
João Quadros
– E se fôssemos ao Santa Maria?
– Está a arder!
– E ao São Francisco Xavier?
– Tem legionela.
– Tu não queres é ir sair!
Há uma espécie de salve-se quem puder. O cunhado da minha porteira, que eu gosto de citar porque vive bem e não sei do que vive, disse: “Ao menos, em Santa Maria, mataram a legionela com fogo”. A verdade é que se o cito muitas vezes é porque ele está aqui ao meu lado com uma catana apontada ao meu pescoço. Felizmente, não sabe ler.
Vamos ao que interessa: vi a primeira conferência da senhora Graça Freitas, que era o rosto número dois da Saúde Pública no país, depois de Francisco George (que foi brilhante no seu cargo, apesar de sofrer de licantropia e não ser possível ir com ele a uma conferência em noites de lua cheia), e achei que ela estava demasiado relaxada. Aquele sorriso e a forma como disse que as pessoas que morreram tinham setenta anos e estavam fraquinhas, como se elas tivessem cento e oitenta e três anos, não me convence. Faltou dizer: “Até matámos uma legionela para fazer uma canja para a senhora”.
Houve um tempo em que os médicos justificavam tudo com uma virose – o meu filho tem uma perna maior que a outra – “isso é uma virose”. Agora, tudo é justificado com o calor. Há legionela nas torres de refrigeração do Hospital São Francisco Xavier, a culpa é deste Verão que durou até Novembro. É melhor prolongar a época balnear dos hospitais até Dezembro. Vai tudo de havaianas para as urgências.
Posso ser eu que não sou bom da cabeça – mas tenho um atestado -, mas irem buscar os corpos a meio das cerimónias fúnebres…, só consigo entender aquilo depois de ver os sorrisos com que a Doutora Graça Freitas está nas conferências sobre a legionella. Só pode ser uma partida, porque, nitidamente, ela gosta de se divertir com isto. É inaceitável que uma família veja alguém próximo morrer por ter apanhado uma bactéria num hospital e que depois seja sujeita a ver virem buscar o falecido a meio das cerimónias fúnebres. Isto só devia ser possível se dissessem: “Vamos levá-lo, mas depois devolvemo-lo vivo”. Em Portugal, tudo falha menos a burocracia.
Graça feita
1. Madonna surpreende ao viajar para Lisboa em classe económica – já é das nossas.
2. Twitter de Trump foi desligado durante onze minutos – alguém tropeçou num fio em Moscovo.
3. Puigdemont exigiu não ser visto ou reconhecido nas instalações da televisão belga – penteou o cabelo
para trás.
4. Tubarão pré-histórico foi capturado na costa algarvia – mas as sardinhas…, não se pode.
5. ASAE encerrou oito padarias – o espírito de equipa tinha bolor.
