um problema, pela Constituição deles o presidente só pode ser destituído por plebiscito. Não importa. É só o cara se declarar presidente e a gente na hora já reconhece e mandamos os de sempre reconhecer também. Assim foi feito. Guaidó se proclamou presidente contrariando as garantias constitucionais democráticas e os EUA e aliados liberaram para ele todos os recursos da Venezuela em bancos estadunidenses e europeus. 

Mas ainda não foi desta vez. Maduro convocou uma Constituinte, de acordo com a Constituição que prescreve sempre uma eleição popular para resolver impasses políticos. E não é o correto democratas? Chamar o povo a votar pela privatização da Vale? Chamar o povo a votar se era crime de responsabilidade ou não? Chamar o povo a votar sobre a venda da PDVSA? Já viram algum “ditador” apostar em tantas eleições? É que o Maduro não é um boneco. Maduro é a parte que aparece de um partido político muito forte devido à sua organização capilar dentro de toda a sociedade. Um partido que consegue chegar cara a cara nas casas, nos bairros e debater política, debater capitalismo, debater socialismo, o Partido Socialista Unificado da Venezuela, o PSUV. É por isso que os chavistas ganham eleições sem precisar roubar. É isso que assusta os inimigos.

Vou dar num exemplo que ajuda a entender o que acontece na Venezuela. Em 2012 eu e minha colega jornalista, Vanessa Martina-Silva, chegamos a Caracas antes dos demais, no sábado a uma semana da eleição onde disputavam, de um lado o Comandante Hugo Chávez, título outorgado pelo povo organizado, e de outro, Henrique Capriles, representando os EUA sempre babando por petróleo. 

Naquele domingo tinha o comício do Capriles e nós, como repórteres insaciáveis, fomos cobrir. Era um comício muito grande na Praça Bolívar, maior do que tudo o que já tínhamos visto no Brasil ou na América Latina. Lembro de termos comentado: o Chavez vai perder! Fomos almoçar e como sempre puxamos conversa com o garçom, que era chavista, e manifestamos nossa preocupação com o tamanho do comício de Capriles e com a possibilidade de derrota de Chávez. O comício ocupou um imenso espaço na praça Bolívar. Ele riu sinceramente e disse: não se preocupem, o comício do Chavez vai ser muuuito maior. Só fomos ficar aliviados durante a fala do Comandante no comício de “cierre de campaña”, na quinta-feira. 

A praça Bolívar é o lugar para onde convergem sete avenidas como se cada uma fosse um raio de uma roda de bicicleta. Ali, vimos o orgulho do PSUV: vimos lotar as sete avenidas até onde a vista alcança, além do enorme espaço da praça. Encher as sete avenidas é uma tradição muito cara aos chavistas. 

Eles lotaram mais uma vez as sete avenidas no comício do Maduro semana passada. Não viram as fotos na Folha? Nem viram as imagens na TV? Claro que não e nunca vão ver. Já fui sindicalista e lembro da emoção de estar dirigindo uma  assembléia grande para decidir uma greve. É a sensação de que todo o trabalho para construir aquele movimento deu certo. Toda a organização deu certo. Fizemos a coisa certa. Agora imaginem a emoção do Chávez ou do Maduro falando para aquela praça diante das sete avenidas entupidas de gente, soldados ideológicos dispostos a defender seu projeto de país e de sociedade que não inclui a entrega de sua principal riqueza. Lembro que na saída do comício no meio daquele mar de gente alguns militantes eufóricos, vendo que éramos jornalistas de fora diziam orgulhosos no meio da multidão: “Lo ves? Esto es socialismo!”.

É compreensível que muitos companheiros de luta não entendam o que isso significa, pois as maiores manifestações que já ocorreram no Brasil foram os comícios no final da campanha pelas Diretas Já, em 1984, com um milhão e meio na Candelária, e um milhão na praça da Sé para derrubar a ditadura. Depois tivemos outro grande momento para derrotar o neoliberalismo de FHC com uma marcha de 100 mil pessoas, em Brasília em 2002, que garantiu a primeira eleição de Lula.

As sete avenidas lotadas equivalem a milhões de pessoas. É essa mobilização, esse patrimônio organizativo, que elege os chavistas e elegeu Maduro no último domingo frustrando mais uma tentativa dos EUA se apossarem do petróleo  venezuelano. 

O que os saqueadores internacionais estão fazendo agora é o que sempre fazem, usar todo o aparato midiático controlado por agências de notícias euro-estadunidenses, aliados a traidores locais recrutados a preço de ouro, para tentar concretizar um golpe com campanhas de demonização de Maduro, que é muito mais que um homem, é a cara que aparece de um povo organizado. 

