Zelensky monta a armadilha que ameaça destruir-nos

(Hugo Dionísio in Strategic Culture Foundation, 13/06/2024)

Para financiar o esforço de guerra, o ilegítimo Zelensky, que actualmente usurpa o lugar de presidente, prepara-se para vender o que ainda lhe resta.


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A Ucrânia de Bandera, que tem privatizado, de forma absolutamente furiosa, as propriedades estatais que ainda lhe restam e lhe foram deixadas pela Rússia e URSS, já tem grande parte das suas valiosas terras negras nas mãos da Blackrock, Monsanto e de outros interesses norte americanos. A estas se juntam interesses energéticos, mineiros, agro-industriais e imobiliários.

Agora, para financiar o esforço de guerra, o ilegítimo Zelensky, que actualmente usurpa o lugar de presidente (já percebo aquele beijo de Von der Leyen, os usurpadores reconhecem-se mutuamente), prepara-se para vender o que ainda lhe resta. As receitas do FMI, e dos acordos financeiros com a União Europeia, assim o exigem e os negócios em causa constituem, em alguns casos, importantes monopólios naturais.

Todos sabemos quem mais vai lucrar com a compra destes bens estatais. Os EUA ficam com a melhor fatia, mas o Reino Unido, Alemanha, França, por esta ordem, também ficarão com a sua parte. Se o Hotel Ucrânia é o mais famoso bem de todos os anunciados neste novo pacote, segue-se uma lista, que o próprio regime de Kiev diz ser uma “large privatization”. Empresas energéticas, Porto de Odessa, sector mineiro, destilarias, fábrica de maquinaria pesada como locomotivas…

O mais grave disto tudo, o mais trágico para todos nós, é que a venda do país aos interesses dos EUA e do ocidente não é inocente e está muito para além de um simples acto de corrupção ou entrega do país aos interesses estrangeiros. Consciente ou inconscientemente, a aquisição de grandes e lucrativas propriedades, pelas grandes corporações ocidentais, constitui um passo importantíssimo para o agravamento do conflito e que julgo passar ao lado de muito boa gente, normalmente concentrada na vertente especificamente militar. Nestes casos, a vertente militar não mais é do que o pico do Icebergue, que esconde toda a complexidade de relações económicas que, na base, constituem a razão de ser de tudo o que se passa. O recurso ao militar acontece quando as relações na base se tornam inconciliáveis.

Zelensky, certamente ciente de que a guerra só se ganha com a entrada directa dos EUA, nem que tenhamos todos nós de perdê-la (nas guerras todos perdem) para ele a ganhar, à medida que entrega o seu país às oligarquias que sustentam o aparelho político estado-unidense, saberá da importância que tem, o domínio das propriedades ucranianas, por aqueles poderosos interesses. Que melhor forma de proteger o acesso ao mar negro, se não entregando o Porto de Odessa aos interesses ocidentais?

A história diz-nos que os interesses corporativos ocidentais, em especial os estado-unidenses, protegem os seus bens, nem que, para tal, tenham de invadir países e ocupá-los. Neste sentido, Zelensky, sabe que, quanto maior o domínio das corporações americanas na Ucrânia, maior é a probabilidade de agravamento do conflito e de entrada directa dos EUA.

Intencional ou coincidentemente, está em causa um desenvolvimento que, potencialmente, pode atrair os próprios EUA para uma espécie de “armadilha”, conduzidos pela cobiça por dinheiro fácil, do estado e do povo, que caracteriza as corporações imperialistas. Diria mesmo que esta é a história norte-americana no que toca às suas intervenções militares. O seu povo é conduzido, pelos interesses económicos, para “armadilhas” montadas por, e em prol desses mesmos interesses, que envolvem e tornam o estado dependente de guerras reais e potenciais. As famosas guerras eternas.

