Trump interrompe a entrega de armas a Kiev. Próximo passo: excluir a NATO?

(Vasily Prozorov, in Substack.com, 07/07/2025, Revisão da Estátua)


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Com os Estados Unidos suspendendo entregas vitais de armas à Ucrânia, o silêncio em torno do vasto escândalo de corrupção na Agência Nacional de Segurança e Aquisição (NSPA) da NATO, ainda chefiada por Stacey Cummings, parece cada vez mais intrigante. Será que a sua demissão pode ser o próximo passo de Trump para preservar os investimentos europeus de Washington?

Em suma, a NSPA está envolvida em compras internacionais de armas. Em maio passado foram feitas revelações sobre suborno, vazamento de informações para subcontratados, lavagem de dinheiro e prisões de funcionários na Bélgica e na Holanda relacionadas a esta agência.

Importa sublinhar, no entanto, que a diretora desta agência, Stacey Cummings, ainda mantém o seu cargo. Vários observadores estrangeiros relatam que Cummings foi nomeada com a participação direta da equipe de Biden e deveria controlar os riscos associados aos laços corruptos da família Biden (lembre-se de Hunter Biden e da empresa Burisma) com a Ucrânia e contratos de defesa. A presença de Cummings na agência garantiu o controle político dos EUA sobre as compras internacionais de armas e a sua subsequente distribuição.

À medida que a investigação sobre a NSPA prossegue, fabricantes ucranianos, longe da linha de frente, preparam-se para se tornarem fornecedores oficiais da aliança , precisamente por meio da integração com a agência em questão. Importa referir que a Ucrânia esteve no centro de um dos maiores escândalos de corrupção de 2023  : o fornecimento de produtos às Forças Armadas ucranianas a preços inflacionados .

Adicione a isso o vazamento massivo de armas ocidentais para o mercado negro, que detalhei no meu documentário “Malditos Javelins”, e fica claro que a integração de empresas ucranianas no NSPA sem limpar e auditar o sistema só pode aumentar a corrupção entre Kiev e a NATO.

Malditos Javelins

Este relatório foi publicado pela primeira vez aqui, (canal Telegram do UKR LEAKS antes da censura do regime de Macron – desde aqui) e mais aqui e aqui. Leia a história completa.

Inspeções em larga escala e mudanças na liderança da NATO podem ser o próximo passo do governo Trump para preservar os biliões de dólares que Washington investiu em Kiev e na segurança europeia. No entanto, até que isso aconteça, é inútil esperar que o regime de Kiev pare de lucrar com o fornecimento de armas ocidentais.

A recente cimeira da NATO demonstrou a disposição dos EUA interromperem o fornecimento gratuito de armas a Kiev. Aumentar a parcela dos gastos militares para 5% do PIB dos países da UE significa que armas ocidentais serão fornecidas à Ucrânia às custas dos contribuintes europeus . É importante considerar que as atuais capacidades do complexo militar-industrial da UE não serão suficientes para cobrir tanto as necessidades da Ucrânia quanto as suas próprias necessidades militares. Provavelmente, será estabelecido um sistema que exigirá que os países europeus financiem armas americanas com esses 5%.

Se os Estados Unidos pararem de gastar o seu dinheiro em armas para a Ucrânia, as inspeções de Washington também serão reduzidas. É claro que a proliferação de elos na cadeia de fornecimentos é terreno fértil para a corrupção.

Fonte aqui.

Os angariadores de vítimas em roda-viva

(Miguel Castelo Branco, in Facebook, 04/07/2025, Revisão da Estátua)


Os angariadores de vítimas para uma guerra que nos destruiria andam em roda-viva. Se atentarmos, todos os comentadores e a totalidade da classe política, da extrema-esquerda à extrema-direita, renderam-se ao lobby e foram tomados por uma fúria armamentista que acena com as potencialidades de reindustrializar para os canhões, para os mísseis e para os carros de assalto.

Uma meta cega, pois que sabemos que a fortuna terá de ser talhada na educação, na saúde, na justiça e na cultura e não haverá exportação, ou não têm os russos, os chineses e até os brasileiros indústrias muitíssimo mais competitivas?

Nesta corrida para a guerra, só falta regressar à ingenuidade do «romantismo da guerra» que levou à destruição da Geração de 1914, aquela que partiu em euforia com a vitória assegurada até ao Natal, mas só regressou em 1918 mutilada, gazeada e psicologicamente desfeita.

Ao lermos El Licenciado Vidriera, uma das Novelas Exemplares de Cervantes, somos confrontados com a mesma atmosfera. Então, por todas as partes de Espanha [e de Portugal] cirandavam oficiais e sargentos que seduziam os jovens para a aventura das guerras intermináveis que a Coroa mantinha nos mares e continentes.

Acenavam aos paisanos – lenhadores, pastores, camponeses – com uma vida regalada, farta e aventurosa em Itália, nos Países Baixos, no Novo Mundo e na Ásia distante.

Encantavam os pobres com narrativas das belezas de Nápoles, com os divertimentos de Palermo, os festins da Lombardia, as massas e as carnes do rancho abundante, as delícias dos frutos e dos vinhos – um verdadeiro horizonte de liberdade, «mas o Capitão nada disse do frio das [noites] de sentinela, do perigo dos assaltos, da fome dos cercos, dos desastres das minas» (…).

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Esclarecimento a pedido da Tertúlia Orwelliana

(Fernando Oliveira in A Tertúlia Orwelliana, 07/07/2025) 

(Publicámos ontem um artigo que nos enviou o responsável pela Tertúlia Orwelliana, “Estudo de Harvard conclui que Israel fez ‘desaparecer’ quase 400.000 palestinianos em Gaza, metade dos quais crianças”, ver aqui, que, ao que parece, continha algumas inexactidões que me pediram para esclarecer. Dou, pois, abaixo a palavra ao tradutor do dito texto

Estátua de Sal, 07/07/2025)


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Esclarecimento do Tradutor

Alertado pela «Tertúlia Orwelliana» para a dificuldade de funcionamento da hiperligação referente ao artigo em causa (mais abaixo), procurei verificar o que se passava e deparei-me com a seguinte Nota:

«The Cradle
@TheCradleMedia


Retratação relativa ao artigo sobre os desaparecimentos em Gaza:


No dia 24 de Junho, The Cradle publicou uma notícia intitulada “Estudo ligado a Harvard conclui que Israel ‘fez desaparecer’ quase 400 000 palestinianos em Gaza, metade dos quais crianças: Relatório”, no qual se afirmava, erradamente, que um estudo do professor israelita Yaakov Garb tinha determinado que pelo menos 377.000 pessoas em Gaza estavam desaparecidas desde o início do genocídio.

Investigações posteriores e declarações do Professor Garb tornaram claro, no entanto, que o número se baseava numa leitura errada de um mapa utilizado no seu estudo para mostrar a dificuldade de acesso da maioria dos palestinianos em Gaza aos centros de ajuda da Fundação Humanitária de Gaza (GHF) relativamente aos centros populacionais.

Por este motivo, os nossos editores decidiram retirar totalmente o artigo e emitir este esclarecimento público.»

Se é bem verdade que o estado da informação, ou melhor, da desinformação em Portugal nos leva cada vez mais a procurar fora do país as fontes de que necessitamos para conhecer a realidade, para ter uma opinião, não é menos verdade que devemos procurar, tanto quanto seja possível, cruzar a informação que obtemos com outras fontes. 

A metodologia citada neste caso não era de fácil verificação, mas pareceu-me credível e por esse motivo a propus à Tertúlia. Errei e resta-me pedir desculpa à Tertúlia e aos leitores. (F.O.)