A morte de Israel

(Chris Hedges, in Resistir, 05/01/2024)

Israel parecerá triunfar depois de encerrar a sua campanha genocida em Gaza e na Cisjordânia. Apoiado pelos Estados Unidos, alcançará o seu objetivo insano. A ofensiva assassina e violência genocida exterminarão os palestinos ou os limparão etnicamente. O sonho de um Estado exclusivamente judeu, no qual os palestinos sobreviventes seriam despojados de seus direitos básicos, será realizado. Israel poderá deleitar-se com a sua sangrenta vitória. Celebrará seus criminosos de guerra. O seu genocídio será apagado da consciência pública e atirado no enorme buraco negro da amnésia histórica de Israel. Os israelenses com consciência serão silenciados e perseguidos.

Mas quando Israel conseguir dizimar Gaza – Israel fala em meses de guerra – terá assinado a sua própria sentença de morte. A fachada de civilidade, suposto respeito ao Estado de Direito e à democracia, a história mítica de um corajoso exército israelense e a génese milagrosa da nação judaica, serão reduzidos a cinzas.

O capital social de Israel será consumido. Será revelado como um regime de apartheid repressivo e carregado de ódio, alienando as gerações mais jovens de judeus americanos. O seu protetor, os Estados Unidos, à medida que novas gerações chegarem ao poder, irá distanciar-se de Israel, como atualmente se distanciam da Ucrânia. O apoio popular, já corroído nos Estados Unidos, virá de fascistas cristianizados que veem o domínio de Israel sobre antigas terras bíblicas como um prenúncio da Segunda Vinda e veem a escravização dos árabes como uma forma de racismo e supremacia branca.

O sangue e o sofrimento dos palestinos – dez vezes mais crianças foram mortas em Gaza do que em dois anos de guerra na Ucrânia – abrirão caminho para que Israel seja esquecido. As dezenas, senão centenas de milhares, de fantasmas se vingarão. Israel se tornará sinónimo de suas vítimas como os turcos com os arménios, os alemães com os namibianos e mais tarde com os judeus, os sérvios com os bósnios. A vida cultural, artística, jornalística e intelectual de Israel será aniquilada. Israel será uma nação estagnada onde fanáticos religiosos, sectários e extremistas judeus dominarão o discurso público. Encontrará aliados entre outros regimes despóticos. A repugnante supremacia racial e religiosa de Israel será a sua principal característica, explicando por que os supremacistas brancos mais retrógrados dos Estados Unidos e da Europa, incluindo filosemitas como John HageePaul Gosar e Marjorie Taylor Greene, apoiam fervorosamente Israel. A chamada luta contra o antissemitismo é uma celebração mal disfarçada do poder branco.

Os despotismos podem sobreviver por muito tempo ao seu declínio. Mas são doentes terminais. Não é preciso ser um estudioso bíblico para ver que a sede de sangue de Israel é contrária aos valores fundamentais do judaísmo. A instrumentalização cínica do Holocausto, inclusive fazendo os palestinos parecerem nazistas, é de pouca utilidade quando se trata de perpetrar genocídio contra 2,3 milhões de pessoas presas num campo de concentração.

As nações precisam de mais do que força para sobreviver. Precisam de uma dimensão mística. Esta última dá um propósito, um senso de responsabilidade cívica e até mesmo uma nobreza que inspira os cidadãos a se sacrificarem pela nação. A dimensão mística é um farol de esperança para o futuro. Dá sentido e é fonte de identidade nacional.

Quando as místicas implodem, quando suas mentiras são reveladas, o próprio fundamento do poder estatal entra em colapso. Relatei a morte de místicas comunistas em 1989 durante as revoluções [NR] na Alemanha Oriental, Checoslováquia e Roménia. A polícia e o exército decidiram que não havia mais nada a defender. A decadência de Israel gerará a mesma sensação de cansaço e apatia. Não será capaz de recrutar cúmplices locais, como Mahmoud Abbas e a Autoridade Palestina – desprezada pela maioria dos palestinos – para fazer o trabalho dos colonizadores. O historiador Ronald Robinson menciona o fracasso do Império Britânico em recrutar aliados indígenas para reverter a não-cooperação, um momento decisivo para o início da descolonização. Uma vez que a não cooperação das elites nativas se transformou em oposição ativa, explicou Robinson, o “recuo acelerado” do Império estava assegurado.