É isso que está em jogo na Venezuela. A PDVESA já tem comprador, o grupo Chevrom, compromisso assumido publicamente por Corina Machado. Até Roger Waters sabe disso e conclamou os venezuelanos a não vender seu país. 

Então, minhas amigas e meus amigos olhem para a floresta e não para a árvore que o inimigo com toda sua força de persuasão midiática coloca na sua frente como a espiga de milho pendurada numa vara na frente da mula para que ela só caminhe naquela direção. Todas essas acusações fajutas de fraude, como fez Trump quando perdeu a eleição, como fez Bolsonaro quando perdeu a eleição, são cortinas de fumaça sopradas aos quatro ventos pelos EUA para ROUBAR o petróleo da Venezuela, para roubar o futuro de uma Nação que luta cotidianamente para defender sua soberania. Alimentar esse fogo, essa versão da História imposta pelo inimigo ladrão, sob qualquer justificativa, é legitimar o SAQUE. E não me venham falar em democracia porque isso não é democracia. Ou é democrático destruir a economia de um país criando artificialmente insatisfação popular para roubá-lo logo em seguida? É democrático fazer uma campanha midiática internacional, com todo seu poder de fogo, para manipular o resultado de uma eleição como fazem os EUA? Como já fizeram com as armas químicas do Iraque? Ou com a campanha sionista em defesa do genocídio em curso por Israel? Nem os aliados tem perdão. A Europa embarcou numa guerra absurda na Ucrânia destruíndo a base energética de sua própria economia que está em frangalhos.

Então, pergunto: é com esse que vocês vão? Entre um país irmão latino-americano que luta bravamente por sua soberania e o ladrão que vem roubá-lo, de que lado você fica? O mesmo ladrão que articulou um golpe no Brasil para apossar-se do petróleo do pré-sal, imediatamente entregue por Temer e por José Serra. Vai ficar do lado de uma moral de cuecas do país mais imoral do planeta? Ou do lado da resistência contra esse inimigo impiedoso? Esse é o jogo em curso. Se Maduro e o povo da Venezuela forem derrotados, perderão seu petróleo. E todos sabem como é difícil recuperar depois. Até agora não conseguimos reverter a privatização da Vale, as reformas da previdência, a reforma trabalhista, a venda em pedaços da Petrobrás. 

Tirem os olhos da árvore e se afastem para ver a floresta.

Fonte aqui

A galinha e o ovo!

(Hugo Dionísio, in CanalFactual, 06/12/2023)

Estas imagens, de um combatente do #Hamas a observar as forças sionistas, bem de perto, têm dado origem a todo um processo de construção de uma teoria, segundo a qual, tudo o que é feito pela resistência palestina acontece porque, os israelitas, deixam fazê-lo.

Não nego que existam oportunismos diversos e até elementos de provocação que tenham contribuído para a “inundação de Al-Aqsa”, um pouco à imagem do que sucedeu com o 11 de Setembro de 2001 em que tudo foi permitido fazer aos “terroristas de #benladen (nunca comprovado) e, logo de seguida, iniciando-se a era do estado de vigilância global, através da publicação do #PatriotAct e o lançamento da “Guerra ao terror”.

Contudo, este tipo de argumentação secundariza duas coisas muito importantes:

1. O ressentimento, rancor e desejo de punição que o povo de #Gaza, muito justamente, sente em relação a um estado que os encerrou definitivamente num campo de concentração a céu aberto, praticando todo o tipo de agressões desumanas a gente absolutamente indefesa, e sem sequer ter a liberdade de se movimentar ou fugir, para depois voltar novamente;

2. A necessária e consequente organização de forças de defesa que, num estado de total opressão, têm tendência a surgir, mesmo nas situações mais apocalípticas e aparentemente inescapáveis; o povo palestino nunca se furtou à resistência e à tentativa de repelir e defender-se da agressão que dura há mais de um século.

O facto é que, não seria de esperar outra coisa! Como não é de esperar que uma campanha de ódio, arrogância, supremacia racial e desumanização das vítimas, adicionada à contenção física, em larga escala dos seus movimentos – e à monitorização electrónica (algorítmica até) de todas as suas vidas -, não produza um sentimento de falsa segurança e de total desconsideração das forças oponentes.

