O troglodita

(Estátua de Sal, 22/04/2018)

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Acabei de assistir ao Eixo do Mal. Daniel Oliveira ausente. Presentes Pedro Marques Lopes, Clara Ferreira Alves e um troglodita, Luís Pedro Nunes de seu nome. O assunto era a avaliação da transmissão pela SIC e CMTV dos vídeos do interrogatório a José Sócrates.

Marques Lopes e Clara, tendo ambos professado que consideram que Sócrates é culpado – na sua avaliação pessoal, pelo menos, e para já, no plano ético -, defenderam os formalismos do Estado de Direito, consideraram a transmissão das televisões um espectáculo de pornografia em horário nobre, um crime previsto no Código Penal a exigir investigação rápida e aprofundada, culminando nas previstas sanções legais. E foram os primeiros a pronunciar-se.

Qual o meu espanto quando o Nunes começa, em gesticulação de possesso, a largar as maiores alarvidades que tem sido dadas à estampa em televisão nos últimos tempos. Que a SIC tinha feito muito bem. Que as “peças” tinham sido muito bem feitas e que tinham um relevante interesse jornalístico. Que os crimes eram de tão alto coturno, sendo Sócrates o grande destruidor do país, pelo que era perfeitamente justificável a decisão das televisões. E bateu o pé aos seus colegas de programa quando estes o interpelaram e contradisseram.

Ó Nunes, que tu eras um parvinho, uma espécie de bobo do Eixo, já todos nós sabíamos. Que desças tão baixo, que queiras colocar o Estado de Direito debaixo do tapete para dares vazão à tua conhecida fobia a Sócrates – uma espécie de caso clínico a necessitar de urgente tratamento -, ultrapassou todos os limites. Tu, afinal, és um troglodita. Só te falta o machado de sílex para atacares ursos, como se estivesses no tempo da barbárie e da pedra lascada.

Não é que não suspeitasse, mas confirmei, as razões pelas quais te é dado tanto tempo de antena. És uma voz ausente de princípios, um personagem de ópera bufa, vazio, e pronto colocares o teu latim de gago que se baba ao serviço de quem te paga as mordomias.

E falas tu do Sócrates ter destruído o país. O que destrói o país e corrói o nosso desígnio colectivo é pulularem por aí chusmas de tipos como tu, sem cerviz nem neurónios que se vejam, tipos que defendem o regresso à barbárie, à terra sem lei, e que da civilização tem apenas um verniz postiço à flor da pele.

 

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Costas e Ferrões e a Justiça de pelourinho

(Por Estátua de Sal, 21/04/2018, 01h)

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Estive a ver a SIC Notícias. O Mano Costa e o Ferrão ao leme no Expresso da Meia-Noite. Pareciam coscuvilheiras e lavadeiras de roupa suja à volta do lavadouro a falar do mau porte da filha da vizinha que andava enrolada aos sábados com o taberneiro e com o padre aos domingos.

Para a SIC, o taberneiro é o Sócrates e o padre é o Ricardo Salgado. A vergonha perdeu-se. A SIC e o Expresso, que à época dos supostos “crimes” beijava a braguilha ao Salgado, agora descobre que afinal o Salgado sempre tinha tido a braguilha murcha, pouco limpa e pouco recomendável.

Em vez de se penitenciar pela criminosa divulgação dos interrogatórios a Sócrates, uma canalhice que devia fazer encher de vergonha qualquer jornalista decente, a SIC chafurda nas escutas, nos vídeos transmitidos à margem da lei e ergue a bandeira da pulhice como lema. É uma novela de pérfido mau gosto.

Que interessa saber se a mulher do Santos Silva não gostava do Sócrates? Que interessa saber se as cortinas do apartamento de Paris eram cor de rosa ou azuis? Talvez numa telenovela mexicana das mais rascas e lamechas isso possa ser relevante, mas nunca para a partir dessas minudências inferir a culpabilidade de quem quer que seja.

Mas, sibilinamente, as lavadeiras foram dizendo ao que vem: atacar o Governo, e nomeadamente o PS. Que o Sócrates tinha um projecto totalitário para o país, disse um deles, queria dominar tudo, a economia, a comunicação social e até a Justiça! E retorquiu o outro: É estranho, que nenhum dos membros deste Governo, que também foram ministros de Sócrates nunca tivesse dado por nada.