Resta a Israel uma escalada de violência, incluindo a tortura, para acelerar o seu declínio. Essa violência generalizada funciona no curto prazo, como foi o caso da guerra da França na Argélia, a “guerra suja” da ditadura militar argentina e o conflito britânico na Irlanda do Norte. Mas, a longo prazo, ela é suicida.

“Pode-se dizer que a batalha de Argel foi vencida com o uso da tortura”, observou o historiador britânico Alistair Horne, “mas a guerra, a guerra da Argélia, foi perdida”.

O genocídio em Gaza tornou os combatentes do Hamas heróis no mundo muçulmano e no Sul Global. Israel pode eliminar a liderança do Hamas. Mas assassinatos passados e atuais de um grande número de líderes palestinos pouco fizeram para diminuir a resistência. O bloqueio e o genocídio de Gaza geraram uma nova geração de jovens profundamente traumatizados e enfurecidos, cujas famílias foram mortas e comunidades destruídas. Eles estão prontos para tomar o lugar dos líderes caídos. Israel empurrou as ações de seus adversários para a estratosfera.

Israel já estava em guerra consigo mesmo antes de 7 de outubro. Os israelenses manifestavam-se para impedir que o primeiro-ministro Netanyahu abolisse a independência do Sistema Judiciário. Os fanáticos religiosos e extremistas, atualmente no poder, haviam lançado um ataque determinado ao laicismo israelense. A unidade de Israel tem sido precária desde o ataque. É negativa. Baseia-se apenas no ódio. E nem mesmo esse ódio é suficiente para impedir que os manifestantes denunciem o abandono pelo governo dos reféns israelenses em Gaza.

O ódio é uma mercadoria política perigosa. Uma vez terminado um inimigo, aqueles que atiçam o ódio partem em busca do próximo. Os “animais” palestinos, uma vez erradicados ou subjugados, serão substituídos por apóstatas e traidores judeus. O grupo demonizado nunca pode ser redimido ou curado. Uma política de ódio cria instabilidade permanente que é explorada por aqueles que procuram destruir a sociedade civil.

Em 7 de outubro, Israel embarcou nesse caminho ao promulgar uma série de leis que discriminam os não-judeus semelhantes às Leis racistas de Nuremberg que privavam os judeus de direitos na Alemanha nazi. A Lei de Reconhecimento das Comunidades permite que povoações exclusivamente judaicas excluam outros requerentes de residência com base na “adequação com os princípios fundamentais da comunidade”.

Muitos jovens israelenses mais qualificados deixaram o país para países como Canadá, Austrália e Reino Unido, um milhão deles partiu para os Estados Unidos. A Alemanha viu um influxo de cerca de 20 mil israelenses nas duas primeiras décadas deste século. Cerca de 470 mil israelenses deixaram o país desde o 7 de outubro. Em Israel, defensores dos direitos humanos, intelectuais e jornalistas – tanto israelenses como palestinos – são taxados de traidores em campanhas de difamação patrocinadas pelo governo, colocados sob vigilância do Estado e submetidos a prisões arbitrárias. O sistema educacional de Israel é uma máquina de doutrinação para o exército.

O professor universitário israelense Yeshayahu Leibowitz alertou que, se Israel não separar Igreja e Estado e acabar com a ocupação dos palestinos, dará origem a um rabinato corrupto que transformará o judaísmo em num culto fascista. “Israel não merecerá mais existir e não fará sentido preservá-lo”, disse.

