Um Seguro com Alzheimer

(João Gomes, in Facebook, 25/05/2026)


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O senhor Presidente de “todos os portugueses” tem uma memória seletiva e deve ter estado – nos últimos 12 anos e antes de se candidatar a PR – depois de no PS ninguém o querer – a ler livros de cowboys e romances de Eça de Queiroz.

Antes de 2022, a guerra pela autonomia do Donbass e os ataques sucessivos da Ucrânia aos pró-russos, já provocara aproximadamente 3900 civis mortos e entre 7 a 9 mil feridos, segundo dados das Nações Unidas. O conflito, iniciado em 2014, ficou marcado por bombardeamentos, fogo cruzado e ataques atribuídos às forças ucranianas, sobretudo nas regiões de Donetsk e Lugansk. Mesmo em 2021, antes da invasão russa em larga escala, a ONU ainda registava vítimas civis ligadas ao conflito. E, como se sabe, a “invasão russa” foi exatamente por causa disso e da falha dos acordos sobre isso.

Após a invasão russa de fevereiro de 2022 e até hoje, a Ucrânia passou também a atacar território russo – incluindo Belgorod, Kursk, Bryansk, Crimeia e até Moscovo com drones e mísseis fornecidos pelo ocidente – causando mortos civis, destruição urbana e ataques a infraestruturas. As autoridades russas falam em centenas de vítimas civis e milhares de ataques.

Neste quadro, o Ocidente e o senhor presidente de Portugal (que andou tão descansado a “pensar” nos últimos 12 anos) aplica uma moral geopolítica seletiva: condena fortemente os ataques russos a civis, mas relativiza ou silencia os ataques ucranianos – desde sempre – contra populações civis do Donbass ou cidades russas.

Portanto – é isto que temos e continuaremos a ter, até que – dentro em breve – a Europa perceba quem andou a gerir e a aproveitar-se da politica da Ucrânia para transformar a Europa num continente sem geopolítica própria, sem entender como foi sendo enganada e como “autorizou” um grupelho nazi a tomar conta e definir como se faz a politica económica, financeira e militar de um continente que fez História e – agora – não serve para nada.

Abandonar crianças não é apenas um crime

(João Gomes, in Facebook, 21/05/2026)


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Há notícias que passam rapidamente pelos ecrãs, consumidas entre um comentário político, uma guerra distante e a próxima distração digital. Mas algumas deixam algo demasiado incómodo, quase físico, porque tocam numa região moral profunda da condição humana. O abandono de crianças é uma delas.

Recentemente, em Portugal, duas crianças foram encontradas no Alentejo em circunstâncias difíceis de compreender sem um arrepio interior: menores, vulneráveis, deixados à sorte, dependentes apenas do acaso e da consciência de desconhecidos que decidiram parar, olhar e chamar ajuda. Num tempo em que tantos seguem caminho sem ver ninguém, foram precisamente “gente comum” que impediu que aquela história pudesse ter terminado em tragédia.

A justiça tratará do resto. Haverá processos, relatórios sociais, avaliações psicológicas, eventual perda das responsabilidades parentais e integração institucional. O Estado moderno conhece bem os seus mecanismos administrativos. Mas permanece sempre uma sensação amarga de insuficiência. Porque abandonar uma criança não é apenas violar um artigo do Código Penal. É romper um dos pactos mais antigos da civilização.

Uma criança nasce radicalmente dependente. Não escolhe onde nasce, quem a acolhe, qual a língua que ouvirá, se terá pão, afeto ou proteção. O primeiro universo da criança são os braços que a recebem. Quando esses braços desaparecem deliberadamente, não ocorre apenas um crime jurídico – produz-se uma espécie de colapso moral primário.

Talvez por isso estes casos provoquem uma indignação tão visceral. Há crimes que atacam património, interesses ou normas sociais. O abandono infantil atinge algo mais fundo: a própria ideia de humanidade organizada.

E, no entanto, este fenómeno não existe isolado. Vivemos numa época estranha, contraditória, quase esquizofrénica na sua arquitetura moral. Enquanto em Gaza, no Sudão ou noutras geografias de sofrimento coletivo milhares de crianças morrem sob bombas, fome ou deslocações forçadas, noutras partes do mundo algumas são descartadas pelos próprios pais em sociedades teoricamente estáveis e protegidas.

Mudam os cenários mas a vulnerabilidade permanece.

