Por que os Estados Unidos estão de repente se retirando da Síria?

 

(Valentin Vasilescu, In Rede Voltaire, 21/12/2018)

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A Força Aérea dos EUA está condenada à derrota se confrontar-se com o Exército Árabe Sírio o qual, agora, tem em sua posse materiais antiaéreos russos, os melhores do mundo. A única opção viável dos EUA é retirar-se, poupando-se de humilhações. 


Há uma semana, dois foguetes mísseis S-300 foram instalados em Deir Ez-zor, no leste da Síria. Imediatamente após, a intensidade dos voos da coalizão liderada pelos EUA diminuiu 80% no nordeste da Síria. Desde 18 de setembro de 2018, a força aérea israelense não efetuou mais nenhuma incursão no espaço aéreo da Síria.

Uma delegação do exército israelense, liderada pelo Major General Aharon Haliva (Chefe de Operações), foi a Moscou para conversações com o Major-General Vasily Trushin (Chefe Adjunto de Operações do Exército Russo). As relações entre os dois exércitos deterioraram-se após a destruição do avião russo IL-20, durante o ataque a alvos sírios perto da base aérea russa de Hmeymim pelo F-16 israelense.

A delegação israelense foi a Moscou porque eles não conseguiram encontrar lacunas na zona de exclusão aérea imposta pelo novo sistema da Defesa Síria entregue pela Rússia. Os israelitas acharam que poderiam convencer os russos a fornecer os códigos de segurança para os mísseis sírios. A Rússia, muito claramente, recusou-se a dar esses códigos a eles.

Quais são os elementos da gestão automatizada do espaço aéreo Sírio que impedem os israelitas e os americanos de agir? A Síria recebeu 6 a 8 mísseis S-300/PMU2, com uma gama de ação de 250 km. Os mísseis garantem a segurança dos aviões e alvos militares terrestres sírios. No entanto, eles não são o elemento mais importante.

A gestão é assegurada pelo sistema de gestão automatizada Polyana D4M1. O papel do sistema automatizado de gestão é uma interface necessária para as unidades de ar sírio e o aparelho de defesa antiaéreo trabalharem ao mesmo tempo. O sistema Polyana D4M1 pode cobrir uma área de 800 km2, seguindo 500 alvos aéreos e mísseis balísticos e estabelecendo 250 deles. É graças ao sistema Polyana D4M1 que os centros de comando do exército da Força Aérea Síria também recebem informações externas do avião russo A-50U (AWACS) e de satélites russos de vigilância.

A memória dos servidores de computador do sistema Polyana D4M1 estoca a impressão do radar de todos os alvos aéreos, incluindo os mísseis de cruzeiro e o avião alegadamente “invisível” F-35.

Quando um alvo aéreo é detectado por um radar na Síria, o sistema automatizado Polyana D4M1 envia informações para todos os radares de detecção e sistemas orientadores de aviões e artilharia anti-aérea da Síria e russas. Uma vez identificados, os alvos aéreos são automaticamente marcados como alvos a serem atingidos. Este sistema automatizado garante que os mísseis sírios mais antigos da era soviética (S-200, S-75, S-125, etc.) tornaram-se quase tão precisos quanto o míssil S-300.

A rede Polyana D4M1 também inclui o seguinte:
• o Krasukha-4 para interferir com os radares em terra
• aeronaves AWACS
• aviões de reconhecimento com ou sem pilotos.

A rede também usa os sistemas Zhitel R-330ZH para interferir com o NAVSTAR (GPS), o aparelho de navegação. Ela equipa os meios de ataque (aviões, helicópteros, mísseis, bombas guiadas, etc.).

Qual é a consequência da instalação, pela Rússia, da gestão automatizada do espaço aéreo Sírio?

As bases aéreas militares americanas na Síria consistem essencialmente de tropas de operações especiais. Por isso, queremos dizer uma infantaria ligeira, sem blindagem ou apoio. Eles, portanto, não poderiam afastar um ataque de terra realizado pelo exército Sírio apoiado pela Força Aérea. Tendo compreendido que a Força Aérea dos EUA não seria capaz de passar a barreira antiaérea Síria sem perdas inaceitáveis, eles entenderam que qualquer intervenção dos EUA tornar-se-ia inadequada. Eis porque os EUA acabam de anunciar que irão começar a retirar 2.000 soldados da Síria. Ao mesmo tempo, a Turquia, apoiada pela Rússia, está se preparando para lançar uma nova ofensiva contra o YPG [abreviatura de Yekîneyên Parastina Gel (Unidades de Proteção do Povo) – grupo militar separatista curdo – NdT] no norte da Síria. Estas novas circunstâncias asseguram que o exército Sírio vai lutar ao lado da Turquia. O YPG, treinado e apoiado pelos Estados Unidos, está rapidamente perdendo todos os territórios que havia tomado do Estado Islâmico, os quais, por sua vez, haviam sido tomados da Síria.