É típico, nestes casos de ódio doente, provocado por décadas de propaganda em massa. Um exemplo paradigmático disto mesmo é o que se passou com a propalada “contraofensiva”, na #Ucrânia, quando as próprias tropas, do regime de #kiev, acreditavam poder chegar à #Crimeia em uma semana. Era comum ler-se nas redes sociais ucranianas – bem como na comunicação social financiada pela CIA e congresso (Kiev Post, Kiev Independent…) – que os russos quando vissem as #wonderwaffe da #NATO, como os Himars, Leopard2 e M777, desertariam em pânico ou render-se-iam em massa! Esta ilusão era tanto mais afastada da realidade, quanto mais #Zelensky recebia visitas de gente como #Marcelo, que chegavam a mentir descaradamente aos seus povos para não queimar o regime #Bandera.  Eram os tempos da saga “a Ucrânia vai ganhar a guerra”. A #Ucrânia não a ganha, mas é a #NATO que a perde! Como se sabia desde o início!

Este sentimento arrogante, próprio de quem se sente com o poder absoluto e, de forma narcisista, despreza o adversário, ao ponto da autodestruição, é imagem típica, não apenas dos apoiantes do regime sionista, mas também de muita gente no nosso Ocidente colectivo. Se quem anda de olhos abertos, sabe não ser possível viver em segurança através da violência; já as massas inconscientes, lideradas por elites narcisistas, egoístas e incompetentes, habituam-se ao discurso de desconsideração das suas vítimas. Já quando a coisa dá errado, a culpa nunca é deles, é sempre dos outros. É sempre das vítimas! essa coisa das vítimas se defenderem e contra-atacarem… Que chatice. “São uns terroristas” estas vítimas, como sempre acusaram as forças imperialistas, colonialistas, sionistas e reaccionárias.

E, neste caso, também se conjuga esse sentimento. Após mais de 100 anos (conto pelo menos a partir da  #balfour declaration  em 1917) de agressão, afinal, no final de tudo, a culpa é do #Hamas . Ou seja, após um século de agressão impune, mantendo sempre, nas suas mãos, o controlo da situação, e, escolhendo a barbárie ao invés da civilização, o todo poderoso decide, assim mesmo, atribuir a culpa à vítima que se defende! E quanto mais desesperadamente se defende, porque é levada, precisamente pelo agressor, a esse estado de desespero, mais culpada se torna, aos seus olhos. É exasperante tanta falácia, tanta desonestidade intelectual.

 Existe algo mais ocidental – numa perspectiva dos “valores” da civilização hegemónica liberal – que isto? Existe algo mais narcisista, egoísta, individualista, anti-social e reaccionário que isto? Eu acho que não e, hoje, vivemo-lo na Europa, em que, quem alimentou a barbárie, atira agora as culpas aos migrantes, aqueles que, nunca por acaso, são as primeiras vítimas da barbárie alimentada.

Este estado de ignorância, irresponsabilidade, inconsciência e ilusão, para o qual foram atiradas as massas, é o primeiro responsável, pela desconsideração do adversário, que estas imagens reflectem. A presunção arrogante e a autoconfiança no poderio militar exposto é tão grande, que gera uma falsa sensação de segurança. Um pouco como se comportam, os #EUA e #NATO, com os seus porta-aviões. Mas, depois, nem industria têm para produzir as munições que os seus canhões usam.

A verdade é só uma: aproveitando a condescendência, a presunção e a incompetência que daí resulta, o #Hamas fez o que considerou fazer sentido para voltar a colocar a #Palestina no mapa. Foi injusto para os civis mortos? Claro, mas quem poderá apontar isso ao #Hamas? os sionistas? Os apoiantes do sionismo? Tenham pena de mim!

Foi injusto para os civis sequestrados? Certamente! Mas que moral tem #Israel e o Ocidente para disso falar? Acaso um refém israelita vale mais do que uma criança #palestina? Uma daquelas que estão há anos em prisões, que aí cresceram e aprenderam a odiar o agressor? Tenham dó! E o mais grave, é que o sionismo vive desse ódio, do ódio que o próprio sionismo planta e fomenta. E esse factor também cabe aqui na análise da suposta conspiração, da teoria do “foram eles que fizeram, ou fomos nós que deixámos ou provocámos”!

Trata-se de uma relação dialéctica, estabelecida entre um povo que se defende da agressão e opressão, e um Estado – a entidade sionista – que beneficia das contradições que essa defesa levanta para poder, assim, semear o seu ódio. Se o #Hamas permitiu separar a #OLP e por isso se pode dizer que o sionismo o consentiu, também podemos dizer que, o maior fundamentalismo do #Hamas em relação à #OLP, é também aquilo de que o sionismo se alimenta para poder propagar o seu ódio e assim manipular o seu povo e os seus apoiantes. Daí que, responder á questão suscitada pelas imagens que aqui junto, não seja fácil, mas também não seja essencial.

