A importância do pensamento crítico, segundo Arendt, Kant, Jaspers e Benjamin.

(Carlos Russo Jr, in Proust.net, 18/12/2024)


Pensar criticamente significa iluminar a trilha do pensamento em meio aos preconceitos, às opiniões não examinadas, e às crenças com seus dogmas.

Nem dogmático nem cético, o pensamento crítico corresponde à modéstia destruidora que questiona as possibilidades e o limites do pensar. E isto Kant o fazia sem poder vivenciar pessoalmente a liberdade, sob a Prússia reacionária de Frederico II!

Se alguém perguntar-me sobre o que considero como características fundamentais do pensamento crítico eu elencaria, antes de tudo, a reflexão sobre o próprio pensar, depois o pensamento modesto e, finalmente, a popularização do pensar filosófico, por si só questionador.

Dado que o ser humano como tal só existe na comunicação e na consciência dos outros, devemos compartir para aprender, escolhendo nossas companhias, já dizia Arendt. E se essa escolha significa escolher determinados pensadores ou certos companheiros de jornada, com o objetivo da busca de um caminho próprio, que será sempre unicamente nosso, aberto para as questões do presente! De modo que os pensadores escolhidos se tornem contemporâneos e não o contrário.

O Passado possui suas luzes e trevas, mas somente o Presente é vida e é nele que devemos aspirar viver a liberdade! E viver a liberdade será defrontar-se permanentemente com o “eterno fascismo¸ como nos ensina H. Eco.

Ao pensarmos criticamente, a verdade deixa de ser una e estática ou absoluta, assim como a via de acesso a ela. Trata-se de aprender a lidar com o Passado, aliando o querer conservar ao querer destruir de W. Benjamin, para quem buscar significados é sempre um reexaminar sem fim e a cada resultado obtido segue-se a dissolução deste, e, após isto, um reexame, num “eterno retorno” de Nietsche.

Se os conhecimentos dogmáticos se estabelecem, isso ocorre porque os “insigts” da razão são tratados como resultados do conhecer e que, uma vez consolidados, ganham o status de “resultados científicos” e tornam-se inquestionáveis. Tendo o pensamento dogmático como alvo, Kant diferencia razão do intelecto, e entre estes a atividade do raciocínio daquela que é apenas senso comum; as atividades do pensar passam ao lado da atividade do conhecer.

Logo, o senso comum, o “bom senso” não se confunde com o pensar. E a ciência, em si, é um prolongamento extremamente refinado do bom senso. Pensar, raciocinar, usar a razão é procurar aprender os significados. A parcela do conhecimento que nasce do pensar é o significado, permanecendo a razão como condição básica para o intelecto.

A irreflexão e a perda das “asas da liberdade”.

Sócrates é o descobridor da “consciência em si”, e para ele “seria melhor que uma multidão discordasse de mim do que eu, sendo um, discordasse de mim mesmo e entrasse em contradição comigo mesmo”.

Aquele que não pensa não se constitui como personalidade, apenas chega a ser uma “personna”, um possuidor de máscaras, um protótipo da consciência fascista. O não- pensante não precisar se ocupar com a harmonia de um “eu interior”, ele não precisa prestar contas do que faz ou do que diz, e nem se importará em cometer um crime, do qual, aliás, se esquecerá no momento seguinte.

Kant, por seu lado, ressaltou que “o diálogo consigo mesmo” é a forma de manifestação da pluralidade humana e contradizer-se significa tornar inimigos os dois parceiros do diálogo interior. “O eu é uma espécie de amigo”. Como nos recorda Arendt, Catão, o romano, dizia com sabedoria: “nunca um homem está mais ativo que quando nada faz, nunca está menos só do que quando está consigo mesmo. Isso o faz refletir”.

A irreflexão ocorre por parte daqueles que se ocupam das coisas do mundo e nunca param para pensar. Ela pode ser encontrada até mesmo em pessoas eruditas, em cientistas e em pessoas inteligentes.

