O paradoxo da imigração e da guerra

(Carlos Matos Gomes, in Medium.com, 13/06/2024)


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Os europeus querem apoiar as guerras dos Estados Unidos e são contra os imigrantes que elas causam! Esta é, em resumo, a contradição em que vive a propaganda política dos dirigentes europeus, da dita esquerda à dita extrema-direita — e ‘dita’ porque as diversas “marcas” são feitas do mesmo produto: o mercado acima de tudo e os Estados Unidos como seu Deus.

Aquilo que a comunicação social designa de forma genérica por extrema-direita apresenta como seu cavalo de batalha a imigração: a entrada nos seus países, seja na Europa, seja nos Estados Unidos, de vagas de imigrantes que ‘destroem os valores tradicionais das sociedades, as suas culturas ancestrais, os seus deuses, os seus modos de vestir, comer, de se comportarem!’

É este o discurso da extrema-direita desde o extremo da península Ibérica com o Chega e o Vox, às fronteiras de Leste, na Polónia, na Hungria e tendo pelo meio a França de Le Pen, a Itália de Meloni, a AfD (Alternativa para a Alemanha). O perigo são os imigrantes! Mas de onde vêm os imigrantes e porque veem? Uns veem das guerras no Médio Oriente, do Iraque, da Síria, do Afeganistão, outros de África, das guerras no Níger, no Sudão, na Republica Centro Africana e chegam, principalmente através da Líbia. Na origem das vagas migratórias estão as ações desenvolvidas pela estratégia de domínio dos Estados Unidos. Foi assim em todos os casos: os Estados Unidos deram pontapés nos vespeiros e quem está a apanhar com as vespas são os europeus. Seria racional que quem recebe enxames de vespas se virasse contra quem tem andado nas suas fronteiras a destruir lhes os ninhos e a espalhá-las, colocando-se ao abrigo delas.

Mas ser racional não é o que se pode esperar de quem governa a Europa tendo uma trela ao pescoço. A eleição do tema da imigração como primeiro cavalo de batalha da extrema-direita europeia tem como principais responsáveis os ditos políticos moderados que por subserviência e cobardia não se atrevem a culpar o culpado das vagas imigrantes. Os pequenos rafeiros que dirigem os Estados europeus, a Europa, com a Inglaterra em apuros, tal como a França, a Alemanha, a Itália, a Grécia, preferem obedecer a Washington do que se atreverem a agir racionalmente. E, não enfrentando o causador das vagas de migrantes, viram-se contra os aproveitadores, os movimentos que surgem naturalmente por reação à cobardia e à mentira. Os dirigentes europeus preferem afrontar os seus cidadãos, acusá-los de xenofobia, de racismo, criar um bode expiatório nos movimentos de extrema-direita do que afrontar o Império. Os movimentos de extrema-direita, para quem os fins justificam todos meios, servem-se da cobardia dos políticos moderados para cavalgar o paradoxo de os seus países estarem a receber migrantes causados pelos Estados Unidos e continuarem a servir-lhes de tapete, de base para as expedições causadoras de mais migrantes e até de lhes financiar as atividades! Em resumo, o que se encontra na base da expansão da extrema-direita europeia é esta linha de raciocínio: Há quem provoque as invasões migrantes, os Estados Unidos, para sua conveniência de ocupação de pontos estratégicos e domínio de matérias-primas, nós, europeus, recebemos os migrantes que resultam dessa manobra, pagamos a sua recepção a vários títulos, sobrecarregando os nossos serviços, perdendo zonas de influência, surgindo como aliados de quem promove a guerra, financiamos as ações que geram as ondas de migrantes comprando material de guerra aos Estados Unidos e não temos outra opção que votar por protesto em quem, para já, coloca o assunto das migrações na ordem do dia!

Se os dirigentes europeus, com a honrosa exceção de Jacques Chirac no caso do Iraque, apoiaram entusiasticamente a invasão do Iraque, e depois a do Afeganistão, a da Líbia, a da Síria, apoiaram a desestabilização de países da África subsariana ricos em matérias-primas essenciais para as novas tecnologias, se as grandes empresas da agroindústria e do turismo necessitam de mão de obra de muito baixo custo para obter lucros e fornecer “mimos” hortícolas e frutícolas aos europeus e a importam do continente indiano de quem é a culpa das vagas migrantes?

É evidente que a extrema-direita cavalga a demagogia, da forma cobarde e demagógica que está na sua genética e na dos seus líderes: o mal está nos governos que abrem as portas e não nos promotores das guerras que originam multidões de migrantes nem na política de mercado que necessita dos migrantes para fornecer bens e serviços a baixo custo. Este tipo de raciocínio é antiquíssimo: desde o principio dos tempos que um dos objetivos da guerra era fazer escravos para realizarem os trabalhos que os locais não desejavam. A diferença da antiguidade para a atualidade é que os novos escravos são visíveis, ao contrário dos antigos, que eram mantidos em caves e estábulos, amarrados como os animais.

O paradoxo dos dirigentes europeus é o de apoiarem a política de guerra imperial dos Estados Unidos em vários pontos ao redor da Europa, no Médio Oriente e na Eurásia geradora de vagas de migrantes e, em vez de atalhar o mal na raiz, isto é, opondo-se ao promotor da guerra, o tentam estancar quando ele já é uma vaga imparável, levantando barreiras de betão aos migrantes ou afogando-os no Mediterrâneo. Uma criminosa insanidade devida à subserviência aos Estados Unidos que a extrema-direita explora sem qualquer pudor. O Reino Unido, essa pátria da liberdade e do respeito, exemplo de moderação e de democracia, com reis príncipes e princesas, estabeleceu um programa de de envio de migrantes para o Ruando, um imenso campo de concentração. a reserva. A Alemanha, da elétrica Von Der Leyen que manda para Moscovo os que protestam contra o genocídio na Palestina, paga milhões à Turquia para manter em campos de concentração os migrantes que fogem das guerras americanas no Médio Oriente.

