O Mundo perdeu o medo!

(Hugo Dionísio, in CanalFactual, 04/12/2023)

Embora os Estados Unidos tenham vindo a resistir à pressão para a desdolarização, conseguindo colocar o dólar a crescer 1% em relação ao ano passado (até Setembro), enquanto moeda de reserva, esta resiliência é conseguida à custa de muito endividamento. Com efeito, a estratégia utilizada pela Casa Branca para manter o dólar no topo e impedir a indesejada (também para a China) bola de neve em que se transformará a saída desta moeda, assenta em taxas de juro muito altas, entre as mais altas do mundo ocidental.

Ou seja, a informação para o mercado é que a economia americana está em expansão, mas, ao mesmo tempo, ao invés desta boa saúde se refletir em juros baixos para a emissão de títulos do tesouro, acontece, precisamente o contrário. Como forma de atrair compradores para o dólar, a estratégia da reserva federal tem sido a de garantir yields (rentabilidades) mais elevadas. Ver aqui.

O problema, desta estratégia, é que aumenta exponencialmente o serviço da dívida pública americana, prevendo-se que, dentro de poucos anos, o serviço chegue a 25% da receita fiscal anual. Daí que, se em Setembro a Reuters dava boas indicações para quem comprava dólares, agora, no final do corrente ano, o discurso mudou de forma diametral.

A maioria dos analistas que a Reuters inquiriu na sua pool, realizada entre dia 03 e 07 de Novembro, retirou a conclusão de que, para o ano de 2024, o dólar perderá espaço para outras moedas regionais e provenientes de mercados emergentes. Ver aqui.

Existem já várias movimentações que apontam nesse sentido: Lena Petrova, no seu canal Youtube, noticiou que, neste momento, os bancos americanos estão com mais de 684 biliões de dólares em perdas relacionadas com de títulos do tesouro americano não vendidos. Ver aqui .

Acresce agora que, para tornar tudo mais negro e depois da própria Reuters voltar a publicar que os investidores estão a despejar dólares no mercado, para poderem realizar ganhos, pois sabem que, para o ano a taxa de juro irá ser reduzida (não é preciso ser esperto, pois, o endividamento não pode continuar a este ritmo), depois do Iraque, vêm agora os Emirados Árabes Unidos anunciar que, para o ano de 2024, acabam-se os almoços grátis. Com efeito, com a entrada para os BRICS, os EAU deixarão de negociar petróleo em dólares, passando a fazê-lo apenas em moedas nacionais, tendo já começado a fazê-lo com a India, vendendo petróleo em rúpias. Ver  aqui. Está tudo farto de um papel que nem o papel vale. Só vale para se ser invadido, bloqueado, sancionado e ameaçado.

Ora, esta é apenas a face visível do processo de complexificação das relações internacionais entre os estados, processo esse a que se convencionou designar de “Multipolaridade”, por oposição a “Unipolaridade”. A este processo não estarão alheios dois factos:

  • O apoio inequívoco a Israel que visa segurar aquele que é a guarda avançada do petrodólar e que tem custado tanto apoio interno ao projeto hegemónico, nomeadamente, por parte da juventude que não consegue conviver com o genocídio ao vivo e a cores.
  • À entrada de dois porta-aviões, um no Mediterrâneo e outro no Mar Vermelho, que visavam praticar a chamada “deterrence” (dissuasão), usando uma arma que os EUA ainda possuem, a força naval.

Há que meter medo para tentar travar uma tendência que, no pensar da Casa Branca, nem deveria ter começado. Não parece é que esteja a dar certo, pelo menos pelas impressões que do Irão têm vindo. Com efeito, face à falta de armas que a NATO tem evidenciado, são os EUA, agora, a não estarem interessados em guerras militares de elevada escala.

Não podendo, ou querendo, ir já para a fase militar (pelo menos no Médio Oriente, como acredito), os EUA jogam tudo noutros campos. Neste processo enquadram-se também as recentes denúncias que acusam o presidente da COP-28 de usar a sua posição para fazer charme a favor do uso de combustíveis fósseis. Afinal, o Sultão Ahmed Al Jaber é apenas CEO da Abu Dhabi National Oil Company (Adnoc), que no ano passado vendeu 2.7 milhões de barris. Sabendo-se que os EAU querem aumentar a produção em 2024, não era preciso ser-se um génio para saber para que quereria o Sultão tal poiso.

