O beijo da paz

(Carlos Marques, in Estátua de Sal, 04/09/2023)

A célebre foto do marinheiro que beija enfermeira em Times Square, Nova Iorque, em 14/08/1945, manifestando a sua alegria pelo fim da Segunda Guerra Mundial.

(Este texto resulta da resposta a um comentário a um artigo que publicámos de Maria Afonso Peixoto, ver aqui. Quanto ao referido comentário de JgMenos: ver aqui. Perante tanta verdade junta, resolvi dar-lhe o destaque que, penso, merece.

Estátua de Sal, 04/09/2023)


Estamos de acordo uma vez na vida.

Rubiales nem é criminoso nem é idiota. É um verdadeiro feminista cujo trabalho é dedicado ao desporto feminino. Tal foi a sua alegria com o sucesso das suas compatriotas, que ficou eufórico e deu um xodó. Nada de errado.

Se a jogadora se sente incomodada, ele deve-lhe um pedido de desculpas, e já o fez por duas vezes. Quanto a mim foi uma vez a mais do que o necessário.
Numa sociedade normal, caso encerrado.

Mas não estamos numa época normal no Ocidente. Estamos na anormalidade em que, para distrair os eleitores comuns, esses sim idiotas, há uma campanha woke (feminismo radical, LGBT+ radical, antirracismo radical, ambientalismo radical) que visa colocar a discussão pública numa guerra de trincheiras, que discute casos e casinhos e até não-casos, de forma a distrair o povo do mais importante, e até de forma a estupidificar a sociedade.

No final, uma mulher pode mostrar a vagina na rua e isso é “corajoso”, mas o homem que se despir é um “tarado”.

O Obama na Casa Branca (capital do império genocida) é “progressismo”, e enquanto a TV da lavagem cerebral celebra isso, não mostra o soldado ocidental branco a matar um civil árabe. Um Transexual faz um strip perante crianças e isso é “inclusivo”, mas se um pai recusa dar hormonas para a filha se tornar filho, esse pai é um “agressor”.

E nem vou falar daqueles que vão nos seus aviões a jato privados discursar em conferências sobre o ambiente, nem vou falar sobre a “transição verde” em que se dão fundos €Uropeus para os empresários comprarem um carrito topo de gama novo e elétrico, enquanto os seus trabalhadores explorados com salários miseráveis não têm sequer apoio para arranjar as casas e deixar de passar frio no Inverno.

É para isto mesmo que serve este movimento woke. Distrair e manipular. Uma herdeira bilionária é foto de revista, pois o velho quinou e deixou-a na posição de CEO da ‘famiglia’, e isso é vendido como “feminismo”. Mas a mulher que trabalha na caixa do seu supermercado em troca do salário mínimo miserável, que se f*da.

Este não-caso do Rubiales ainda evidenciou mais isto. A muita gente caiu a máscara. Ao mesmo tempo que lhe chamam “criminoso”, “assediador”, “agressor”, “violador”, chamam depois “heróis da democracia e liberdade” aos nazis ucranianos que bombardeiam mulheres civis no Donbass, ou aos soldados dos EUA/NATO ainda hoje a invadir o Iraque, Síria, etc, onde se sabe que chegaram ao ponto de matar mulheres em casamentos e batizados, e até quando levavam os filhos e filhas para a escola.

E depois há as difusoras de ódio. As feministas extremistas. Essas aproveitam o wokismo para levar avante a sua agenda, que não é a da igualdade, mas sim a do ódio contra TODOS os homens.

O que mais me espanta é o número de homens, esses sim idiotas, que se juntam a esta turba de forquilha na mão para atacar outros homens, por mais inocentes que eles sejam.

O que o Mundo ocidental mudou em tão poucas décadas. Para pior. Se fosse hoje, estas malucas que odeiam homens, e estes homens com falta de testosterona, atacariam em matilha até estraçalhar por completo aquele marinheiro que, chegado vencedor da Segunda Guerra Mundial, espetou um beijo a uma enfermeira no meio da rua (para aceder à história completa da paz, ver aqui).

Quando o Ocidente era uma sociedade normal, esta foto ficou imortalizada como um símbolo de alegria eufórica, de amor e amizade, de um gesto inocente e bem-intencionado.