Já as antigas Companhias das Índias, dos Países Baixos, Portugal ou Inglaterra, detinham, inclusive, exércitos privados para defenderem os seus activos nas colónias. Nos EUA, como noutras potências capitalistas, a defesa desses interesses está acometida aos respectivos complexos militar-industriais, bem como às empresas privadas de recrutamento militar (as PMC).

As potências imperialistas, ao longo da história, intervêm militarmente nos locais onde estão ameaçados os seus interesses monopolistas. O que considero descabido é que esta apropriação da propriedade ucraniana, pelo ocidente, não seja reconhecida como um dos mais importantes factores que influenciam a escalada militar. Todos olham para a parada e resposta das armas, mas poucos olham para as relações materiais subjacentes, as quais, deixam sem saída política, os líderes de ambos os países, que não seja a defesa dos interesses que, em cada momento, se manifestam, mais ou menos sub-repticiamente.

Contudo, no meio disto tudo, existem forças mais poderosas que se movem no sentido contrário aos interesses de Zelensky e do seu gangue da Galícia. Esta guerra nasceu como proxy (por procuração) e, para os EUA, em princípio assim terá de morrer. A batalha decisiva, pela manutenção da hegemonia do sistema imperialista norte americano, joga-se no pacífico. O desafio Chinês obriga a concentração exclusiva e isto leva o próprio partido democrata a exigir do seu representante no Médio-Oriente, Israel, uma atitude diferente e mais conciliadora, de forma a que o conflito não se estenda para lá do desejável. Que o consiga, tenho dúvidas, mas, pelo menos, tenta-o.

Os EUA, estando plenamente conscientes da “armadilha” montada por Zelensky, não deixam de aproveitar o ganho, mas, é aos países europeus que foi reservada a defesa dos seus interesses corporativos e militares na Ucrânia. Enquadrando tais interesses no que Blinken refere como “área de segurança transatlântica”, tal classificação, do meu ponto de vista, não arrasta os EUA para o conflito. Arrasta, isso sim, a própria OTAN e, em especial, a Europa. Como já foi sublinhado inúmeras vezes, é a europa quem tem de arcar com a maior fatia de esforço.

Este esforço será pago com mais armas, dinheiro, vindo este dos 300 mil milhões de euros congelados, os quais Biden, na próxima cúpula do G7, não deixará de entregar á Ucrânia. Estando tais reservas, sobretudo, em bancos europeus, adivinhem que moeda e que sector financeiro entrará em colapso, após este confisco? Para já a Arábia Saudita deixou caducar, no dia 9 de Junho, o acordo que mantinha com os EUA, para a venda exclusiva de petróleo em Dólares (o acordo Petrodólar). Mas, durante muito tempo ainda, os EUA usufruirão do estatuto de moeda de reserva. Já o Euro e a Libra Esterlina não se podem gabar do mesmo e quando os países do sul global acelerarem a retirada, já em marcha, das reservas depositadas em bancos europeus, é que veremos.

E destes factores resulta outro movimento que se afirma em contradição com os interesses do regime de Kiev. Esta tensão entre “interesses dos povos europeus” e “interesses corporativos” dos EUA, ameaça destruir a democracia restante de muitos países europeus e partir nações inteiras. As últimas eleições para o Parlamento Europeu são já um resultado disso mesmo. França, Alemanha, Bélgica, Países Baixos, Dinamarca, assistiram a resultados importantes, que representam sobretudo a ansiedade popular pela normalização das suas vidas. Trabalhadores, agricultores, pequenos empresários, estão fartos de instabilidade, austeridade e pessimismo. Aos povos europeus foi-lhes subtraída a esperança numa vida melhor.

Os mesmos que subtraíram e negam, todos os dias, tal esperança, são quem acusa de movimentos “populistas”, “extremistas”, “radicais”, todos os partidos que se opõem ao belicismo do designado “centro político”. A cada um que atira com a palavra “paz”, eles respondem com a acusação de “putinista”; a cada um que atira com a máxima de que “nem mais uma bala para alimentar o conflito Ucraniano”, respondem com um contundente “agente do kremlin”. Estereotipar, dividir, tribalizar, tornou-se a palavra de ordem de um suposto “centro político”, que se auto-elegia como capaz de unir o espaço entre as margens.

