Encharcados no delírio, irmanados na penitência

(Miguel Castelo Branco, in Facebook, 27/02/2025, Revisão da Estátua)


Gosta da Estátua de Sal? Click aqui

A chuva diluviana que se abateu sobre Macron e Marcelo durante a receção na Praça do Império presta-se a mil interpretações soturnas e empresta à cerimónia uma nota de fim de era.

Os dois regimes envolveram-se numa guerra antecipadamente perdida, empurrados por delírios ideológicos e uma notória falta de informação, agravando a penitência que certamente terão de pagar por não terem acautelado o interesse nacional dos respectivos países.

A derrota francesa só será diferente da nossa na proporção do peso que ambos os países possuem no tablado internacional. Se a França foi escorraçada da África francófona, onde punha e depunha presidentes, Portugal terá perdido capital de prestígio junto da lusofonia, sobretudo no Brasil que aqui veio na pessoa do seu Presidente pedir-nos que não nos envolvêssemos em demasia num conflito que não era nosso.

Não sabemos ainda o que restará da França com projeção mundial após a guerra, mas no que a Portugal respeita, a doidice anti Rússia não só comprometeu o entrosamento com o Brasil, como também chamuscou as excelentes relações que tínhamos com a China. Nós bem dizíamos, debalde, que não era “putinismo”, nem “russismo”, mas interesse nacional.

A Macronésia

(Por José Gabriel, in Facebook, 21/02/2025, Revisão da Estátua)


Gosta da Estátua de Sal? Click aqui

Ora, lembremos a nossa geografia e as novidades geopolíticas que se anunciam. Não, não estou a falar de golfos. Até agora, temos tido a Macaronésia. Consiste esta no conjunto de ilhas/arquipélagos situado no Atlântico Norte junto à Europa e à África – Açores, Cabo Verde, Madeira, Canárias. As ilhas abençoadas (makaron), chamavam-lhes os gregos, que assim designavam as ilhas para lá de Gibraltar. E estávamos bem assim.

Ora, eis que, no calor da tragicomédia em que se encontra a Europa, se ergue, qual boneco numa barraca de “robertos”, procurando mandar na função, uma personagem bizarra, de seu nome Macron, Emmanuel.

“Aquiiii estou eu, Macrrrrrrron, para mandarrrr nesta guerrrra para alegrrrrrria de todos os mininos e mininas e rrrrrespeitável público. Vamos mataaaarrrrrr os putiiiines todos e entrrrrrar pela RRRRRRússia adentrrrrro. Vive la Frrrrance, viiiive moiiiii e os que estãoooo com moi, os da Macrrrrronésia!!! Macronésia, Macronésia!…”

E assim começa a gestação de uma nova Europa, liderada por Macron, que assume esta tarefa uma vez que não consegue cumprir a outra que lhe foi cometida, muito mais difícil, que foi a de governar a França. Para já, parte para as Américas, onde levará a palavra e a ordem a Trump, posto que este parece estar desacompanhado dos deuses e influenciado pelo espírito diabólico de Putin, o Maléfico. Macron, o Magno, vai dizer, segundo informou publicamente:

– “Presidente Trump, o senhor está a ser fraco perante Putin. Se for fraco perante Putin, os chineses não o levam a sério” – não é piada, foi exatamente isto que Macron disse. 

E, deste modo, tudo se resolverá. Trump verá a luz, a Macronésia será grande! E Macron mostrará ao mundo que só não consegue governar a França – nem coisa nenhuma em se meteu – porque faltava escala ao seu país e a essas coisas. Grandeza, que merecesse um Macron desta dimensão.

Allez, Macronésia! 🙂

Sous le ciel de Paris…

(Por José Gabriel, in Facebook, 17/02/2025, Revisão da Estátua)


Gosta da Estátua de Sal? Click aqui

Hoje, os comentadores televisivos têm um prato bem servido: a reunião de Paris, promovida pelo presidente Macron, na qual estiveram dirigentes dos “principais países europeus” – deve ser uma nova organização. Claro que os “explicadores” televisivos, mais ansiosos por servir os donos, começaram as justificações. Curiosamente, nenhum deles manifesta surpresa pela escolha de duvidoso critério – nem a Kallas, com as funções que tem, esteve presente -, pela natureza e fins da reunião, pela autoproclamada legitimidade dos promotores e participantes.

Ouvi – com sacrifício – o comentário do senhor Germano Almeida no canal NOW. Este, ostentando um ar ansioso, quase ofegante, tenta as mais esforçadas piruetas para tudo justificar. Sucederam-se as falsidades e o esforço justificativo, do qual já nem se percebe a razão. É que parece que alguns comentadores, embalados na rotina de recadeiros do sistema, não conseguem vencer a inércia, não acordam para o que de novo os desafia.

Assim, seu Germano explicou que os convidados eram os países que mais contribuíam para a NATO, que cumpriam as percentagens do PIB acordadas – ou impostas. Não é verdade, nem de perto. Dos dez países que mais contribuem, da União Europeia – além do Reino Unido, este em estado de delírio castrense -, só 2 estavam presentes – Polónia e Dinamarca. São os países que fazem fronteira com o “inimigo”, dizia também o “explicador”. É falso. Desses, só esteve um, a Polónia. E, por aí fora. O importante é que os espectadores fiquem com a impressão de que aquilo teve um sentido estratégico subtil, profundo.

Depois, vem o paleio guerreiro, as tropas europeias que vão inundar a Ucrânia de heróis protetores e outros disparates. Quer dizer: esta malta acredita que, após as negociações de paz, nas quais terão um papel de espectadores caladinhos, o governo da Rússia vai permitir que um exército de cachorros de trela curta da NATO armados até aos dentes – os EUA já se pisgaram desse papel, claro –, fique às suas portas.

 A Europaconnosco – a Europa a sério é outra coisa – anda de cabeça perdida. Não havendo “guerra fria”, não havendo “guerra quente”, saia uma “guerre chambre”.

Entretanto, os Germanos deste mundo levam a sério os disparates de um desesperado Zelensky e comentam a eminência de um ataque da Rússia já no próximo ano.

Daquela Rússia que, num dia, está prestes a colapsar economicamente – como esperava Biden e todos os dias prognosticava o Isidro -, e no dia seguinte é uma potência capaz de engolir a Europa num minuto. Num dia está a tirar os chips das máquinas de lavar roupa para pôr nos mísseis, e no dia seguinte tem uma tecnologia capaz de manipular as eleições em todo o mundo. Num dia não consegue avançar e, sequer, retomar Kursk, e no dia seguinte tem 150 mil homens – só? – disponíveis para entrar pela Europa adentro.

Entretanto, ficam muito zangados por Lavrov vir dizer uma coisa óbvia: a Europa não oferece soluções.

E Isto vais ser – está a ser – assim durante todo o dia. Até que, mais pela noite, apareçam os analistas que digam coisas sérias.