A mística global dos Estados Unidos, após duas décadas de guerras desastrosas no Médio Oriente e a invasão do Capitólio em 6 de janeiro, está tão contaminada quanto a de Israel. O governo Biden, no seu fervor em apoiar incondicionalmente Israel e apaziguar o poderoso lobby israelense, contornou o processo de verificação do Congresso com o Departamento de Estado para aprovar a transferência de 14 mil obuses para Israel. O secretário de Estado, Antony Blinken, argumentou que “circunstâncias de emergência exigem a transferência imediata dessas munições”. Ao mesmo tempo, cinicamente pediu a Israel que minimizasse as baixas civis.

Israel não tem intenção de minimizar as baixas civis. Já matou 18 800 palestinos, ou 0,82% [NT] da população de Gaza – o equivalente a cerca de 2,7 milhões de americanos. Outros 51 mil ficaram feridos. Metade da população de Gaza está passando fome, de acordo com as Nações Unidas. Todas as instituições e serviços palestinos essenciais à vida – hospitais (apenas 11 dos 36 hospitais de Gaza ainda estão “parcialmente” operacionais), estações de tratamento de esgoto, redes elétricas, sistemas de esgoto, habitação, escolas, edifícios governamentais, centros culturais, sistemas de telecomunicações, mesquitas, igrejas, pontos de distribuição de alimentos da ONU – foram destruídos. Israel assassinou pelo menos 80 jornalistas palestinos, bem como dezenas de seus familiares e mais de 130 trabalhadores humanitários da ONU com familiares. As vítimas civis são o principal. Esta não é uma guerra contra o Hamas. Esta é uma guerra contra os palestinos. O objetivo é matar ou expulsar 2,3 milhões de palestinos de Gaza.

morte de três reféns israelenses que aparentemente escaparam de seus captores e foram mortos a tiro depois de se aproximarem das forças israelenses de peito nu, agitando uma bandeira branca e pedindo ajuda em hebraico não é apenas trágica, fornece informações sobre as regras da intervenção de Israel em Gaza. Essas regras são: matar tudo o que se move.

Como escreveu o major-general aposentado israelense Giora Eiland, que chefiou o Conselho de Segurança Nacional de Israel, no Yedioth Ahronoth

“O Estado de Israel não tem escolha a não ser transformar Gaza num território temporária ou permanentemente impróprio para viver (…) Criar uma grave crise humanitária em Gaza é um meio necessário para alcançar esse objetivo”.
“Gaza irá tornar-se num lugar onde nenhum ser humano pode existir”.
“Não haverá eletricidade nem água, apenas destruição. Queriam o inferno, vão consegui-lo”, acrescentou.

A presidência Biden, que, ironicamente, pode ter assinado seu próprio atestado de óbito político, está enraizada no genocídio israelense. Tentará distanciar-se retoricamente, mas, ao mesmo tempo, fornece milhões de dólares em armas solicitados por Israel – incluindo 14,3 mil milhões de dólares em ajuda militar adicional para complementar os 3,8 mil milhões em ajuda anual – para “terminar o trabalho”. É um parceiro de pleno direito no projeto de genocídio israelense.

Israel é um Estado pária. Isso foi exibido publicamente em 12 de dezembro, quando 153 Estados-membros da Assembleia Geral da ONU votaram a favor de um cessar-fogo, com apenas 10 Estados – incluindo Estados Unidos e Israel – opondo-se e 23 abstenções. A política de “terra arrasada” de Israel em Gaza significa que a paz não será alcançada. Não haverá solução de dois Estados. O apartheid e o genocídio caracterizarão Israel. Isso prenuncia um longo conflito, que o Estado judeu não será capaz de vencer a longo prazo.


Gosta da Estátua de Sal? Click aqui.

Em modo de plástico

(Hugo Dionísio, in Canal Factual, 04/01/2024)

Olhar para o que dizem hoje os órgãos do costume sobre a compra de ações dos CTT, pelo governo PS, traz-me à memória aquelas campanhas, vindas da terra dos sonhos neoliberais, em que se discute a orientação sexual dos candidatos, a sua fidelidade conjugal, as preferências gastronómicas ou religiosas… Discute-se tudo, tudo, menos o que importa: política.

