(José Sócrates, in Diário de Notícias, 11/12/2023)

Um ministro esteve sob escuta das autoridades durante quatro anos. Quatro anos. A violência estatal é completamente obscena, não apenas no sentido de alguma coisa suja e indecente, mas também no sentido de ob-scaena, algo fora de cena, algo de inconcebível em democracia. Mas ninguém disse nada. Ninguém criticou. Nem advogados, nem professores de Direito, nem políticos, nem sequer os ativistas políticos ligados aos Direitos Humanos que, como sabemos, têm um extremo cuidado na seleção das vítimas que defendem. O ministro não é uma boa vítima.
Entretanto, no Partido Socialista decorre uma campanha interna para disputa da liderança com dois candidatos que aparecem todos os dias na televisão. Foram colegas do ministro. São amigos do ministro. Não obstante, nenhum deles se sentiu obrigado a falar do assunto. Os deveres de companheirismo parece que já não obrigam ninguém naquele partido. Nada de pessoal, trata-se de evitar o incómodo para o partido – é só política, ou o que pensam que a política é. E, no entanto, antes não era assim. A interessante interrogação política que fica no espírito é: como foi possível, em tão pouco tempo, mudar a cultura política de um partido?
Um pouco de lembrança. O Partido Socialista formou a sua identidade política na batalha pelo Estado de Direito democrático. A sua cultura política foi construída, no essencial, no momento em que o partido recusou sacrificar as liberdades constitucionais em nome de um qualquer fim social, por mais nobre que fosse. Dito de outra forma, os socialistas portugueses nunca aceitaram trocar garantias constitucionais individuais por finalidades coletivas. É isso que queríamos dizer quando, em mil novecentos e setenta e cinco, falávamos em socialismo em liberdade – o socialismo ou é livre ou não será socialismo nenhum.
Já houve tempos em que os socialistas, mesmo aqueles que não tinham especial preparação teórica, sabiam, instintivamente, o que queria dizer a liberdade que defendiam. A liberdade positiva de participar nas eleições, nos debates públicos e nas decisões coletivas, com certeza. Mas também a liberdade negativa, aquela que limita o poder do coletivo, o poder do Estado, o poder do Nós, o poder dos outros sobre o indivíduo. Aquela que se indigna com os abusos de poder estatal e que não os aceita – nem os silencia. Retiradas as garantias constitucionais ao cidadão, nada mais é seguro. Por estes dias o Partido Socialista soube que um seu ministro esteve sobre escuta durante quatro anos e não houve nenhuma reação. Tudo normal.
Dos dois candidatos à liderança do Partido Socialista, dizem que um é moderado e que o outro é corajoso. Quanto a este último parece que carrega consigo essa marca maldita de independência e de atrevimento que a moderna cultura política associa ao radicalismo político. Mas, enfim, é assim mesmo, os partidos, como os povos, evoluem nas suas sensibilidades políticas. Fundado por Mário Soares, o Partido Socialista parece que hesita agora sobre a importância e o significado da coragem política. Veremos. Quanto ao primeiro candidato, que ainda é ministro, fiquei a saber que ficou “profundamente desagradado” com um cartoon sobre o racismo policial. Todavia, igual indignação não afligiu o seu espírito quando foi informado de que o seu antigo colega foi escutado durante quatro anos pelas autoridades penais. Mas o ministro é moderado, tão moderado que a sua sensibilidade política estará sempre mais próxima do prestígio das instituições que dos direitos individuais.
Entre a autoridade das organizações estatais e a liberdade individual, os novos políticos, cheios de “sentido de Estado”, conferem primazia à primeira e desprezo à segunda. É triste, bem sei. Seja como for, é assim que estamos: um ministro socialista foi escutado durante quatro anos seguidos e, no Partido Socialista, ninguém protesta. Ninguém diz nada.
Há uns anos um coronel israelita que chefiava o departamento jurídico do Exército escrevia, a propósito da tática de assassinatos-alvo que a ONU classificava como execuções extrajudiciais: “Se fizermos qualquer coisa durante tempo suficiente, o mundo acabará por aceitar (…). Nós inventámos a tese dos assassinatos-alvo e tivemos de a impor (…). O Direito Internacional progride por violações.” Não é apenas o Direito Internacional que progride por violações, é também o Direito Penal. Por violações e pelo silêncio.
Antigo primeiro-ministro e principal arguido na Operação Marquês
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Não ha necessidade nenhuma de ser ordinário lá porque não concordamos com os outros. Mas se achas que há não sou eu quem te vai dizer que não.
Dizes algumas coisa certas mas isso também dizem do Ventura e por isso isto pode acabar mal.
Presumo que os políticos antes de Abril de 1974 fossem todos honestos apesar de os meus avós que sobreviveram nesse tempo me dizerem que não.
Nso vou ver se o mar dá choco mas vou ao mar o ano todo. Com muito gosto.
Um pseudónimo e um direito que me assiste até que me digam o contrário. Aliás nem é um pseudónimo mas um nome que criei para, me designar dadas as minhas carácteristicss física antes de me meterem no bucho um veneno experimental.
Recuperar, a saúde, já para não dizer uns quilos tem sido uma batalha mas, vê lá, continuo a não acreditar no linchamento a moda antiga, assim quero continuar e não conto meter a minha sensibilidade em lado nenhum.