Desistindo deste papel de “moderação”, o próprio “centro moderado” é também atirado para uma margem. Atirado para a margem que defende a continuação da guerra, da confrontação, figuras como Macron, Sholz, Sunak ou a burocrata Von Der Leyen, acabam a conduzir as populações para as forças que, neste quadro niilista, mais organizadas e financeiramente poderosas surgem: as forças reaccionárias. Estas forças, pressentindo e vivendo do descontentamento, atraem quem se sente desagradado pela situação económica, pelo medo de uma guerra em larga escala e a falta de perspectivas de crescimento, recuperação e desenvolvimento.

Neste quadro, a única resposta dos dirigentes mais belicistas é a de contrapor ao medo da guerra, o medo da extrema direita. E este é o drama que se vive na Europa, nos EUA, no Ocidente colectivo. A sensação – aparente apenas – de que não existe uma alternativa válida, faz com que sejam acenadas apenas duas alternativas que, à superfície, mutuamente se excluem: ou existe a opção do “centro moderado”, pelo confronto, pelo belicismo, pelo sacrifício económico e social, em nome de “valores europeus” que ninguém sabe bem o que são; ou a opção “autocrática”, “autoritária”, “ditatorial”, da extrema direita, mas na qual o “centro moderado”, através de um contraditório processo de reescrita da história e paradoxal confusão filosófica, integra as soluções à esquerda.

Bifurcados entre duas alternativas terríveis, acaba-se a escolher entre Macron e Le Pen, porque se considera uma de “extrema direita” e o outro um “centrista liberal e moderado”. Contudo, dizer que Le Pen é mais de direita que Macron, é cometer um erro crasso. Macron é mais dissimulado e polido, mas não é menos destrutivo. Macron tornou-se, hoje, um dos principais incendiários da guerra nuclear. Sem utilizar o termo, todos sabemos qual a consequência do envio de tropas da OTAN para a Ucrânia. Também sabemos qual será o resultado da instalação de bases de F16 nos países bálticos. E todos sabemos onde vai acabar a autorização de utilização de mísseis SCALP lançados por aviões Mirage II, contra território Russo reconhecido.

E o que dizer de Sholz e do seu SPD? Já não basta o facto deste partido ter sido conivente com a subida do poder nazi e de Hitler, decidindo não alinhar com as forças progressistas, comunistas e democráticas que combatiam, então, o nazismo, nas ruas e nos locais de trabalho, como hoje, é outra vez o SPD que volta a atirar a Alemanha contra a Rússia, privando o seu país dos recursos que o tornaram uma potência mundial. O que diria Karl Marx se soubesse que o museu, em sua memória, situado em Trier, é gerido pela Fundação Friedrich Herbert (sim a que financiou o Partido Socialista em Portugal), organização ligada ao SPD?

É então a política “moderada” (o termo “moderado” vale como elogio por si só) que ameaça conduzir-nos para uma guerra nuclear. Eu pergunto o que é que isto tem de “moderado”! É que, por absurdo, mesmo que se reconhecesse toda a culpa à Rússia e a Putin, seria dos “moderados” quem se esperaria o maior esforço de diálogo e paz. Ao invés, é dos “moderados” que esperamos o contrário: a ultrapassagem constante de linhas vermelhas, as russas e a suas próprias. Quantas linhas vermelhas esta gente já ultrapassou, na sua escalada?

Quer Zelensky consiga o seu copo cheio – a entrada dos EUA na guerra – ou seu copo meio cheio – a entrada da Europa na guerra -, qualquer das soluções é devastadora para as nossas vidas e tal devastação é o que resulta de quando se apoia, se é cúmplice e conivente com gente que faz do ódio, da xenofobia, o seu modo de vida. O ódio que vejo nos Ucranianos da Galícia, contra a Rússia, compara-se ao ódio dos sionistas, contra os árabes palestinos. Um ódio tribal, selvagem, bárbaro e medieval. Na Ucrânia ou na Palestina, o ódio nunca venceu barreiras, só as construiu.