Não sei se essa histórica foto está exposta nalgum lado, mas se estiver, não deve faltar muito para ir lá uma feminista extremista (conhecidas online pela forma jocosa de feminazis) destruir aquela obra de arte “em nome da igualdade e do respeito”.

É também contra esta estupidez que lutam e se defendem os cidadãos anti-imperialistas (anti globalistas, anti wokismo ocidental) e os soldados russos, chineses, iranianos, venezuelanos, nigerinos, etc.

Estão a defender um modo de vida decente e natural, com bom senso e tradição, em vez de aceitarem ser derrotados e “exterminados” por um movimento que visa destruir todas as comunidades, todas as nações, todas as culturas, e deixar ficar apenas o individualismo estúpido e o progressismo radical que mais não é do que uma forma de os NeoLib e NeoCon dividirem para reinar.

As marchas gay com trabalhadores da Lockeed Martin (apenas um exemplo do complexo militar industrial do império genocida ocidental) a usarem uma faixa arco-íris paga pela empresa, é o cúmulo desta estupidez toda.

A seguir segue-se o quê? Nazis ucranianos com F16 pintados com a o hashtag #BLM (Black Lives Matter)? O batalhão Azov com um novo símbolo verde em nome do ambiente? As fotos do Stepan Bandera, colaborador de Hitler no Holocausto, e herói desta ditadura pós-golpe Maidan, acompanhadas de um arco-íris? O Zelensky a deixar o verde tropa e a passar a vestir cor-de-rosa?

Já acredito que possa acontecer tudo. Qualquer dia até o Bernie Sanders e a AOC, ou uma Ana Gomes ou um Cotrim Figueiredo, dizem que os submarinos nucleares a caminho do Mar Negro e do estreito de Taiwan serão em nome do “progressismo” e que celebrar o Dia da Vitória a 9 de Maio é “racismo”, “negacionismo”, “populismo”, “fascismo”, e “machismo tóxico”.

O Ocidente tornou-se um circo, e o problema é que a maioria gosta de fazer de palhaço. E o resto do Mundo está a ver. Que vergonha!


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Rubiales: entre o feminismo e a hostilidade aos homens

(Maria Afonso Peixoto, in Página Um, 01/09/2023)

No auge do movimento MeToo, Marianne Williamson, uma escritora norte-americana e candidata presidencial pelo Partido Democrata nas últimas eleições, fez uma publicação na sua página de Facebook em que alertava para os excessos do clima persecutório instalado em relação aos homens, dizendo que, no que toca ao assédio, “existe uma diferença” entre um “criminoso” e um “idiota”.


Ler artigo completo aqui.


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Ensaiando soluções para a guerra na Ucrânia

(Major-General Carlos Branco, in Jornal Económico, 30/08/2023)

Moscovo está ciente de que uma solução temporária só beneficia Kiev, permitindo-lhe recuperar forças e adiar a continuação do conflito para quando se encontrar em melhores condições.


Fomos confrontados recentemente com as declarações de Stian Jenssen, Chefe de Gabinete do Secretário-Geral da NATO, sobre uma possível solução para o conflito na Ucrânia. Numa conferência em Arendal, na Noruega, Jenssen defendeu que uma forma possível de terminar a guerra poderia ser a adesão da Ucrânia à NATO cedendo em troca os territórios presentemente ocupados pela Federação da Rússia. Perante o coro de críticas, Jenssen recuou, fez uma autocrítica e admitiu ter cometido um erro. Será difícil acreditar que não tivesse cobertura do Secretário-Geral para dizer o que disse.

Não o sendo, o futuro de Jenssen estaria comprometido. Não parece ser o caso. A reação suave do seu chefe perante um “erro” tão grosseiro sugere cumplicidade e autorização. O arrependimento discreto de Jenssen mostra que estava a trabalhar com rede. Stoltenberg limitou-se a repetir os slogans conhecidos: a NATO apoia a soberania e integridade territorial da Ucrânia enquanto for necessário. Será difícil não ver nesta história a “mão invisível” de Washington e a ligação direta de Washington a Stoltenberg, ultrapassando a consulta dos Estados-membros.