Realmente eu sou um perfeito “troll”, o que se há de fazer? Chocar as pessoas é uma forma de as pôr a pensar e acredita em mim se quiseres, estes são tempos em que a ignorância e a preguiça mental têm tudo para custar mais caro do que o azeite. Para mim não é nada pessoal. O mesmo para a Maria e o Joaquim. O teu pseudónimo não me incomoda, apenas está na minha natureza dar sempre a cara e assumir por inteiro tudo o que digo ou faço, na net ou na vida. Já disse aqui que aprecio os teus textos. Volto a dizê-lo, mas falta-lhes sempre “qualquer coisa”. Deixo uma pista sobre isso no meu próximo texto, sem estar a falar de ti em particular. Lamento, sinceramente, que tenhas problemas de saúde e espero que eles se resolvam em breve.
Vou só pousar aqui um última vez que este tema já cheira mal.
É sabido que o povo português gosta de corruptos, é uma forma também de se revoltar contra o Estado que lhes tolhe as vidas. Há diversas maneiras de dizer as coisas e eu optei neste caso por dizê-las de uma forma humorística, em parte para divertir as pessoas capazes de entender o humor, em parte para evidenciar o caráter caricato do personagem. Houve até quem tivesse demonstrado não ter entendido absolutamente nada do que eu escrevi, a começar pelo sentido da citação, e ainda se arrogasse a dar-me lições de moral, e se não ter capacidade nem para interpretar um simples texto não é imbecilidade eu não sei o que é. A análise semântica, no meu tempo aprendia-se na escola primária.
Para quem já viveu alguma coisa e possui capacidade de observação não é difícil constatar que Sócrates é um vigarista encartado, mesmo que as provas desse facto não fossem de tal forma gigantescas que tapariam o Sol. Isso foi bem visível, por exemplo, na forma como ele manipulou os interrogatórios da PJ a que foi sujeito. Ele tem exatamente os mesmos tiques de Vale e Azevedo. O seu estilo de discurso é semelhante ao que é usado nos filmes de Hollywood quando o ator pretende caraterizar um vigarista.
Mas para alguns ditos progressistas aqui ele ainda é um “senhor” que pertencente à elite política portuguesa (a mesma que desgraçou este país e ainda não acabou o trabalho) e portanto deve ser respeitado como os velhos senhores feudais. Até que o estômago os leve a pensar de outra maneira. Tudo tem o seu tempo. Como eu já disse aqui várias vezes, cada povo tem o que merece.
Este é um país no qual menos de 10% da população possui mais de 90% da riqueza e quer desesperadamente aumentar o seu pecúlio mesmo que tenha de matar toda a gente à fome. Esse é o trabalho desenvolvido por Sócrates e por toda a canalha política que vem governando este país desde Abril de 74, e ainda há quem se diga progressista e ache que está tudo muito bem e se não está, paciência, não se pode fazer nada e o sistema jurídico é o garante da nossa “democracia”, temos de preservar os nossos “valores”, não podemos é ficar parecidos com o Brasil.
A palavra “democracia”, seja qual for o significado mais ou menos criativo que cada um lhe resolve atribuir, significa “poder do povo” ou “poder popular” (demos+kratos) e o que temos em Portugal nem é parecido com isso. Não há democracia num Estado em que existe uma tal disparidade na distribuição da riqueza, tal como não existe em nenhum país do tão decantado Ocidente Global. Não pode haver democracia no seio de uma ditadura económica, o poder do dinheiro será sempre usado por quem o possui para estrangular os direitos do povo que vive do seu trabalho.
Se formos capazes de ver através do véu de enganos e fantasias que nos agitam diariamente de todos os lados, este sociedade pouco difere das que existiram no passado, por exemplo nos tempos do absolutismo ou do Império Romano. Apenas a força foi substituída pela propaganda porque ela é bem mais eficaz no controle das massas (mas o plano B continua sempre lá, como bem sabe que já enfrentou uma carga dos gorilas do MAI) e o progresso científico trouxe um maior conforto às populações. As tiranias persistem com uma roupagem diferente, mas ainda são tiranias.
Não se pense que isto irá durar para sempre. Quem entendeu as lições da História sabe que o fino e débil véu da prosperidade desaparece muito rapidamente. Desapareceu na Ucrânia em poucos anos, ela que era a região mais próspera e rica da antiga URSS e seria hoje, caso não tivesse caído nas mãos de magnatas corruptos sem escrúpulos, um dos países mais ricos de toda a Europa. O caso deles não difere tanto assim de Portugal, apenas chegaram mais rapidamente a um patamar de degradação superior. Mas não se preocupem, com “defensores da democracia” como o Whale (tens medo de quê, pá, para te esconderes atrás de um pseudónimo?), o Joaquim e a Maria, lá chegaremos.
Basta que a guerra se estenda novamente ao continente europeu, e todas as lições da História indicam que isso irá acontecer, para que as cadeias de suprimentos que entram no país sejam interrompidas, deixe de haver energia e toda a parafernália tecnológica se torne inútil, haja saques aos supermercados feitos por multidões aterrorizadas, que as pessoas se matem umas às outras nas cidades por comida e, depois, que comecem a comer-se umas às outras. Não é preciso que desponte aqui um “cogumelo laranja”. O regresso à Idade da Pedra está mesmo aí ao virar da esquina. E é por esse caminho que nos levam os distintos políticos e a sua cambada de “paineleiros” que se afadigam diariamente para manter a populaça no “caminho certo”.