No III Reich Alemão, por exemplo, havia intelectuais e eles eram assassinos altamente cultos, “embora nenhum deles tenha composto um poema a ser lembrado, uma música digna ou um quadro que alguém penduraria na parede” (Jaspers).

Isso porque nenhum talento pode suportar a perda da integridade que experimentamos quando perdemos a capacidade comum de pensar, de lembrar e nos emaranhamos no navegar do acovardamento.

O não pensar se torna um problema social em momentos de crise, quando os antigos padrões e códigos de conduta e ética caem por terra. É quando aqueles que não pensam se deixam levar pelas novas regras que terminam sendo ditadas por bandidos movidos por ideologias, ideologias que espelham que mundo deveriam ser segundo eles próprios, um mundo criminoso, fascista.

Arendt admite que ninguém pode viver sem preconceitos, pois não é possível julgar novamente e continuamente todos os acontecimentos. Isto exigiria uma bagagem e um estado de alerta sobre humanos. Mas “viver sem preconceitos” não vale para a política, que se baseia na formação de opiniões, e não é válido para os momentos de crise, quando é necessário discernir-se o certo do errado. Por isso mesmo “aqueles que pensam, precisam aparecer para julgar os acontecimentos políticos nos momentos de crise”.

A História demonstrou ser prenhe de pessoas que, mesmo sob condições do terror mais extremo, são capazes de resistir, julgando o que é certo e o que é errado, e agirem de acordo com suas consciências.

O problema da irreflexão é que aqueles, que se conduzem por códigos e regras, são os primeiros a aderir e a obedecer. O nazismo, os autoritarismos e as tiranias, que sempre buscam se implantar na humanidade, substituem o não matarás pelo matarás.

Aquele que não pensa possui um eu que não fundou raízes, é um ninguém. São seres humanos que se recusam a serem pessoas. No entender de Jaspersser ninguém é pior que ser mau; esse ser, o ninguém, se revela inadequado para o relacionamento com os outros, porque os bons e os maus são, no mínimo, pessoas. É isto que faz da banalidade do mal o pior dos males: espalha-se rapidamente sem necessidade de qualquer ideologia.

O ser livre.

A ideia de que nascemos para a liberdade sugere que de algum modo estamos condenados a sermos livres e esta é uma espantosa responsabilidade da qual se tenta escapar com a ajuda de diversas doutrinas, como o fatalismo, o niilismo ou o fascismo.

Se a pedra de toque de um ato livre é sempre a nossa consciência de que poderíamos ter deixado de fazer aquilo que de fato fizemos, o verdadeiro pensar não aceita as condições sob as quais a vida dos homens é dada.

Onde quer que os homens se encontrem, todos nós somos movidos pelo desejo de sermos vistos, ouvidos, comentados, aprovados e respeitados pelas pessoas que nos rodeiam. A virtude por esta paixão, que se chama emulação, o desejo de superar os outros, entretanto, quando se torna um vício transforma-se em ambição o que leva o “homem da polis” a aspirar ao poder por meio da distinção. Aí encontramos os principais vícios e virtudes psicológicas do homem político.

No entanto, quando a vontade de poder se aparta do desejo de distinção, tal como é o caso do tirano ou do espírito que se corrompe no processo, não se trata mais de um vício, mas uma condição que tende a destruir toda a vida política.

E agora o que importa, o que está em questão, já é o valor da própria vida e a possibilidade de perda das asas com que vivenciamos a liberdade, caso abdiquemos da responsabilidade do pensamento crítico!

Fonte aqui.

Desdobra-se um novo mapa geopolítico – O fim da Síria (e da “Palestina”, por agora)

(Alastair Crooke, Resistir, 18/12/2024)


A Síria entrou no abismo – os demónios da Al-Qaeda, do ISIS e os elementos mais intransigentes da Irmandade Muçulmana estão a rondar os céus. Há caos, pilhagens, medo e uma terrível paixão pela vingança escalda o sangue. As execuções nas ruas são frequentes.