A hipocrisia da propaganda política, que teve e está a ter o seu ponto alto na “análise” dos resultados das eleições europeias — salientando que a Europa do centro resistiu ao crescimento da extrema-direita, o grande perigo, que utiliza a arma das migrações para minar o projeto pacifico e progressista, humanista da Europa. Mas jamais os analistas referem que a NATO, a organização para defesa da Europa devia ser chamada a atacar esta ameaça! Jamais.

A NATO é uma promotora de migrantes, logo de movimentos de extrema-direita. A NATO é um promotor de compra de armamentos e não uma instituição humanitária.

Neste pântano de paradoxos os dirigentes europeus movem-se perdidos como moscas em pratos de azeite e elegem como santos padroeiros Zelenski, um tartufo criado pelos Estados Unidos, que resolve o problema dos seus migrantes enviando-os para o matadouro das frentes de combate e Netanyahu, um criminoso que resolve o problema das migrações matando os futuros migrantes à nascença. São os dois exemplos de políticos moderados que a Europa civilizada tem para apresentar.

30 pensamentos sobre “O paradoxo da imigração e da guerra

  1. O oportunismo da direita consiste em escamotear as causas, apontando apenas os efeitos. Orban e Fico pelo contrário, não se cansam de apontsr os erris de análise dos governos da União Europria e da OTAN e, por essa razão são apeludados de extrema direita. Como muito bem salientou Carlos Matos Gomes, foram as guerras em que países da União Europeia se deixou enredar no Afeganistão, no Iraque, na Síria e na Líbua que desestabilizaram a situação na Europa.
    Sobre a Federação Russa também se pode dizer que a História da Himanidade, ao contrário do que nos querem fazer crer os burocrstas de Bruxelas, não começou em Fevereiro de 2022.

  2. Conseguem porque depois de 30 anos, desde a queda da União Soviética, que nos habituamos a pilhar e destruir países para sacar recursos. Por isso pensamos que a Rússia é só um bocadinho maior. Mais tarde ou mais cedo vamos conseguir.
    Aliás a conversa já é a mesma, não é só ajudar a pobre Ucrânia a correr com invasores mas também de “acabar com o poder absoluto de Putin na Rússia”. A mesma conversa da treta das intervenções humanitárias para salvar as populações do Afeganistão, Iraque, Líbia e Síria, só para citar os mais mediatizados.
    Por isso esta gente não vai parar.
    E se a Rússia não quer acabar dividida e numa miséria negra ainda pior que a da era Ieltsyn, extinguindo se a exemplo dos nativos americanos terá de optar pela destruição total da auto estrada das nossas invasões. Com meios nucleares se preciso for.
    Depois tudo dependerá do desprezo pelas nossas vidas que esta gente tiver que já vimos que é muito.
    Efectivamente não arrisco prognósticos para este jogo mas não me dou ao luxo de ter medo.
    Depois do mal que fizemos ao mundo não temos sequer essse direito.
    Ou talvez eu não seja muito certo em contas de cabeça e prefira a morte a sorte de viver num mundo onde a única voz que conta seja a voz dos assassinos que nos arrasaram com um veneno experimental. Chegando até à proibir o acesso aos locais de trabalho de gente que não se queria envenenar.
    Nos Estados Unidos mais de 100 mil pessoas foram despedidas da função pública por se recusarem a tomar aquilo. 100 mil.
    Outras iam tomar zinco, Vitamina C, clorofila, magnésio, carvão vegetal activado e tudo quanto fosse desintoxicante e lá iam dar a barbatana. Pedindo ao Deus em que acreditavam que a coisa não lhes fizesse mal. A bem dos que deles dependiam.
    Tenho uma amiga que na Alemanha foi obrigada a dar quatro doses daquilo. Por acaso até éra toda vacineira e tivemos um arranca rabo dos antigos quando eu disse que não iria dar mais nenhuma e que podiam meter o reforço onde lhes faltavam três reis de pele.
    Depois de uma infeção de sangue que fez com que fosse toda drenada para lá porém outro que aquele estava podre esta agora com uma doença estranha que lhe para os rins se comer qualquer coisa com gluten ou lactose.
    E, claro, já não pode nem ouvir falar em vacinas mas se desistiram de lhe enfiar uma quinta no bucho foi que há tanta gente sequelada e sem poder trabalhar, tanta gente a pedir indemnizações por ter perdido gente ou estar podre que acharam melhor deixarem se disso.
    Não abandonando as campanhas de terror do tal que morreu por não estar vacinado.
    Por isso a ideia de viver num mundo dominado por uma gente capaz de nos fazer isto, sem ter para onde fugir, assusta me mais que a possibilidade de ver cogumelos com de laranja.
    Talvez por ter visto a morte a frente dos olhos, com enxada e tudo, e ainda ter grunhos a acusar me de negar a ciencia e a xingar me de Bolsonaro.
    Não quero viver num mundo dominado por gente desta e nunca esquecerei os que morreram muitas vezes por acreditar que assim seriam salvos da morte.
    Isto é um mundo complicado. Tudo porque não quisemos seguir outro caminho.

