Inocentes crianças!

(Hugo Dionísio, in Facebook, 20/03/2023)

Donetsk? Mariupol? Belgorod? Pequim? Teerão? Caracas? Pyongyang? Havana? Não! Não! Não! Para o TPI, é crime, contra a Humanidade: retirar crianças órfãs de um local de guerra, afastando-as de milhares de minas antipessoais e ilegais armadas, pelas forças do regime banderista; dar-lhes alojamento digno, comida, cuidados de saúde e, mais importante, educação de qualidade. Já, para o mesmo TPI, apreendê-las numa fronteira, separá-las dos seus pais, enjaulá-las por tempo indeterminado, apenas com água e alimentação, para, no final, as deportar, à sua sorte, para o país de origem… é um ato humanitário e de grande solidariedade com os povos oprimidos!

Estas fotos foram tiradas na fronteira dos Estados Unidos com o México, num dos inúmeros centros de detenção para crianças “desacompanhadas”, criados, a partir de 2009, não por Trump, não por Bush, mas pelo “democrata”, “humanista” e “pacifista” Barack Obama, cujo vice-presidente se chamava Joe Biden.

De acordo com alguns relatórios americanos, como o do Council for Foreign Relations, foram mais de 150.000 as crianças detidas, em 2021, 24% com idade inferior a 15 anos (Ver aqui), sendo o facto mais relevante que: se o número de casos pendentes diminuiu sob o governo Biden; já o número de detenções aumentou a pique, sendo mais do dobro do que eram aquando da chapelada vitoriosa de Biden sobre Trump, nas sempre irregulares eleições dos EUA.

Estas crianças podem ser detidas em qualquer altura, não sendo necessária uma guerra, a não ser a que opõe ricos a pobres. A esmagadora maioria são deportadas para o país de origem sem qualquer garantia de acompanhamento (72%) e, aquando da sua “estadia” nos campos de concentração (mascarados de “detenção”) criados para o efeito, estas apenas têm direito a água, alimentação e cuidados médicos, à americana, claro. De resto, têm um chão duro para dormir, uma manta para se tapar e nada mais.

Dá vontade de perguntar onde andam, então, os defensores dos direitos humanos, aqueles “honrados” juízes do morto TPI? Bem…. Esses defensores, tempos a fio e, já sob o governo férreo de Biden – e da sua reduzida cúpula de plenipotenciários -, manifestaram-se, denunciaram e queixaram-se, até que o executivo que diz liderar as democracias contra as autocracias, emitiu uma lei a prever a possibilidade de pena de prisão, por atividade subversiva contra os interesses do Estado – e sabemos que garantísticas são tais leis. A partir de então, problema resolvido. Nem mais um jornalista pôde captar tais imagens. Diria eu, que, fosse sob o reinado de Trump e tal nunca teria acontecido…. Contraditório? Nem por isso.

O braço político da NATO que é hoje a UE, encarregou-se de fazer o que Bush (e mais tarde Trump) tinha ameaçado fazer, em 2002, quando o TPI (Tribunal Penal Internacional) revelou a intenção de prosseguir as investigações de violação de direitos humanos – e que tão bárbaras foram, a fazer corar um qualquer exército medieval -, de que eram acusadas as forças militares americanas. A UE, literalmente, bombardeou o TPI… E bombardeou-o de tal forma que, a explosão não incidiu sobre a sua estrutura física, mas antes, sobre a sua credibilidade, a qual já estava pelos dias da morte. A UE e seus vice-governadores mataram, de vez, o TPI.

Se o “American Service-Members Protection Act” de Bush, revelou em toda a sua extensão, a dualidade de critérios relativamente à actuação do TPI, cuja acção, apenas incidindo, quase maioritariamente, sobre “criminosos” de países pobres da África, ou, como sucedeu com Milosevic, com países tomados por traidores à sua pátria; a ameaça de Trump em bombardear as instalações do tribunal, a propósito da intenção de investigação de figuras de proa do apartheid israelita, retirou-lhe qualquer margem de prestígio, transformando-o num mero instrumento publicitário. Diga-se que, até a televisão francesa tinha financiado uma série televisiva sobre esta dualidade do TPI (Crossing Lines).