Como diz um amigo meu, quando nos mandarem enfiar o capacete e pegar na metralhadora, talvez nos lembremos que a paz é o maior bem que a civilização nos pode garantir. Talvez nesse dia acordem para a “armadilha” em que fomos apanhados e consigam ver, no horizonte, quem, de facto, com palavras de veludo, exaltações à “democracia” e acusações aos “extremismos” nos está a levar para a extrema destruição!

Fonte aqui.


Quando os poderosos controlam a opinião pública, as eleições não são reais

(Caitlin Johnstone, 12/06/2024, Trad. Estátua de Sal)

Tenho ignorado a corrida presidencial dos EUA porque as eleições são manipuladas.

Quando alguém diz que as eleições presidenciais dos EUA são manipuladas, há uma série de coisas que isso pode significar. Pode estar a alegar-se que os votos são ativamente adulterados para garantir um resultado específico, como os republicanos comumente alegaram nas eleições de 2020. Mas não é essa a afirmação que estou a apresentar aqui – apesar de os EUA terem as eleições mais disfuncionais de qualquer democracia liberal do mundo.

Pode também estar-se a falar sobre como a corrupção legalizada nos Estados Unidos permite que os ricos manipulem os resultados eleitorais e comprar lealdades políticas através de donativos de campanha . Embora, certamente, tal seja um facto bem estabelecido, também não é disso que estou a falar.

Também se poderia estar a falar do facto de que não importa quem ganha as eleições, uma vez que o presidente dos EUA é apenas uma figura de proa que finge governar um país que é, na verdade, governado por plutocratas não eleitos e gestores de impérios, em agências governamentais secretas. Novamente, isso é absolutamente verdade, mas não é disso que estou a falar neste ensaio específico.

Na verdade, poderíamos resolver todos os problemas do sistema de votação americano e, mesmo assim, as eleições presidenciais dos EUA ainda seriam manipuladas. Seria possível corrigir as leis de financiamento de campanha até ao ponto em que os ricos já não pudessem utilizar os donativos de campanha para alcançar os resultados políticos desejados, e as eleições presidenciais dos EUA ainda seriam manipuladas. Poderíamos dar ao presidente dos EUA todos os poderes reais de liderança governamental que, quando crianças, nos levaram a acreditar que ele tem, e as eleições presidenciais dos EUA ainda seriam manipuladas.

As eleições presidenciais dos EUA continuariam a ser manipuladas, porque a opinião política dominante continuaria a ser moldada pelas pessoas ricas e poderosas, que controlam as fontes a partir das quais os americanos foram treinados para obter a sua informação. Enquanto os ricos e poderosos puderem manipular a opinião pública em grande escala, através dos meios de comunicação social corporativos, de Hollywood e da manipulação de algoritmos do Silicon Valley, poderão manipular as eleições como quiserem.

Há uma citação atribuída a Albert Einstein que circula nas redes sociais há anos e que geralmente diz algo como:

 “Chegará um momento em que os ricos serão donos de todos os meios de comunicação e será impossível o público formar uma opinião informada”.

Ao contrário da maioria das citações fixes que circulam na internet, atribuídas a Einstein, esta é baseada em algo que o renomado físico teórico realmente disse – exceto que ele não estava prevendo algo que aconteceria no futuro, ele estava falando sobre algo que já acontecera, quando ele escreveu sobre isso em 1949.