Talvez o Hayat Tahrir Al-Sham (HTS) e o seu líder, Al-Joulani, (seguindo instruções turcas), pensassem controlar as coisas. Mas o HTS é um rótulo guarda-chuva, tal como a Al-Qaeda, o ISIS e a An-Nusra, e as suas facções já caíram em lutas intestinas. O “Estado” sírio dissolveu-se a meio da noite; a polícia e o exército foram para casa, deixando os depósitos de armas abertos para os Shebab pilharem. As portas das prisões foram escancaradas (ou forçadas). Alguns, sem dúvida, eram prisioneiros políticos, mas muitos não o eram. Alguns dos presos mais cruéis vagueiam agora pelas ruas.

Os israelenses – em poucos dias – evisceraram totalmente a infraestrutura de defesa do Estado em mais de 450 ataques aéreos:   mísseis da defesa aérea, helicópteros e aviões da força aérea síria, a marinha e os arsenais – todos destruídos na “maior operação aérea da história de Israel”.

A Síria deixou de existir como entidade geopolítica. No Leste, as forças curdas (com o apoio militar dos EUA) estão a apoderar-se dos recursos petrolíferos e agrícolas do antigo Estado. As forças de Erdogan e os seus representantes estão empenhados numa tentativa de esmagar completamente o enclave curdo (embora os EUA tenham agora mediado uma espécie de cessar-fogo). E, no sudoeste, os tanques israelenses apoderaram-se do Golã e de terras para lá de 20 km de Damasco. Em 2015, a revista Economist escreveu: “Ouro negro sob o Golã: Geólogos em Israel pensam ter encontrado petróleo – em território muito complicado”. Os homens do petróleo israelenses e americanos acreditam ter descoberto uma bonança neste local tão inconveniente.

E um grande obstáculo – a Síria – às ambições energéticas do Ocidente acaba de se dissipar.

O equilibrador político estratégico para Israel, que era a Síria desde 1948, desapareceu. E o anterior “desanuviamento das tensões” entre a esfera sunita e o Irão foi perturbado pela intervenção grosseira das novas encarnações do ISIS e pelo revanchismo otomano que trabalha com Israel, através de intermediários americanos (e britânicos). Os turcos nunca se reconciliaram verdadeiramente com o Tratado de 1923, que concluiu a Primeira Guerra Mundial, pelo qual cederam o atual norte da Síria ao novo Estado sírio.

Em poucos dias, a Síria foi desmembrada, dividida e balcanizada. Então, porque é que Israel e a Turquia continuam a bombardear? Os bombardeamentos começaram no momento em que Bashar Al-Assad se foi embora – porque a Turquia e Israel receiam que os conquistadores de hoje se revelem efémeros e possam, em breve, ser eles próprios deslocados. Não é preciso ser dono de uma coisa para a controlar. Como Estados poderosos da região, Israel e a Turquia desejarão exercer controlo não só sobre os recursos, mas também sobre a encruzilhada e a passagem regional vital que era a Síria.

Inevitavelmente, porém, é provável que o “Grande Israel” venha a confrontar-se com o revanchismo otomano de Erdogan. De igual modo, a frente saudita-egípcia-UAE não verá com bons olhos o ressurgimento das novas marcas do ISIS, nem da Irmandade Muçulmana, de inspiração turca e otomana. Esta última representa uma ameaça imediata para a Jordânia, que agora faz fronteira com a nova entidade revolucionária.

Estas preocupações podem levar estes Estados do Golfo a aproximarem-se do Irão. O Qatar, enquanto fornecedor de armas e financiador do cartel do HTS, pode voltar a ser ostracizado por outros líderes do Golfo.

O novo mapa geopolítico coloca muitas questões diretas sobre o Irão, a Rússia, a China e os BRICS. A Rússia tem desempenhado um papel complexo no Médio Oriente – por um lado, conduzindo uma guerra defensiva em escalada contra as potências da NATO e gerindo interesses energéticos fundamentais; por outro lado, tentando moderar as operações da Resistência em relação a Israel, a fim de evitar que as relações com os EUA se deteriorem totalmente. Moscovo espera – sem grande convicção – que possa surgir um diálogo com o próximo Presidente dos EUA, em algum momento no futuro.