E se isto diz tanto do que é a COP-28 e de como veem estes tipos o problema da poluição, também diz muito do porquê de só agora se ter levantado o problema. Por que razão, só agora, logo BBC e New York Times vieram denunciar a situação? Pois… O meu palpite está precisamente nas ações dos Emirados em matéria de petrodólar e de reposicionamento geopolítico. Ou seja, mais preocupação com o meio ambiente.

Mas, para aqui chegarmos, ao ponto em que os EUA tentam esconder a queda, em que já vão, por todos os meios ao seu alcance, inclusive, à custa de afundarem a vassalagem europeia; algo foi acontecendo que, na essência e no substrato, representou o despertar para a liberdade de muitas nações, antes prisioneiras, passarem a pensar pelas suas cabeças. O que é que se terá passado, então, que tão grande segurança dá a estas nações?

Enquanto descansavam à sombra da arquitetura hegemónica construída a partir da Segunda Guerra Mundial, segundo a qual dominam as instâncias saídas de Bretton Woods, fazendo-as dançar ao som do consenso de Washington, o resto do mundo, os chamados “países emergentes”, tão desprezados pelas elites oligárquicas americanas, foram-se reorganizando e cooperando mutuamente.

O estudo “multipolar ou Multiplex? Interaction capacity, global cooperation and world order” dá-nos uma visão do barro com que o mundo multipolar (ou o mundo multiplex como lhe chamam no estudo) foi sendo construído.

Analisando cerca de 33.104 tratados comerciais assinados entre 1945 e 2017, este trabalho permite retirar conclusões muito importantes:

  • É após a queda da URSS que se dá a construção da base sobre a qual irá assentar o “mundo multipolar”, sendo o período de 1991-2005 aquele em que mais tratados de cooperação comercial se assinaram;
  • Até 1990, os EUA eram o país que, todos os anos mais contratos assinavam, sendo ultrapassados pela Alemanha entre 1991-2005 e 2006-2017;
  • O Reino Unido que era sempre o segundo, entre 1976-1990 foi ultrapassado pela Alemanha;
  • Nos períodos 1991-2005 e 2006-2017, o Reino Unido foi ultrapassado por Brasil, França, Holanda, Coreia do Sul, Austrália, Turquia, Argentina, Japão, México Espanha, Suíça, Africa do Sul…;
  • Os próprios EUA, entre 2006-2017 estão na casa das duas centenas de acordos celebrados, tal como Austrália, Turquia, Argentina, Arica do Sul.
  • Ao longo dos anos, a própria centralidade dos EUA em matéria de cooperação foi-se mantendo, mas observa-se uma aproximação desse centro por vários países, principalmente europeus.
  • A China, por exemplo, passou do 37.º país a 13.º com mais acordos celebrados.
  • Interessante é também o aprofundamento do agrupamento de países (clusters), com muito relevo para um cluster nórdico estabelecido a partir de 1991, entre a Federação Russa e os países escandinavos, mais a Islândia e a Etiópia (sim, a Etiópia), a que se juntou, depois, Israel;
  • A partir de 1991 a Alemanha surge a liderar o segundo maior cluster mundial (a seguir ao dos EUA);
  • A Alemanha, a ASEAN, México, Brasil, China e Coreia do Sul parecem ser os que mais se fortaleceram com o adormecimento dos EUA.

Estes dados, que podem ser consultados aqui, dão-nos pistas extremamente importantes para caracterizar o declínio do império hegemónico, bem como para explicar o que aconteceu com a Europa.

Os EUA, está bom de ver, adormeceram à sombra da vitória. Derrotada a URSS, não mais os EUA se preocuparam como antes no estabelecimento e crescimento das suas redes transnacionais. Foi o tempo da arbitrariedade, da hegemonia, do quero, posso e mando. O que esta realidade reflete, a meu ver, é também a crescente incapacidade por parte dos EUA em fazerem acordos que não fossem exatamente como queriam. O mundo viu a verdadeira cara dos EUA, a sua arrogância e supremacismo, e não gostou, começando a trabalhar na base e surdamente, para a viragem que agora estamos a presenciar.