  3. Naturalmente que subscrevo em geral as ideias aqui apresentadas, mas creio que a questão levantada pela Maria é bem pertinente e deve ser aprofundada. Tal como ela, tb eu e outros certamente temos constatado haver certos aspectos e posicionamentos em que alguma extrema-direita tem muito mais razão que o coro manhoso dos media-corporativos mainstream. Uma análise mais fina dos factos mostra que não se trata apenas do puro oportunismo tão glosado por estas paragens, embora exista obviamente. Penso ser preciso ir um pouco mais longe e reconhecer que certos elementos proeminentes dessa linha, desde o Washington Post a Viktor Orban, passando até por Erdogan e outros, compreendem mesmo a falácia da narrativa ocidental-NATO e a desmontam por saberem não apenas a mentira, mas as terríveis consequências que o ocidente sempre se recusa ver. Acabo de receber a notícia de que o Presidente sérvio Aleksander Vucic declarou que estaremos na III Guerra dentro de 3-4 meses, devido ao envio de misseis de longo alcance para a Ucrânia. O mesmo pensa Orban e o PM eslovako Fico que levou alguns tiros por essa e outras posições. Isto para dizer que estes factos não nos devem surpreender. Aquela gente não é assim tão estúpida como nos querem fazer acreditar. Inversamente, o facto de terem essas opiniões em nada deve afectar as nossas convições. Pessoas de linhas diferentes são capazes de ver os factos e suas consequências, enquanto os lídimos representantes do paraíso terreal se esforçam desesperadamente por não ver o elefante na sala.

  4. Nas minhas, ainda que limitadas, qualidades analíticas, seja-me permitido, contudo, o pequeno exercício especulativo, sublinho, especulativo, que se segue:
    Quando se deu o fim da União Soviética, Putin não era, apenas, um simples cidadão fazendo pela vida, muito menos um opositor do regime até então vigente, identificava-se com ele, tanto assim que, mal acabou o ensino secundário, não foi recrutado, apresentou-se ele próprio, voluntariamente, à porta da KGB para nela ingressar, tendo-lhe sido, todavia, dito que à mesma só regressasse quando concluísse o ensino superior, o que fez, mal o terminou, assim na KGB acabando por entrar e nela se mantendo até ao referido fim da União Soviética.
    E agora, ter-se-á questionado Putin, que fazer, nomeadamente quando começou a observar toda a pilhagem do país, de bens, até aí, públicos, feita por mafiosos dos mais variados matizes (nacionais e estrangeiros), enquanto Yeltsin não passava dum «bobo da corte» na cena internacional, que punha, nomeadamente, um Bill Clinton a rir à gargalha com a s suas «tiradas» alcoolizadas?
    Tendo aprendido com Lenin que, em cada momento, face à correlação de forças em presença, se deverá dar, se necessário, um passo atrás, para, depois, dois à frente se poderem dar e com toda a «escola» da KGB atrás de si, soube infiltrar-se e manobrar no seio daqueles que, de momento, o poder detinham, para o poder alcançar.
    Entretanto, quando o poder alcançou, tendo sempre presente a medição de forças em presença e observando não haver condições para uma nova Revolução Bolchevique, terá vindo a fazer o que lhe tem sido possível fazer no âmbito dessa correlação de forças e que o Francisco Camacho atrás bem descreve, pondo ordem na casa e reclamando para ela soberania!

    • O Joaquim, Francisco és tu. Quanto ao tema do artigo muito mais há por dizer.
      Lembro-me da crise migratória no tempo do conflito na Síria que envolvia o ISIS, e provocou grandes vagas migratórias para a Europa, tentando entrar por leste, se não me engano pela Bielorrússia e Polónia, é até foram erigidas vedações e o exército foi chamado a intervir, guardando as fronteiras, com os refugiados retidos em campos sem condições, com crianças e pessoas idosas e doentes. Tudo por causa das intervenções dos países da NATO que pretendiam depor o regime de Assad a qualquer custo, também no interesse de Israel, e pelos vistos com o apoio de muitos sunita, pois o regime é de inspiração xiita e aliado dos iranianos.
      Também novamente o caso português, mas desta vez falando da emigração massiva dos tempos da guerra colonial para a Europa, sobretudo, e dos tempos da troika mais recentes.
      Depois a situação das migrações no Mediterrâneo que não tem fim à vista por muitos acordos que sejam feitos, e a sabotagem e os tiros nos pés habituais dos europeus na gestão desses problemas, sobretudo falhando a minorização das suas causas (pobreza, exploração, conflitos armados, desertificação, etc.).

