O “pestinha” do Costa

(Joaquim Vassalo Abreu, 24/05/2019)

O Costa arrasa o rapazinho…

Não deverá haver coisa mais deprimente do que um tipo cujo rosto e figura não nos inspiram qualquer desejo de sorrir pretender ter piada e que lhe achemos piada. Acontece isso com Paulo Rangel e, pior ainda, qualquer desejo seu de pretender que lhe achemos graça resulta inevitavelmente no contrário e, ainda, no nosso inevitável desabafo: perdoai-lhe…sabe ele o que diz? O RAP isso mesmo retratou naquela curta rábula do “Fake Candidate”!

Anda em maré de azar o nosso sempre inefável Rangelito pois o seu efervescente cérebro, em chegando a este acto eleitoral, a ele chegou possuído de um muito perigoso vírus, eu diria uma “peste” mesmo, trazidos por um individuo trapaceiro e ilusionista e por um “compaire”  bem à sua altura, que a todos aldrabou e a ele e ao seu “Fake” PSD completamente desprogramou, a ponto dele e do seu “Fake” Partido Social Democrata terem desatado a fazer tudo aquilo que esse malabarista pretendia! O COSTA e o Centeno, esses mesmos, os nomes do vírus e da “peste”…

É que finalmente não restam quaisquer duvidas: o COSTA é mesmo uma “peste”, coisa muito ruim, um pesadelo até para os nossos lados, confessa ele e, pasme-se, com tendências a espalhar-se mesmo por essa Europa afora…

Mas fez mais esse mafarrico manobrador de cérebros “ Fakes” e anquilosados: dada a manifesta falta de jeito do Rangel em fazer de Trump, o “pestinha” do Costa terá sugerido ao seu amigo Rio para dizer ao Rangel que deixasse de ser lorpa e chamasse à campanha todos aqueles anquilosados não “fakes” mas a sério, a saber: o Passos, o último a chegar à triste realidade, o Aníbal, que já antes a tinha denunciado, a Manuela, também agora convertida e o Zé Manel, que não pode desprezar apesar de ter chamado o Meneses que lhe é muito chegado! E à chegada do Meseses…o Povo riu-se…

Mas o Rangel ficou tão embevecido com tão generosa lembrança, que o chefe Rio lhe garantiu ser de sua lavra, que os chamou a todos! Mas que vieram eles dizer? Aquilo que o “pestinha” Costa queria que dissessem: que não havia sucesso nenhum, que as contas estão todas enfeitiçadas, que crescimento, desemprego, défice zero etc etc é tudo fruto de um ilusionismo barato e tudo desmontável! Por quem? Não disseram…E o rasteiranço do “pestinha”Costa foi tão bem dado que, logo de entrada, o Passos conseguiu o impensável: fazer com que nós, já um pouco esquecidos dados os ventos que passaram a soprar do lado bom, nos lembrássemos dos seus horrorosos tempos e a plenos pulmões gritássemos um audível “Desaparece, mas é…”

O problema meu pigmeusinho da mamã é o Instituto Nacional de Estatistica, é o Ecofin, a Comissão Europeia, o ICS, o ISCTE, as Sondagens, a Fitch, a Moddy’s e essa trupe toda, também toda ela manobrada por esse manipulador nato e já tão conceituado nome por essa Europa, que até já consta pronto estar para ocupar o lugar do David Copperfield! Ah: Juros da Dívida a 10 anos abaixo de 1%? Isso não passa de ilusão…diz o Passos! Bem-vindos à Campanha, acrescento agora! E o Povo tem-se rido à brava…

Eu até acho que o Rangel acha que há um “complot” do “pestinha” contra ele, ele que é um distinto vice-presidente do PPE! Não é que um outro traidor, assegura o Rangel, o Macron, que também já se rendeu ao Costa, viu nele um grande aliado para desbancar o PPE da chefia do Parlamento Europeu e da Comissão? Eu sei que a coisa ainda é embrionária, diz ele, mas…que anda este “pestinha” a engendrar por essa Europa que até o meu grande amigo e patrocinador Moedas já é todo elogios para o “pestinha”? Que se passa? Já sei: o Moedas quer ficar e eles querem-me é desbancar a mim também, pois sabem do meu valor e da minha valentia …

Você, Rangelinho da mamã, você anda assim em modos que apoplético e eu também acho que não é para menos. É que todo o mundo já topou que você chama “Fakes” aos outros para tentar esconder o quanto “fake” você é! Com que então pertence e é candidato de um Partido Social Democrata! Mas a que família política pertence então? À Esquerda? Não, à Direita! E você e os seus colegas dirigentes acham-se o quê? De Direita, é óbvio! E os militantes? Idem, idem aspas… E são Sociais Democratas? Saberão ao menos o que isso é? São “Fakes”, vocês sim…

Vocês utilizam tudo, mas mesmo tudo, mesmo o que é manifestamente anti ético e mesmo ilegal para fazer campanha, pois são movidos pelo desespero de não terem nada de útil para dizer que consiga aliviar os sinais evidentes das sondagens. E lá chamam o recorrente Sócrates, o sempre eterno Sócrates, pois ele é a alma deste desgraçado PS, não restam dúvidas para vocês, e só não vê quem não quer e tudo isso porquê? Porque ele é o responsável por tudo: desde o rombo da PT ao colapso do BES, da fracassada OPA da Sonae ao insucesso da Copa, da Lena e do prima do primo e também do enorme golpe que o Berardo deu nos Bancos Caixa, BCP e Novo Banco!

