Paulo Rangel, o pregador falhado

(Estátua de Sal, 01/09/2017)

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Esta coisa da Universidade de Verão do PSD é uma espécie de cartola de mágico de onde pode sair tudo em qualquer momento: coelhos, cavacos, rangeis e todos os outros génios do mal, à excepção do diabo que está em greve, por solidariedade com os trabalhadores da AutoEuropa.

Desta vez saiu, Rangel, o Paulo, pregador de vocação falhada. Não tem pose, não tem voz, restando-lhe apenas o dedinho curto com que ameaça os portugueses com as penas do inferno por darem crédito às “esquerdas radicais”, expressão da qual abusa mas que roubou sem vergonha à D. Cristas que tem a patente registada.

E que aprenderam os jotinhas durante tão terrível prelecção? Pelos vistos não aprenderam grande coisa nem ligaram muito ao assunto. Alguns estavam a navegar no Facebook enquanto Rangel rangia a bom ranger. como se pôde ver nas televisões. Os jotas não estão lá para aprender nada de relevante mas para herdarem os contactos da rede clientelar laranja, os quais os poderão alcandorar no futuro a uma sinecura dourada.

Rangel rangeu e foi triste de ver. Um apoiante do governo pafioso que mais cortou no investimento, nos salários – públicos e privados -, e nos serviços públicos, vir agora acusar o actual governo de cortar no Estado Social, e dizer que todos os desastres recentes, os fogos, os mortos de Pedrogão, as armas de Tancos, as greves, os suicídios (os que aconteceram e os que não aconteceram), se devem a cortes na despesa pública feitos pela actual governação.

Onde estava Rangel quando Gaspar implementou o mais brutal aumento de impostos de que há memória em Portugal – atrevo-me a dizer -, desde o tempo de D. Afonso Henriques? Onde estava Rangel quando os orçamentos eram chumbados sistematicamente pelo Tribunal Constitucional, por não se conformarem com a lei e serem um roubo descarado a céu aberto aos portugueses? Onde estava Rangel quando Passos até os subsídios de desemprego queria taxar com impostos?

Pois eu digo-vos onde estava. Estava a lamber as botas de Passos Coelho (para não dizer a lamber outra coisa), de forma a entrar nas listas de deputados ao Parlamento Europeu, onde não há austeridade nas regalias e nos ordenados principescos desses eleitos, eleitos para não fazerem nada que se veja, mas apenas para criarem um palco onde se simula a democracia, enganando assim os povos da Europa.

Diz Rangel que não há Estado Social mas sim o “estado salarial” de António Costa. (Ver aqui). Que o PS dá com uma mão e tira com a outra. E eu digo, ó Rangel, até podes ter razão. Mas olha, sempre é melhor dar com a mão esquerda e tirar um pouco menos com a direita do que tirar com as duas mãos como o governo pafioso fez sem rebuço nem vergonha.

O problema da direita radical, de onde Rangel é oriundo, é que fica com azia e dores de cabeça sempre que vislumbra uma política que beneficie os salários dos mais carenciados. Trata-se de uma visão fascista da sociedade onde existem os eleitos, aos quais tudo deve ser dado por mérito de divino berço – e onde ele e os seus comparsas se incluem, claro -, e os pobres coitados aos quais é legítimo espoliar, explorar, espezinhar, porque são seres inferiores, animais de carga que só existem para servir a elite dos bem-nascidos. Esta é a ideologia de Rangel e de toda a direita que ele encarna e que tenta pregar aos quatro ventos com a sua exasperante vozinha de cana rachada.

Para Rangel, os eleitos tem o direito de se empaturrar com os recursos da sociedade, ficando refastelados até ao vómito. O que restar, as migalhas sobrantes, essas que sejam então distribuídas pela plebe faminta. E conseguem dormir descansados o sono dos justos, porque os pobres, para eles, não são gente, e não nasceram para terem o direito a ser felizes, tal como não se chora pelo boi quando se come um bom bife da vazia (os que comem).

É este o ideário da direita, de Rangel, e do actual PSD. Eles sim, radicais, déspotas iluminados por um pensamento retrógrado e fascizante. Foi este pensamento que os guiou enquanto foram governo. Como o bolo era curto, e como aos eleitos nada podia faltar, a solução, como sempre, foi a de cortar no bolo (leia-se nos salários e pensões) dos mais fracos. E fizeram-no sem dó nem piedade.