  5. Sim, e alguma extrema direita também se mostra crítica da guerra por procuração na Ucrania justamente por saber que muita gente está farta de despejar dinheiro no buraco negro da Ucrânia.
    Na Itália esse sentimento era muito maior que em Portugal e daí que a meloa entrasse por aí. Para, chegada ao poder se converter logo no dia seguinte a diabolizacao da Rússia e beatificação do pianista da perna do meio.
    E o mesmo acontecerá com a Le Pen ou a AFD se conquistarem o poder nos respectivos países.
    Porque na realidade a extrema direita é racista por natureza e os subhumamos russos são tão odiados como os muçulmanos.
    E só uma questão de ver para onde dá o vento.
    Claro que há coisas que nunca vão mudar como o racismo e a xenófobia contra quem cá chega fugido a guerra que armamos nos seus países porque a extrema direita torna a vida de quem trabalha num inferno e é preciso haver bodes expiatórios.
    Foi como com as vacinas covid. Não foi a extrema direita que fez com que muita gente tivesse dúvidas de uma coisa lançada tão a pressa. Aproveitou as dúvidas que muita gente já tinha.
    E trataram de ladrar por muitos caudilhos serem na realidade muito ignorantes.
    Foi o caso de Bolsonaro que viu as potencialidades do bicho para destruir os mais velhos ou os mais doentes. E agora vinha uma vacina que podia acabar com a doença e salvar toda essa gente descartável.
    Por isso toca a dizer asneiras como “se virar jacaré e problema seu”.
    E agora que a vacina se provou na realidade ter morto mais do que alegadamente salvou até tivemos um tal de Ergue te a fazer campanha utilizando os desgraçados mortos ou estropeados por aquela coisa.
    E é aí que a história do jacaré começa a fazer sentido em especial depois de alguem ter passado de projecto de baleia a qualquer coisa parecida com um peixe espada subdesenvolvido.
    E é mesmo por aí. Se um assassino disser que a terra é redonda isso não nos torna assassinos.
    Mas batendo no ponto que interessa. Ir na cantiga da extrema direita não nos vai livrar de uma grande guerra convencional com a Rússia que também nos custará caro mesmo que a ganhemos se for isso que a nossa elite decidir. Justamente pela tal capacidade da extrema direita em se converter ao pianista fálico de Kiev no dia seguinte.
    Nem livrará quem não goste do cheiro do caril ou tem medo que o indiano tenha piolhos debaixo do turbante dessa malta pois que eles sao precisos para serem explorados.
    A vida de todos nós é que vai piorar. E muito.
    Por isso vamos lá mandar essa gente ir ver se o mar dá choco. Ou isto vai correr tudo bem pior. E não é só para a malta do turbante.

  6. O ciclo dos êxodos humanos e os conflitos que os causam, e são consequência deles.
    Por vezes o êxodo pode ter causas que são naturais e não resultam de qualquer conflito, sempre houve na história nómadas, aliás, diz-se que os nossos antepassados mais longínguos eram caçadores-recolectores, seguiam as manadas e também migravam consoante as estações (como fazem muitas espécies animais, de todas as classes)…
    Penso que antes da política já havia problemas com isto de os animais se poderem mover ou serem movidos, seja individualmente, seja enquanto famílias, grupos (tribos), e até mesmo populações.
    É a minha perspectiva “filo-filosófica” deste problema terreno e ao mesmo tempo psíquico e espiritual (que no fundo são as três essências do ser biológico, a componente físico-química, a componente mental, e a componente anímica).
    Depois disto surgem as discussões mencionadas. De tão complexas ou complicadas que são, reflectem um pouco este paradigma e esta matriz original.

    • Só para acrescentar o caso específico português, a sua “migração” pelo mundo (ao ponto de chegar a acordar com o vizinho do lado “mun-divisão”, reformulando, a divisão do mundo) durante as Descobertas não surgiu propriamente de um êxodo provocado por um conflito, mas não deixa de ser uma migração e ter impacto e consequências que provocaram outros conflitos e êxodos e etc…

    • As pessoas hoje têm muitas “fronteiras”, “grupos/tribos”, “federações/nações”, “preconceitos/crenças”, a sociedade humana adquiriu uma complexidade mundial, e portanto existem muito mais focos e pólos de perturbação, mesmo que por vezes longínquos e à partida separados do que é próximo ou mais imediato.
      Desde os primórdios da civilização que a tendência para a formação de classes, categorias, hierarquias gerou uma aceleração dessas clivagens, e um agravamento entre relações de pertença e não-pertença a uma identidade ou grupo, tribo ou nacionalidade/federação.
      Ainda assim as diferenças entre as partes do mundo existem, culturais, sociais, económicas, financeiras, tecnológicas, religiosas, filosóficas, e é uma permuta sempre dinâmica e diversa, com todo o tipo de conflagrações e reuniões.

      • Se ao menos estes princípios fundamentais (e outros, estou a simplificar) fosse entendidos pela Humanidade, enquanto conjunto de seres racionais, e a sua sociedade fosse organizada não com imposições tecnocráticas e imperiais, mas sim a partir das realidades locais, muitas vezes partilhadas por campos opostos ou divergentes, mas ainda assim existentes (por muito que esteja em voga fazer de conta que alguns não existem, ou excluir aqueles que queremos que não existam mas são tão incómodos que não podemos negar a sua existência)… talvez aí pudéssemos aspirar a um “mundo melhor”, de paz, harmonia, prosperidade e diversidade bio-sustentadas.

  7. Respondendo a Maria

    Compreendo as suas perplexidades e, como solicita comentários, vou procurar corresponder.
    Antes de mais, devo fazer o seguinte reparo: a maior parte das pessoas têm tendência a analisar os factos numa perspetiva política e a esquecer, ou pelo menos a não salientar, a vertente económica que, penso, é a determinante. A politica é uma forma de poder que depende do poder económico que a condiciona e a coloca ao seu serviço. Se quem tem o poder económico é uma minoria muito mínima (desculpe-se o pleonasmo) é obvio que os políticos tem de dançar ao som da sua música, o resto é paisagem para enganar os trouxas que infelizmente são a maioria.

    Ora, na guerra da Ucrânia o conflito – de uma guerra por procuração – é entre países que tem um mesmo regime económico – capitalista (aconteceu nitidamente o mesmo na primeira guerra mundial). É uma guerra entre capitalistas (imperialismo americano e seus acólitos europeus) que querem dominar os vastos recursos de outro país capitalista, a Rússia. Como esta não cedeu ao cerco que lhe estava a ser feito e não aceitou o destino que aparentemente a esperava – ser pulverizada numa série de mini estados para mais facilmente ser suprimida – o conflito estalou. E, repare-se, é mantido por pressão indiscutível dos Estados Unidos o que mostra bem quem provocou a guerra e ao que veio.