Quando acordaram, os EUA viram o perigo de autonomização da Europa, principalmente a União Europeia, resquício da guerra fria e instrumento de combate político anticomunista. A Alemanha crescia fortemente, à custa da energia e matérias-primas baratas da Rússia e dos tratados que ia fazendo por todo o mundo. Foi o tempo da Alemanha motor da EU e do Eixo Franco-Alemão. Não nos podemos esquecer do papel da NATO (keep Germany down; Russia out and other in – colocar a Alemanha em baixo, a Rússia fora e os outros dentro). As coisas estavam a sair “dos eixos”.

A norte, os países escandinavos iam resistindo às formas mais brutais de neoliberalismo, protegendo o seu modelo com recurso à energia e matérias-primas baratas da Rússia, bem como a um mercado de mais de 200 milhões de pessoas (Rússia e EAEU) para escoar os seus excedentes.

É aqui que se torna ainda mais trágico o suicídio europeu, em particular o alemão e o francês. Mas como é que, de uma assentada, entre 2017 e 2022, estes países prescindem dos seus fatores mais vantajosos? Degradação democrática à parte, infiltração da CIA e muita corrupção e tráfico via mundo académico e comunicação social, à parte, foi o reabrir do capítulo da guerra fria que permitiu o acordar dos arquétipos adormecidos que tinham estado na origem da EU – o anticomunismo primário, o reacionarismo e o pensamento neocolonial em relação aos países considerados “menores”.

Uma autêntica tragédia, que se agravou com a tragédia da NATO na Ucrânia e que se acelerará logo que já não se possa esconder que a NATO é supérflua, anacrónica e ultrapassada como estrutura. O mundo, a natureza e a história não precisa dela. Todos sabem que, quando olham para a NATO, é Washington que veem. A própria EU não está longe dessa visão também, pois quem aceita autoflagelar-se como o fez a Comissão Europeia, colocando em depressão os países que a alimentam, em nome de interesses que se situam do outro lado do Atlântico, não pode ir muito longe.

A guerra que opõe a NATO à Rússia, em solo Ucraniano e usando o povo ucraniano como exército, e, agora, a limpeza étnica sionista em curso, serão dois dos episódios trágicos da queda da “hegemonia liberal” como lhe chama o estudo.

O que já ninguém pode esconder, e apenas a comunicação social corporativa o tenta fazer (quantos milhões recebe para isso!), é que aconteceu o que os EUA andaram mais de 30 anos a evitar: o mundo perdeu o medo!

Só faltam agora os oligarcas que nos governam na sombra, se confrontarem com o medo que lhes sobra: o medo que os povos percam o seu próprio medo!

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Ao contrário do que afirmam, os Estados Unidos importam massivamente petróleo russo

(In Rede Voltaire, 16/01/2023, Trad. Estátua de Sal)

Paul Wolfowitz

(Esta notícia devia encher de vergonha os líderes europeus e levar os povos da Europa a acordarem. A conclusão só em parte é surpreendente: a guerra na Ucrânia não é, no fundamental, dos EUA contra a Rússia, mas sim dos EUA contra a Europa! Estará, a maioria dos cidadãos europeus, tão hipnotizada pela propaganda mediática que nunca será capaz de ver isso?

Estátua de Sal, 16/01/2023)


Enquanto Washington proibiu a compra de petróleo russo a toda a sua população e aos seus aliados, os EUA estão a importar massivamente esse petróleo, sem considerar violadas as suas chamadas “sanções”, relata o The Telegraph of India  [ 1 ] .

A Índia compra 1,7 milhão de barris por dia de petróleo russo. Este petróleo é refinado pela Nayara Energy e pela Reliance Industries, depois revendido legalmente nos Estados Unidos.

Na prática, a guerra económica dos Estados Unidos, portanto, não afeta mais a Rússia, mas exclusivamente os seus aliados na União Europeia, os únicos privados dos hidrocarbonetos russos. Esta observação deve ser relativizada com a sabotagem dos gasodutos Nord Stream 1 e Nord Stream 2 que priva a União Europeia da sua principal fonte de energia.