Este tipo de declarações não está previsto na descrição de funções do Chefe de Gabinete do Secretário-Geral, uma vez que não tem responsabilidades políticas. É um burocrata responsável por organizar, entre outras coisas, a agenda do Secretário-Geral e as reuniões do NAC (North Atlantic Council), que não é coisa pouca, mas que não lhe confere o direito de fazer comentários sobre como terminar o conflito na Ucrânia. Exatamente por não ter essas responsabilidades encontra-se numa excelente posição para testar as águas e apurar possíveis reações sem sofrer danos catastróficos. As do lado ucraniano foram muito iradas. Seria um erro pensar que as afirmações de Jenssen foram um “erro”.

O modo como terminará a guerra na Ucrânia não tem sido um tema incluído na agenda das reuniões do NAC e, como tal, não discutido pelos Estados-membros, não havendo, por isso, qualquer decisão da Aliança sobre essa matéria. Nem tem de haver. A NATO não será um mediador e essa questão terá de ser discutida sempre com a Rússia. De certo modo, os Estados-membros foram ultrapassados, mas tanto quanto pude apurar nenhum manifestou publicamente incómodo com o sucedido, o que não deixa de ser esclarecedor sobre a relação de forças no interior da Aliança, e a quem o Secretário-Geral efetivamente responde.

Recentemente, numa conferência organizada pelo Atlantic Council, Anders Rasmussen, o anterior Secretário-Geral da NATO, e agora assalariado do Governo ucraniano, veio sugerir uma solução muito parecida com a de Jenssen. Sobre a aplicação do artigo 5.º à Ucrânia, o criativo Rasmussen lembrou que há precedentes para resolver este tipo de problemas, dando como exemplo o caso da Alemanha, que quando aderiu à NATO, em 1955, estava dividida entre Oeste e Leste. O artigo 5.º só cobria o território da Alemanha Ocidental sob o controlo do Governo de Bona. “Podíamos usar exatamente a mesma fórmula na Ucrânia.”

Estas e outras tergiversações evidenciam três factos: 1) a admissão de que a Ucrânia não vai ganhar esta guerra, sendo necessário começar a pensar em soluções que não a militar; 2) passados mais de 18 meses do conflito, os EUA ainda não desistiram de incorporar a Ucrânia na NATO, seja com que configuração for; 3) estas propostas ignoram ou fingem ignorar a questão central desta guerra. A integração da Ucrânia na NATO, independentemente do formato e da porção de território ucraniano que viesse a controlar, não significaria para Moscovo uma solução de compromisso, mas sim a capitulação.

Estes factos não deixam de nos sobressaltar. Parecem mostrar que Washington ainda não percebeu que o leitmotiv desta guerra se prende com o alargamento da NATO na Ucrânia, que tem de ser esclarecido antes de qualquer discussão de paz, e não com o Donbass, um dano colateral de um problema ainda não resolvido. O conflito não terminará enquanto aquela questão incontornável não for decidida. Por isso, não deixa de ser confrangedor, e ao mesmo tempo preocupante, as propostas infantis de quem se espera elevada maturidade e sageza política.

Num artigo na “Foreign Affairs“, Richard Raass e Charles Kupchan interrogam-se se não será a hora de uma paragem negociada dos combates, sugerindo o congelamento do conflito. Dificilmente o Kremlin aceitará essa solução, porque sabe que as atuais limitações da base industrial e tecnológica de defesa ocidental para apoiar a Ucrânia são apenas temporárias. Não vai incorrer novamente no erro de assinar um novo Minsk e dar tempo à Ucrânia para sarar as feridas e preparar-se para uma nova confrontação. Moscovo está ciente de que uma solução temporária só beneficia Kiev, permitindo-lhe recuperar forças e adiar a continuação do conflito para quando se encontrar em melhores condições.

Washington tem de perceber, uma vez por todas, que o reconhecimento da “necessidade de criar estabilidade na periferia da Rússia” – leia-se, deixar cair a adesão da Ucrânia à NATO, em troca do consentimento russo de um maior protagonismo e influência norte-americana na Ásia Central com vista a cercar a China –, uma solução encaminhada para o Kremlin através da diplomacia informal conduzida por Haas e Kupchan, não passa de um exercício fútil muito difícil de ser aceite por Moscovo.


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