E diz outro: – E esta historia do Manuel Pinho e do Salgado, perante ela toda a classe política está calada, nomeadamente o Governo.  E todos concordaram. Amén.

O Mano Costa e o Ferrão parecem o Patilhas e Ventoinhas, inspectores fictícios criados pelos Parodiantes de Lisboa de saudosa memória. Mas já que tem tanto jeito para chafurdar na cusquice eu tenho muito mais casos para lhes entregar: perguntem ao Dr. Ricardo Salgado para quem foi o milhão das luvas envolvidas no negócio dos submarinos e que, nem à família, ele quis identificar. Perguntem ao Dr. Relvas e ao Passos para onde foi o dinheiro que a União Europeia reclama no caso da Tecnoforma, perguntem à Dra. Joana Marques Vidal como puderam ser roubadas crianças às mães, traficadas para os bispos da IURD, com a sua concordância e despacho favorável. E se não vos bastar, ainda tenho mais casos para vos colocar debaixo do nariz.

Mas se é para investigar a porcaria, vistam primeiro escafandros protectores, não vá ela fazer ricochete e sujar a suposta postura justiceira da SIC e do Dr. Balsemão, como sucedeu no caso dos Panamá Papers que, a partir de certo momento, tiveram que ser encerrados na gaveta, longe de olhares indiscretos, para evitar danos colaterais indesejados.

E, já agora, não pisem muito os calos ao Ricardo Salgado; e se o forem incomodar peçam licença, façam vénia e perguntem antes se ele tem disponibilidade na agenda para vos receber. O Alexandre e o Rosário já perceberam isso e tem-no tratado com a deferência que é devida a um banqueiro de velha linhagem porque devem ter percebido o lema, feito aviso, que há uns meses o Dr. Ricardo deixou a pairar sobre as cabeças de muito boa gente deste país: – O leopardo, quando morre, deixa a sua pele.

Pois é. Se o Dr. Ricardo abre a boca, não teremos um caso de polícia, mas um caso de regime. É por isso que Sócrates deve estar a rir-se à grande da inépcia do Procurador Rosário quando atrelou o Salgado e a PT nas fraldas do Marquês. E mais deve estar grato à SIC por lhe ter dado tanto tempo de antena com esta história dos vídeos dos interrogatórios. É que, quem sai como herói da novela é ele, tal a convicção com que se defendeu, e tal o atropelo e a devassa a que foi sujeito.

O Procurador fez figura de inapto e de vilão. As provas ninguém as viu, nem a cores nem a preto e branco. E mesmo muitos dos que sempre acharam que Sócrates é culpado, hesitam hoje na sua condenação, ou pelo menos na sua condenação com estes métodos, e com estes requintes de malvadez e insanidade.

É que, todas as elucubrações da SIC nas peças que construiu a partir dos vídeos, começam invariavelmente com a ladaínha : “A investigação acredita que…. bla… bla… bla…”. Note-se o verbo acreditar. É portanto, uma questão de fé. Nunca é dito que a investigação provou ou demonstrou.

Eu espero que a Inquisição já tenha acabado em Portugal e já não se condene ninguém por autos de fé. O Procurador Rosário acredita. Bom, também eu acredito em muita coisa – em cada vez menos ícones, diga-se de passagem -, mas não acho que isso seja suficiente para acusar seja lá quem for, e muito menos para condenar alguém ao cárcere.

E, em relação à SIC e às sonsas masturbações dos Costas, Ferrões, Ferreiras e quejandos, deixem-me que vos diga que eu não só acredito que tenham cometido um crime como o afirmo com todas as letras, como bem disse hoje, finalmente, a Ministra da Justiça (Ver aqui)  vindo a sofrer por isso a punição devida. Pelo menos eu ainda  quero acreditar nisso.