Isso demonstra que Washington está perfeitamente ciente de que Moscovo não invadiu a Ucrânia, mas está tentando aplicar a resolução 2202 do Conselho de Segurança. Toda a propaganda atlantista acusando a Rússia dos piores crimes não visa, portanto, mobilizar as tropas aliadas contra ela, mas sim manipular os europeus para que aceitem uma recessão económica imposta de acordo com o relatório ao Pentágono de Paul Wolfowitz (foto), em 1992  [ 2 ] . O secretário de Estado Antony Blinken e sua assistente Victoria Nuland pertencem ao mesmo grupo ideológico de Paul Wolfowitz  [ 3 ] .

Ele escreveu na época: “Embora os Estados Unidos apoiem o projeto de integração europeia, devemos ter cuidado para evitar o surgimento de um sistema de segurança puramente europeu que prejudicaria a NATO e, particularmente, a sua estrutura de comando militar integrado.” Para o Pentágono, o principal inimigo não é a Rússia, mas uma Europa independente.

Fonte aqui


1 ]  “  A Índia está quebrando todos os recordes de compra de petróleo russo, mas quem é o comprador surpresa?  », Paran Balakrishnan, The Telegraph of India , 16 de janeiro de 2022.

2 ]  “Plano de estratégia dos EUA pede para garantir que nenhum rival se desenvolva”, Patrick E. Tyler, e “Excertos do Plano do Pentágono: “Evitar o ressurgimento de um novo rival””, New York Times , 8 de março de 1992.” Manter os EUA em primeiro lugar, o Pentágono impediria uma superpotência rival” Barton Gellman, The Washington Post , 11 de março de 1992.

3 ] Vladimir Putin declara guerra aos straussianos , de Thierry Meyssan, Voltaire Network , 5 de março de 2022.


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Trump pensa que o petróleo dos EUA é a sua força – mas é o seu calcanhar de Aquiles

(Tom Luongo, in Resistir, 13/06/2019)

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As manchetes são abundantes sobre o aumento maciço na produção de petróleo de xisto (shale oil) nos EUA. Os sabichões que louvam a independência energética [dos EUA] consideram isso como uma grande vitória. Dentre eles inclui-se o presidente Trump. 

Isto seria assim se esse aumento na produção fosse construído sobre um terreno financeiramente estável. Mas não é o caso. A indústria da fracturação [hidráulica] (fracking) continua a sangrar enormes montantes de dinheiro. Como apontei num artigo anterior desta semana , ao explicar esta verdade inconveniente, em grande medida o retorno dos EUA à dominância na área da energia é um bocado de ar quente. 

O artigo de Nick Cunningham no Oilprice.com conta a história. 

A partir de 2019, a indústria prometeu maior vigilância no que se refere à disciplina de capital e ao retorno aos accionistas. Mas essa promessa agora está em perigo de se tornar mais um numa longa lista de objectivos não cumpridos. 

“Mais um trimestre, mais um jorro de tinta vermelha”, escreveu o Institute for Energy Economics and Financial Analysis, juntamente com o Sightline Institut, num relatório conjunto acerca dos ganhos no primeiro trimestre da indústria do xisto. 

O relatório estudou 29 companhias norte-americanas de xisto e encontrou um fluxo de caixa livre negativo combinado de US$2,5 mil milhões no primeiro trimestre. Isso representa uma deterioração em relação ao fluxo de caixa negativo de US$2,1 mil milhões do quarto trimestre de 2018. “Este deplorável desempenho do fluxo de caixa verificou-se apesar de um declínio das despesas de capital de 16% em termos trimestrais”, concluíram os autores do relatório. 

Esta falta de rentabilidade é mantida unicamente através de engenharia financeira e de um contínuo mercado altista do crédito estruturado nos EUA, devido às necessidades de os fundos de pensão terem um rendimento (yield) de 7,5% a fim de manterem seus pagamentos de benefícios definidos. 

Eles não são os únicos que alimentam este boom da fracturação, mas isto é um grande impulsionador tanto das acções americanas quanto do mercado de papéis comerciais. Esta é só mais uma das consequências da política de taxas de juros zero da Reserva Federal. 

Assim, por que é que isto é o calcanhar de Aquiles da política externa de Trump? Porque com a desaceleração da economia global, a produção interna dos EUA já está com um excesso de oferta (oversupply) maciço. Há um excesso de petróleo e gás tão profundo a garantir que os resultados dessas empresas não melhorarão, deixando-as à mercê dos credores. 