Portugal, sempre ávido na importação de tudo o que está errado, não perdeu tempo e importou, de uma só assentada, a “pós-verdade” (nova designação para “mentira”), as “fake-news” (designação anglo-saxónica para “mentiras”) e o trumpismo (designação neoliberal para fascismo, reacionarismo, intolerância, xenofobia, aldrabice e caracter trauliteiro).

Se, em Portugal, órgãos como o Correio da Manhã, ou o Diabo, já representavam essa suposta “inovação”, logo, de repente, nos vimos apanhados num mar de imitações sem fim. À falta de qualidade jornalística dos dois, os restantes órgãos do costume, responderam com a replicação e a cópia barata. Nada que os salve, como o provam a enorme crise por que passa o Diário de Notícias, a TSF ou o Jornal de Notícias (há uns anos o que tinha maior tiragem no país). É como o recurso estilístico do porco: não é possível lutar com porcos sem nos sujarmos.

Guerra da NATO com a Rússia em solo ucraniano; pandemia de COVID19; agressão a Gaza; inauguraram a era da concretização plena da operação “Mocking Bird” da CIA. Não há, hoje, órgão ocidental que não seja um mero replicador de informação e comunicação, cujos manuais de estilo (designação para cartilha), não sejam produzidos bem longe de quem os reproduz.

Sempre ávidos por qualquer facto que possa ser atirado contra a esquerda e em particular – não vale a pena negá-lo – contra o PCP, também no espaço da política partidária não se perdeu tempo com importações vindas da terra da democracia, onde só os ricos são eleitos e onde a posição política de cada representante se mede pelos “donativos” (designação neoliberal para “suborno”) saídos das grandes corporações. Como se estas passassem cheques em branco e andassem no negócio de dar dinheiro ao desbarato. São exemplos desta importação o Chunga, versão reacionária de cabeça rapada, bota cardada e taco de baseball, mas também o partido cuja ideologia remonta à queda da era feudal e à inauguração do período mercantil e ascensão da burguesia ao poder: aquela redundância chamada de qualquer coisa “liberal”.

Não se confunda, no entanto, esta versão “liberal” reacionária, neofascista, ultrapassada e a versão xerox dos fisiocratas franceses do século XVIII, com aquela burguesia revolucionária que, na revolução francesa, se foi capaz de aliar ao povo e eleger a liberdade, igualdade e fraternidade como um mote que também alguma coisa lhe dizia.

Até podemos recuar mais ainda, por exemplo, à nossa revolução de 1383-85, em que a burguesia emergente, também revolucionária, se aliou ao povo, contra a nobreza vendida a Castela (esta coisa das aristocracias se venderem constantemente), conseguindo importantes concessões políticas que permitiram, progressivamente, a libertação de números cada vez maiores de servos, o enfraquecimento da ordem feudal e o nascimento da ordem liberal, assente em relações de trabalho, assim mesmo, e com as suas limitações conhecidas, mais livres do que as relações de servidão.

Não! Aquela “redundância liberal” não representa esta burguesia. Muito pelo contrário. Numa era em que a burguesia se aristocratizou, em que a ideologia liberal (designação anglo-saxónica para “dinheiro em circulação livre para que possa ser atraído por quem mais dinheiro tem e sem o estado a chatear com coisas como a redistribuição da riqueza produzida e justiça social”), o ressuscitado e redundante dinossauro “liberal” da nossa praça representa a burguesia conservadora, aristocrática, que não pretende mudança alguma que não seja a de acelerar ainda mais o enfeudamento que já existe. Ou seja, esta “redundância liberal” nada tem a ver com o partido liberal das revoluções liberais do século XIX, em Portugal. Nada! A do século XIX lutava CONTRA a aristocracia, a do século XXI luta PELA aristocracia.