E ainda há quem se preocupe com o facto de que Portugal não pode em caso algum ficar semelhante ao Brasil, numa típica demostração do interminável espírito de “superioridade racial” tipicamente português e europeu. Temos de preservar os “nossos valores”, sobretudo os de invenção recente. O problema é que a Europa não tem valores nenhuns, apenas decadência moral e intelectual. A podridão a que se assiste não veio do nada. Ela veio da estupidez e da inação dos que muito se têm preocupado ao longo de décadas em preservar os nossos “Valores Europeus”. É muito fácil encontrar paralelo entre as novos “valores” sociais que nos dias de hoje nos atiram à cara diariamente e os sintomas de decadência no final do Império Romano que na verdade lhe ditaram o fim. Mas vou deixar essa parte para outra ocasião.
Ainda não há muito tempo as grandes farmacêuticas usavam os povos africanos como cobaias para testarem novos medicamentos, com resultados horrendos para essas populações, servindo-se de governos corruptos compostos por gente sem escrúpulos enfeudada aos países ocidentais. Há até um excelente filme sobre isso, baseado num romance do antigo espião britânico John le Carré, “O Fiel Jardineiro”.
Bem, a situação em África está a mudar e isso tornou-se muito mais difícil. Mas não há problema, os políticos europeus encontram-se exatamente na sua fase de desenvolvimento certa para tomarem o lugar dos africanos nesse processo, só é preciso inventar-se uma pandemia de baixa intensidade para lhes dar o necessário pretexto, e ela ainda vai servir para se testar também algumas novas formas de subjugação que poderão vir a ser úteis num futuro próximo. As populaças da Europa estão exatamente no ponto certo de estupidificação para que tudo dê certo. Neste momento elas até aceitariam uma disciplina de BDSM obrigatória nas escolas primárias!
Eu que tenho tido uma relação próxima com a população progressista brasileira em várias plataformas de discussão na net, não tenho dúvidas de que eles não têm nada a aprender com os seus equivalentes portugueses. O Brasil é membro fundador do movimento que se apresenta hoje como verdadeiro motor do desenvolvimento dos povos do chamado Sul Global (ao qual Portugal, pelas suas características próprias, devia pertencer se não tivesse escolhido tornar-se colónia dos países mais ricos e decadentes da Europa pela ação de traidores como Sócrates. E mesmo com Bolsonaro, nunca se desviou do caminho certo. Então, eu gostaria de que quem se acha aqui superior aos brasileiros, ou que a colónia que tem por nome Portugal tem algum moral para dar lições ao Brasil ou a qualquer outro país, seja de que tipo for, mordesse a sua língua suja até fazer sangue.
Na China existe a pena de morte para crimes do tipo de que Sócrates é acusado. E isso não é por acaso. A corrupção corrói os pilares das sociedades até à sua destruição. Não foi por acaso que eles chegaram onde estão agora.
Então, Whale, se não gostas da minha forma de me expressar, e se achas que o que está em jogo não justifica uma linguagem forte, mete a tua delicada sensibilidade no orifício que te der mais prazer e vai ver se o mar dá choco.
P. S.: Chamar imbecil a uma ameba que distorceu o que eu disse para, sem me conhecer de lado nenhum, me chamar corrupto, é apenas uma aproximação suave e delicada do que eu penso da natureza da criatura. A “definição científica” teria feito facilmente disparar o controle do Askimet para obscenidades. Só pra que conste.
Correcção crucial: esse é o trabalho desenvolvido por por toda a canalha política que vem desgovernando este país desde Novembro de 75 (a “elite política” de que fala e que tratou de reciclar os da “ala liberal” da velha Assembleia Nacional e respectivos numerosos herdeiros)!
Todos podemos ter direito às nossas opiniões e ja deu para perceber que de bom grado metia o Sócrates na cadeia e deitava a chave ao mar. Podemos todos ter os nossos ódios de estimação, que pessoalmente se apanhasse o Passos Coelho ia lhe a tromba. Mas o que não podemos é seguir o belo exemplo do nosso fiscal e chamar imbecil a quem todo o direito a sentir se assustado com a possibilidade de um qualquer poder judicial se levar anos a espiar alguém. Que tem todo o direito a não achar normal que os dados de um processo vão todos parar a praça pública do Correio da Manhã.
E não, as horrendas violações dos direitos humanos na Palestina não podem deslegitimar queixas de abuso de poder. Porque se não temos de todos nós aceitar todas as aleivosias. É como agora podermos dizer a uma desgracado que espera por uma consulta há meses que na Faixa de Gaza aqueles trastes dos israelitas deram cabo dos hospitais todos.
E se não concordas nao xingues o pessoal de imbecil porque tirando o fiscal andamos todos ao mesmo. Sabemos que há muita coisa que está mal. Mas o justicialismo pode levar nos ao Brasil.
O Lula também foi considerado ladrão, corrupto até a medula e o diabo a quatro e depois foi aquilo que se viu. O ano e meio que passou a sombra por ordem de um juiz fascista e que nem Santo António lhe tira de cima.
No meu país, chamem me os nomes que quiserem, prefiro que escape o culpado que muitos inocentes caiam nas garras do fascismo e que alguém passe pelo que aquele desgracado passou. Até o levarem algemado ao funeral de um neto.
Bem dito!
Há políticos e políticos, se há corruptos também há muito boa gente que da política só conheceu as dores de cabeça e nem a própria casa conseguiu comprar. Foi sempre alugada.
