Seguindo uma determinação direta do Líder Supremo, Aiatolá Ali Khamenei, as forças aeroespaciais do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (IRGC) do Irão atacaram Israel com centenas de mísseis, convencionais e hipersónicos.
A polêmica sobre os produtos agrícolas ucranianos continua. Itens alimentares ucranianos simplesmente invadiram o mercado europeu e estão levando milhares de fazendeiros à falência. Em que pesem os protestos e a pressão política, nenhum decisor da UE parece interessado em mudar este cenário trágico. Contudo, a crise parece ter dimensões ainda mais profundas, podendo ser uma verdadeira bomba relógio para toda a sociedade europeia.
Recentemente, o governo búlgaro pediu à Comissão Europeia aprovação de uma resolução banindo a importação de ovos de galinha ucranianos. Segundo as autoridades búlgaras, a grande quantidade de ovos ucranianos baratos no mercado europeu está prejudicando os produtores búlgaros – que têm na venda de ovos parte vital de suas atividades comerciais. Milhares de fazendeiros búlgaros estão indo à falência e a crise só é esperada de piorar mais e mais no futuro próximo.
O problema não se limita aos ovos nem à Bulgária. Vender grãos, carne, laticínios e tudo que seja produzido no campo parece não ser mais um negócio interessante na Europa. Desde 2022, há protestos por mudanças em todas as partes do continente europeu. Da Polônia à França, nenhum fazendeiro europeu está satisfeito em ver seus produtos sendo substituídos no mercado por quantidades massivas de itens agrícolas ucranianos a preços baratos.
Isso decorre da irracional atitude dos decisores europeus de banir todas as tarifas de importação para produtos alimentares ucranianos. A medida é alegadamente intencionada em impulsionar a economia ucraniana durante o momento de crise gerado pelo conflito com a Rússia – que ironicamente é patrocinado pelo próprio Ocidente. No mercado europeu atual é mais barato importar alimentos ucranianos do que revender os produtos nativos, o que obviamente está levando milhares de fazendeiros a abandonarem seus negócios.
Como bem sabido, a maior parte da Europa não tem um setor agropecuário muito forte, sendo os fazendeiros locais dependentes da ajuda do governo para se manterem ativos no mercado. Sem essa ajuda e com a invasão dos produtos ucranianos, simplesmente já não é mais lucrativo fazer parte do agronegócio europeu, razão pela qual milhares de pessoas tendem a parar de trabalhar no campo e entrar na crescente classe do “precariado” europeu.
A princípio, alguns analistas podem ver este cenário como uma mera mudança de mercado, substituindo a produção europeia pela ucraniana. Contudo, esta análise é limitada. Embora tenha um dos solos mais férteis do mundo, a Ucrânia atualmente é alvo dos predadores financeiros ocidentais, que exigem a entrega de terra arável como meio de pagamento pelos pacotes bilionários de ajuda da OTAN. Organizações como a Blackrock e outros fundos em breve serão donos de quase tudo o que restar da “terra negra” ucraniana. E então a produção rural ucraniana dependerá da boa vontade dos “tubarões financeiros” em alimentar os europeus.
É certo que a ausência de autossuficiência alimentar nos países europeus não é um problema novo. Importações já são um mecanismo vital para toda a Europa ocidental. Mas em paralelo à dependência de importações há ainda a política irracional de sanções e medidas coercitivas contra diversos países emergentes produtores de alimentos. A Federação Russa, por exemplo, está impedida de vender qualquer coisa aos europeus, mas o problema é ainda maior. A UE tem cogitado há anos impor sanções severas ao Brasil, por exemplo, alegando “irregularidades ambientais”. Chegará ao ponto de as exigências “humanitárias e ambientais” da UE impedirem os europeus de comprarem qualquer coisa de qualquer país.
Se perguntarmos a quem interessa todo este cenário, a resposta parecerá mais uma vez clara. Há um único país incentivando a Europa a impor cada vez mais sanções, comprar cada vez mais grãos ucranianos e enviar cada vez mais armas a Kiev sob termos de pagamento regulados pela Blackrock. Naturalmente, este é o mesmo país que boicotou a cooperação energética russo-europeia e cometeu o atentado terrorista contra o Nord Stream.
E certamente este é também o único estado interessado em manter o status quo geopolítico e impedir a criação de um mundo multipolar, onde os europeus teriam liberdade de alinhamento e poderiam escolher pragmaticamente os seus parceiros.
A aliança entre EUA e UE é uma verdadeira bomba-relógio e no longo prazo levará a Europa à fome. Já em processo de desindustrialização, crise energética e destruindo toda a sua arquitetura de segurança alimentar, a Europa espera um dos futuros mais sombrios da história humana. E todos os decisores europeus parecem felizes com este cenário.