Concluindo, assenta numa ideologia dinossaurica, dos primórdios do pensamento económico e da economia política; tem uma postura conservadora face ao sistema em que vivemos, pois visa preservá-lo e não destruí-lo ou transformá-lo, como pretendiam os “liberais” dos séculos XIV em diante (ainda não se chamavam liberais à data, como é óbvio); é eminentemente redundante, pois a União Europeia, tal como é e está, não permite outro modo que não seja o modo “liberal”.

A provar esse papel reacionário, está a recente e inexistente “polémica” dos CTT. Em modo de campanha eleitoral pela construção de uma maioria apoiada por esta direita reacionária, trauliteira e totalmente vazia de propostas e conteúdo, qual embalagem de plástico, esteticamente atraente, mas absolutamente vazia de qualquer valor, os “órgãos do costume” esmeram-se na propagação de falácias, mentiras e mal-entendidos.

Se no Correio da Manhã, se diz ue “o PS negociou com o PCP” as ações dos CTT, aqui na Rádio Renascença (outra reminiscência ideológica da era feudal), dá-se a ideia de quem ia comprar as acções eram o próprio PCP e BE. Quando se diz “proposta foi apresentada ao BE e PCP”, que ideia se pretende passar? Já viram algum partido comprar ações por intermédio de um governo? Eu não, eles também não… Nunca iriam ver… Mas noticiam-no!

Mas o que é que a compra, legal, por todos nós (nós somos o Estado!), de 0,24%, de uma empresa cuja atividade principal resulta, inclusive, de uma concessão do Estado, representa de extraordinário? E se a decisão foi tomada pelas finanças, porque atirar com isto para cima de Pedro Nuno Santos?

É aqui que entra o papel reacionário, conservador e passadista do Chunga e da “redundância liberal”. Defensores acérrimos da ordem neoliberal e do modo de produção capitalista, na sua versão purista, o que está por detrás deste ataque é o facto de, desta feita, ter sido um governo, um Estado, o sector público, todos nós, o povo português e a democracia, a comprar ações aos privados e não o contrário.

Não se conhece um argumento sólido, válido, científico contra a manutenção, crescimento e fortalecimento de um sector público empresarial. Pelo contrário, em democracia, todos os argumentos válidos, apenas aconselham a que o que seja estratégico para o país e para as nossas vidas, seja de todos, reverta para todos e não para alguns apenas. Se os privados procuram obter escala, com os seus monopólios, para assim dominarem e obterem lucros mais elevados; o que o Estado faz, quando privatiza, é prescindir dessa vantagem em nome de interesses privados, traindo o interesse de todos em função do interesse de meia dúzia.

À falta de lógica e argumentação científica, democrática, humanista, ataca-se com o preconceito e a mentira. E tanto mais feroz é o ataque, quanto mais danosa para os interesses privados e do grande capital, sejam as ações em causa. Quanto mais importante e vantajosa for, para todos nós, a decisão pública em causa, mais violento, mentiroso e reprovável será o ataque.

O resultado destes ataques é conhecido…. Acaba com um Milei no poder e com os seus votantes a maldizerem-no, dois dias depois de lá ter chegado.

Ainda não percebei bem esta tendência para o abismo, mas é algo que me custa muito a compreender, como pode alguém, tomar decisões de apoio político contra todos os seus interesses pessoais, individuais, egoísticos e de sobrevivência. Sei como se produz tal preconceito e ignorância… 

Custa-me a aceitar que, no século XXI, depois de tudo o que passámos, historicamente falando, ainda ontem, já estejam tantas e tantos preparados para voltar à mesma trampa, mudando apenas o plástico que a envolve. Se é que o plástico muda, sequer.

Como demonstrei… Se calhar, nem o plástico muda. Fica sempre o mesmo… Bonitinho por fora…. Vazio por dentro!


Gosta da Estátua de Sal? Click aqui.