Correr todos os políticos a corrupção so faz o frete a tal direita caceteira que tem galgado em todo o lado a custa do descontentamento em relação aos políticos. Depois temos casos como o louco que agora foi eleito na Argentina que se rodeou de ministros que teem em comum o facto de nenhum deles ter a ficha limpa. Para quem se fez eleger em nome do combate à corrupção dos políticos não há dúvida que é um bom começo.
Sei que há políticos corruptos, claro que os há, mas o justicialismo não nos leva a lado nenhum ou, pior ainda, pode nos levar ao Brasil.
E se a justiça pode andar durante quatro anos a espiar um dos tais cidadãos protegidos pelo tal batalhão de advogados quem nos acode a nós?
Como disse não tenho simpatia nenhuma pelo traste que detonou um jornalista português enquanto ele estava numa frente de batalha, podendo ser alvo de nazis.
Mas arrepia me a ideia de que a justiça possa assim andar a espiar as conversas de um, sem precisar de dar grandes explicações sobre porque o faz.
Imaginem que decidem começar a espiar quem acha os israelitas uns trastes porque podem ser apoiantes do terrorismo. Era um rico sarilho para alguns de nós, não era?
José Neto: chapeau!
“Odiar é beber veneno,
e esperar que o outro morra”
Esta frase, atribuída a William Shakespeare, de certa forma aplica-se ao nosso impagável José Sócrates. Ele tem obviamente alguns casos muito mal resolvidos com a Justiça Portuguesa, e com o próprio Partido Socialista que de muito apressadamente o excomungou (cambada de ingratos!) e por essa razão não perde uma oportunidade de sair de debaixo das pedrinhas e dar o seu bote sempre que a ocasião se apresenta.
Quero deixar desde já bem claro e cristalino o meu profundo acordo com Sócrates, quando ele lamenta, e muito bem, que as organizações de Direitos Humanos não se preocupem em proteger os políticos gatunos. Trata-se de uma omissão inadmissível da parte dessas organizações. Já os políticos honestos, esses precisam é de ser protegidos pela Greenpeace.
Um humorista de que não recordo o nome, disse na altura que os interrogatórios dos inspetores da PJ a José Sócrates não têm qualquer valor jurídico porque foram feitos sob tortura. Sócrates torturou os pobres polícias com a sua conversa fiada durante todo o tempo. E, como a CMTV divulgou as gravações das sessões de interrogatório, ele torturou a paciência de metade da população portuguesa também.
Sabe-se que as várias leis sobre crimes de colarinho branco, que em países como a Alemanha, por exemplo, cabem perfeitamente em uma folha de papel A4, em Portugal se estendem por dezenas, e até mesmo por centenas de páginas, porque é necessário deixar suficientes buracos, janelas e alçapões por onde as ratazanas maiores possam escapulir-se com a inestimável colaboração dos seus exércitos de advogados.
Por essa razão os políticos raramente são caçados pelas “forças da ordem”. Eles são mais escorregadios do que o sabonete que nos escapa das mãos dentro da banheira.
Recordo-me de uma frase de Robin Williams num filme engraçado, supostamente para um público infantil (era uma versão da história de Peter Pan) em que ele diz que os laboratórios farmacêuticos estão a pensar substituir as suas cobaias tradicionais por advogados.
As razões são simples:
1. Os ratos tendem a despertar uma certa simpatia da parte dos cientistas;
E,
2. Os advogados fazem alegremente coisas que até mesmo os ratos não conseguem aceitar.
Graças a Sócrates, todos pudemos assistir em direto na TV a uma excelente demonstração de manipulação da Lei por parte do distinto Juiz Desembargador Ivo Rosa, que no entanto não levou imediatamente ao afastamento deste personagem inacreditável.
Isso só veio a ocorrer mais tarde, quando o seu nome foi expelido da boca de um ladrão (ou traficante, já não me recordo) miserável, que usou a prerrogativa de um telefonema a partir da prisão para ordenar à sua mãe que fosse procurar o dito jurista e lhe desse mil paus para ele o tirar da cadeia. Tendo a preocupação de frisar bem à velhota que nem pensasse em lhe oferecer quantia superior, os mil euros eram mais do que suficientes.
Depois de o Ministério Público ter feito seguir a respetiva escuta, o nosso herói teve rapidamente direito a um diagnóstico de “problemas cardíacos” que o obrigavam a “descansar” sem limite de tempo. Após o que, segundo me constou, acabou por ser desterrado em permanência para o TPI, que como se sabe é um conceituado organismo internacional onde só entra gente de bem.
Os ricaços portugueses perderam ali um grande amigo, essa é que é essa. Mas pronto, nada dura para sempre.
Lembro-me muito bem da bela lição de vida que me foi proporcionada pelo célebre e muito distinto Juiz Rui Rangel, grande amigalhaço do antigo Presidente do Benfica Luís Filipe Vieira (que como se sabe também era um perfeito menino de coro) o qual certa vez disse, depois de ele próprio ser preso por corrupção, que “os juízes são a classe menos confiável em Portugal”. E eu nunca vou desdenhar essa interessante informação, porque o Rui Rangel é Juiz, e certamente não é de confiança. É sempre bom escutar a opinião de um especialista.
Na parte final do engraçado texto, não me surpreendeu a jogada do velho Sócrates, ao tentar relacionar o genocídio de milhares de crianças palestinas ao seu próprio caso pessoal. É exatamente o tipo de jogada que sempre se espera de um espécime daquela estirpe.