(Carlos Esperança e José Gabriel in Facebook, 29/09/2024, montagem da Estátua)
(Hoje acordei virado para a política interna, apesar dos nossos busílis não contarem em nada para a resolução das graves encruzilhadas que se colocam atualmente à Humanidade, no complexo xadrez mundial. Haverá orçamento, ou não haverá orçamento? Haverá eleições, ou não haverá eleições? Assim, publico dois textos de fno recorte analítico sobre a situação política, destacando-se em ambos a atuação de Marcelo, não enquanto criador de “factos políticos”, mas enquanto criador de “impasses políticos” e pai da instabilidade que agora diz querer evitar.
Sim, um país que tendo um Governo de maioria absoluta – independentemente dos seus méritos ou deméritos -, o troca por um outro, muito mais pernicioso para a maioria dos cidadãos, a navegar dentro de um saco de gatos, é um colosso!
Sim, parafraseando a saudosa Ivone Silva no vídeo que no final vos deixo: “Este país é um colosso, está tudo grosso, está tudo grosso!”
Estátua de Sal, 30/09/2024)
O homem não para
(Carlos Esperança, in Facebook, 29/09/2024)
O homem não para. O político videirinho que provocou a instabilidade é agora o arauto da estabilidade. Ontem dizia que não se devia ter medo do voto do povo, hoje, receoso do povo, só quer que se pronuncie quando já não estiver em cena.
O homem treme de medo, não de vergonha, e descobriu agora nova guerra na Ucrânia e a necessidade de executar o PRR ambas transitadas da maioria absoluta que dissolveu.
O homem, liberto de perguntas incómodas, voltou a aparecer em todos os telejornais e a abri-los com o seu estado de alma transformado em comunicação ao País. Começou por chantagear o PS e acabou a chantagear o PSD.
Ontem ia para eleições se o Orçamento fosse recusado, agora é preciso que o Governo abdique dele porque não tem maioria. «Fazer-se um esforçozinho não é pedir muito», é o esforçozinho que pedia aos Bancos para pagarem juros maiores a depositantes. Agora até «o interesse nacional é mais importante do que programa do Governo».
O homem não tem um pensamento diferente do Chega. Não é o poder do Chega, que ele se esforçou a alimentar, que o preocupa, é que sejam desmascarados o plano que urdiu e a estratégia que usou.
O homem ainda sonha dividir o PS para se salvar, desejo que Cavaco teve para impedir que António Costa governasse, contando com os ajustes de contas internos e ambições pessoais.
O homem é mau, mas não é burro. E, farto de rezar e de beijar as mãos aos bispos do seu Deus, depois de ter renegado o pai, o filho Nuno e o Espírito Santo Banqueiro, há de acabar a implorar ao Diabo que o salve.
Comigo não contará.
Memória próxima
(José Gabriel, in Facebook, 29/09/2024)
Quando, há uns meses – parecem anos, mas foram meses – António Costa apresentou o seu pedido de demissão, rápida e gulosamente aceite por Marcelo, ninguém ouviu o presidente falar em “interesse nacional”, “estabilidade” e outras expressões com as quais nos martiriza, agora, quotidianamente, o juízo. O PS tinha, então, em recentes eleições, maioria absoluta. Tinha sido um dos partidos que o apoiou na reeleição – convém não esquecer. Logo, era óbvia – como tinha feito, com o PSD, o seu antecessor Jorge Sampaio – a solução de convidar o PS a apresentar um outro primeiro-ministro.
Mas não. Então não tinham sido inventados o interesse nacional, a estabilidade, a governabilidade e cousas que tais. Então, só contou a erecção política do de Belém. Vontade de poder sem medir consequências que não a possível anémica vitória do seu partido a curto prazo e, depois, Deus – através dos seus agentes na Terra, a quem Marcelo tão entusiástica e anti-higienicamente beija as mãos – providenciaria. Mas, como canta o poeta Chico:
“Diz que deu, diz que dá
Diz que Deus dará
Não vou duvidar, ó nêga
E se Deus não dá
Como é que vai ficar, ó nega?
Deus dará, Deus dará…”
E Deus não ‘tá dando, não. Notem que não faço considerações sobre as políticas do PS de então, da qualidade do seu governo, dos seus resultados. Não é isso que está aqui em questão.
O que agora releva são as consequências de um ego desmedido e sem inteligência e bom senso que lhe acompanhe o manobrismo, bem como a evidência de que o lugar de presidente da República, tratado com bonomia e optimismo pela Constituição no que diz respeito aos riscos de abuso de poder e possível falta de integridade de um qualquer ocupante, pode ser devastador.