É provável que Moscovo chegue à conclusão de que os “acordos” de cessar-fogo, como o Acordo de Astana sobre a contenção dos jihadistas dentro dos limites da zona autónoma de Idlib, na Síria, não valem o papel em que foram escritos. A Turquia – um garante do Acordo de Astana – apunhalou Moscovo pelas costas. É provável que a liderança russa se torne mais dura em relação à Ucrânia e a qualquer conversa ocidental sobre cessar-fogo.

O líder supremo do Irão disse a 11 de dezembro: “  Não deve haver dúvidas de que o que aconteceu na Síria foi planeado nas salas de comando dos Estados Unidos e de Israel. Temos provas disso. Um dos países vizinhos da Síria também desempenhou um papel, mas os principais planeadores são os Estados Unidos e o regime sionista”. Neste contexto, o Ayatollah Khamenei rejeitou as especulações sobre um eventual enfraquecimento da vontade de resistir.

A vitória por procuração da Turquia na Síria pode, no entanto, revelar-se pírrica. O ministro dos Negócios Estrangeiros de Erdogan, Hakan Fidan, mentiu à Rússia, aos Estados do Golfo e ao Irão sobre a natureza do que estava a ser preparado na Síria. Mas a confusão agora é de Erdogan. Aqueles que ele traiu, a dada altura, terão de receber o troco.

O Irão, aparentemente, voltará à sua posição anterior de reunir os fios díspares da resistência regional para combater a reencarnação da Al-Qaeda. Não voltará as costas à China, nem ao projeto BRICS. O Iraque – recordando as atrocidades cometidas pelo ISIS na sua guerra civil – juntar-se-á ao Irão, tal como o Iémen. O Irão estará ciente de que os nós remanescentes do antigo exército sírio poderão, a dada altura, entrar na luta contra o cartel do HTS. Maher Al-Assad levou consigo toda a sua divisão blindada para o exílio no Iraque na noite da partida de Bashar Al-Assad.

A China não ficará satisfeita com os acontecimentos na Síria. Os uigures desempenharam um papel proeminente na revolta síria (estima-se que havia 30 000 uigures em Idlib, treinados pela Turquia (que considera os uigures como a componente original da nação turca). Também a China verá, provavelmente, o derrube da Síria como uma ameaça ocidental às suas próprias linhas de segurança energética que passam pelo Irão, Arábia Saudita e Iraque.

Por último, os interesses ocidentais lutam há séculos pelos recursos do Médio Oriente – e, em última análise, é isso que está por detrás da guerra atual.

É ou não é a favor da guerra, perguntam as pessoas sobre Trump, uma vez que ele já assinalou que o domínio da energia será uma estratégia fundamental para a sua Administração.

Bem, os países ocidentais estão profundamente endividados; a sua margem de manobra orçamental está a diminuir rapidamente e os detentores de obrigações começam a amotinar-se. Há uma corrida para encontrar uma nova garantia para as moedas fiduciárias. Costumava ser o ouro; desde a década de 1970, era o petróleo, mas o petrodólar vacilou. Os anglo-americanos adorariam voltar a ter o petróleo do Irão – como tiveram até à década de 1970 – para garantir e construir um novo sistema monetário ligado ao valor real inerente às matérias-primas. Mas Trump diz que quer “acabar com as guerras” e não iniciá-las. Será que o redesenho do mapa geopolítico torna mais, ou menos, provável uma entente global entre o Oriente e o Ocidente?

Apesar de toda a conversa sobre os possíveis “acordos” de Trump com o Irão e a Rússia, é provavelmente demasiado cedo para dizer se se concretizarão – ou poderão concretizar-se.

Aparentemente, Trump tem de garantir primeiro o “acordo” interno, antes de saber se tem margem para acordos de política externa.