Manifesto por um mundo melhor

(Carlos Marques, in Estátua de Sal, 02/01/2024)


(Este texto resulta de uma resposta a um comentário a um artigo que publicámos de Andrew Korybko ver aqui. O referido comentário, de JgMenos, era o seguinte:

«desmilitarizar a Ucrânia, desnazifica-la e restaurar a neutralidade constitucional naquele país em troca do congelamento do conflito na Linha de Contato.»
Desmilitarizar – a linha de contacto determiná-la-á o império russo a todo o tempo
Desnazificá-la – agentes de Moscovo no poder em Kiev
Neutralidade constitucional – o rumo da Ucrânia decide-se em Moscovo.
E a cambada de lambe-cús putinescos chama a isso o legítimo interesse da Rússia, enquanto a oposição dos ucranianos a reduzem a servilismo ao ocidente!

A pérola é: «que ele não é uma pessoa pusilânime»
Manda matar uns e manda morrer outros sem que a majestade da sua natureza de policiote arvorado denote qualquer perturbação; eis o que deslumbra os lambe-cús putinescos!

Porque a resposta foi esmagadora resolvi dar-lhe o merecido destaque.

Estátua de Sal, 3/01/2024)


É preciso uma mente, mesmo muito retorcida e manipulada pela propaganda, para se chegar ao ponto de achar que a desnazificação é uma coisa má.

Lembro só isto: foi graças à desnazificação imposta pelos três aliados, e à desnazificação imposta pela União Soviética que, respetivamente, a Alemanha e a Finlândia se tornaram países decentes e pacíficos.

A NATO/EUA – e o NeoLiberalismo/Escola dos Chicago Boys -, vieram fazer o trabalho oposto. A AfD já é o segundo maior partido da Alemanha e, quer a Alemanha quer a Finlândia, passaram a militarizar-se e a apoiar os nazis ucranianos a mando dos EUA. E, ambos apoiam o genocídio na Palestina ocupada.

Desnazificação, meu animal de quatro patas e orelhas longas, é acabar com a glorificação de Stepan Bandera, da UPA/OUN, dos Azov, etc.

Desnazificação é reverter o golpe Nazi+CIA feito em 2014 e permitir aos civis da Novorossiya voltarem a eleger um Presidente e a votar nos partidos que querem.

Desnazificação são os julgamentos a decorrer em Donetsk, contra os criminosos de guerra UkraNazis.

 Desnazificação é lembrar que os nazis eram o lado mau e que os soviéticos eram os libertadores.

Desnazificação é tolerar todas as etnias na Ucrânia, em vez de ter um etno-estado hitleriano.

 Desnazificação é celebrar o 9 de Maio, dia da vitória, com a faixa laranja e preta de São Jorge, e caminhar pela colina acima no monumento de Saur Mogila.

Desnazificação é ilegalizar os movimentos nazi-fascistas do Svovoda, Praviy Sektor (Sector Direito), divisão Misantrópica, C14, batalhões Kraken, Dniepr, e regimento Azov.

Desnazificação é a liberdade religiosa para celebrar o natal da igreja Ortodoxa.

Desnazificação é ter em Kiev quem respeite a vida e os direitos humanos de quem vive no Donbass.

Se não percebes isto, não percebes nada. Por isso é que és um acérrimo defensor dos UkraNazis, dos naZionistas, e dos nazis do império genocida ocidental e de todas as agressões que se façam contra os pobres dentro de fronteiras, e todas as agressões que se façam contra os de pele de cor diferente fora de fronteiras, aos quais se juntam os russos, a quem os teus amigos UkraNazis chamam “pretos da neve”.