    Até aqui nada de estranho, a única coisa estranha reside no facto de boa parte da população norte americana e europeia não perceber que está a ser conivente com os senhores que a dominam e exploram e os senhores que a dominam e exploram não são russos, são elites europeias e norte americanas que não querem perder o lugar hegemónico que ocupam no tabuleiro internacional.

    Assim sendo não espanta muito que a extrema direita oscile e, em alguns casos, em outros não, manifeste simpatia pela Rússia; afinal a extrema direita é capitalista e ferozmente anti socialista, mas, por um lado, não tem qualquer receio de que a Rússia atual restaure o socialismo e, por outro , aproveita para exercer pressão sobre os dirigentes capitalistas norte americanos e europeus que julgam poder prescindir dos seus serviços e que, para fingirem que são muito democratas, a diabolizam.
    Nós sabemos, a história já nos ensinou , que, na hora do vamos ver, depois desta ou daquela oscilação, as chamadas democracias liberais capitalistas entendem-se com os fascistas e nazis e não com os socialistas. Penso mesmo que já estamos a assistir à instauração de regimes neofascistas – e a tendência é para se ampliarem – porque vão ser estes que melhor vão estar posicionados para defenderem o capitalismo que, sem o exercício puro me duro da força, poderá ser contestado e poderão começar a ser construídas alternativas mais amigas da natureza e do ser humano que se encontra nela incluído: nós somos natureza.

    Uma ultima observação que me parece pertinente: independentemente de a Rússia ser, parece que é, uma autocracia, no Ocidente, muito em particular nos Estados Unidos, o regime é uma plutocracia, ou por corruptela, uma putocracia. De modo que, entre os dois, venha o diabo e escolha. Mas mesmo assim, neste caso particular, o ónus do que se está a passar é do Ocidente, foi este que provocou o conflito, que nada fez para o impedir, que não quer pôr-lhe termo e que está hipocritamente a utilizar o povo ucraniano como carne para canhão. Aliás, se repararmos, os Estados Unidos são especialistas em travarem as suas guerras bem longe das suas fronteiras, se calhar, se já tivessem provado o remédio na sua própria casa talvez não se mostrassem tão lampeiros.

    Percebido o contexto, e sem contexto nao há História, eu tambem sou levada a supor que afinal o homem nao é tao mau como o pintam e que, se eu fosse russa, lhe daria o meu apoio, nao digo incondicimal, mas pelo menos contextual.

    • Obrigada ! tem toda a razão, tudo mas mesmo tudo se conta em notas…óbvio que são os recursos naturais da Russia que estão na fonte da ganância americana. De quem quer que seja que governa a America porque não é certamente o presidente senil em que Biden se transformou. Nem isso parece chocar as populações…a simples verificação de que aquele senhor não está apto sequer a entrar sozinho num palco o que nos leva à pergunta óbvia, então, quem governa os EUA ?
      Vir a este blog torna-se essencial se não queremos perder completamente a lucidez. As pessoas estão cegas e pior, querem continuar cegas … é talvez o que mais me desespera!
      Mais uma vez obrigada Adilia 🙂

  8. Quando a as vezes concordar com a extrema direita não se preocupem. Também dei comigo a concordar com a célebre tirada do Bolsonaro “se virar jacaré e problema seu” quando me vi quente com a vacina da covid e perdi pelo menos três pessoas que prezava graças aquela porcaria. Leia se vacina Pfizer.

  9. A xenófobia e o racismo efectivamente existem e não podem ser negados.
    Mas é efectivamente verdade que as grandes vagas migratórias se devem em boa parte a m*erda que andamos a fazer.
    Noutros tempos, se um Imperio se expandia e destruía outros povos os sobreviventes não tinham meios de demandar a capital do Imperio.
    Um indiano que visse a sua aldeia pilhada por portugueses ou ingleses não tinha maneira de se pôr em Lisboa ou Londres.
    Os primitivos habitantes da America e Australia foram praticamente exterminados sem que nenhum deles pudesse alcançar a Europa.
    Dávamos pontapés nos vespeiros mas as vespas ficavam por lá.
    Os poucos que vinham eram trazidos nas nossas naus como escravos, sem direitos, afastados das populações que os viam como aberrações, escondidos de todos excepto daqueles que serviam.
    Mas a globalização dos meios de transporte mudou as coisas. Eles vêem. Vêem com as suas roupas, os seus costumes, os seus modos de vida. Vêem fazer os trabalhos que não queremos mas não vêem como escravos que possamos tratar como nos apetecer.
    E acham que não teem nada de mudar os seus modos de vida. E porque os mudariam?
    Em que é que beber que nem um cossaco e superior a determinação muçulmana de não beber álcool?
    O que é que temos a ver com a mulher muçulmana que veste mais roupa?
    O turbante do indiano vai fazer nos ficar carecas?
    E porque raio é que o muçulmano tem de comer chouriço?
    Claro que as pessoas que não aprenderam a viver e deixar viver sentem se ameaçadas e a extrema direita aproveita.
    Como aproveitaria se soubesse que havia muito anti americanismo.
    Se nos sentissemos inseguros com as guerras americanas, em vez de as apoiarmos entusiasticamente, descansem que era por aí que a extrema direita iria. Porque é isso que a extrema direita faz. Auscultar os ódios de estimação que o povo já tem e tratar de deitar mais lenha na fogueira.
    Quando da invasão do Iraque em 2003 eu até se me revolviam as tripas ao ver os bandalhos de um serviço onde então amargava os dias a seguir a coisa como se se tratasse de um relato de futebol.
    Quando se começou a falar das sevicias cometidas pelos americanos sobre a população iraquiana lembro me de um bandalho dizer que morria mais gente em Portugal do que no Iraque, o problema é que se falava muito disso. Só tive vontade de lhe enfiar com uma cadeira nos cornos.
    Mas a verdade é que poucos eram os que viam aquilo como a atrocidade que era.
    A verdade é que os basbaques idolatram os Estados Unidos e até na sua justiça injusta acham que assim é que deve ser. “Assim é que é, quem mata morre. Os ladrões nunca mais saem da prisão e são postos a trabalhar. Aqui parece que estão num hotel”.
    E é por isso que os nossos Governos se sentem a vontade para apoiar todas as tropelias surgidas do outro lado do mar.
    Enquanto a maior parte da população vir mesmo naquela nação cruel o farol da humanidade nada vai mudar.
    As guerras made in USA trarão casa vez mais migrantes, os que defendem a vassalagem aos Estados Unidos sentir se ao cada vez mais inseguros e a extrema, direita vai crescer.
    As elites que agora nos governam estão se nas tintas para isso porque não serão eles que verão os seus direitos atacados se a extrema direita alguma vez alcancar o poder.
    Já quem foi em contos do vigário de certeza não vai ter essa sorte.