Em seu ensaio “Porquê o socialismo ?”, Einstein escreveu o seguinte para a Monthly Review (sublinhado a negrito nosso):

“O resultado destes desenvolvimentos é uma oligarquia de capital privado cujo enorme poder não pode ser eficazmente controlado, mesmo por uma sociedade política democraticamente organizada. Isto é verdade uma vez que os membros dos órgãos legislativos são selecionados por partidos políticos, em grande parte financiados ou de outra forma influenciados por capitalistas privados que, para todos os efeitos práticos, separam o eleitorado da legislatura. A consequência é que os representantes do povo não protegem suficientemente os interesses dos sectores desfavorecidos da população. Além disso, nas condições actuais, os capitalistas privados controlam inevitavelmente, direta ou indiretamente, as principais fontes de informação (imprensa, rádio, educação). É, portanto, extremamente difícil, e na maioria dos casos mesmo impossível, que o cidadão chegue a conclusões objetivas e faça uso inteligente dos seus direitos políticos. 

Era verdade quando Einstein o escreveu, há 75 anos, e continua a ser verdade até hoje. Continua a ser verdade hoje porque Einstein não dirigia as suas críticas às pessoas e acontecimentos individuais do seu tempo, mas aos sistemas sociais abrangentes que ainda existem hoje.

Num sistema capitalista, aqueles que controlam o capital controlam quais as ideias e informações que serão ingeridas pela maioria das pessoas. Num sistema democrático de governo – mesmo com um sistema de votação sólido e sem dinheiro permitido a financiar políticos – isto dará sempre aos ricos a capacidade de manipular as eleições, condicionando a opinião pública através da propaganda. 

E é isso que eles fazem . Além de comprarem meios de comunicação inteiros e de controlarem os seus acionistas, os ricos investem dinheiro para reforçar o controle narrativo por outros meios, como grupos de reflexão operações de informação online como NewsGuard Wikipedia , e a manipulação de algoritmos por megacorporações online como o Google. Isto dá-lhes a capacidade de moldar a visão do mundo da maioria do público, garantindo assim que as eleições resultem em resultados que reforcem o status quo sobre o qual foram construidas as suas fortunas.

Isto é verdade em todas as eleições de consequências significativas nos EUA, não apenas nas eleições presidenciais, e é verdade em todo o mundo ocidental, não apenas nos Estados Unidos.

Estamos a ser psicologicamente manipulados em grande escala desde a infância, e as nossas mentes são continuamente moldadas por pessoas que usam a sua riqueza para dominar as nossas narrativas partilhadas sobre como as coisas são, sobre o que está a acontecer no mundo e sobre o que deve ser feito a esse respeito.

Somos ensinados sobre o nosso mundo por pais profundamente doutrinados e professores profundamente doutrinados, que cresceram no mesmo ambiente de informação que nós – o qual reforça o status quo –, e a nossa doutrinação continua, através de todos os écrans das nossas vidas, até ao nosso último suspiro.

Podemos consertar tudo o que está errado no nosso sistema político, mas a não ser que também eliminemos a capacidade da classe capitalista manipular psicologicamente o público – para apoiar um status quo político que foi artificialmente moldado pelos poderosos, para o benefício dos poderosos -, nada de significativo mudará. As guerras vão continuar, a oligarquia vai continuar, a desigualdade e a injustiça vão continuar, a exploração e a extração vão continuar, o ecocídio vai continuar.

É por isso que eu coloco sempre a tónica na importância do controlo da narrativa e na forma como está a acontecer – porque é daí que surgem todos os nossos outros problemas e porque, enquanto não resolvermos esse problema, não conseguiremos resolver os outros.

Felizmente, é possível resolver esse problema. Nós, pessoas comuns, estamos em desvantagem porque não nos podemos dar ao luxo de comprar todos os meios e plataformas mais influentes da nossa sociedade para impor as nossas preferências políticas como os plutocratas podem fazer, mas estamos em vantagem porque somos muito mais do que eles – e porque temos a verdade e a autenticidade do nosso lado.

Nenhum de nós pode enfrentar sozinho a máquina de propaganda imperial, mas juntos podemos travar uma guerra de informação com o objetivo de desmascarar as narrativas imperiais e desacreditar a propaganda imperial aos olhos do público. Podemos fazê-lo utilizando todas as plataformas e meios de que dispomos para despertar as pessoas para a verdade em todas as oportunidades, para que possam ajudar a juntar-se à luta. Quanto mais pessoas perceberem que foram enganadas durante toda a sua vida sobre o que se passa na sua sociedade, mais pessoas haverá para ajudar a enfraquecer o controlo da narrativa imperial.