Ora, com a recente acusação, ao Presidente da federação russa (como se fosse, sequer, ele, o responsável directo por tais actos), coloca-se uma questão muito importante, a respeito da imparcialidade, objectividade e ponderação a que está sujeito o funcionamento deste “tribunal”. Se os EUA não reconhecem a sua jurisdição e tal argumento funcionou para que os casos fossem arquivados… Porque não foi tal lógica aplicada a respeito da recente acusação? Mas a jurisdição dos EUA tem um valor distinto da russa? Como pode um órgão que pretende ser respeitado como “tribunal”, distinguir níveis de soberania, níveis de liberdade jurisdicional e diferentes motivos de exclusão da responsabilidade criminal, consoante os casos, as encomendas ou as disposições?

Sabermos que o Juiz presidente do TPI é um cidadão polaco, de seu nome Piotr Hofmański, não deixa de ser relevante para o caso. A decisão de funcionar como lança rockets contra o seu próprio tribunal, não estará desligada da sua nacionalidade e da natureza dos critérios que presidiram à sua selecção, promoção e eleição. Mas o que mudou, então? Por que razão os EUA, que não pretendiam, sequer, a investigação do ICC no âmbito da “Operação Militar Especial”, agora permitiram precisamente isso?

Bem, para além do costumeiro e desusado complexo de superioridade, arrogância e prepotência, o que aconteceu é que, quando olhamos para o Ocidente destes dias, ficamos com dúvidas se não terá havido, aqui, alguma troca geográfica, sem que, de tal, nos apercebêssemos. O facto é que, as sanções do “inferno”, visavam:

  • Criar o pânico nos mercados financeiros, o que está a acontecer, precisamente, com a banca, toda em queda, já tendo o SVB rebentado com mais três bancos e continuando a corrida ao dinheiro; segundo relatos diversos, num só dia foram levantados mais de 8,8 mil milhões de dólares do DB – na sexta-feira, os mercados fecharam com o Deutche Bank a valer 18 vezes menos do que o JP Morgan;
  • Criar o pânico nos mercados de bens e serviços, o que, com a subida da inflação e a desvalorização da moeda, faria os preços aumentarem e começarem a escassear determinados bens de primeira necessidade, como sucede, em Inglaterra, com o racionamento dos vegetais;
  • Com as dificuldades económicas viria a turbulência social, de que é um exemplo o que se está a passar em Paris, com a repressão e a prisão de centenas de manifestantes, ou em Lisboa, com uma manifestação de largas dezenas de milhares de trabalhadores, bem como na Holanda, Alemanha, Bélgica, republica Checa, Itália ou Espanha;
  • A instabilidade levaria à repressão, bem repercutida na intenção de se prender um líder da oposição (Donald Trump), não pelos crimes cometidos pela CIA, NSA, ICE ou FBI, mas por ter estado com prostitutas, quando no caso de Biden se esconde, censura e omitem as provas – factuais e documentadas – de corrupção, especialmente no âmbito do território ocupado pelos EUA, que é, hoje, a Ucrânia;
  • Com a repressão viria o autoritarismo, como sucedeu com o reizete tirano Macron, cuja “democraticidade” o levou a sobrepor-se ao parlamento e, sabendo que perderia a votação, optou por fazer sair a lei sob a forma de decreto, não cumprindo os requisitos da consulta pública, para, desta forma, aplicar uma medida que sabe ser contrária às pretensões de quem o elegeu; não contente, o empregado dos Rothschild, ainda proibiu as manifestações, em Paris, relacionadas com o sistema de pensões – em “democracia” temos de aprender a comer e a calar;
  • No calor da conflituosidade social, viria a censura dos canais de comunicação externos – casos da RT, Sputnik e todas as TV’s do “inimigo” ou da perseguição à cadeia PRESS iraniana -, o condicionamento da opinião nas redes sociais, com a perseguição das figuras que se opõem ao regime – qualquer um que hoje vá ao Twitter, pode constatar a autêntica perseguição de opinião a que os bernardotes “liberais” sujeitam todos os que pensam de modo diferente;
  • Com a repressão e a opressão, viriam as quedas de governos, sendo já longa a lista de malditos governantes em queda por causa da “maldição” de Z, e, ainda mais longa, aqueles “governantes”, meros funcionários servidores, cujos povos, já não podem ver à frente, por incapacidade total destes em resolverem os reais problemas (ainda hoje, num tribunal, um funcionário judicial me disse, a respeito da Ministra da Justiça: é uma funcionária, com uma missão encomendada, e só lá está para isso mesmo e não para tomar decisões políticas);
  • Com o andamento da guerra, viria a crise de munições, aviões e outras armas pesadas, bem como a mortandade em catadupa, cada vez mais difícil de esconder…