  10. Caro Estatua, queria escrever-lhe directamente mas como não encontrei link para o fazer, escrevo aqui na esperança que me responda. O próprio ou algum dos comentadores “residentes” que muito aprecio (a maioria das vezes).
    Hoje, quando passava os olhos no twitter, dei com uma entrevista que me agradou pela precisão com que reflectiu exactamente aquilo que penso em relação à guerra da Ucrania . A senhora em questão, francesa, foi bastante objectiva na maneira de tratar o assunto entre outras coisas quando afirmou claramente que “Kiev não representa os famosos valores ocidentais, longe disso…basta observar com atenção quem realmente controla o país”. Imediatamente pus um like porque como já disse, me identifiquei com cada palavra que disse no curto trecho apresentado. Depois, por curiosidade, fui ver quem era a senhora…e fiquei a saber que é conselheira de Zemur, o tipo de extremissima direita que disputa mesmo o lugar com Marine Le Pen. Já não é a primeira vez que sinto esta total incompreensão ao dar comigo a concordar com este tipo de pessoas, como os adeptos de Trump nos EUA (personagem que desde sempre abomino) eu que sou mais dada às esquerdas e para quem já nem o PS o é. Sinto-me completamente distópica e já mais do que uma vez fui acusada de estar a dar voz a pessoas de extrema direita o que não deixa de ser verdade no caso preciso da guerra da Ucrania. Depois vejo as noticias do G7, o comportamento da Ursula, do Macron, daqueles que se dizem representantes da liberdade e da democracia e só posso sentir raiva e incompreensão pela forma como nos estão a arrastar para uma guerra para defender valores que são tudo menos democráticos; para defender os interesses de uma América que se noutros tempos acreditei ser um farol da liberdade, hoje vejo como o principio de todos os males no que toca à política externa…e fico super baralhada…afinal, onde se posicionar ? como chegámos aqui ?
    Como é que neste assunto preciso os dois extremos do espectro politico se tocam ? como fazer para não se deixar confundir ? é normal concordar com algumas ideias mesmo se se discordar profundamente de todo o resto ?
    No que toca a Putin a distopia é a mesma… para uns é comunista (e por isso odiável), para outros é nazi (e por isso odiado). Lembro-me que antes de 2022 eu própria não tinha grande opinião sobre ele e hoje explico mais do que uma vez a alguns amigos que antes da guerra não gostava dele e provavelmente depois da guerra (se sobrar alguma coisa) voltarei a não gostar (porque não sou conservadora nem dada a grandes discursos sobre familia e religião) mas na hora actual, a minha admiração pelo homem tem crescido na direcção proporcionalmente inversa ao desprezo que sinto América…qual a explicação para esta esquizofrenia ideológica ? como fazer para ser minimamente coerente no meio disto ? afinal quem é quem ?
    Agradeço comentários 🙂

    • Maria, se leres com atenção o que escreve o Carlos Matos Gomes no texto acima ficas com as dúvidas praticamente esclarecidas. A extrema-direita aproveita, oportunisticamente, o justo descontentamento das pessoas com a política de subserviência aos interesses do império praticada pela direita alegadamente “democrática”, ou por uma “esquerda” cuja ambição não vai além da vontade de provar que consegue gerir o capitalismo melhor, e mais “humanamente”, do que a direita, mas, se um dia chegar ao poder, fará o mesmo ou pior. Olha a Meloni em Itália, antes de chegar ao poleiro diabolizada como “putinista”, e que agora é só beijinhos e abraços com o pirilau pianista de Kiev. Ou o demagogo ordinário Ventrulhas, que está farto de manifestar o seu apoio ao referido pianista. Sem esquecer o cabeça de lista do Chega ao Parlamento Europeu, Tânger Correia, que se vangloriou de ter uns “amigos americanos” que, numa eventual vitória do Chega, viriam para cá investir como loucos e transformar este pardieiro à beira-mar plantado numa terra abençoada de leite e de mel. Dito isto, julgo que, se um destes oportunistas proclamar aos quatro ventos que era branco o cavalo branco de Napoleão, não terás outro remédio senão concordar. Disso não terás de pedir desculpa a ninguém e também não me parece que haja motivos para dúvidas existenciais.