Todos os desenvolvimentos positivos no comportamento humano são sempre precedidos por uma expansão da consciência , quer estejamos falando dos seres humanos como indivíduos ou como coletividade. Isto não é diferente. Se você puder aproveitar todas as oportunidades para ajudar a espalhar a consciência da verdade e abrir outro par de olhos para a realidade da nossa situação, então estará a usar a sua energia para atacar o império no seu ponto mais fraco, da maneira mais eficiente possível.

Ganhando ou perdendo, se você dedicar sua vida a essa luta, no final poderá dizer com certeza que deu tudo de si.

Fonte aqui.


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O paradoxo da imigração e da guerra

(Carlos Matos Gomes, in Medium.com, 13/06/2024)


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Os europeus querem apoiar as guerras dos Estados Unidos e são contra os imigrantes que elas causam! Esta é, em resumo, a contradição em que vive a propaganda política dos dirigentes europeus, da dita esquerda à dita extrema-direita — e ‘dita’ porque as diversas “marcas” são feitas do mesmo produto: o mercado acima de tudo e os Estados Unidos como seu Deus.

Aquilo que a comunicação social designa de forma genérica por extrema-direita apresenta como seu cavalo de batalha a imigração: a entrada nos seus países, seja na Europa, seja nos Estados Unidos, de vagas de imigrantes que ‘destroem os valores tradicionais das sociedades, as suas culturas ancestrais, os seus deuses, os seus modos de vestir, comer, de se comportarem!’

É este o discurso da extrema-direita desde o extremo da península Ibérica com o Chega e o Vox, às fronteiras de Leste, na Polónia, na Hungria e tendo pelo meio a França de Le Pen, a Itália de Meloni, a AfD (Alternativa para a Alemanha). O perigo são os imigrantes! Mas de onde vêm os imigrantes e porque veem? Uns veem das guerras no Médio Oriente, do Iraque, da Síria, do Afeganistão, outros de África, das guerras no Níger, no Sudão, na Republica Centro Africana e chegam, principalmente através da Líbia. Na origem das vagas migratórias estão as ações desenvolvidas pela estratégia de domínio dos Estados Unidos. Foi assim em todos os casos: os Estados Unidos deram pontapés nos vespeiros e quem está a apanhar com as vespas são os europeus. Seria racional que quem recebe enxames de vespas se virasse contra quem tem andado nas suas fronteiras a destruir lhes os ninhos e a espalhá-las, colocando-se ao abrigo delas.

Mas ser racional não é o que se pode esperar de quem governa a Europa tendo uma trela ao pescoço. A eleição do tema da imigração como primeiro cavalo de batalha da extrema-direita europeia tem como principais responsáveis os ditos políticos moderados que por subserviência e cobardia não se atrevem a culpar o culpado das vagas imigrantes. Os pequenos rafeiros que dirigem os Estados europeus, a Europa, com a Inglaterra em apuros, tal como a França, a Alemanha, a Itália, a Grécia, preferem obedecer a Washington do que se atreverem a agir racionalmente. E, não enfrentando o causador das vagas de migrantes, viram-se contra os aproveitadores, os movimentos que surgem naturalmente por reação à cobardia e à mentira. Os dirigentes europeus preferem afrontar os seus cidadãos, acusá-los de xenofobia, de racismo, criar um bode expiatório nos movimentos de extrema-direita do que afrontar o Império. Os movimentos de extrema-direita, para quem os fins justificam todos meios, servem-se da cobardia dos políticos moderados para cavalgar o paradoxo de os seus países estarem a receber migrantes causados pelos Estados Unidos e continuarem a servir-lhes de tapete, de base para as expedições causadoras de mais migrantes e até de lhes financiar as atividades! Em resumo, o que se encontra na base da expansão da extrema-direita europeia é esta linha de raciocínio: Há quem provoque as invasões migrantes, os Estados Unidos, para sua conveniência de ocupação de pontos estratégicos e domínio de matérias-primas, nós, europeus, recebemos os migrantes que resultam dessa manobra, pagamos a sua recepção a vários títulos, sobrecarregando os nossos serviços, perdendo zonas de influência, surgindo como aliados de quem promove a guerra, financiamos as ações que geram as ondas de migrantes comprando material de guerra aos Estados Unidos e não temos outra opção que votar por protesto em quem, para já, coloca o assunto das migrações na ordem do dia!