Ora, toda esta factualidade, absolutamente apocalíptica, fazem-me perguntar onde, afinal, se situa o Ocidente e o Oriente, e se não terá havido aqui alguma troca nas placas tectónicas, com o sismo na Turquia e na Síria. É que, parece que, no Ocidente, é que está a ocorrer o “inferno”, o mesmo que eles queriam que ocorresse na Rússia.

Ao contrário, na economia russa, tudo corre como se fosse este país a sancionar e não o inverso. A economia cresce desde Julho passado, no segundo trimestre, deste ano, o PIB já vai crescer de forma efectiva; o comércio exterior cresceu 8% em 2022 e em 2023 ainda será maior o salto, ao passo que, por causa das sanções, os países ocidentais estão com as balanças comerciais desequilibradas; a procura interna russa está a crescer e de forma sustentável, prevendo-se que o crescimento homólogo, em Abril, será de 5%; o superavit comercial em 2022 foi de 332 biliões de dólares; a inflação, em 2023, já será de 4%, o défice de 2% e a dívida pública externa nos 17 ou 18%.

Nesta realidade invertida temos a explicação última da acusação do TPI. Uma bomba de areia para os nossos olhos. A verdade, é que é preciso retirar os olhares da crise profunda e estrutural que se desenvolve no Ocidente coletivo e, para cujas elites corruptoras e genocidas, a pilhagem da Rússia é vista como a salvação, pois detém as reservas naturais que permitiriam catapultar uma nova reindustrialização à base de matérias-primas ao preço da uva mijona. Daí que, a ministra canadiana dos Negócios Estrangeiros, Melanie Joly, continue a dizer que, a queda do “regime”, constitui a principal aposta (ver aqui). A ver pelas poles e pela recepção ao presidente russo, em Mariupol – cidade em aceleradíssima reconstrução -, bem que pode ir esperando deitada.

Parecendo que, esta gente é tão inteligente e capaz que, todas as macumbas que concatenam, simplesmente funcionam ao contrário, eis que, esta acusação do TPI, não deixará de ter, também, o mesmo destino.

Primeiro, se o que pretendiam era usar este facto para atrair atenções, retirando-as da crise que atravessamos, já perderam este assalto, pois a ridicularização deste acto, tanto por cá, como por lá, como pelo mundo todo, foi visto como uma farsa risível.

Segundo, porque, se o que pretendem é, apresentar ao mundo, o presidente russo, como um bandido, uma espécie de pilha galinhas, um intocável, deixem-me trazer-vos à realidade: hoje, para 87% da humanidade, tudo o que o Ocidente faz é ridículo, e apenas contribui para valorizar, como heróis, as figuras atingidas.

Terceiro, eu gostaria de questionar esta trupe de governadores de quinta categoria, sobre o que eles pensariam que aconteceria se, um qualquer país, tentasse deter o presidente russo. Se não sabem, fazê-lo, seria equiparado a uma declaração de guerra, pois o mandato para a Rússia não é, sequer, ilegal. É ineficaz, é inexistente, pois juridicamente, o TPI não tem autoridade nos países que não aderiram à sua jurisdição.