E quando o actual governo, apesar de timidamente – devido ao poder dos rangeis da Europa dos eurocratas, que pensam exactamente da mesma forma -, se atreve a inverter tais políticas, saltam cavacos, coelhos e rangeis desse ninho de lacraus, dessa escola de vícios, que é a dita Universidade de Verão.

Porque eles sabem que o bolo não estica por artes mágicas, e que cada euro que é restituído a quem trabalha é um euro a menos no bolso dos bem-aventurados do costume. É por isso que Rangel e Cristas falam em “esquerda radical”.

Porque a esquerda “não radical”, para Rangel, seria aquela que em vez de pugnar pela alteração do quadro jurídico e institucional que afecta e determina a repartição do rendimento e os direitos de quem trabalha, se limita a pedir esmola à porta das Misericórdias, contentando-se com as sobras da Dona Jonet. E para esse peditório, podemos sempre contar com Rangel e quejandos, como bons cristãos que se gabam de ser.

 

 

 

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OS NEO-CLAUSTROFÓBICOS!

(Joaquim Vassalo Abteu, 06/03/2017)

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Eu sei que há por aí muitas pessoas sensíveis, algumas mesmo supersensíveis e, portanto, aconselho-as a não lerem este texto. É que o assunto, versando a “claustrofobia”, pode chocar muitos daqueles que não gostam de lugares elevados, por causa das vertigens, não andam de avião porque, no ar, estão lá fechados e podem cair, ou porque num comboio estão sujeitos a um descarrilamento. E nem podem falar com o vizinho do lado, não vá ele ser claustrofóbico também…Complicado, não é?

Eu, durante a minha já provecta vida de quase sessenta e quatro anos, muitíssimas vezes ouvi esta palavra e, não sei bem porque razão, sempre a associei a “medo”. Talvez por causa da “fobia” com que termina. Mas essa todos sabemos bem o que significa: medo, repulsa, pânico ou ansiedade provocados por algo, ou por qualquer coisa ou situação. Tudo certo, não é?

Mas, assim sendo, de onde virá a tal “claustrofobia”? Eu, muito natural e simplesmente, mesmo inocentemente até, retratando a verdade do que sou e sempre fui, um inocente crédulo, sempre pensei, e até já aqui o escrevi, que “claustrofobia” era ter medo a claustros! Que outra coisa poderia ser?

Mas ontem, falando com um Amigo bestialmente letrado, ele disse-me que não é bem assim. Que eu estou a ser muito redutor, diz ele. Ao que eu, muito candidamente, respondi: até pode ser mas, se assim for, não sei como há monges, freis ou freiras que permaneçam em conventos. É que aquilo são só claustros! Bem, eu sei que eles só por lá andam meditando, rezando e fazendo daquilo um sacrifício e imolação, em nome do Pai, do Filho e de todos os Espíritos Santos, que são muitos, mas são só um…Talvez…

Mas então ele disse-me que “claustrofóbicos” são aqueles que têm medo de estar fechados: num avião, num comboio, num autocarro ou no meio de um qualquer ajuntamento…Que novidade, disse-lhe eu, acrescentando aqueles que não saem de casa, nem que ela lhes caia em cima! Ele riu-se e eu ainda acrescentei: nem a manifestações vão e até se refugiam nas últimas filas do Parlamento…

Donde concluí que as pessoas livres e livres de qualquer medo, não poderão andar seguras e juntas com essas outras, andar de comboio com elas e de avião nem pensar! E simplesmente porque não conseguirão ser livres, ser independentes e controladas nos sítios onde estão.

Tudo isto se tornou uma novidade para mim, que nunca julguei chegarem estes conceitos ao refinamento a que chegaram mas, ao mesmo tempo, foi um enorme clarão que se abriu na minha visão passando, finalmente, a entender aquilo que de há uns tempos para cá alguns vêm entendendo como “Claustrofobia Democrática”! Em letra maiúscula, dada a sua importância.

Ora eu “Claustrofobia”, como antes dissertei, ainda consegui perceber o que poderia ser, mas, “Democrática”?  Terá a ver com “Liberdade”, perguntei-me eu?

Já aqui há uns anos perplexo fiquei quando aquele “coiso”, o Rangel, rangia contra a “claustrofobia democrática” que sentia. Ele que, sendo chefe da sua bancada parlamentar, toda a liberdade tinha de dizer todas as inanidades que lhe apetecesse dizer. O que é que lhe faltava então? O ar e o tempo, quer dizer, o Poder! E sentia-se asfixiado porque sentia alguns escolhos: na concentração de todos os seus remunerados “hobis”! Como político (deputado), como professor, como membro das “quatrocasas”, como comentador e nem sei que mais. Não seria de asfixiar?