Centrar a análise nessa resposta equivale a secundarizar todos os processos que, no seu âmago, se desenrolam. O facto é que tudo acontece porque existe um processo de colonização e limpeza étnica em curso há mais de 100 anos. Os restos, dos oportunismos às conspirações, à defesa contingente e desesperada, são filhos da mesma mãe: a violência que se abateu sobre o povo Palestino. Não há que mascará-lo. A susceptibilidade de, na origem de tudo estar a perfídia sionista, só confirma e valida os raciocínios anteriores.

Daí que, seja como for, o #Hamas, mais ou menos manietado ou consciente, fez o que considerou ser necessário para defender o seu povo! Porque não existe um povo palestino de #Gaza sem o #Hamas. O #Hamas é o povo #Palestino. O #Hamas é o instrumento contingente, resultante das condições materiais existentes, que reúne as características (identidade, doutrina, estratégia) que, de um ponto de vista evolutivo, se mostram aptas a responder ao tipo de agressão de que são alvo. Violência gera violência, a resposta é tão mais violenta quanto o for a agressão.

É absolutamente impensável, não é sério, é desonesto, cínico e hipócrita, pensar que um povo sujeito à agressão, a que o povo de #Gaza está sujeito, nunca encontrasse uma forma de se defender, e que essa forma de defesa se contivesse a umas quantas manifestações, resoluções e reuniões com o oponente.

Um pouco como até aqui… Empurrar com a barriga e enganar a vítima, tantas vezes quanto as necessárias até a aniquilar definitivamente.

As massas incultas até podem acreditar nisso, que é possível, indefinidamente oprimir sem que se gere uma resposta do outro lado, mas os responsáveis sionistas e os seus patrocinadores ocidentais, não podem, não devem e é criminoso pensarem desse modo!

O povo palestino, em #Gaza, construiu uma economia de túneis, precisamente para poder fugir à vigilância massiva do regime sionista. E pensar que esta gente falava da vigilância no bloco de leste, quando hoje somos todos vigiados pelos nossos telemóveis, automóveis, televisões, computadores, satélites, câmaras de rua e até frigoríficos e máquinas de lavar, as quais com a sua tecnologia wi-fi, nos roubam os dados pessoais, para que alguém nos possa vender, influenciar e programar a nossa vida.

Afinal, foi o regime sionista que atirou o povo palestino para uma espécie de submundo! Este povo não o fez por vontade sua, foi obrigado a isso. Logo, numa estratégia de defesa, seria impossível uma qualquer força de guerrilha, não utilizar essa vantagem. Por cá também não será muito diferente, pois, no Ocidente, a luta dos povos terá de ser feita também no submundo a que a #vigilância neoliberal não chegue.

O que o #Hamas fez, na minha humilde opinião, foi, de forma dramática, arrastar as forças sionistas, muito superiores em número e em capacidade instalada, para um terreno em que é possível alterar a relação de forças. Um pouco como fez Álvares Pereira em Aljubarrota ao escolher um local em que, segundo as crónicas, os espanhóis não conseguiriam projectar todo o seu poder numérico, nivelando, assim, a relação de forças.

Em #Gaza, e jogando também com a comunicação, o povo Palestino, através do seu instrumento #Hamas, atraiu as forças sionistas para um plano de combate, no qual 40.000 combatentes bem preparados, com o caracter moldado e forjado pelas amarguras da vida miserável que o sionismo lhes proporciona, serão capazes – assim o espero eu – de derrotar 500.000 rapazolas mimados, egoístas, narcisistas e com o caracter mole e maleável de quem se habituou a ter tudo à custa da miséria alheia. O caracter mesquinho e individualista de quem se habituou a viver numa redoma (o Iron Dome) pensando que a insegurança que provoca nos outros nunca se abateria sobre si.

#Israel é dos estados, do mundo, que mais gasta em segurança, mas sente-se permanentemente inseguro. Os #EUA são dos que mais gastam em vigilância, segurança e policiamento do seu próprio povo, não obstante, têm níveis de criminalidade próprios dos países mais subdesenvolvidos.

Esta forma cega de ver a realidade, apontando sempre às consequências e nunca às causas, porque as causas são difíceis de mudar, dão trabalho, exigem luta e consciência e implicam alterações profundas na estrutura, no modo de funcionamento e nos privilégios de quem vive dessas contradições… Será a derrota do sionismo, do neoliberalismo e do imperialismo hegemónico!

#Gaza é apenas uma etapa… Porventura a cidade mártir que iluminará a tomada de consciência da nossa juventude. Como #Cuba é a semente de esperança da luta dos pequenos contra os grandes!

Felizmente, por aqui, no Ocidente, bem como em #Israel, é por entre a juventude que encontramos alguns dos melhores exemplos de iluminação… terão de ser eles a fazer a #paz, porque até aqui, só fomos capazes da #guerra!

O que começa primeiro ou em segundo, não interessa! O que interessa é que existe!

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