Este é  o tempo da chegada das trevas

(Miguel Castelo Branco, in Facebook, 17/08/2025, Revisão da Estátua)


A ceifeira continua imparável a reclamar corpos de crianças. Hoje ao cair da tarde, em Gaza, matou os irmãos Omar, Ranim, Reem e Farah, cujos pais já haviam sido imolados.

O mundo dito dos “nossos valores” nem pestaneja, e até o novo Papa parece ter sido tomado por aquela indiferença característica dos burocratas. Se ainda se justificasse bradar aos céus, ou dar ralhetes ao Altíssimo, tal como o fazia o nosso Padre António Vieira, tudo isto faria sentido.

 Mas não, para quantos se agarram à transcendência, o único deus que se assemelha a este grande silêncio, a esta imperturbabilidade e mutismo é o deus dos estoicos, um ente absolutamente distante.

Por outro lado, para os que apenas se atêm ao plano da imanência e buscam compreender a realidade a partir da própria realidade, este é o tempo do fim da tradição intelectual ocidental, do humanismo e das luzes.  Em ambas as posições, este é  o tempo da chegada das trevas.

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O silêncio vergonhoso

(Miguel Castelo Branco, in Facebook, 15/01/2025)


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A primeira troca de prisioneiros entre Israel e a Palestina contempla 30 mulheres, idosos e crianças israelitas e 999 crianças e mulheres palestinianas detidas em Israel.

O mais assustador reside no facto de Israel manter encarceradas milhares de crianças entre os 5 e os 12 anos de idade, algumas condenadas a penas de 20 e 30 anos de prisão após sessões expeditas e sem direito a defesa.

Ademais, servindo-se do artifício legal de tais pessoas estarem sob jurisdição militar em territórios ocupados, a autorização para torturar os prisioneiros com vista à obtenção de prova é requerida a um juiz e habitualmente concedida.

Ou seja, a chamada «única democracia do Médio Oriente» é, de facto, tão desrespeitadora das convenções internacionais como seriam os regimes inscritos no «Eixo do mal».

Há, entre nós, quem aplauda um Estado que tortura legalmente e sentencia a décadas de prisão menores inimputáveis. Os nossos jornalistas e políticos deviam ter vergonha por ocultar e censurar tal miséria.

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Da realidade virtual à história do Pinóquio

(Daniel Vaz de Carvalho, in Resistir, 21/05/2023)

Os contos antigos para crianças têm evidentes leituras sociais, políticas. A violência sobre as crianças, a solidão, a angústia, até as tragédias da vida estão presentes e retratavam para as crianças a atmosfera opressiva e hipócrita das democracias burguesas. O chamado ocidente está cada vez mais perto do que aqueles contos mostravam e só não totalmente, como desejado através das “novas relações laborais” dos papagaios liberais de várias cores e siglas, porque o sindicalismo resistente não foi nem será totalmente abafado – pelas suas “larachas”…


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