Bem, acabei. Peço desculpa, ando mesmo de cabeça no ar, reparei agora que não comentei realmente praticamente nada do que Sócrates disse no texto disponibilizado acima.
Mas ele disse alguma coisa?
Um pequeno “Post Scriptum” para reconhecer que Sócrates pode até ter alguma razão para estar ressabiado com os seus “camaradas” do PS que o votaram ao ostracismo. Mas os políticos burgueses são assim mesmo, o que se há de fazer?
Eles roubam até nas senhas de gasolina e nos bilhetes de avião, favorecem indevida e descaradamente todos os familiares e amigalhaços nos mais diversos negócios e negociatas, constroem instalações desportivas para o seu clube favorito com o dinheiro dos contribuintes, distribuem obras desnecessárias pelos “lobbies” do cimento armado, fazem jantaradas com presidentes de clubes comprovadamente corruptos. Eles até promovem a inoculação de crianças com uma vacina experimental perigosa e completamente inútil contra uma doença que para elas é inofensiva, só para não “aborrecerem” as multinacionais farmacêuticas.
Mas depois, se um deles se deixa caçar pela polícia, é como se de repente tivesse lepra. Não há nada a fazer. Se os papéis se invertessem o Sócrates faria a mesma coisa. Desde há muito que se discute se há ou não há honra entre ladrões. Mas está cientificamente provado que ela não existe entre políticos.
🙂
Não renegando o que te disse há dias, digo-te agora que reincidiste, com agravantes, no episódio do “homem na Lua”. Antes de mais, declaro que simpatia pelo Sócrates tenho nenhuma. E se já não a tinha quando ele começou a ser conhecido, com menos fiquei ainda graças à sua actuação como ministro do Ambiente do Governo Guterres, em que deu cobertura a atropelos ambientais graves no traçado da A2 (Auto-Estrada do Sul) que me prejudicaram directamente e a familiares. Apesar das aldrabices cometidas pela empresa que a Brisa contratou para fazer o Estudo de Impacte Ambiental, que apontei depois de centenas de horas perdidas, pestanas queimadas e muito dinheirinho gasto, aldrabices essas integralmente reconhecidas, por escrito, pelos departamentos estatais encarregados de as analisar, foi guerra que acabei por perder. Como na altura me disse um assessor de imprensa do Ministério das Obras Públicas, depois de uma reunião no Ministério para a qual o então director de projectos da Brisa foi convocado para debater o assunto com o secretário de Estado e comigo: “Nós já percebemos que você e todos os que estão a protestar têm toda a razão e podíamos obrigar a Brisa a voltar ao traçado anteriormente aprovado pelas câmaras municipais e juntas de freguesia da zona, que teve ainda o acordo de organizações ambientalistas como a Quercus e a LPN (Liga para a Protecção da Natureza), o que é coisa rara. Mas, se os obrigarmos, eles começam a arrastar os pés noutras obras, com variados pretextos, nomeadamente reparação ou manutenção de outras estradas, a que estão obrigados por contrato, e nós, Governo, ficamos sem obra para mostrar, não há mais inaugurações para ninguém. Os cargos de topo da Brisa estão nas mãos do PSD e do CDS e nós somos um Governo PS. Vontade não lhes falta de nos lixarem, só precisam de pretextos.” Não garanto a reprodução ipsis verbis, mas foi basicamente isto que ele me disse, com uma honestidade e franqueza que merecem respeito.
Dos pecados então cometidos por Sócrates para viabilizar a Auto-Estrada para o Algarve sem grandes problemas, porém, nenhum tem minimamente a ver com corrupção, o crime principal de que é acusado, pelo qual já lhe roubaram um ano de liberdade, que querem usar para lhe roubar a liberdade durante mais uns aninhos e que serviu para lhe estragar irremediavelmente a vida. Isto, sim, são factos mais do que provados, e por estes factos, para mim crimes, não me parece que alguém vá ser punido. O homem queria mostrar serviço, “deixar obra”, como eles gostam de dizer, deixar a sua marca no “desenvolvimento do país”, e para isso limitou-se a fazer o que todos fazem: um golpe de rins aqui, uma curva mais apertada ali, um atalho acolá, uma chicuelina acoli. O mesmo que o Galamba ou o presidente da Câmara de Sines no presente. Mas não ganhou dinheiro com isso, nem sequer meia dúzia de robalos. Nem ele nem o Guterres, que era o chefe do Governo na época e estava a par de tudo. Sei que acabei atropelado, nada me consolando não ter sido o único, mas isso não me dá o direito de o acusar de “ladrão” ou “político gatuno”, como fazes, ou de dar como provada a acusação de corrupção, como também deixas implícito. Quando muito, podia acusá-lo de “condução perigosa”. De corrupção não vi até agora uma única prova, e se viste alguma o mínimo que podes fazer aqui é apontá-la. Está excluído, obviamente, o simples copy paste das fantasiosas teses rosário-alexandrinas. Em relação aos pecados reais de um político, no exercício das suas funções, como os que Sócrates praticou, tenho o direito de o castigar nas urnas, mas não de o acusar falsamente de crimes que não cometeu e roubar-lhe a liberdade, a coisa mais preciosa que todos temos enquanto vivos.