      Quanto ao Putin, tem certamente muitos defeitos, mas não são eles que chateiam o império do lado de lá do Atlântico nem a criadagem do lado de cá. O que os incomoda é aquilo a que em qualquer parte do mundo poderemos, e deveremos, chamar qualidades. Desde que chegou ao poder, o homem fez tudo, e com alguma eficácia, para inverter a marcha imparável para o declínio e a desintegração que a Rússia estava a trilhar. Para isso, pôs os oligarcas mais gulosos e vendilhões no seu lugar, de que exemplo paradigmático é o megacleptocrata Khodorkovsky, reciclado em “dissidente” pelo Ocidente. Depois de se apropriar, por dez réis de mel coado, de sectores cruciais da economia russa, preparava-se para os entregar de mão beijada ao império, que iria mantê-lo como megacapataz do novo “empreendimento”, ou melhor, da nova colónia. O homem não escondia a sua ambição de ser presidente, mas obviamente que não passaria de um fantoche.

      Aos outros, Putin “explicou” os limites da sua actuação: não seriam impedidos de continuar a explorar e gamar, que é o que faz qualquer capitalista em sociedade capitalista, porque precisava deles para desenvolver e cimentar uma economia integrada no sistema capitalista ocidental, que acreditava então ser o caminho natural para a Rússia. Mas a acumulação de capital era-lhes consentida com uma contrapartida: tinham obrigatoriamente de contribuir para travar a espiral de declínio em que a completa anarquia que se seguiu à perestroika, agravada por bêbados como Boris Ieltsin, estava a conduzir a Rússia. Ou seja, tinham de contribuir para o desenvolvimento do país a todos os níveis e para a melhoria das condições de vida do seu povo, ou melhor, dos seus povos, porque a Rússia é um enorme caldeirão de povos, costumes e religiões.

      O que Putin também não descurou foi a reorganização da defesa da Rússia, com modernização e acumulação de armamento, como sistemas de mísseis dos mais variados tipos, nomeadamente os famosos hipersónicos em que os EUA se deixaram ficar para trás. Uma coisa que os russos burramente descuraram foi a questão dos drones, mas, ao que parece, a dura lição que aprenderam na Ucrânia, no início da guerra, já os fez perceber que é um sector crucial no futuro, tendo rapidamente apostado no seu desenvolvimento e modernização e começando já a dar cartas no ramo. Em defesa aérea, têm do melhor que há a nível mundial.

      No que diz respeito aos grandes meios bélicos “tradicionais”, os EUA têm neste momento, tanto quanto sei, dez porta-aviões no activo, mais outros nove, de última geração, programados ou já em construção. Destes, se não estou em erro, pelo menos dois já estarão prontos. Dispõem ainda de nove porta-helicópteros. Já imaginaste os enormes recursos financeiros para tal necessários? Só é possível porque os EUA imprimem dinheiro sem qualquer cobertura na economia real, acumulando uma dívida astronómica que sabem que nunca pagarão. Quanto à Rússia, tem um único porta-aviões, um chasso velho e decrépito que passa a maior parte do tempo no estaleiro, a deitar fumo por todos os lados. Ora os russos sabem que a paridade com os EUA nesse aspecto lhes está, por motivos económico-financeiros óbvios, completamente vedada. Qual a solução? Disse aqui há uns anos o ministro da Defesa russo, Sergey Shoigu, mais ou menos o seguinte: “Nós não precisamos de porta-aviões. Precisamos é de meios para os afundar.” É evidente que nada disto dá à Rússia a capacidade, nem a vontade, de vir por aí abaixo, levando tudo à frente, até ao cabo da Roca, mas garante-lhe, pelo menos, a hipótese de, se um dia for encostada à parede, poder vender cara a pele.

      Putin pensou inicialmente, o que até fazia sentido, que o caminho lógico e natural para a economia russa era a estreita integração com a economia europeia, primeiro passo para uma integração, com vantagens para todos, na economia mundial. Uma Europa que incluísse a Rússia, garantia de abastecimento regular e estável de energia barata e de fontes praticamente inesgotáveis de matérias-primas, desde ouro e diamantes até metais raros, poderia mesmo permitir, a prazo, uma reindustrialização, pelo menos parcial, da mesma Europa. A colaboração científica e tecnológica entre Europa e Rússia tinha também um enorme potencial, nomeadamente na exploração espacial, a que poderíamos acrescentar sinergias no sector agrícola. A Rússia é o maior exportador mundial de trigo, com uma média de duas a três vezes o volume de exportação da Ucrânia, o que não impede a propaganda vigarista de, com total impunidade e ausência de contraditório, berrar aos quatro ventos que a coutada de Herr Zelensky é o “celeiro do mundo” e que, sem as suas exportações de trigo, o planeta passará fome. A preocupação dos vígaros com a fome no planeta é tanta que, subrepticiamente, usando todos os truques sujos do cardápio, fazem tudo e mais um par de botas para sabotar as exportações de trigo russo.

      Uma Europa assim seria um colosso económico, em concorrência directa com China e Estados Unidos. E esse era há muito, mas principalmente desde o fim da II Guerra Mundial, o pesadelo da América, o pai de todos os pesadelos dos Estados Unidos da América. Toda a política externa dos EUA em relação à Europa e à Rússia visava, há muito, evitar a concretização desse pesadelo. Infelizmente, com a prestimosa colaboração da criadagem, desde a Ursula von der Lies ao empertigadinho Manu Morcon, sem esquecer o Durão Barroso e outros criaditos menores, parece terem-no conseguido. Porque a guerra principal a que assistimos presentemente na Europa não é entre Rússia e Ucrânia. Há, por um lado, a guerra que a NATO (ou seja os EUA) faz à Rússia, tentando desmembrá-la e abocanhar os bocados, mas na base de tudo esteve a guerra que os Estados Unidos moveram contra a Europa, para a eliminar como potencial concorrente (vide Nordstream). E essa guerra venceram-na, com uma perna às costas e a prestimosa colaboração dos infindáveis bandos, manadas e cardumes de Miguéis de Vasconcelos que nos couberam em sorte.