Quando, na África do Sul, no G20 deste ano, o presidente russo não for detido, tal constituirá a última machadada no TPI e um passo fundamental na libertação de África, do jugo ocidental.  Diremos que, na AS acontecerá o mesmo que aconteceu aqui, quando Gouveia e Melo decidiu obrigar 13 militares a usar um barco furado e sem motores, para perseguir um navio civil, de um país, com o qual NÃO ESTAMOS em guerra. Missão por cumprir, ridículo total. Neste caso, do barco, tantos milhões para incendiar um conflito, contra um país que nos ajudou, tantas vezes, com meios anti-incêndios, até antes dos europeus amigalhaços do peito, “apoiando” um outro com o qual não temos qualquer laço e, tão poucos milhões, para tratar do que é realmente nosso.

E esta situação é uma ótima metáfora para o que se passa na UE, nestes dias. A tripulação é de tal qualidade, que o barco anda totalmente à deriva, perdendo peças pelo caminho e estando cada vez menos à tona d’água. E a cada bomba que lança, é mais um bocado que perde. Na era histórica em que vivemos, pelo que nos é possível constatar, estamos em acelerada velocidade cruzeiro rumo à destruição de todas as organizações internacionais que tiveram o Ocidente coletivo como parceiro fundamental. Assistir ao enxovalho que Macronette levou do Presidente (com P grande!) do Congo, tratou-se de um espectáculo tão impagável, como demonstrativo da era absolutamente especial que estamos a viver. O mundo está em acelerada transformação e os conservadores – sim… são conservadores – tentam segurar-se a todas as tábuas que surgem neste imenso mar revoltoso.

Depois da recepção indecorosa a que Berbock foi sujeita na India, do ato de destratar público que Trudeau sofreu de Xi Ji Ping ou, da comitiva minúscula, que os sauditas tinham à espera de Biden… Todos podemos constatar como o Sul Global, em processo de libertação, olha para esta “elite” corporativa ocidental – como meros moçoilos de recados do grande capital financeiro e do complexo militar industrial dos EUA. Não lhes dirigem um qualquer sinal de deferência.

Se a ONU se transformou num campo de batalha entre blocos beligerantes, a UE está em desagregação acelerada, pois, transformada no braço político da NATO, deixa de ter qualquer fundamento para existir. A promessa de uma vida digna, que anunciava, é algo cada vez mais remoto, sendo o Euro, hoje, uma âncora para países como Portugal. Os últimos 23 anos, foram um período de atroz perda de soberania, liberdade e de distanciamento dos níveis de vida dos países mais ricos. Se a situação deste país já era periférica, agora, encontra-se efectivamente à deriva e alguém tem de conseguir explicar a esta gente que, dentro da UE, do Euro ou da NATO, este país não tem futuro. O futuro passa, precisamente, por uma nova abertura ao mundo. Ao mundo que vale, ao mundo que cresce, ao mundo que se liberta. Esqueçam lá os tempos da pilhagem a troco de contas de vidro. Hoje, nem temos vidro nem sequer poder para pilhar.

A própria NATO, após a mais do que anunciada derrota no leste europeu, ficará como uma organização ineficaz para defender os países europeus. Afinal, se os exércitos europeus estão depauperados pela esperança depositada na “Roma Imperial”, o facto é  que o estado militar da “Nova Roma” não está muito melhor. O que se passa no Ocidente são 30 anos de capitalismo selvagem desenfreado, que mostrou ao mundo a sua verdadeira face. Tudo o que diz, é contrário do que faz, deixando os seus próprios países no estado em que está a linha de comboio do Ohio, ou seja, em descarrilamento contínuo.

Do outro lado, na ofensiva, estão países autossuficientes, cada vez mais soberanos e independentes. Mas isto, só por si, valeria de pouco, se os seus povos não vivessem cada vez melhor, em países cada vez mais desenvolvidos e com a esperança de melhorar, a cada dia que passa. Há quantos anos não temos, nós, a sensação que tem um russo ou um chinês médio, de que o futuro vai ser melhor do que o passado? Não era esse o objectivo da tão propalada versão de “liberdade individual ocidental”?