Se os dirigentes europeus, com a honrosa exceção de Jacques Chirac no caso do Iraque, apoiaram entusiasticamente a invasão do Iraque, e depois a do Afeganistão, a da Líbia, a da Síria, apoiaram a desestabilização de países da África subsariana ricos em matérias-primas essenciais para as novas tecnologias, se as grandes empresas da agroindústria e do turismo necessitam de mão de obra de muito baixo custo para obter lucros e fornecer “mimos” hortícolas e frutícolas aos europeus e a importam do continente indiano de quem é a culpa das vagas migrantes?

É evidente que a extrema-direita cavalga a demagogia, da forma cobarde e demagógica que está na sua genética e na dos seus líderes: o mal está nos governos que abrem as portas e não nos promotores das guerras que originam multidões de migrantes nem na política de mercado que necessita dos migrantes para fornecer bens e serviços a baixo custo. Este tipo de raciocínio é antiquíssimo: desde o principio dos tempos que um dos objetivos da guerra era fazer escravos para realizarem os trabalhos que os locais não desejavam. A diferença da antiguidade para a atualidade é que os novos escravos são visíveis, ao contrário dos antigos, que eram mantidos em caves e estábulos, amarrados como os animais.

O paradoxo dos dirigentes europeus é o de apoiarem a política de guerra imperial dos Estados Unidos em vários pontos ao redor da Europa, no Médio Oriente e na Eurásia geradora de vagas de migrantes e, em vez de atalhar o mal na raiz, isto é, opondo-se ao promotor da guerra, o tentam estancar quando ele já é uma vaga imparável, levantando barreiras de betão aos migrantes ou afogando-os no Mediterrâneo. Uma criminosa insanidade devida à subserviência aos Estados Unidos que a extrema-direita explora sem qualquer pudor. O Reino Unido, essa pátria da liberdade e do respeito, exemplo de moderação e de democracia, com reis príncipes e princesas, estabeleceu um programa de de envio de migrantes para o Ruando, um imenso campo de concentração. a reserva. A Alemanha, da elétrica Von Der Leyen que manda para Moscovo os que protestam contra o genocídio na Palestina, paga milhões à Turquia para manter em campos de concentração os migrantes que fogem das guerras americanas no Médio Oriente.

A hipocrisia da propaganda política, que teve e está a ter o seu ponto alto na “análise” dos resultados das eleições europeias — salientando que a Europa do centro resistiu ao crescimento da extrema-direita, o grande perigo, que utiliza a arma das migrações para minar o projeto pacifico e progressista, humanista da Europa. Mas jamais os analistas referem que a NATO, a organização para defesa da Europa devia ser chamada a atacar esta ameaça! Jamais.

A NATO é uma promotora de migrantes, logo de movimentos de extrema-direita. A NATO é um promotor de compra de armamentos e não uma instituição humanitária.

Neste pântano de paradoxos os dirigentes europeus movem-se perdidos como moscas em pratos de azeite e elegem como santos padroeiros Zelenski, um tartufo criado pelos Estados Unidos, que resolve o problema dos seus migrantes enviando-os para o matadouro das frentes de combate e Netanyahu, um criminoso que resolve o problema das migrações matando os futuros migrantes à nascença. São os dois exemplos de políticos moderados que a Europa civilizada tem para apresentar.