Parece que as Estruturas Governantes (nomeadamente o elemento “Never-Trump” no Senado) permitirão a Trump uma latitude considerável em nomeações chave para Departamentos e Agências internas que gerem os assuntos políticos e económicos dos EUA (que é a principal preocupação de Trump) – e também permitirão uma certa discrição sobre, digamos, os Departamentos de “guerra” que visaram Trump nos últimos anos, como o FBI e o Departamento de Justiça.

O suposto “acordo” parece ser que as suas nomeações ainda terão de ser confirmadas pelo Senado e devem estar “do lado” da política externa da Inter-Agência (nomeadamente em relação a Israel).

No entanto, os grandes da Inter-Agência insistem no seu veto às nomeações que afectam as estruturas mais profundas da política externa. E é aí que reside o cerne da questão.

Os israelenses em geral estão a celebrar as suas “vitórias”. Será que esta euforia vai pesar nas elites económicas dos EUA? O Hezbollah está contido, a Síria está desmilitarizada e o Irão não está na fronteira de Israel. Atualmente, a ameaça a Israel é qualitativamente menor. Será isto, por si só, suficiente para permitir o desanuviamento das tensões ou o surgimento de alguns entendimentos mais ampliados? Muito dependerá das circunstâncias políticas de Netanyahu. Se o primeiro-ministro sair relativamente ileso do seu processo no Tribunal Penal, será necessário fazer a grande “aposta” de uma ação militar contra o Irão, com o mapa geopolítico tão subitamente transformado?

Fonte aqui.

Democracia, finalmente, por assim dizer…

(Por Andrea Zok, 17/12/2024, Trad. da Estátua)


Após o saque à Embaixada italiana em Damasco, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Itália, Tajani, diz-nos que “tudo está sob controlo”.

A única omissão insignificante é que não está claro sob que controlo.

Por outro lado, se a Primeira-Ministra Giorgia Meloni ainda está a tentar “estabelecer a responsabilidade” por aqueles que dispararam contra as tropas italianas da Unifil no Líbano, é pelo menos igualmente plausível dizer que se a sua embaixada estiver a ser pilhada, “tudo está sob controlo”.

Em última análise, este é o problema da política contemporânea: as palavras já não valem o ar quente que produzem. As palavras são apenas gestos num ato que envia sinais aos empregadores desses atores-políticos. O seu conteúdo de verdade é zero. E todos sabem que o seu conteúdo de verdade é absolutamente zero.

Mas, ao mesmo tempo, há toda uma dança mediática realizada por mentirosos profissionais, ironicamente chamados de “jornalistas”, cuja principal tarefa é lubrificar as mentiras mais espinhosas para que ainda sejam engolidas.

Portanto, estamos no reino puro da mentira ilimitada, em que encontrar contradições, inconsistências, padrões duplos tornou-se um passatempo infrutífero, porque o que não é mentira é apenas uma mentira por acidente, como um relógio quebrado dá a hora exata duas vezes por dia.

O que ainda não é bem compreendido é que uma esfera pública onde só existem mentiras, manipulações ou verdades acidentais e ocasionais é uma esfera pública que não possui autoridade. Contudo, como todo o poder legitimado provém da autoridade, a esfera pública de hoje já não possui qualquer poder considerado legítimo.

Esta é basicamente a história simples do Ocidente contemporâneo:

1) Mentiras, inconsistências, padrões duplos, omissões seletivas, retórica distorcida e manipulação desenfreada reinam supremas no discurso público.

2) Portanto, o discurso público parece completamente desprovido de autoridade e, portanto, o poder que exerce carece de legitimidade.

3) Na ausência da possibilidade de exercício de um poder geralmente percebido como legítimo, resta apenas a possibilidade de exercê-lo de forma autoritária, coercitiva, envolvendo chantagem, opressão, fraude, que são sistematicamente contrárias às necessidades e desejos da maioria.

E, de acordo com o exposto, isso se chama “democracia”.