O governo português tem sangue palestiniano nas mãos

(Ricardo Esteves Ribeiro,, 10/12/2024)


A Comissão Nacional da Unesco premiou a Fumaça – Podcast de Jornalismo de Investigação -, com o prémio “Direitos Humanos & Integração” para reportagem “Trinta e dois e setecentos”.

Ricardo Esteves Ribeiro, jornalista da redação da Fumaça, foi receber o prémio, atribuído pela Comissão Nacional da UNESCO e pela #PortugalMediaLab, estrutura de missão para a Comunicação Social criada pelo governo, e desancou o nosso Governo, mormente o Ministro Paulo Rangel, pelo apoio ao genocídio em Gaza. Imaginem a cara do Rangel ao levar com as bandarilhas discursivas naquele lombo amigo de assassinos.

Ver notícia mais desenvolvida e súmula do discurso aqui e discurso integral no vídeo abaixo.

Duscurso de Ricardo Esteves Ribeiro

Os vigaristas dos 3% para a NATO

(Carlos Matos Gomes, in Facebook, 16/12/2024, revisão da Estátua)


Há uns tempos apareceu na comunicação social o anúncio vindo dos estados Unidos que os países da NATO tinham de contribuir com 3% dos orçamentos para as despesas militares. Era o devido. Com 3% os países europeus podiam vencer a Rússia e o mais que viesse.

Ninguém, nem entre especialistas de comentário, de opinião, de invenção, de comentário e de opinião perguntou pelo racional dos 3%. Três por cento porquê? E porque não treze, ou trinta, ou qualquer outro valor? Estamos perante uma – mais uma – mistificação que os dirigentes nos querem meter pela goela como se se fôssemos gansos destinados a produzir fois gras.

Se um mestre-de-obras nos dissesse que precisávamos de gastar 3% do nosso orçamento na remodelação da nossa casa, a primeira pergunta que faríamos seria: e com esse dinheiro faço o quê? Melhoro o quê?

Acresce que não vivemos todos na mesma casa. 3% do orçamento da Alemanha é capaz de dar para comprar uma frota de F35 e um porta-aviões, mais dois submarinos e um satélite.  3% do orçamento português deve  dar para comprar um barco patrulha Mondego e promover uma meia dúzia de generais e almirantes.

Nenhum secretário da NATO, nem nenhum ministro da Defesa explicou a razão dos 3%. E mais. Nenhum secretário da NATO, nem nenhum ministro da defesa de qualquer país da NATO (nos outros é idêntico) é capaz de explicar o custo de um qualquer sistema de armas. Nenhum é capaz de estabelecer o custo de produção de um avião, de um helicóptero, de um navio, de um carro de combate. Nenhum dos políticos que reclamam 3% para compras de armamento é capaz de apresentar a estrutura de custos de um qualquer sistema de armas. Nenhum faz ideia do custo de uma hora de operação de um avião ou de um navio.

Mas é evidente que há um preço que o comprador paga: mas esse preço é fixado pelo vendedor de acordo com os seus interesses em vender e dos benefícios que pode obter: por exemplo, pode obrigar o comprador a adquirir um programa de treino e manutenção – depois vende os sobressalentes ao preço que quer.

A hora de operação de um sistema de armas é calculada por referência a um dado modelo ou equipamento. Do género, a referência base é um C130, que tem um coeficiente 1, um F16 será, p.ex, vezes 2,6. E é assim que os orçamentos se cozinham. Outro modo (americano) é estabelecer um orçamento base incluído no orçamento da Casa Branca depois gasta-se o necessário para operar os meios. Nenhum político saberá, pois, dizer quanto pagou o Estado para Investigação e Desenvolvimento, em direitos de propriedade intelectual, ou em subsídios às universidades.

Em resumo, quando alguém falar em 3% para despesas militares peçam a fatura discriminada, como se faz nos restaurantes. O resto é discurso de vendedores de banha da cobra.

Zelensky e Al-Julani recauchutados

(Joaquim Camacho, in Estátua de Sal, 15/12/2024, revisão da Estátua)


(Este artigo resulta de um comentário a um texto que publicámos sobre a situação geopolítica mundial, (ver aqui). Pela sua atualidade e pelo seu sentido cáustico, retratando a realidade da manipulação a que nos querem sujeitar, resolvi dar-lhe destaque.

Estátua de Sal, 15/12/2024)


É bem sabido que o Império não brinca em serviço e não se poupa a esforços para controlar a perceção que os borregos têm da realidade, essencial para o seu condicionamento e para que, como borregos, continuem a comportar-se.

Pouco depois do início da invasão russa da Ucrânia, soube-se, pelo site americano Grayzone (de Max Blumenthal e Aaron Maté, salvo erro), que, para tornar simpática e palatável aos olhos dos ovinos ocidentais a imagem dos nazis e das instituições corruptas paridas pelo golpe de Maidan, foram contratadas 134 agências de comunicação, quase todas americanas.

Lavandarias há muitas, né? Mais tarde, a imagem de Herr Zelensky von Pandora Papers, engenhariada e retocada até à obscenidade, continuou e continua a beneficiar do trabalho de algumas dessas lavandarias. Daí aquele ar ridiculamente marcial do dono da pila pianista, os bíceps gordinhos em permanente exibição pretensamente viril (eu diria pornográfica), áreas enormes da parte superior das patilhas e do cabelo da testa diariamente barbeadas, apenas para parecer mais inteligente, etc.

Imagem do concerto em que Zelensky tocou piano com o pénis…,

O Putin, só porque apareceu uma ou duas vezes em tronco nu, em cima de um cavalo, nunca mais se livrou do gozo dos humoristas das ocidentais praias, ridicularizando o que apontavam como manifestação de virilidade tóxica do mafarrico da Moscóvia. Imagine-se o que aconteceria se, em vez de duas vezes em tronco nu em cima de um cavalo, o senhor do CremeLin exibia diariamente, há dois anos, os bracinhos nus, bamboleando a bunda com aquele andar gingão de chuleco do Bairro Alto que Herr Zelensky nos esfrega diariamente no focinho.

Pois bem, agora atentem também na imagem recauchutada que as televisões e jornais nos impingem diariamente do terrorista chefe da Hayʼat Tahrir al-Sham (HTS), a Al-Qaeda síria agora milagrosamente reciclada em campeã da democracia e dos direitos humanos.

Comparem-na depois com as que podem ser vistas aqui e aqui e digam-me lá se não se trata de uma manobrazinha subliminar para amolecer eventuais resistências de algum povo, que a si próprio se vê como “de esquerda”, saudoso dos tempos em que se julgava romanticamente simpatizante de revoluções longínquas.