Que viveu à conta do amigo rico, guincham os direitolos arrepelando os cabelos. E isso é crime? Imoral poderá ser, mas se calhar nem isso. Os anos em que foi ministro do Ambiente (julgo que antes disso foi também secretário de Estado não sei do quê), mais aqueles em que foi primeiro-ministro, deram-lhe uma “carteira de contactos”, nomeadamente a nível internacional, que prometiam, obviamente, tachos futuros garantidos, com proventos chorudos (olha só para o Durão Burroso). Ou seja, José Sócrates tinha garantido um futuro extremamente confortável de desafogo económico e agradável convívio com as elites económicas e sociais do planeta. A vida sorria-lhe, com a dentuça escancarada, e havia por aí muito direitolo rancoroso a quem isso tirava o sono. E porque não fazer uma “sabática”, pensou ele ainda, e enriquecer o currículo durante uns tempos numa actividade não remunerada, na famosa Sciences Po? As gordas remunerações que o futuro garantia, bastando-lhe apenas escolher onde, permitir-lhe-iam sem qualquer dúvida pagar rapidamente os empréstimos do amigo financiador.
E se o amigo já era comprovadamente rico antes de ele ser ministro ou primeiro-ministro, que porra de sentido faz a tese rosário-alexandrina, que com um golpe de magia recicla o amigo rico em pobre e afirma que toda a riqueza de que dispunha era afinal de um Sócrates então comprovadamente pobrezinho? Insisto: que sentido faz dizer que o dinheiro do amigo rico afinal provinha da corrupção de um Sócrates que ainda não tinha sido corrompido, porque não ocupara nenhum dos cargos em que no futuro iria corromper-se? Atão não queres lá ver que a lógica rosário-alexandrina vai finalmente solucionar a velha questão do ovo e da galinha?
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“Ele tem obviamente alguns casos muito mal resolvidos com a Justiça Portuguesa”, acrescentas. E isso é o quê? É alguma coisa que se coma? Ter “casos muito mal resolvidos com a Justiça Portuguesa” prova alguma coisa? Meio caminho andado, como o Euromilhões? Isso é a lógica da tasca ordinária que dá pelo nome de correio da manha, pá. Já agora, aproveito para te informar que a CMTV não é vista por “metade da população portuguesa”. Mas incansável, velas enfunadas, de vento em popa, acrescentas: “Não perde uma oportunidade de sair de debaixo das pedrinhas e dar o seu bote.” O que é que queres? O homem não baixa a bola e não verga a mola, e assim os deixa verdes de raiva. Bem haja por isso, é coisa rara que só me merece respeito. Já agora, onde é que viste o “exército de advogados” do Sócrates?
E é então que recolhes as velas, ligas os motores e levas as chalupas todas à frente, qual couraçado americano: “Graças a Sócrates, todos pudemos assistir em direto na TV a uma excelente demonstração de manipulação da Lei por parte do distinto Juiz Desembargador Ivo Rosa, que no entanto não levou imediatamente ao afastamento deste personagem inacreditável.” Não assisti a essa cena, devia estar a chonar, terás porventura a paciência de explicar a este ingénuo dorminhoco em que consistiu essa “excelente demonstração de manipulação da Lei” e quando e onde aconteceu? E o facto de a “personagem inacreditável” (sic) do juiz Ivo Rosa, depois de ter “o seu nome expelido da boca de um ladrão” (que disse à mãezinha para o comprar com “mil paus”), ser o suficiente para o Ministério Público “ter feito seguir a respectiva escuta” não te assusta? Mais loguinho vou telefonar a uma prima a dizer que o José Neto, que comenta na Estátua de Sal, recebeu cem mil paus, ou rublos, do Putin para chamar nazis aos nazis de Kiev. E explico-lhe que o sei porque recebo o mesmo para fazer a mesma coisa. E aí estás tramado, ó Neto, e eu contigo, malhamos os dois com os ossos na pildra por traição à pátria. “Segundo me constou, acabou por ser desterrado em permanência para o TPI” e “os ricaços portugueses perderam ali um grande amigo” Descobriste essa onde? Num pacote da ‘Farinha Amparo’? Eu a pensar que a ida para o TPI, com as vantagens económicas, de prestígio e de enriquecimento do currículo que acarreta, era coisa que os juízes queriam, e pediam, e agora, depois de velho, fico a saber que é um buraco para onde são desterrados os meninos que se portam mal! Sorte malvada!
Cereja em cima do bolo, acabas a descobrir que, “no final do engraçado texto, não me surpreendeu a jogada do velho Sócrates, ao tentar relacionar o genocídio de milhares de crianças palestinas ao seu próprio caso pessoal”. Eh pá, isso só pode ser dislexia! O que o Sócrates põe na boca do coronel israelita é: “Nós inventámos a tese dos assassinatos-alvo e tivemos de a impor (…). O Direito Internacional progride por violações.” Está obviamente a referir-se aos assassínios com um alvo bem determinado previamente, como os cientistas nucleares iranianos ou o xeque Ahmed Yassin, chefe espiritual do Hamas, cuja perigosa cadeira de rodas blindada foi desfeita pela tropa nazionista numa sofisticadíssima operação alada. Nem o coronel nazionista nem o Sócrates fazem qualquer alusão ao “genocídio de milhares de crianças palestinas”. E basta ler o texto do Sócrates para verificar que ele não relaciona minimamente com isso a sua situação.
E essa de que o juiz “Carlos Alexandre é inofensivo”, em termos de rigor de análise, é um primor, pá, certamente partilhado por todos os desgraçados que ele atirou para o chilindró, onde passaram meses que ninguém lhes devolverá, antes de serem ilibados de acusações muitas vezes sem pés nem cabeça!