As “pessoas” como tu são a razão pela qual passei a perceber porque é que os gulags de Estaline, se calhar, não eram inteiramente uma coisa terrível. Se calhar, muitos dos seus ocupantes eram, de facto, “pessoas” cuja liberdade representava um perigo para o resto da Humanidade. Não estou com nada disto a defender tal regime, estou simplesmente a aprender uma lição com a História. É o que eu gosto de fazer, ao contrário dos teus amigos nazi-fascistas, que a gostam de reescrever, que gostam de fakenews e propaganda, que gostam de pureza étnica, que gostam de guerra permanente, de NeoLiberal-Fascismo, e de bombardear monumentos – Saur Mogila -, que celebram a vitória contra o nazismo.

O que tu querias mesmo era um Maidan em Portugal. Portugueses nas trincheiras em Donetsk e em Taiwan, Teerão e Havana, etc. Tu gostavas mesmo era de Portugal acabar de vez, e de usarmos só a bandeira azul com estrelas amarelas, ou quiçá acrescentar-lhe umas riscas horizontais vermelhas e brancas.

Tu és pior que um cidadão desinformado, ignorante ou enganado pela propaganda. És pior que um mero fascista patriota ou saudosista do Império, tu és um traidor. Um traidor de Portugal e dos Direitos Humanos. E um traidor que se diverte a fazer propaganda em nome dessa traição. E a atacar todos os que não são como tu. Não tens nada de útil para fazer ou de positivo para propor ou de construtivo para conversar neste blog? Eu tenho:

1) Quero Portugal neutral, fora da NATO onde a ditadura fascista nos colocou em 1949 e em que os Facho-Liberais nos continuam a manter. Quero uma alteração constitucional semelhante às da Suíça e da Irlanda, para Portugal não poder intervir em conflitos armados, nem sequer enviar armas. Quero que o objetivo dos 2% do PIB para a “Defesa”, impostos pela NATO, se f*dam! E quero que Portugal expulse os USAmerikanos da base das Lages e de outras.

2) Quero a desnazificação em Portugal, com a expulsão de todos os ucranianos que são militantes do Svovoda (como o Pavlo Sadokha) ou glorificadores dos Azov/Bandera/etc. E quero um julgamento, como o de Nuremberga, para todos os envolvidos no apoio ao UkraNazistão, e na divulgação da propaganda de branqueamento do UkraNazismo. Os “jornalistas” que disto fizeram parte, têm de perder a carteira da profissão, e as direções dos meios de comunicação que tal fizeram, devem ser erradicados do sector.

3) Quero a desfascização de Portugal, com o cumprimento integral da Constituição de 1976, ilegalizando movimentos fascistas ou racistas, como o Chega.
Quero que o dinheiro do investimento vá para tornar dignos, bairros como o da Jamaica, e não ser desperdiçado em jornadas mundiais dos pedófilos ou em competições da bola.Quero a defesa aguerrida do SNS, a maior herança do 25 de Abril, e não o seu contínuo desmantelamento e substituição pelos meios privados dos quais os fascistas são acionistas. Se a saúde não for para todos de forma gratuita e atempada, se for crescentemente só para quem pode pagar, então isso é fascismo, e tem de ser combatido.

4) Quero um país que defenda a sua soberania, sem a qual não tem qualquer democracia representativa, e se prepare para ir contra a UE sempre que necessário, quiçá até sair e voltar para a EFTA; Portugal precisa de uma liderança patriótica que coloque os interesses do país primeiro, em vez de um bando de traidores que pedem permissão a Bruxelas antes de descerem um mero IVA da eletricidade. Um país que defenda a sua Constituição, os seus Direitos Fundamentais, em vez de obedecer a quem exige censura contra canais de notícias da Rússia. Um país que perceba que a TAP é de Portugal, não pode ser da Lufthansa. (ou será que esses idiotas aceitariam que a TAP investisse para comprar a Lufthansa? Ou que Portugal gastasse dinheiro para comprar as REN e ANA e CTT de outros países?)