      Mas não te preocupes: se um dia destes ouvires um serial killer dizer que era branco o cavalo branco de Napoleão, não é o facto de concordares com ele que te transforma a ti própria em assassina.

      • Obrigada Joaquim. Disseste e muito bem que se tivesse lido o texto acima, teria ficado com a maior parte das duvidas esclarecidas. Mas já era tarde aqui onde estou e tinha a alma demasiado perturbada para ler o que quer que fosse. Por isso só escrevi e qual não foi o meu espanto esta manhã quando li o texto e encontrei as minhas respostas (nem de propósito ) ! a tua resposta complementa o resto ! é tudo tão claro que penso muitas vezes que o que mais me deprime não é a ganância dos que mandam mas sim a cegueira dos que os ouvem…

    • Cara amiga. Nem de propósito, como aqui o Camacho já lhe disse, o artigo do Matos Gomes dá resposta às suas dúvidas. Mas prometo-lhe que, em breve, publicarei aqui um texto meu mais diretamente dirigido a debater as suas questões.

      • Obrigada ! é verdade que nem de propósito porque como disse em cima, escrevi sem ter lido o texto; qual não foi o meu espanto (e como me senti idiota) quando o li na manhã seguinte 🙂

    • Se é a Marion Maréchal ,ela é sobrinha da Marie Le Pen.
      Os financiadores Zemmour são os mesmos que Macron.
      Faço a mim próprio a seguinte pergunta : será Zemmour o Joker de Rothschild, sabendo que Macron já foi liquidado?

      Porém parece que Zemour e Marion já se zangaram!

  11. Finalmente um ponto de ordem à marcha dos acontecimentos na União Europeia. Esta faz o mal e a caramunha. Imbróglio que só será resolvido quando os eleitos na União Europeia deixarem de servir interesses bélicos da Administração dos Estados Unidos da América contra os interesses dos povos dos seus países.

  12. A Europa do regresso da LIBERDADE ao planeta
    … versus…
    a Europa dos 500 anos de parasitismo&pilhagem (p&p)
    .
    .
    .
    Os europeus dos 500 anos de parasitismo&pilhagem estão perfeitamente identificados no planeta:
    1- «a nossa economia precisa de outros como fornecedores de abundância de mão-de-obra servil».
    2- «a nossa economia precisa da exploração das matérias-primas de outros».
    Consequência: coligação/vassalagem aos «construtores de caravelas».
    .
    —>>> Os boys/girls do parasitismo&pilhagem (p&p), em coligação /vassalagem aos «construtores de caravelas», apresentam um currículo de 500 anos:
    – roubos/pilhagens na América do Sul, na América do Norte, na América do Norte, na América Central, África, Austrália.
    – mais: implementação de caos… para depois roubar/pilhar matérias-primas no Iraque, Síria, Líbia,…
    .
    .
    Os Identitários reivindicam:
    —> O REGRESSO DA LIBERDADE AO PLANETA!
    – isto é: povos autóctones dotados da LIBERDADE de trabalhar para a sua sustentabilidade,  explorar as suas riquezas naturais, prosperar ao seu ritmo.
    – isto é: os parasitas que não gostam de trabalhar para a sustentabilidade, os tiques-dos-impérios lovers, os globalization-lovers, os UE-lovers, etc, que fiquem na sua/deles… respeitem os Direitos dos outros… e vice-versa.
    – isto é: SEPARATISMO IDENTITÁRIO!
    .
    SIM: a História não começou à 500 anos!

  13. Não me parece que a questão esteja colocada com a exigível precisão. Os europeus não “querem apoiar as guerras…”; os capitalistas europeus e os líderes políticos que lhes prestam direta ou indiretamente serviço querem apoiar as guerras. Estas permitem que continuem a acumular capital; veja-se a evidencia disponível: bancos, petrolíferas, indústrias de armamento e muitas outras, apesar das guerras em que nos encontramos, tiveram lucros desmedidos enquanto o povo dos respetivos países amarga e aperta o cinto. Lembremos que o capitalismo tem de crescer – faz parte do seu ADN – e para tal precisa de guerras como do pão para a boca: é a tal destruição criativa! O tal partir as pernas para depois vender as muletas.
    Claro que o povo dos países europeus não tem voto na matéria mas é devidamente engrupido pela comunicação social, que está nas mãos de quem? Adivinhe-se lá!
    Já quanto aos imigrantes, é obvio que, vitimas das tropelias que os países ‘mais desenvolvidos’ fazem , em termos de pilhagem dos seus recursos, de barreiras ao desenvolvimento dos seus países e dos efeitos climáticos mais do que desastrosos sofridos – que precisa ser aquilo em que nos devíamos focar para termos futuro como humanidade – constituem o melhor bode expiatório que os donos disto tudo poderiam encontrar para canalizarem o mal estar sentido pelas populações dos países de que são donos.
    Convenceram-nos que basta votar de x em x anos para se viver em democracia, essa manobra continua a funcionar para boa parte das pessoas que se sentem respeitadas porque são consultadas; mas são consultadas para quê? Para começo de conversa, já tem a cabeça feita e para termo de conversa a escolha é entre a e b sendo a e b farinha do mesmo saco. De modo que estamos num beco sem saída e o mais grave é que nem a saída iremos procurar enquanto não percebermos isto.

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