 

Escândalo para o Tavares: um jornal português tem agora um director que não é de direita

                                            (Penélope, in Blog Aspirina B, 19/04/2018)
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O João Miguel «Calúnias» Tavares tem, de facto, uma patologia mental associada à existência de Sócrates. Vive obcecado, irado, doente com o sujeito e o tema. Pobre homem. É uma grafonola de uma nota só. Ele é no Governo Sombra, ele é no Público, o jornal da Sonae, ele é “everywhere” e sempre que possa.

Intolerável para ele, hoje, no Público, é o facto de Ferreira Fernandes ter sido nomeado director do DN. E dirão vocês: mas o que é que isso tem que ver com o Sócrates? Para ele, tudo. Primeiro, diz ele, tudo isto foi secreto (já as nomeações dos directores dos outros jornais são, como todos sabemos, postas à discussão pública). Depois, Sócrates alimentou, diz ele, em tempos idos, o sonho de ter alguém mais de esquerda à frente de um jornal, num contexto informativo em que a direita tudo controlava (e controla). Isso já de si era, para este bípede, crime. Agora que FF está à frente do referido jornal, aí está: foi o Proença de Carvalho (presidente do grupo Global Media e considerado aqui o executante dos sonhos de Sócrates) que convenceu o dantes renitente FF a aceitar. Como vemos todos (olé!), Sócrates está por detrás do arranjo. E, nesse caso, estamos perante um escândalo de proporções inimagináveis, eu diria mesmo de um crime de atentado ao Estado de direito. Onde é que se pode admitir um jornal que não tenha um director que repudie total, completamente e a letras negras o governo de Sócrates? Digo o governo, porque a pessoa propriamente dita não basta.

Mas o escândalo não acaba aqui. Mal pôs os pés na Direcção, FF enveredou de imediato, também ele (olha quem), pela via do crime. Crime, versão Tavares: não quer editoriais. Novamente me perguntarão os leitores: e o que é que isso tem que ver com o Sócrates? Podem não acreditar, mas, mais uma vez, tem tudo! É que, se houvesse editoriais, o director teria que escrever sobre a Operação Marquês (cuja versão do Ministério Público passa em capítulos – melhor, episódios da 1ª temporada – na SIC, sem que os protagonistas recebam qualquer remuneração, note-se, pelas horas de entretenimento, e anúncios, que proporcionam, nem tenham sido tidos ou achados para a inesperada e ingrata profissão que se vêem desempenhar). Ora, como toda a gente sabe, pelo julgamento da SIC, que o Sócrates é o maior vigarista e ladrão que já passou pela política portuguesa, o Ferreira Fernandes, se escrevesse editoriais como era seu dever, seria obrigado, nesta fase da novela, a penitenciar-se pelo que em tempos disse de Sócrates: “ele é o melhor primeiro-ministro que já tive”. Sem editoriais, já não. E pronto, é isto. Brilhante.

Claro que, sobre a dança que envolve os directores do Público, da TSF, do Expresso, da SIC, Jornal de Negócios, Sábado, RTP, etc., ou sobre a inamovibilidade de outros, e ainda sobre a propriedade dos OCS em geral, nomeadamente o daquele que lhe paga para o que faz, o Tavares nada tem a dizer.

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Para quem não tem acesso ao Público, deixo aqui alguns excertos:

“Ferreira Fernandes tomou posse como director do Diário de Notícias a 3 de Abril, numa das mais silenciosas mudanças de direcção da história da imprensa — nesse dia, o seu nome apareceu em primeiro lugar no cabeçalho do jornal, e pronto. Até hoje, Ferreira Fernandes não disse ao que vinha, não explicou o que queria, não dirigiu aos leitores um só “bom dia, sou o novo director”. A única decisão visível que tomou a 3 de Abril foi acabar com os editoriais, uma novidade em Portugal entre os diários de referência, e provavelmente no mundo. É uma opção bizarra, mas com vantagens.”

[…]Esta é a explicação que nos é devida. Se em 2014 Sócrates não conseguiu impor todos os nomes que desejava, hoje, com a entrada da misteriosa KNJ na Global Media, via Macau, o que existe é isto: Proença de Carvalho, ex-advogado de Sócrates, como chairman; Afonso Camões, o “general prussiano que não se amotina”, como director do JN; Ferreira Fernandes, o favorito de Sócrates, como director do DN;[…]