Fonte aqui

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A improvável jornada da luz de Natal que brilha em Damasco e se vê em Lisboa. Hoje como há dois mil anos

(Christiana Martins, in Expresso Diário, 2412/2018)

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Uma bola sem árvore, uma ceia com avós mas sem os netos, a saudade de tantos. E a luz, sempre a luz a brilhar. Nas lâmpadas e nos olhos de quem a quer ver. Porque é Natal, lá na Síria e aqui em Portugal. É Natal e há sempre tanta gente que falta. Um conto natalício sob a forma de retratos reais dos abraços que o pensamento é capaz de dar quando faltam os braços para se agarrar…


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Outrora, faz muito tempo, a verdade era algo importante

(Paul Craig Roberts, 16/04/2018, In resistir.info)

Ministério do Estado Profundo.Pergunto-me quantas pessoas, não apenas americanos mas aqueles em outros países, chegaram à conclusão de que hoje os Estados Unidos são menos livres e menos conscientes do que as sociedades em romances distópicos do século XX, ou de filmes como The Matrix e V for Vendetta . Assim como os personagens de romances distópicos não têm ideia da sua situação real, poucos americanos a tem.

O que devemos fazer quanto aos extraordinários crimes de guerra cometidos pelos Estados Unidos no século XXI que destruíram no todo ou em parte sete países, resultando em milhões de mortos, mutilados, órfãos e deslocados? Considere, por exemplo, o último crime de guerra em Washington, o ataque ilegal à Síria. Ao invés de protestar contra essa ilegalidade, os media americanos incitaram-no, aplaudindo a morte e a destruição iminente.

Durante a totalidade do século XXI, Israel, o único aliado de Washington – em contraste com os europeus, canadianos, australianos e japoneses que não passam de vassalos do império de Washington – com o apoio, protecção e encorajamento de Washington continuou o genocídio do povo palestino. Basicamente, tudo o que resta da Palestina é um campo de concentração gueto conhecido como Gaza, o qual é rotineiramente bombardeado por Israel utilizando armas e dinheiro fornecido por Washington. Quando o bombardeamento de Gaza é anunciado, o Povo Escolhido por Deus leva suas cadeiras de descanso e farnéis de piquenique a uma colina com vista para Gaza e aplaude quando militares israelenses assassinam mulheres e crianças. Este é o único aliado da América.

Os crimes cometidos pelos EUA e Israel são horrendos, mas encontram pouca oposição. Em contraste, um suposto ataque no qual se alega terem morrido 70 sírios põe em andamento os carros da guerra. Não faz qualquer sentido que seja. Israel rotineiramente bombardeia alvos sírios, mata sírios e os EUA armam e apoiam os “rebeldes” que o regime Obama enviou para derrubar Assad, resultando em grande número de mortes sírias. Por que subitamente 70 sírios importam para Washington?

Segundo as autoridades de Washington, ou as reportagens presstitutas das suas declarações, duas ou três alegadas instalações sírias de armas químicas foram destruídas pelo ataque com mísseis de Washington. Pense nisso por um minuto. Se Washington bombardeasse ou enviasse mísseis para instalações de armas químicas, uma vasta nuvem de gás letal teria sido libertada. As baixas civis seriam muitas vezes mais elevadas do que as afirmadas 70 vítimas do alegado e não comprovado ataque químico de Assad utilizado como pretexto para o crime de guerra do regime Trump contra a Síria. Não há qualquer evidência que seja destas baixas.

Se houvesse vítimas, o ataque de Washington seria obviamente um crime muito maior do que o ataque químico que ela utilizou como encobrimento para o seu próprio crime. No entanto, os presstitutos americanos estão a cacarejar a lição de que os EUA deram uma lição à Síria e à Rússia. Aparentemente, os media americanos são constituídos por assalariados tão imorais ou imbecis que os presstitutos são incapazes de compreender que um ataque de Washington a instalações sírias de armas químicas, se realmente houvesse existido, é o equivalente a um ataque à Síria com armas químicas.

Como escrevi ontem, quando era editor do Wall Street Journal, se Washington anunciasse que havia bombardeado instalações de armas químicas de outro país como punição pela alegada utilização de armas químicas por parte desse país, os repórteres do WSJ eram suficientemente inteligentes para perguntar: onde estão as vítimas do ataque químico de Washington àquele país? Terá havido milhares de mortos com os gases químicos libertados pelo ataque de Washington? Estarão os hospitais do país super-cheios com os afectados e moribundos?

Se um repórter nos trouxesse uma peça que não fosse nada mais senão um comunicado de imprensa de Washington a afirmar acontecimentos obviamente impossíveis, nós lhe teríamos dito para voltar lá outra vez e perguntar as questões óbvias. Hoje o NY Times e o Washington Post colocam reportagens não comprovadas na primeira página.

Os repórteres de hoje já não verificam mais as fontes, porque já não há mais jornalismo na América. Quando o regime Clinton em acordo com o Estado Profundo que tornou o Clintons super-ricos permitiu que 90% dos media diversos e independentes dos EUA se concentrassem nas mãos de seis companhias políticas, isso foi o fim do jornalismo na América.

Tudo o que temos agora é um ministério da propaganda que mente para viver. Qualquer um no jornalismo americano que conte a verdade ou é imediatamente despedido ou, como no caso de Tucker Carlson da Fox News, é atacado por presstitutos de fora num esforço para obrigar a Fox a substituí-lo. Pergunto-me quanto tempo haverá até que alguma mulher irrompa a afirmar que Tucker Carlson a assediou sexualmente.

Tanto quanto posso dizer, os Estados Unidos são agora um estado policial no qual toda informação é controlada e a população é treinada para acreditar na propaganda ou ser acusada de falta de patriotismo e conluio com terroristas e russos.


Fonte aqui