Mas será mesmo ele o responsável? O micro Mendes e o “lobinho” Xavier dizem que sim e que tem que ir preso! Mas os Administradores da Caixa, do BCP e do BES à altura, uma cambada de inocentes boas pessoas, não serão eles? Não, pois esses são precisamente boas pessoas…

Dizer-se que a nossa Direita é estúpida é muito redutor! É que ela é muito mais que isso: é arrogantemente uma realidade que insiste em a tudo recorrer para alcançar os seus fins, fins esses que ela reclama serem sua e apenas sua prerrogativa: a de manter os cordelinhos dos poderes…

E, para isso manterem, tudo para ela é legitimo…até ser-se absurdamente “rapazinho”…


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Paulo Rangel, o candidato dos casos e da situação

(Daniel Oliveira, in Expresso Diário, 22/05/2019)

Daniel Oliveira

Se falássemos do que vão fazer os deputados que elegeremos no domingo, havia uma pergunta a que Paulo Rangel não poderia escapar: como pode apoiar Manfred Weber, o homem que defendeu sanções contra Portugal quando o país começava a recuperar da crise, para presidente da Comissão Europeia? Enquanto Carlos Moedas, honra lhe seja feita, fazia lóbi pelo país, Rangel fazia tudo para que em Bruxelas se acreditasse que o país iniciava o caminho para o abismo. Todos os desmentidos que então fez caem agora por terra, com o apoio político a quem poderia ter matado à nascença a recuperação económica.

Só que não estamos a falar do que vão fazer os eurodeputados. Não me queixo disso. Nunca se discutiu Europa na campanha para as eleições europeias. Não há um sentimento de pertença que dê substrato a esse debate, apesar dele ser indispensável. É verdade que foi António Costa quem defendeu que estas eleições eram um referendo à governação, nacionalizando-as. Tem sido sempre assim: se os Governos são impopulares querem que se fale de Europa nas europeias, se sentem que são populares querem referendos à governação. Mas, na verdade, quem mais ganha com este desvio dos temas europeus é Rangel. Não porque não esteja preparado para os discutir. Arrisco-me a dizer que é dos mais preparados. Mas porque o apoio a Manfred Weber não é um engano. Corresponde ao alinhamento geral de Rangel com o poder em Bruxelas.

Paulo Rangel é, em todas as campanhas em que participa, o principal fator de rasteirização política. Não é que Rangel não seja capaz de melhor. Acha é que nós não somos. Não se tratada de convencer os indecisos, trata-se de mobilizar os convencidos. E, para isso, as campanhas negativas são melhores. Isso, e fazer regressar o fantasma de Passos Coelho.

Se há alguém que, nestas eleições, representa a situação na Europa é Rangel. As responsabilidades pela construção deste euro e desta União são partilhadas por socialistas e populares europeus. Mas no que a Europa é hoje e será nos próximos anos manda o PPE. E Rangel, mais do que Nuno Melo, é seu militante acrítico e entusiástico. Como ninguém vai discutir isso por cá, pode sê-lo. Até pode apoiar alguém que quis tramar Portugal sem que isso seja um problema.

Em todas as campanhas em que participa, Paulo Rangel é fator de rasteirização. Não se trata de saber se os casos que escolhe em cada dia são muito ou pouco chocantes. São sempre chocantes e são sempre casos. E nunca têm alguma coisa a ver com o cargo que vai ocupar. Não porque Rangel não seja capaz de mais. Acha é que nós não somos. E sabe que a campanha de casos é taticamente acertada. Não só porque o afasta do lugar incómodo de homem da situação, mas também porque lhe permite endurecer o discurso. E é isso que mobiliza os mais fanatizados a sair de casa para irem votar. Com abstenções superiores a 60%, é aos indefetíveis que cada um dos candidatos se dirige. Não se tratada de convencer os indecisos, trata-se de mobilizar os convencidos. E, para isso, as campanhas negativas são melhores. Isso, e fazer regressar o fantasma de Passos Coelho. Rangel só leva tudo isto mais longe. Talvez longe demais. No dia 26 de maio saberemos.


E o Coelho saiu da toca

(Por Estátua de Sal, 20/05/2019)

O catedrático desceu à terra

Há tipos com sorte e António Costa é um deles.