Afinal, o que é a “liberdade”, a “democracia” e para que servem?  Que interesses servem e que interesses delas se servem? A democracia tem de ser um factor de desenvolvimento e não um ritual religioso desprovido de sentido, apenas usado para legitimar formalmente sempre os mesmos, em nome dos mesmos interesses.

E esta realidade, dúplice, bem evidente, leva-me à última conclusão: alguma coisa de muito bem anda esta gente a fazer, para ser tão atacado por tão incompetente e incapaz bando de energúmenos!

Se para alguma coisa serve esta acusação do TPI, é para confirmar que, hoje, os nossos países, estão efetivamente no caminho errado. No caminho da aparência, da superficialidade e da inconsequência.

Nós, o povo, incapaz, na sua maioria, de perceber o que nos aconteceu, somos a criança na jaula! Está na hora de fugir e crescer!


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Hitlerjugend: adolescentes neonazis chegam à linha da frente na Ucrânia

(Por Karine Bechet-Golovko, in Reseauinternational, 02/03/2023, Trad. Estátua de Sal)

O fanatismo devora as sociedades como a lepra, destrói os homens na sua essência. Isso é exatamente o que estamos a ver com este conflito na Ucrânia. O treino de jovens ucranianos desde a infância e seu alistamento em acampamentos militares administrados pelos grupos extremistas Azov, Sector Direito ou Aidar produziram os seus efeitos: esses adultos desumanizados fazem o trabalho sujo como autómatos e, a partir daí, os adolescentes chegam à linha de frente. É isto que os nossos países europeus estão a financiar na Ucrânia – em nome da democracia. Os Hitlerjugends chegaram!

Além de mercenários, estrangeiros, batalhões operacionais neonazis, o painel de combatentes ao lado do exército atlântico-ucraniano acaba de ser alargado. Desta vez alargado aos adolescentes condicionados ao neonazismo, que fazem a sua aparição, na mais pura tradição da jugend hitleriana da Alemanha nazi. Sempre mais avançados no horror, afirma-se claramente na sua filiação e educação.

Assim, um grupo de cerca de 30 adolescentes foi referenciado nas proximidades de Artemovsk. Eles foram integrados no batalhão punitivo Aidar, para ajudar na linha de frente. 

Muitos deles foram vistos anteriormente no movimento jovem nacionalista e treinados em acampamentos juvenis, especializando-se em atividades extremistas e terroristas”, disse Marochko.

Como lembra a agência de notícias Ria Fan :  

Note-se que uma base foi descoberta no território do LPR liberado. Instrutores estrangeiros e o exército ucraniano ensinaram aos adolescentes o básico das atividades de sabotagem no âmbito do “jogo militar-patriótico ”. »

Estas atividades foram amplamente desenvolvidas após o Maidan de 2014, que permitiu recondicionar e controlar mentes, bem como destruir uma sociedade, mantida em estado de estupor. Uma reportagem interessante sobre esses acampamentos juvenis foi produzida pelo canal americano NBC . Ele é muito claro sobre o assunto:

Esses campos de treino estão ligados a vários grupos neonazis, principalmente Aidar, Azov e Setor Direito. E toda uma geração passou pelas suas mãos. Somente no acampamento Azov, perto de Kiev, 400 a 500 crianças são recondicionadas a cada verão e durante os fins de semana e outras férias escolares para os mais motivados. 

treino é muito simples, está orientado para o assassinato de russos e “separatistas”, através do treino no manuseamento de armas e técnicas de combate, sem esquecer o condicionamento das mentes pela repetição de slogans, simples e violentos.

Qual é o nosso lema? Nós somos os filhos da Ucrânia! Que Moscovo está em ruínas, quem se importa! Nós vamos conquistar o mundo inteiro! Morte, morte aos moscovitas! ».

