Putin e Trump a banhos, de óleo

(Tiago Franco, in Facebook, 11/10/2026, Revisão da Estátua)


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Não sou rapaz de andar muito atento aos detalhes ou de pregar moral. Falta-me tempo, paciência e, lá está, moral. Mas aprecio, e cada vez mais, duas qualidades neste mundo de repetidas ilusões: coerência e honestidade.

Quando ouvi o ignorante laranja a grunhir de emoção, a propósito do acordo para fornecimento de diesel russo, não consegui evitar um sorriso. Da mesma intensidade do sorriso que fiz antes da deliberação do VAR nos Barreiros, ontem.

É irritante, mas reconfortante, quando sabes antecipadamente o que vai acontecer. Há anos que escrevo que a Europa está entalada, e a pagar, um conflito entre dois impérios com um terceiro à espreita. Desde que Trump regressou à Casa Branca, a guerra na Ucrânia deixou a nu todo o desprezo que as elites sentem pelos povos e como os interesses financeiros se sobrepõem à sobrevivência de uma geração.

Enquanto a Europa decide empobrecer a sua população, os EUA vão jogando dos dois lados. Ora vendem armas, ora vendem energia. Com o preço do combustível a disparar, sem solução à vista e com eleições à porta, Trump pede uma ajudinha ao Vladimir.

De uma assentada financia o esforço de guerra russo, fortalece o apoio ao Irão e, com algum jeito, ainda vende mais uns barris à UE.

Por cá continuamos a ouvir o fanatismo de quem acha que devemos continuar a apoiar a Ucrânia, “as long as it takes“, mesmo que os donos da NATO e alguns países da UE já tenham restabelecido relações comerciais com Moscovo.

Trump ri-se disto tudo, depois de ter causado uma crise mundial com a guerra do Irão e ainda dá sugestões sobre uma mudança de regime na Ucrânia. Não há ninguém, entre os idiotas que se sentam no Conselho Europeu, que pense na figura que estão a fazer? Não há quem meta mão nesta gente e nos arranje líderes com um bom par deles e algum cérebro para acompanhar?

O que é que falta para fecharem a torneira da guerra e começarem a olhar para os problemas internos da UE? E cá no burgo, os fanáticos que andam há quase 5 anos a defender a NATO, a UE, os EUA e a ameaça russa, sempre com aquela pérola escondida do apoio do PCP, o que vos apetece dizer agora?

Gente como o Joaquim Vieira, o Moita de Deus, a Inês Pedrosa, o João Almeida Marques, o José M. Fernandes, a Ferro Gouveia, a Helena Matos, o Miguel Morgado, a Soler, a Meireles, o Ireneu, o Milhazes e todos aqueles deputados da IL, PSD, CDS e Chega, com assento nas televisões, que mentiram, vezes sem conta, sobre o apoio do PCP ao Putin…não se sentem um pouco mais embrutecidos quando vos roubam nas taxas de juro ou no custo de vida, depois de andarem anos a defender o apoio dos EUA e agora percebem que, no fim, só importa o negócio?

O PCP terá muitos defeitos, que me escuso a enumerar aqui para não fazer favores à facharia. Mas não tem falta de coerência ou de honestidade. Coisas que, nos dias de hoje, já valem um programa. Como sempre, ou quase sempre, o tempo voltou a dar razão a quem escreveu, no dia 24 de Fevereiro de 2022, que o apoio a esta guerra seria um erro.

Dia 24 de Fevereiro, para os mais distraídos, foi o primeiro dia da invasão em grande escala da Ucrânia. Está lá escrito, desde o primeiro dia, o erro que seria este apoio, os interesses dos impérios e a oposição do PCP ao regime oligarca russo.

Os avençados, que passaram quase 5 anos numa alucinação coletiva, a mentir e a incentivar a chacina de uma geração, numa guerra impossível de ganhar, como reagem ao acordo do diesel? Fingem que não aconteceu? Olham para ele como um dano colateral? Isolam a UE? Procuram uma avença nova? Ganham bom senso? Dobram mais um bocado da espinha?

As long as it takes, o caralho. Acabem com essa merda, já!

Quem lucra com o aumento dos preços dos combustíveis

(Eugénio Rosa in Resistir, 24/09/2026)


– Petrolíferas obtêm um aumento de receita de €327 milhões/mês e o Estado de €3 milhões/mês em relação aos preços em vigor no início da guerra contra o Irão.

– Todo esse acréscimo de custos é suportado pelas famílias e empresas portuguesas.


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Os leitores desculpem por estar continuamente a desconstruir os aumentos semanais dos combustíveis, mas eles estão a ter consequências dramáticas para as empresas e as famílias.

O aumento dos combustíveis provoca por arrasto o aumento dos preços de todos os bens e até das taxas de juro do crédito à habitação (que não são consideradas pelo INE no cálculo da inflação oficial).

Além disso, a inflação oficial engana, pois a inflação real não é igual para todos os portugueses.

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A inacabada revolução monetária de Keynes

(Michael Hudson in Resistir, 05/09/2026)

Collapsing global city supported by financial ledgers
Imagem gerada por IA

A depressão mundial que se avizinha exige uma Nova Ordem Económica Internacional liderada pela Rússia, pela China e pelo Irão.


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 1 Os meus comentários incidirão sobre a forma como a atual crise do petróleo provocará uma onda de incumprimentos financeiros que causará uma depressão financeira mundial algures neste outono. Esta crise irá perturbar o comércio externo e o investimento financeiro interno, que constituem o tema central desta conferência.

A questão é:   como será resolvida esta crise? E como irão os governos da Rússia, da China e os seus vizinhos asiáticos lidar com esta situação? Que tipo de novos acordos comerciais e financeiros terão de ser estabelecidos?

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