A campanha para as Europeias estava morna – o Marques é bom rapaz, pronto, mas tem pouco jeito. Contudo, a direita encarregou-se de lhe dar o pretexto de dramatizar no episódio das carreiras dos professores, colocando a maioria do país do seu lado, segundo sondagens, entretanto já realizadas. E, claro, Costa aproveitou e bem, a oportunidade.

Rangel e Melo não dão uma para a caixa. Competem um com o outro para ver qual deles invoca mais vezes o nome de Sócrates em vão, como se Sócrates fosse também ele, candidato europeu. E não vislumbram, os tansos, que com essa invocação só solidificam mais e mais, e por contraste, no espírito do eleitorado, a ladaínha das “contas certas” que vai ser a chave da campanha do PS para as legislativas: Sócrates era despesista, este PS de Costa e Centeno é parcimonioso.

Ora, a sorte tornou a sorrir a António Costa. Passos saiu da toca para fazer campanha ao lado de Rangel.

Passos, esse catedrático de aviário, desceu do seu Olimpo de sabedoria para dar a sua lição de sapiência aos eleitores e trazer-nos a boa nova: Rangel é um grande candidato europeu, disse. E Rangel retorquiu o mimo dizendo que o PSD não se envergonha dos seus líderes, nem os esconde, como faz o PS (mais uma vez Sócrates chamado à colação).

Esteve mal, Rangel, em permitir esta colagem de Passos, mostrando ao vivo aos eleitores o líder de uma governação de má memória, e colocando ao peito a sua efígie, como se de uma comenda se tratasse.

O problema do PSD é que ainda não percebeu que Passos Coelho é, por enquanto, do ponto de vista eleitoral, um activo tóxico que deve ser bem fechado numa qualquer gaveta entre odores intensos de naftalina, para que não se estrague, à espera de melhores dias.

Trazê-lo para a ribalta é ressuscitar na memória dos portugueses os anos de chumbo da troika, dos cortes nos salários e nas pensões, da emigração em massa de novos e velhos, do desemprego galopante, das falências em catadupa, e do “brutal aumento de impostos” anunciado sem ponta de mágoa, e com voz de autómato, pelo entretanto arrependido Vítor Gaspar.

Trazê-lo para a ribalta é ressuscitar na memória dos eleitores, todas essas desgraças mas mais ainda: é fazer-nos recordar que o seu promotor, Passos Coelho, acreditava que o país devia empobrecer, e que tais desgraças eram merecidas por termos vivido anos a fio numa orgia consumista, bem “acima das nossas possibilidades”. Se isto não é uma prenda de anos para António Costa e para o PS, eu vou ali à esquerda e venho já.

Até parece que Rangel está a tentar fazer a pior campanha possível, sabendo que, como cabeça de lista do PSD, o seu lugar como eurodeputado nunca estará em perigo. Ora, esta linha de análise deve ser desenvolvida.

É que Rangel ganhará sempre porque será eleito, mas o mesmo não se passará com Rui Rio se o resultado do PSD for desastroso, elegendo menos eurodeputados do que aqueles que tem actualmente. Nessa altura, os lacraus irão pôr de novo a cabeça fora do saco, Rui Rio que se cuide. E talvez já não seja Montenegro o desafiante do líder, quiçá seja mesmo o próprio Rangel a ganhar fôlego, prescindindo – dirá ele -, das mordomias de Bruxelas para se apresentar como o salvador do povo laranja.

Razão tem Carlos César quando diz que o sucesso do Governo é referendado no domingo. Não teria que ser assim se a campanha privilegiasse a discussão da Europa, dos temas europeus, e das suas consequências no futuro do país. Mas, na verdade, à direita e ao centro do espectro político, nada há discutir porque todos aceitam participar num Parlamento Europeu que nada de essencial decide, já que se encontra, de acordo com as regras europeias previstas nos Tratados, desapossado de iniciativa legislativa. É uma espécie de parlamento de eunucos, onde o orgão existe mas amputado de uma das funções basilares para que foi criado.

Com este regresso de Passos, a juntar-se às viagens de helicóptero sobre as áreas ardidas, fogos e Sócrates quanto baste, Rangel tem feito uma campanha para as legislativas, talvez porque sonhe vir a ser ele a disputá-las.

Com inimigos destes António Costa pode dormir o sono dos justos pois antecipo para domingo uma subida percentual do PS, em relação às últimas europeias – as tais da vitória “por poucochinho” -, à custa do PSD e forças políticas à sua direita, mantendo o BE e o PCP um resultado sem alterações significativas. (Ver resultados da última sondagem de hoje aqui)

O que só irá reforçar o prestígio de António Costa, interna e externamente., e assim, já agora, acalentar também o seu próprio sonho de um cargo europeu de nomeada. Mas isso, são contas de outro rosário e ainda agora a procissão vai no adro.