Esclarecimento a pedido da Tertúlia Orwelliana

(Fernando Oliveira in A Tertúlia Orwelliana, 07/07/2025) 

(Publicámos ontem um artigo que nos enviou o responsável pela Tertúlia Orwelliana, “Estudo de Harvard conclui que Israel fez ‘desaparecer’ quase 400.000 palestinianos em Gaza, metade dos quais crianças”, ver aqui, que, ao que parece, continha algumas inexactidões que me pediram para esclarecer. Dou, pois, abaixo a palavra ao tradutor do dito texto

Estátua de Sal, 07/07/2025)


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Esclarecimento do Tradutor

Alertado pela «Tertúlia Orwelliana» para a dificuldade de funcionamento da hiperligação referente ao artigo em causa (mais abaixo), procurei verificar o que se passava e deparei-me com a seguinte Nota:

«The Cradle
@TheCradleMedia


Retratação relativa ao artigo sobre os desaparecimentos em Gaza:


No dia 24 de Junho, The Cradle publicou uma notícia intitulada “Estudo ligado a Harvard conclui que Israel ‘fez desaparecer’ quase 400 000 palestinianos em Gaza, metade dos quais crianças: Relatório”, no qual se afirmava, erradamente, que um estudo do professor israelita Yaakov Garb tinha determinado que pelo menos 377.000 pessoas em Gaza estavam desaparecidas desde o início do genocídio.

Investigações posteriores e declarações do Professor Garb tornaram claro, no entanto, que o número se baseava numa leitura errada de um mapa utilizado no seu estudo para mostrar a dificuldade de acesso da maioria dos palestinianos em Gaza aos centros de ajuda da Fundação Humanitária de Gaza (GHF) relativamente aos centros populacionais.

Por este motivo, os nossos editores decidiram retirar totalmente o artigo e emitir este esclarecimento público.»

Se é bem verdade que o estado da informação, ou melhor, da desinformação em Portugal nos leva cada vez mais a procurar fora do país as fontes de que necessitamos para conhecer a realidade, para ter uma opinião, não é menos verdade que devemos procurar, tanto quanto seja possível, cruzar a informação que obtemos com outras fontes. 

A metodologia citada neste caso não era de fácil verificação, mas pareceu-me credível e por esse motivo a propus à Tertúlia. Errei e resta-me pedir desculpa à Tertúlia e aos leitores. (F.O.)

13 pensamentos sobre “Esclarecimento a pedido da Tertúlia Orwelliana

  1. Conivência.
    E já agora não venham com a treta que o pessoal de Gaza não estava tão ameaçado como o do guetto de Varsóvia.
    O que os sionistas não conseguiram foi criar um sistema de câmaras de gás que pudesse ser escondido como fizeram os nazis originais mas os gazitas estavam a ser regularmente destruídos pela fome, a falta de água potável e bombardeamentos rotineiros.
    A destruição ou expulsão daquela população sempre esteve na agente sionista, a situação em Gaza estava incomportável já antes do levantamento do Guetto e só não viu quem não quis.
    E o Ocidente não quis. E depois do levantamento não soube mais que acusar as vítimas de terrorismo.
    Um corno e que somos todos israelitas.
    Morte ao sionismo.

  2. Certíssimo. As vítimas contam se de certeza por muito mais que esse número ridículo.
    E, claro, aquilo não e guerra nenhuma mas sim um massacre em regra.
    Meia dúzia de resistentes não fazem um exército, tal como os que se levantaram no guetto de Varsóvia não eram um exército.
    E tal como os que se levantaram no guettto de Varsóvia foram massacrados assim os que se levantaram no guetto de Gaza e todos os habitantes daquele campo de concentração a céu aberto estão a ser sistematicamente massacrados.
    Por novos nazis que puseram os judeus no lugar dos arianos desta vez com a asquerosa coni emxjs do mundo ocidental.