A boa notícia para elas, no curto prazo, é que provavelmente serão capazes de continuar no seu estilo Ponzi, porque o Fed começará a cortar as taxas de juros em Setembro. 

Mas do ponto de vista da política externa, Trump está a apostar na restrição da oferta de petróleo dos “competidores” a fim de tornar o petróleo dos EUA mais atraente. Há dois problemas com isso. 

Em primeiro lugar, outros países com custos de produção mais baixos podem manter o mercado em relativo equilíbrio, vivendo com pequenos lucros, mas no entanto lucros. 

Em segundo lugar, e ainda mais importante, o óleo de xisto dos EUA tem um limite superior na procura pois é demasiado leve para a maior parte das refinarias e requer misturas com matéria-prima mais pesada. Esta é a razão, por exemplo, porque as importações americanas de petróleo russo estão a subir rapidamente para alimentar as refinarias da costa do Golfo, privadas do petróleo venezuelano graças à tentativa de Trump de retirá-lo do mercado. 

Países como Venezuela e Irão podem e irão competir no preço. Eles podem e irão encontrar maneiras de contornar as sanções de Trump. Mais uma vez, a Rússia entra em cena para atender a um défice do mercado, desta vez com pagamentos por serviços de compensação através de bancos já sancionados pelos EUA. 

Com cada nova tarifa ou sanção sobre terceiros Trump prejudica ainda mais os produtores norte-americanos de todas as indústrias em relação a mercados estrangeiros. 

E os sauditas estão aprisionados nesta armadilha. Eles agora sabem que não podem expandir a produção porque a procura é muito fraca. De facto, em Maio cortaram a sua produção em 120 mil barris . Na medida em que têm a garantia de Trump que ficarão com a fatia de mercado perdida pelo Irão. 

Os preços estão em queda devido à acumulação de stocks, os quais significam uma procura frouxa e não uma oferta mais elevada. 

Além disso, a OPEP quer continuar os cortes de produção, mas a Rússia assinalou fortemente que não está interessada em acompanhá-los. Putin sabe que tem a Arábia Saudita na equação do preço porque o orçamento da Rússia valorizou o barril em US$40, ao passo que os sauditas precisam de um múltiplo disso. 

Assim, ele continuará a cravar uma cunha entre os sauditas e os EUA quanto à fatia do mercado de petróleo. Os sauditas não podem permitir-se perder nada ao passo que a Rússia pode aumentar a sua produção ou expandir o seu programa de troca petróleo por outros bens com o Irão. 

O que fará Trump? Sancionar a Rússia ainda mais? 

Uma economia global em contracção é uma receita para os baixos preços do petróleo que provocam bancarrotas em toda a área do xisto. É por isso que Trump exorta o Fed a cortar as taxas, para permitir que o fracassado Ponzi tenha um pouco mais de tempo para por o Irão de joelhos. 

Isto é o jogo da galinha que Trump está a jogar com a China, Rússia e Irão. Ele está a apostar em que o sofrimento a curto prazo provoque a capitulação. Eles estão a jogar o longo jogo fazendo com que se estenda. Há sempre soluções alternativas para atenuar esse sofrimento e, finalmente, tais soluções alternativas tornam-se o novo normal à medida que os hábitos das pessoas mudam. 

O presidente Putin entende que a Rússia pode efectuar grandes conquistas se jogar o jogo do polícia bom frente ao do polícia mau de Trump. 

A Rússia deixou claro ao secretário de Estado, Mike Pompeo e a Trump, directamente, que não negociará a presença do Irão na Síria por uma pequena concessão na Europa, apesar da nota conciliatória ter sido redigida diplomaticamente. 

Além disso, de qualquer modo Putin sabe que não pode confiar em que Trump mantenha ou implemente a sua palavra. Assim, nenhum acordo é possível sobre a miríade de questões entre eles. Por isso, a Rússia e a China apoiarão o Irão tão bem quanto puderem enquanto seguem seus próprios caminhos para fortalecer o seu relacionamento mútuo. 

Uma aliança chinesa-russa mais forte cria novos caminhos para que o capital se afaste das intromissões e ameaças de Trump. 

Fonte aqui