Ou :

Vença o moscovita!” Derrote o moscovita! Empilhe os corpos!» 

Esses acampamentos, existentes em quase toda a Ucrânia, são obviamente gratuitos e atendem crianças em geral a partir dos 7 anos de idade.

Toda a educação e treino de jovens nazis na Ucrânia começou com o acampamento organizado com o apoio do líder da SBU Nalivaichenko, “Trident Stepan Bandera”. Esses campos foram desenvolvidos mais ativamente em sete regiões da Ucrânia: Kiev, Kharkov, Chernigov, Cherkassy, ​​​​Zaporozhye, Dnepropetrovsk e Transcarpathia. O principal acampamento de Azov para crianças e adolescentes está localizado nos arredores de Kiev. Mas existem filiais desses campos de mesmo nome em Kharkov, Dnepropetrovsk, Chernigov, Cherkassy e Zaporozhye. Em Odessa existe um acampamento “Chota”, no qual o Setor Direito reina supremo. Para crianças a partir dos 4 anos, foi inaugurada a “Legião dos Cárpatos” na região de Ivano-Frankovsk. E há acampamentos “Slobozhanina”, “Sechevik”, “Junkor of Zaporozhye” e outras regiões, “Falcons”, Acampamentos infantis da festa Svoboda, etc. É toda uma rede ramificada que abrange adolescentes e jovens: meninos e meninas. »

É toda uma rede que foi montada e agora está produzindo a carne para canhão que a NATO precisa na Ucrânia. Uma massa fanática, incapaz de raciocinar, pronta para qualquer sacrifício, tendo já conduzido à destruição da Ucrânia. 

E é isso que o Eixo Globalista arma, financia, apoia. São essas técnicas nazis de condicionamento da sociedade que os nossos países toleram. É essa ideologia neonazi, assim normalizada, que corrói a sociedade ucraniana. 

E, seriamente, achamos que esta lepra vai parar nas fronteiras da Europa, à porta das nossas casas, à beira das nossas mentes adormecidas?

Fonte aqui


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As escolas não têm de abrir para todos ao mesmo tempo

(Daniel Oliveira, in Expresso Diário, 10/02/2021)

Daniel Oliveira

Antes da pandemia, a percentagem de alunos portugueses pobres com negativa a matemática era de 10 a 20 pontos percentuais mais alta do que os restantes. Nos alunos com mães sem formação superior, era 30. Com a pandemia, os alunos britânicos perderam dois meses de aprendizagem. Os mais desfavorecidos perderam sete. Em Portugal será melhor? As escolas têm autonomia para receber alunos sinalizados ou em perigo de abandono. Exijam meios e adiram. Não têm de abrir ao mesmo tempo para todos. Chama-se equidade.


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Muitos têm de compatibilizar o teletrabalho com o ensino à distância, com apoios financeiros reduzidos e tendo de escolher entre ser mau profissional ou mau pai e mãe. Outros vivem dramas ainda maiores. E já nem falo do falhanço do Governo na aquisição de computadores. A coisa é estrutural. A mais de um quarto das crianças com menos de 12 anos entra-lhe água ou humidade em casa e 15% vivem em casas sobrelotadas. Para estes, as aulas online são uma fantasia. Uma em cada dez crianças estará a estudar sem que a família tenha capacidade para comprar refeições completas e saudáveis. 3% já sentiram fome e não comeram por não haver dinheiro. Nas famílias numerosas e nas monoparentais, tendencialmente mais pobres, os problemas duplicam. Dizer que se se der computador e internet a estas crianças se conseguiu alguma coisa pela sua aprendizagem é uma brincadeira de mau gosto.

Mas estes números nem são os mais relevantes para discutir a urgência de dar respostas diferenciadas para necessidades que são diferentes. Outros, menos chocantes, são ainda mais determinantes para a desigualdade no ensino.