  3. Alguém acredita que um território (Gaza) com menos de metade da área da nossa maior ilha (S. Miguel), com uma população dez vezes superior à da nossa segunda maior ilha (Madeira), que suportou 275 toneladas de bombas por quilómetro quadrado(!), um número quase vinte vezes superior ao que os EUA lançaram sobre o Vietname, pode ter, após quase dois anos de cobardes e miseráveis massacres (guerra é quando há dois exércitos, o que notoriamente não é o caso), “apenas” cinquenta ou sessenta mil vítimas mortais? Esta obsessão pela diminuição da dimensão do genocídio dos árabes pelo miserável, asqueroso e nazionista regime israelita há-de ficar gravada na história da humanidade como uma das suas páginas mais negras, vergonhosamente patrocinada pelo ocidente “democrático” e “humanista”.

  4. Então o homem do Alcatraz dos Aligators ia agora prender o carcereiro de Sdi Teimam?
    Entretanto no seu próprio país as catástrofes naturais devastam e matam e o socorro falha em toda a linha mas para armar os nazis ucranianos e os nazis judeus, vulgo sionistas, haverá sempre recursos.
    Como por cá haverá sempre dinheiro para armas mesmo que não tenhamos saúde, educação, salários, pensões, nada.
    Mas os pategos sobreviverão felizes porque estão a salvo da invasão russa ou dos migrantes que não bebem álcool e não comem porco.
    Vão ver se o mar da megalodonte.

  5. Evitando a questão “contabilística” e respectiva polémica (parece que a TO tem andado com problemas na recolha de dados, ou na sua organização e relação, seja por causa das fontes dúbias seleccionadas ou utilizadas, seja pelas ilusões, percepções erróneas, miragens e paralaxes, que acontecem aos melhores), e avançando a cronologia desta inqualificável carnificina, desta limpeza étnica em Gaza que se efectua com um genocídio sanguinário, tivemos mais uma visita de Benjamin Netanyahu a Washington, sob a administração Trump, ele que já tinha ido no princípio do mandato 2.0. Esta visita serviu para lavar a (má) imagem deixada na “guerra dos 12 dias”, com a evidente vulnerabilidade e as limitações de Israel, dependente do apoio político, militar, financeiro e logístico do Grande Irmão norte-americano, voltar a estar no foco mediático e com isso parecer senhor da situação, e claro, redefinir estratégias e delinear as linhas de acção, e as directrizes para a prossecução da limpeza étnica em Gaza, nos próximos estágios.
    Mais uma vez na comunicação social ocidental uma total omissão sobre o facto de os EUA não cumprirem o mandato de captura de Netanyahu do Tribunal Penal Internacional, por crimes de guerra, limpeza étnica e genocídio. Não convém expor o “farol do mundo livre” e todos os atropelos que pratica são encobertos pela suserviente comunicação social, transformada num apêndice de manipulação e desinformação, onde pululam propagandistas e contadores de histórias que enaltecem as virtudes morais de genocidas sem escrúpulos, que fazem de qualquer assassino em série um menino de coro, tal o seu nível de sociopatia, e se passeiam pelo “mundo livre” impunemente, o tal da “ordem baseada em regras”, que partilha “valores comuns”, por oposição aos “regimes iliberais, às autocracias”… sem uma referência sequer na “imprensa livre” ao facto de serem criminosos procurados internacionalmente. O ponto a que chegou a podridão do sistema corrupto instituído ocidental, que faz a Extrema-Direita parecer os meninos bem comportados, os salvadores da pátria que vão colocar os auto-proclamados “moderados” no seu lugar e tomar as rédeas do sistema, fazendo recuar a sociedade mais de um século, esse sim o verdadeiro “grande reset”, o mais retrógado de todos, que ameaça os povos europeus e ocidentais. E essa sim a “grande substituição”, viciada e induzida por quem mexe os cordelinhos da propaganda e da manipulação de massas, quem orienta as operações psicológicas que visam a engenharia social, a transformação da sociedade, pelo controlo dos recursos e dos meios de produção (inclusive da informação), a rendição dos “moderados” pelos “(des)controlados”, também eles alienados, e ainda mais fanatizados.
    A seu tempo, todos serão postos no seu devido lugar. Primeiro será a ascensão, depois será a queda. A religião já não é o ópio do povo, foi substituída pela propaganda e a alienação.