Resumindo: tu não gostas do Sócrates, eu também não. Achas que isso justifica dar cabo da vida do homem com acusações infundadas, eu não.
Sobre o Ivo Rosa:
https://www.dn.pt/sociedade/juiz-ivo-rosa-desiste-da-candidatura-a-procurador-europeu-16204900.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ivo_Rosa#%3A%7E%3Atext%3DIvo_Nelson_de_Caires_Baptista%2Cpara_os_Tribunais_Penais_Internacionais.?wprov=sfla1
Joaquim, não são acusações infundadas. O homem é corrupto até à medula mesmo que nunca venha a pagar pelos seus crimes graças à originalidade da Justiça portuguesa, feita por corruptos à medida dos corruptos.
Se por acaso viste a transmissão em direto do triste espetáculo do Ivo Rosa, deves ter percebido que ele não negou a culpabilidade do ridículo personagem, antes se socorreu de expedientes jurídicos, como a prescrição, a par de múltiplos raciocínios imbuídos de uma lógica alienígena retorcida, para o livrar da maior parte. Não conseguiu fazê-lo com todos apesar de visivelmente se esforçar bastante. A maior parte desses crimes acabará por ser reposta pela Relação, mas entretanto o tempo vai passando.
E algumas das afirmações que ele fez, como a de que Sócrates não era obrigado a declarar ao IRS fundos recebidos ilegalmente (basicamente subornos) para além de porem em evidência o caráter do indivíduo, levaram praticamente todos os especialistas consultados a saltar das respetivas cadeiras em frente às câmaras, por ser uma asneira inadmissível num jurista. Era obrigado a declarar sim senhor.
Praticamente todas as decisões desse sujeito acabam rejeitadas a jusante e ele está mais do que desmascarado no meio jurídico em Portugal.
https://expresso.pt/sociedade/2020-10-14-Tribunal-da-Relacao-contraria-decisao-de-Ivo-Rosa-e-valida-jornalistas-como-assistentes-na-Operacao-Marques
https://observador.pt/2021/10/14/caso-edp-relacao-acusa-ivo-rosa-de-ato-arbitrario-e-evidente-e-inaceitavel-ilegalidade-por-revogar-um-despacho-de-carlos-alexandre/
https://observador.pt/especiais/por-que-razao-ivo-rosa-perde-tanto/
A propósito, há uma petição a correr na net para expulsar esse indivíduo de toda a atividade judicial e tem bastantes assinaturas, incluindo a minha, que aproveito para divulgar aqui.
https://peticaopublica.com/confirm.aspx?id=95055,194338,382726
De futuro talvez devesses evitar avaliar os outros com base em ti próprio. A contrário de ti, eu estou habituado a pensar. Todas as afirmações que fiz aqui resultam de análises e conclusões amadurecidas que já estão comigo há muito tempo. Já são muitos anos a estudar e a pensar o fenómeno social, cerca de cinco décadas. Não são coisas de que eu me tivesse lembrado agora.
Que fundos, em concreto, é que o Sócrates recebeu ilegalmente? Quanto e quando recebeu o Sócrates em troca de serviços, ou favores, ou ilegalidades? A favor de quem? Que favores foram esses? Onde estão as provas desses pagamentos? Os únicos pagamentos, em dinheiro vivo, por transferência ou em cheques que o MP apresenta são os do amigo, o Santos Silva, afirmando, sem provas, que eram intermediação de pagamentos camuflados de terceiros, a tal bendita corrupção. Quanto a provas, népia, nicles pròs pikles! A “diplomacia económica”, ou lobbying, ou influencing, ou seja o que for que lhe queiram chamar, na Venezuela ou noutro país qualquer, visando conseguir trabalho para empresas portuguesas, fosse o Grupo Lena ou outra qualquer, não conta, porque, apesar de só falarem do Lena (porque convém, porque o amigo do Sócrates trabalhou lá, ou trabalhou para lá), as empresas privadas a quem o Sócrates tentou arranjar contratos noutros países foram muitas. Não é diferente do que faz o primeiro-ministro de qualquer outro país, se não for um idiota chapado. Julgo que até o beijoqueiro, ainda que mais disfarçadamente, também o tem feito, e acho muito bem que o faça.
“O homem é corrupto até à medula” porque tu, o correio da manha e outros assim o decidiram? E agora engrossas o pelotão do mainstream merdia direitolo juntando ao pacote o Espesso e o Observador? Daquilo que vi, o homem poderá, quando muito, ser acusado de fuga ao fisco, se o tribunal decidir que os empréstimos foram doações e ele não pagou o imposto de selo (antes chamado imposto sobre sucessões e doações).
Também não vi qualquer “triste espetáculo do Ivo Rosa”, mas sim um tipo que, apesar de lhe chamarem homo, como se isso interessasse a ponta de um corno, provou ser mais homem do que muito hetero de papel passado e da boca para fora que por aí rasteja choramingando. É mais um que não baixa a bola e não verga a mola, ao contrário dos valentões do Faecesbook e do ToEatYou, ToCheatYou & ToShitYou que se fartam de rosnar, bem cosidos com as paredes. E tu sabes do que falo, porque, honra te seja, também lhes dás nas orelhas e tens provado que cobardia não é a tua praia.
