Europa: projeto de paz transmuta-se numa ditadura belicista

(S C F, in Resistir, 19/04/2026)


 A ilusão da Europa como um projeto democrático de paz está a desvanecer-se rapidamente.


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As nações europeias estão a ser destruídas pela guerra e pelo militarismo e, para agravar ainda mais a loucura, a sua classe política e os meios de comunicação estão a impulsionar o processo a um ritmo cada vez mais acelerado.

O destino do continente dificilmente poderia ser mais trágico, dado que emergiu das cinzas da Segunda Guerra Mundial com a esperança de ser um modelo de paz internacional.

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Os EUA podem sobreviver a Israel?

(Gilad Atzmon, in Facebook, 18/04/2026, Trad. António Gil)


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Todos os indicadores apontam para uma crescente fadiga mundial com o Estado Judeu: a sua política, a sua agressividade, o seu zelo genocida, as suas mentiras, a sua economia suja, o seu lobby global – praticamente tudo a seu respeito.

O mais significativo, claro, é a bem documentada mudança popular anti-Israel nos Estados Unidos.

O louco no comando percebe isso. Concluiu que, pelo menos dentro da sua base, um acto de rebelião contra os seus amos de Telavive poderia dar-lhe algum tempo, talvez até mesmo restaurar parte da sua credibilidade perdida.

Tenho-vos dito a todo o momento que o objectivo principal do Irão não era destruir Israel, mas sim enfraquecer primeiro os EUA: desmantelar o seu poder regional, separar a colónia americana do seu Estado (mãe) Judeu. Se estou a interpretar o quadro corretamente, é isso que vemos diante dos nossos olhos.

O Calígula Ruivo compreende que, para que os Estados Unidos tenham um amanhã, e para que este sobreviva de alguma forma, os EUA precisam de minimizar as suas perdas. O país retirar-se-á do Médio Oriente e rebelar-se-á (ou até fingirá rebelar-se) contra Jerusalém.

A questão em aberto é se os senhores — tanto os de Sião como os seus cúmplices nos EUA, nomeadamente o lobby, os financeiros, os media, a classe política americana empenhada — deixarão impune o Calígula ruivo. Essas pessoas têm muita influência. Usaram-na com eficácia o tempo todo. Não têm nenhuma boa razão para acreditar que Trump possa tão facilmente criar coragem.

Aparentemente, o futuro da América depende da capacidade de Trump para suportar os danos pessoais que lhe foram infligidos por este colectivo. Face ao exposto, a instabilidade e as constantes oscilações do miserável homem no topo não devem ser necessariamente interpretadas como evidência de que é desequilibrado ou mentalmente instável. O chamado “líder da principal superpotência mundial” está a ser chantageado pelo gangue criminoso mais poderoso que o mundo já conheceu.

A história ensina-nos que nenhum império do passado sobreviveu a este tipo específico de ataque aos seus corredores do poder. Há alguma razão para acreditar que os EUA possam prevalecer contra todas as probabilidades?

Já não se pode ser católico

(João Gomes, in Facebook, 16/04/2026, Revisão da Estátua.)


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Há um novo mandamento a circular pelo espaço público global: já não se pode ser católico – ou, pelo menos, já não se pode sê-lo em paz, sem levar com um comentário presidencial, uma farpa geopolítica ou um sermão improvisado vindo da Casa Branca.

O mais recente episódio desta curiosa catequese política envolve Trump e o Papa Leão XIV. De um lado, o presidente norte-americano, sempre pronto a distribuir avisos ao mundo como se estivesse a narrar um reality show de proporções bíblicas; do outro, um líder religioso que responde com a irritante serenidade de quem insiste que, apesar das diferenças, ainda é possível viver em paz. Convenhamos: não é exatamente o tipo de resposta que alimenta noticias inflamadas.

Trump, no entanto, parece ter uma dificuldade estrutural com a existência de figuras que ocupem um espaço de autoridade simbólica sem pedir autorização prévia – sobretudo quando essas figuras não seguem o seu guião do conflito permanente. Há algo competitivo nesta postura: como se o palco global fosse pequeno demais para dois protagonistas, e qualquer mensagem de concórdia fosse, por definição, uma afronta pessoal.

O resultado é este teatro algo absurdo em que um presidente se sente na obrigação de “informar” um Papa sobre os males do mundo, como se o Vaticano fosse uma espécie de call center desatualizado da realidade internacional. E, no entanto, a resposta papal – calma, ponderada, quase desarmante – expõe o contraste: de um lado, o ruído grosseiro; do outro, a tentativa de manter algum sentido de humanidade comum.

Para quem observa de fora – e, neste caso, até para um ateu agnóstico sem grande vocação para missas ou rosários – a situação tem algo de revelador. Não sobre a Igreja, nem sobre a fé, mas sobre a dificuldade de Trump coexistir com qualquer forma de autoridade que não seja a sua própria. É como se a existência de outros “papéis importantes no mundo” fosse, em si mesma, uma provocação.

E não se fica por aqui. A lógica parece expansiva: hoje é o Papa, amanhã poderão ser líderes de outras confissões, depois talvez qualquer voz que ouse falar em moderação, diálogo ou complexidade. Afinal, num mundo simplificado a slogans, a nuance é quase uma forma de dissidência.

Entretanto, cresce à volta de Trump uma espécie de ecossistema religioso-político que mistura fé, espetáculo e populismo numa proporção difícil de digerir. Não é tanto religião quanto performance – uma liturgia de aplausos, certezas absolutas e inimigos bem definidos. Nesse ambiente, a dúvida é fraqueza, a empatia é suspeita e a paz… bem, a paz não dá audiências.

Talvez seja isso que mais incomoda: a ideia de que alguém, em pleno século XXI, ainda insista que pessoas diferentes podem coexistir sem se destruírem mutuamente. É um conceito quase revolucionário, pelo menos à luz de certas práticas políticas contemporâneas.

Num mundo onde tudo parece cada vez mais polarizado, ser católico – ou simplesmente defender a convivência pacífica – tornou-se, de repente, um ato quase subversivo. Quem diria?