  6. Dúvidas nenhumas nem agora nem desde que tive anos como tenho unhas de uma mão só e comecei a ver e ouvir sobre os crimes hediondos de Israel.
    Israel e um estado criminoso, genocida e homicida desde que começou.
    Quem aceitou fazer parte do projecto de Israel sabia que teria de cometer crimes porque já lá havia gente.
    Mas viveram muito bem com isso dispostos a repetir os crimes que segundo o seu mito fundador teriam sido cometidos contra os cananeus, os primeiros habitantes do território.
    Agora estavam dispostos a cometer os mesmos crimes contra os muçulmanos, que os sionistas desprezavam e aos quais não reconheciam qualquer humanidade. Eram gente a morrer de fome pelo que mata los até era liberta los do seu sofrimento.
    Sim, era como muçulmanos que ainda nos campos de concentração os sionistas designavam aqueles que estavam a morrer de fome.
    Por isso estavam dispostos a cometer os mesmos crimes contra esses mortos de fome caso de lá saíssem vivos.
    A esses juntaram se gente da America que não tinham sofrido perseguição alguma e o futuro de toda a gente que até então vivia em paz foi o que temos visto.
    O que nos arrepia e que, ao contrário dos massacres que criaram Israel, de que tivemos conhecimento através de testemunhos de pessoas feridas no corpo e na alma, agora assistimos a um genocídio praticamente em directo.
    Ainda assim há quem discuta números ou até quem tenha a pouca vergonha de defender Israel, como a Ferra Aveia, o Isidoro e outros que tais.
    Discutir números reflecte em muitos casos a esperança de que tudo isto não seja assim tão terrível.
    Mas está a ser. A população de Gaza está a ser morta a tiro, a bomba, pela tortura, a fome e a sede.
    Já os defensores de Israel precisavam ser enfiados num cercado no Alentejo, sem água e sem comida para verem o que e bom para a tosse. Ou melhor, dois litros de água por semana e um pão de quilo que já e muito mais que muita gente tem em Gaza. Assim durante uns seis meses.
    Vão ver se o mar da tubarão branco faminto.

  7. Este amor à verdade é louvável, sobretudo num tempo em que a repetição da mentira se transforma em verdade na cabeça das pessoas menos dadas ao questionamento sistemático de tudo o que os merdia zurram. A dúvida metódica, desgraçadamente, caiu em desuso quase quatrocentos anos depois de Descartes. Mas, independentemente do método estratosférico deste estudo ser ou não credível, alguém tem dúvidas de que há um genocídio em curso em Gaza (e na Cisjordânia)? As imagens que nos chegam diariamente ao nível do chão não serão suficientes para nos convencer que os nazionistas são escumalha ao nível dos seus algozes da segunda guerra mundial?

  8. Parabéns!
    Nem todos admitem os seus erros.
    Já não posso dizer o mesmo do resistir.info, em relação a uma suposta entrevista de PUTIN com o Jornalista, com J, americano, Tucker Carlson.
    Todos cheiraram que aquilo era treta, por exemplo o ex-CIA Larry Johnson. Como depois se verificou, quando saiu a transcrição da entrevista real. Faltou, que eu lê-se, um desmentido/esclarecimento da parte do resistir.info. A reputação é difícil de conquistar na praça, a perda essa é rápida.