E eis que agora voltam a falar do mesmo! E eu? A continuar sem compreender…

Até que ontem, justamente ontem porque já estou a escrever este texto no dia de hoje, 06 de Março do ano da graça de 2017, eu acabei por cair na real quando, num certo e determinado momento, enquanto jantava e olhava fugazmente para a TV, ouvi Passos Coelho falar.

Creio que num jantar com mulheres sociais democratas, todas elas portanto saídas da claustrofobia dos seus lares ( será que os seus maridos ficaram em casa ou aproveitaram e foram ouvir o…ou jantar com…ou foram ao futebol?), dar a explicação que teimava em fugir-me  e na qual eu, confesso, nunca tinha pensado: Para ele há “Claustrofobia Democrática” porque o Governo e a comandita que o segue estão contra o Governador do Banco de Portugal e contra a D. Teodora, a quem ele classifica de independentes e, sendo inamovíveis, como António Costa reconheceu, isentos de qualquer critica.

E eu, mais uma vez inocentemente, perguntei-me: Mas quem sofre de “claustrofobia”? Ele, Passos, ou eles? Um no seu “Castelo” e a outra no seu gabinete? Fiquei sem saber…

Quer dizer: ficamos! É que eu, excepcionalmente, fui ao Google e digitei “claustrofobia democrática”. Que apareceu? Nada! Nenhum significado e apenas citações. Do Montenegro, do Rangel, do Passos e outros teóricos que, apesar da teoria que tentam impingir, ainda não tem significado concreto e, portanto, nem estudos nem seguidores, quanto mais teses de mestrado ou doutoramento! E qual é o seu teorema base e que tal teoria justifica? É o desta minoria, ou outra qualquer minoria, não conseguir impor a sua vontade a uma maioria! Onde já se viu?

Porquê? Pelo de sempre: eles, mesmo sendo minoria, deveriam ser maioria. Mas como? Porque há lá uma parte (quase 20%) que não devia contar e, sem eles, a maioria seria sua…

Por isso se sentem asfixiados. É natural. Mas assim como nos claustros, resta-lhes ler e meditar, rogar e implorar, fazerem penitência e mortificarem-se até, para além de se refugiarem nas últimas filas no Parlamento…para se lavarem, sararem, exorcizarem e redimirem os seus pecados. Para depois aparecerem alvos como a neve…

Mais uma vez, AMEN, que em Português quer dizer: assim continuem…


Fonte aqui

O Rangel range e demite toda a gente

(Por Estátua de Sal, 16/02/2017)

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Estive a ver o inenarrável Rangel na Prova dos Nove, da TVI24. O maior trauliteiro do ano, pese a gravata.

Rangel, surge de varapau em riste armado em campeão da verdade e da democracia. O ministro Centeno, mentiu e pronto. Deve demitir-se. O secretário das finanças, Marinho Félix, já há muito que se devia ter demitido. O Galamba disse que o Marcelo errou tanto quanto o Centeno, deve demitir-se. O Costa não se deve demitir, apenas, por enquanto. 

Entretanto o Domingues já se demitiu, uma injustiça, ele que tão bons ofícios iria aportar à coisa pública. O Matos Correia, esse, já se demitiu, vítima de um gravíssimo atentado contra a democracia perpetrado pelos partidos de esquerda.

Ou seja, por vontade da direita o governo, com tanta demissão, qual doente de pernas amputadas, iria a seguir para consumar a chusma de demissões.

Tão democratas que se babam ser e parece que querem chegar a poder a todo o custo, recorrendo a telenovelas de mau gosto, a golpes baixos de intriga, à iniquidade da trafulhice, em vez de discutirem o país, as necessidades dos portugueses e o futuro dos cidadãos.

Estamos cansados, ó Rangel. Queremos discutir coisas sérias. Estamos fartos dos teus uivos. O último deles, que me deu vontade de rir em grandes gargalhadas, é que o Bloco de Esquerda está muito próximo do Trump, esta mais uma pérola do Rangel, porque votou contra o requerimento da direita para levar os SMS do Centeno à Comissão de Inquérito à CGD!

O Trump é aquilo que se sabe. Mas olha que tu, ó Rangel, quando vociferas também levantas muito o dedinho, como se vê na imagem.. E nesse aspecto não ficas a dever nada ao personagem Trump.