O Ivo Rosa “está mais do que desmascarado no meio jurídico em Portugal”? O quê? O tal meio jurídico em que 98% dos candidatos a procuradores do MP fazem copianço num exame do CEJ (Centro de Estudos Judiciários), como foi denunciado há alguns anos? Achas que os de hoje, milagrosamente, são diferentes?
E que raio de ideia estrambólica é essa de um cardume de peixes de variadíssimas espécies se “reunir” em abaixo-assinado para decidir sobre como um falcão ou uma águia de que não gostam deve ou não deve voar? O que sabem os peixes, sejam eles carapaus, tubarões ou robalos, com escamas ou pelados, de aeronáutica com penas?
E então agora decidiste que, ao contrário de ti, eu não estou habituado a pensar? Pôcera, ó Neto, apesar das discordâncias, seria incapaz de sobre ti fazer tal juízo. Lamento que em relação a mim não tenhas o mesmo escrúpulo, mas contra isso nada posso fazer.
Grande comentário. Não poderia estar mais de acordo. 🙂
Tem, porém, o Shakespeare razão, e tu com ele:
“Odiar é beber veneno,
e esperar que o outro morra”
“Espero que não esperes” que o Sócrates morra, o homem faz exercício e parece de muito boa saúde. Enfim, podes sempre esperar que seja atropelado, ou que um míssil desgovernado do Hamas lhe caia em cima da sanita quando estiver a descomer o almoço.
E o melhor de tudo é ter o Pinto de Sousa a reclamar para si uma, ou mais, costelas Socialistas (com o punho cerrado e cravo na lapela,presume-se) Ele, que sempre disse de si mesmo “que era o líder que a direita portuguesa sempre quis ter e não tem”!…
Meu caro Neto. Depois de elencares as “aleivosias” desses dois juízes, fiquei estupefacto por nem uma vírgula teres dedicado ao Carlos Alexandre. Nem quero crer que o consideres um “justiceiro” como o faz toda a direita, desde o Montenegro ao Ventura… 🙂
Carlos Alexandre é elogiado pela direita porque isso dá boa propaganda e na verdade ele é inofensivo. Praticamente todos os seus processos, que começam sempre espetacularmente, são depois paulatinamente cancelados a jusante, nem que seja pelas inevitáveis prescrições. Há muitos expedientes jurídicos que existem para o efeito e a máquina está montada precisamente para que isso aconteça. Mas ele fez a sua parte para impedir que o meu Benfica fosse vendido à socapa pelo Vieira a um especulador americano, o tal John Textor. Foi só por essa razão que eu o deixei escapar por entre os pingos da chuva!
E antes que tu perguntes, não, a CMTV ainda não conseguiu encontrar a “Grávida da Murtosa”…
🙂
Se ele disse alguma coisa ?? disse, por acaso disse até muita coisa: a primeira e mais importante é que somos todos cúmplices de fechar os olhos a uma violação de direitos civis tão grave como a que é citada em relação a João Galamba. A segunda é que quando um partido como o PS deixa de estar atento à defesa deste tipo de direito, está a escancarar as portas para uma sociedade punitiva em que os direitos de cada um desaparecem ao sabor da vontade e pela acção de alguns. Em terceiro, lamento mas não acho que Sócrates esteja a comparar os palestinianos com quer que seja mas sim a usar uma situação para ilustrar e constatar outra. E mais uma vez bem ! “Não é apenas o Direito Internacional que progride por violações, é também o Direito Penal. Por violações e pelo silêncio.” É claramente o que está a acontecer neste país de há largos anos a esta parte (nomeadamente pela mão doe personagens como Carlos Alexandre. Por ultimo deixe-me dizer-lhe José Neto, que me desaponta bastante o seu parágrafo sobre como Carlos Alexandre salvou o seu Benfica sabe-se lá de quê…e que por isso “o deixa passar entre os pingos da chuva”…prova de que todos somos um bocadinho corruptos n’est ce pas ? desde que a coisa vá no nosso sentido…
E para se entender uma piada é preciso ter sentido de humor, o que implica ter QI superior ao de uma galinha. O que não é obviamente o seu caso, minha cara. Quando começar a ver cogumelos laranja, talvez entenda finalmente como é frívola a sua preocupação a respeito dos “direitos humanos” de que se queixa o gatuno acima. Basicamente o direito dele próprio e da seita a que ele pertence continuar a pilhar este país e a condenar o seu povo à miséria, ao servilismo de outros e ao esclavagismo funcional com o apoio de miseráveis imbecis como você.
Muito bem dito.
Caro estatua, fico sem perceber se o “muito bem dito” é para mim (Maria) ou para o senhor Neto que diz que tenho um QI pequeno por não entender o seu suposto humor (duvidoso a meu ver) ?
Quanto ao senhor Neto, percebo que tenha as suas ideias em grande consideração (são as suas e muitas vezes gosto de o ler) mas não tenha a arrogância de acreditar que as suas ideias espelham sempre a verdade…e tratar de imbecis todos os que o contrariam é uma imbecilidade só por si.
Como o “muito bem dito” foi em resposta ao seu comentário, é óbvio que era para si.
Bom dia, como isto aparece desformatado, no telemóvel, não estava a perceber. Obrigada 😊
Simpatia pelo Sócrates, nenhuma. Simpatia pelo Galamba, menos ainda.
Mas não deixa de ser assustador que um cidadão possa ter as suas comunicações sob escuta durante anos sem que ninguém se chateie muito.