  9. Agradeço de uma forma geral a compreensão dos comentários.
    A preocupação de sermos rigorosos com os números não é por mesquinhez ou picuinhice de escrever que foram, como se refere abaixo, “37 877 mortos”, “qu’é qu’isso interessa, mais 1 ou menos 1!”. É que se isso não for feito estamos a fazer companhia à gentinha que frequenta os nossos ecrãs pelo lado de dentro, cujos nomes me dispenso de comentar por uma questão de higiene, e que atira qualquer tipo de números citando origens sem qualquer credibilidade!
    O problema da contabilização das vítimas, sejam mortos, feridos ou desaparecidos, subsiste, e procurar definir o seu número interessa! Por uma questão de justiça para com cada um e com todos!
    Não sabendo dos corpos, as autoridades não os contam, mas o tipo de ataques das forças ocupantes de Israel sugere que o número de mortos possa ser superior, muito superior. Há um artigo publicado no Lancet em 9/01/2025 que analisa a mortalidade em Gaza entre 7/10/23 e 30/06/24 (9 meses) com base em 3 fontes: listas de hospitais do Ministério da Saúde da Palestina (MSP), inquérito online da mesma entidade e obituários das redes sociais. Depois, aplica modelos estatísticos e a seguir calcula uma média dos modelos para estimar o número de mortos no período em questão. O artigo é extenso, mas, para resumir, em 30/06/24 o MSP reportou 37 877 mortos, com 28 185 identificados. O artigo do Lancet aponta para 64 260 mortos. Estamos a falar de uma subavaliação de 41% (entre os 37 mil e os 64 mil)! Em 30 de Junho de 2024! Se calhar, mas é só um “se calhar”, não estaremos muito longe dos 400 mil, mas seria preciso comprová-lo. E neste momento não temos (eu não tenho) como fazê-lo! E não podemos varrer para debaixo do entulho (literal) aquilo a que todos estamos a assistir: uma limpeza étnica, um genocídio! E números fundamentados dão muito mais força a qualquer argumento!
    Às vezes há coisinhas que nos escapam e cometemos erros. Temos de retirar as devidas ilações e seguir em frente, na luta.
    Fernando Oliveira

  10. É impressionante a preocupação com a correcção nos números e como qualquer erro, intencional ou não, nem interessa porque ao ponto a que chegámos já não interessa, sinceramente, se morreram ou se vão morrer pela “dificuldade de acesso” a alimento, de fome e sede, ou por que são simplesmente mortos quanto procuram ajuda ou bombardeados quando se refugiam nas ruínas das suas casas ou porque não foram socorridos porque não há meios nem socorristas, nem médicos, nem familiares, nem vizinhos, porque os abandonamos à sanha vingativa e cruel dos seus executores. Não interessa porque não é tolerável há muito tempo, sob qualquer prisma, aquilo que se passa na Palestina, e é revoltante como estes lapsos continuam a ser usados para desviar as atenções do genocídio em curso.

  11. Mais um menos um, o que interessa é que se fossem apenas os quase 60 mil que são reconhecidos por ter sido possível recuperar os corpos ja seriam de mais.
    Ainda hoje um deputado do maldito parlamento de Israel repetiu a atrocidade de que não há inocentes em Gaza exigindo que não se deixe lá entrar nem água.
    A bomba, a tiro, a fome e a sede os assassinos sionistas estão a matar a população, falam sem qualquer pudor em matar toda a população, ontem o traste do Netanyahu convidou jovens judeus de todo o mundo a ir colonizar territórios palestinianos.
    Do lado de cá não só ninguém os para como ainda perseguem sem do nem piedade quem critica os assassinos.
    E nem partilhar a fé judaica os salva.
    Ontem assistiu se a um espectáculo cruel e grotesco em Berlim.
    Um judeu cuja família foi toda morta em Auschwitz, um homem muito velho, enquadrado por quatro jovens policias a subir penosamente para a “Ramona”.
    O crime? “Glorificação do holocausto”, coisa que por lá pode dar uns anos de cadeia assim se apanhe um juiz filho de puta.
    Tudo por ter dito o obvio, que o sionismo e um movimento fascista.
    Caberia perguntar também aqueles policias se não tiveram avo e se são todos filhos de uma chocadeira.
    Isto e tudo uma cambada sem humanidade nem vergonha.

  12. Concordo com a chamada de atenção sobre erros na comunicação sobre o “Estudo da Universidade de Harvard”
    No entanto, convém sublinhar que se a referência ao número de mortes ocorridas na Faixa de Gazza é inexacta… ISSO É IRRELEVANTE!… A VERDADE É QUE ISRAEL ESTÁ A MATAR A POPULAÇÃO!… E SE NÃO PAROU DE MATAR… LÁ CHEGARÁ!… PORQUE A TRAGÉDIA É NENHUM PODER DO MUNDO FAZ NADA PARA OS PARAR ..!!!…

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