Num caso, a infância é esmagada pela maquinaria da guerra e pelos interesses geopolíticos. No outro, dissolve-se dentro da desagregação familiar, da pobreza extrema, da alienação social ou do vazio emocional de sociedades cada vez mais fragmentadas. Em ambos os casos, porém, há uma pergunta: que espécie de civilização estamos a construir quando tantas crianças ficam entregues ao acaso?

Portugal, como muitas democracias europeias, possui uma tradição jurídica relativamente humanista. O sistema penal procura compreender contextos: miséria, doença mental, dependências, exclusão social. E isso é importante, porque a justiça sem compreensão transforma-se facilmente em vingança institucionalizada. Mas existe também o risco oposto: o de transformar a compreensão em banalização moral.

A sociedade aceita – e bem – que o foco principal seja salvar a criança. Mas dificilmente aceita que o sofrimento imposto a menores indefesos pareça gerar consequências penais vistas como residuais. Há uma diferença entre compreender causas sociais e diluir responsabilidades individuais.

Porque uma criança abandonada leva consigo marcas invisíveis que raramente aparecem nos processos judiciais: a erosão da confiança básica no mundo, o medo do abandono, a perceção precoce de que a existência pode depender apenas da sorte. E nenhuma sentença mede isso verdadeiramente.

Talvez o problema mais profundo seja outro: habituámo-nos a viver rodeados de tragédias até perdermos capacidade de espanto. O sofrimento infantil tornou-se paisagem de fundo da modernidade. Surge nos telejornais, nos relatórios humanitários, nos bairros esquecidos, nas fronteiras, nos hospitais destruídos, nas instituições saturadas. E quando o horror se torna rotina, a civilização começa lentamente a anestesiar-se.

Por isso, abandonar crianças não é apenas um crime. É um sinal de falha coletiva. Falha da família, por vezes; do Estado, noutras; de comunidades desfeitas, de economias desumanizadas, de culturas que proclamam progresso mas deixam muitos dos seus filhos sem chão afetivo ou material. Uma sociedade revela a sua verdadeira natureza não pela grandiosidade dos seus discursos, mas pela forma como protege aqueles que nada podem oferecer em troca.

As crianças são esse espelho absoluto.

E talvez o mais inquietante do nosso tempo seja precisamente isto: continuamos capazes de construir máquinas sofisticadas, mercados globais e inteligências artificiais, mas ainda não aprendemos plenamente a garantir o essencial – que nenhuma criança tenha de olhar o mundo sentindo-se abandonada por ele.

Todos dizemos que o mundo está “louco”

(Rosa Veloso, in PortugalNews, Facebook, 22/04/2026, Revisão da Estátua)

Não: o mundo organizou-se para servir os piores.

O poder já não disfarça — alinhou-se definitivamente com a ausência de ética, onde sexo, droga e dinheiro formam a nova Santíssima Trindade.

Lembram-se da célebre frase de Nietzsche: “Deus morreu”; hoje, qualquer ignorante entende: morreram os valores que sustentavam a sociedade.

Vendemos tudo: dignidade, atenção, corpo e vergonha. As mulheres são as mais expostas na praça pública, agora com luzes de estúdio e patrocínios. Big Brother, casamentos televisivos, romances rurais embalados para consumo rápido — a carne humana vale audiências, e a humilhação rende mais do que o talento.

Entretanto, analfabetos funcionais discutem penáltis, vestidos e escândalos com cachês milionários. Quem grita mais, ganha mais. Quem sabe, incomoda. A ignorância deixou de ser defeito: tornou-se profissão.

No Parlamento, o espetáculo rivaliza com uma taberna rasca. O grotesco tornou-se normal, a falta de decoro é quase regra. Comentadores, sem formação, recebem numa noite, o que os jornalistas sérios não ganham num mês.

Para quê tanta indignação? Sentam-se, no sofá, a consumir tudo isto, telecomando na mão, a financiar a decadência que fingem condenar.

Maus-tratos, sangue, suor e lágrimas, para consumir, em horário nobre. Jogadores acumulam milhões, enquanto quem investiga a cura de doenças ou o futuro do planeta vive na precariedade e com contratos miseráveis.

Há, no entanto, que ter em conta as “acertadas” palavras da senhora ministra do emprego, cá do burgo: “É melhor a precariedade do que o desemprego!” Que frase admirável: transforma exploração em consolo!

Podem, portanto, continuar a dormir descansados. O mundo só (des)caiu. Mas, as ruínas continuam a dar audiências…e a fazer fortunas.

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