Vários académicos da Nova School of Business and Economics (Susana Peralta, Mariana Esteves, Pedro Freitas e Bruno P. Carvalho) e um do Ambition Institute, do Reino Unido (Miguel Herdade), fizeram um rápido levantamento de dados estatísticos sobre a situação material e económica das famílias, que mostram as condições de vida das crianças em Portugal; de informação sobre a desigualdade de aproveitamento escolar antes da pandemia; e de estudos internacionais sobre o impacto desigual do ensino a distância em 2020. O objetivo deste documento, que serve de base a todo o meu artigo (hoje sou mensageiro), é o de sustentar a necessidade de aplicar a Resolução do Conselho de Ministros de julho do ano passado, onde se estabelecia prioridade no ensino presencial para jovens e crianças em risco sinalizados pelas CPCJ, benificiários da Ação Social Escolas (ASE) e alunos para os quais o regime não presencial se revele ineficaz, onde incluiria crianças com necessidades educativas especiais.

Para além das condições materiais e alimentares, as condições de aprendizagem são muito desiguais. Já o eram, antes da pandemia e com ensino presencial. Usando o acesso à ASE como indicador de baixo rendimento, conclui-se que a percentagem de alunos pobres com nota negativa a matemática era de 10 a 20 pontos percentuais mais alta do que nos restantes. E que a percentagem que conseguia a nota máxima era cerca de metade da dos restantes.

Sabe-se que um fator bastante relevante para os resultados dos alunos é a formação académica da mãe – porque ainda são elas que mais acompanham a aprendizagem dos filhos. Este indicador torna-se ainda mais determinante no ensino à distância, que exige muito mais apoio das famílias. Mesmo com o ensino presencial, a percentagem de alunos com negativa cujas mães não tinham formação superior era 30 pontos percentuais acima da dos restantes e a dos que obtinham nota máxima era inferior em 13 pontos percentuais. Diz o documento que, “tanto em Português como em Matemática, o diferencial de desempenho acentua-se à medida que os alunos progridem no sistema de ensino”. Ou seja, a desigualdade vai-se aprofundando. E assim continuará no resto da vida.

Isto era o nosso ponto de partida. Do nosso ponto de chegada não podemos saber em que ponto estamos do caminho, com a pouca tradição de recolha de dados que temos, também não. Mas um estudo britânico, citado no documento e que penso até já ter referido aqui, mostra-nos como é desigual o preço pago pelo primeiro confinamento.

Em 2019, antes da pandemia, o fosso educativo entre os alunos britânicos mais desfavorecidos e os restantes era de 9 meses no ensino primário e de 18 no ensino secundário. As estimativas apontam para um aumento desse fosso em 36% durante os primeiros meses da pandemia, o que fez o Reino Unido recuar dez anos nos progressos que tinha conseguido no combate à desigualdade nas escolas. Os alunos britânicos perderam dois meses de aprendizagem em comparação com os da mesma idade no ano anterior. Os mais desfavorecidos perderam sete. Um dado importante para nós: no Reino Unido, mais de um terço dos alunos frequentam escolas onde os professores não têm as aptidões técnicas e pedagógicas necessárias para o ensino à distância. Temos alguma razão para acreditar que em Portugal seja melhor?

Estima-se que a perda de um terço do ano letivo equivale a uma quebra de 1,5% no PIB acumulada até ao fim do século – chegaremos a 2100 com menos 2,6%. A OCDE estima que os jovens afetados terão uma perda salarial de 3% ao longo da vida. Como se percebe por todos os dados anteriores, estamos a falar de médias. Porque serão os que partem em piores circunstâncias que carregarão grande parte deste fardo.

Se não houver pressão, ficaremos todos à espera que as escolas abram para todos, com as circunstâncias mais próximas possíveis do ideal. Já foram dados passos para garantir um tratamento diferenciado. Uma comunicação feita pela Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares deu autonomia às escolas para prestarem apoio presencial a alunos em risco, para aqueles que considere ineficaz a aplicação do regime não presencial e em especial perigo de abandono escolar. É preciso que as escolas exijam meios para o fazer e adiram. Não têm de abrir ao mesmo tempo para todos. Chama-se equidade.