5) Quero um país com futuro, o que só pode existir com uma economia saudável PARA TODOS, o que só é possível com moeda própria, já que o €uro nos prejudica e é irreformável. Portugal deve ter uma moeda adequada à sua economia, em vez de austeridade permanente sobre os salários. Deve ter uma política de pleno emprego, em vez da subserviência ao objetivo dos 2% de inflação, sempre calculados de acordo com o que a Alemanha e a França precisam. Quero os monopólios naturais e sectores estratégicos nas mãos do Estado, tal como faz a Noruega. Quero o Sistema de Ghent (como a Bélgica e os Nórdicos) para promover o sindicalismo e assim garantir direitos e uma distribuição da riqueza mais equitativa. Quero uma autoridade da concorrência de quem as Meo/Nos/Vodafone e as Galp/BP/Repsol tenham medo, pânico! Quero o fecho do offshore da Madeira. E salários dignos e rendas acessíveis ao mais pobre dos trabalhadores. Quero, no fundo, a reversão das políticas NeoLiberal-Fascistas que fizeram a pobreza em Portugal subir estruturalmente nos últimos 25 anos, de 3.7 para 4.5 milhões de pobres antes de apoios sociais. Uma política económica que reverta o problema da emigração das novas gerações e permita começar a tratar do envelhecimento demográfico.

6) Na geopolítica, quero o fim de todos os imperialismos. Quero paz em todo o lado. E quero que os agressores sejam travados e julgados. Quero ver exercido o Direito Humano à auto-determinação das vítimas do Maidan na Novorossiya e das vítimas do sionismo na Palestina. Quero que a guerra em Taiwan seja evitada, quero que Venezuela e Guiana se entendam, quero o fim das sanções ilegais, o fim do bloqueio a Cuba, etc. Se esses povos puderem votar em paz para decidir o seu futuro, eu fico feliz. Quero o oposto do que vi num documentário histórico sobre os EUA e o Vietname, em que o candidato presidencial Kennedy júnior, descreve como os EUA impediram a democracia de acontecer no Vietname e em vez disso fizeram um golpe e trouxeram guerra, só porque os comunistas se preparavam para uma vitória eleitoral. Será isto um defeito, só dos EUA em particular, ou de todo o Facho-Capitalismo em geral? Na primeira hipótese, quero mudança de regime em Washington. Na segunda quero o fim desta versão do capitalismo em todo o Mundo, ou trocado por uma versão melhor, ou por um sistema diferente.

7) Quero ver Assange livre, quero o fim das fakenews, a reversão da operação Mocking Bird da CIA, e quero que todos tenham acesso à verdade, sem propaganda nem manipulação. Se, para tal, for preciso tirar a liberdade aos prevaricadores, pois que assim seja. Não é autoritarismo da minha parte. É saber a lição do paradoxo da tolerância de Karl Popper. Todos a deviam aprender. E, é saber, e sofrer por saber, que 90% ou mais da população ocidental vive numa realidade paralela, tal é o nível de lavagem cerebral e condicionamento. Um professor universitário russo em Coimbra foi perseguido pela MSM e só descansaram quando se fez a vontade do militante do Svoboda, e esse professor foi despedido sem cometer erro nenhum, a não ser nascer com uma determinada nacionalidade. Já, nos mesmos MSM, passam imagens vindas das redes sociais de grupos nazis, e isso é mostrado como sendo “ativistas da democracia e da liberdade”. Este estado das coisas é intolerável. E a prisão de Assange é o canário nesta mina. Enquanto estiver preso num gulag do Império genocida ocidental, isso quer dizer que não há verdade, só fakenews.

E tu, o que queres? Queres ver UkraNazis a celebrar, naZionistas a celebrar, imperialistas genocidas a celebrar, €Uroditadores a celebrar, e NeoLiberal-Fascistas a celebrar? Queres calar e censurar quem discorda disso, perseguir Snowden, prender Assange, e assassinar Shireen? E, no final, ainda tens o topete de dizer que é em nome da “democracia” e da “liberdade” e de vir aqui, diariamente, insultar quem é mais decente do que tu?!

TEM VERGONHA NA CARA!


Gosta da Estátua de Sal? Click aqui.