(Marcus Lucrecio, in Facebook, 27/01/2025, Revisão da Estátua)

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Quem foi o político norte-americano que disse: “Em nome de todos aqueles cuja história só poderia ser escrita na maior nação da Terra, aceito a sua indicação para ser presidente dos Estados Unidos da América.”?
Enganou-se quem pensou Donald que foi Trump. A frase é de Kamala Harris, a candidata dos democratas.
O problema não é Trump, ele é apenas uma manifestação mais histriónica de uma doença maior. O problema é o próprio pilar fundacional dos EUA: o imperialismo messiânico. Um excecionalismo asqueroso enraizado na visão de mundo daquele país; visão segundo a qual o destino do mundo repousa nas mãos da América. Aliás, referirem-se a si como “América” já é um sintoma desse quadro.
A questão aqui é quase psiquiátrica: um delírio de grandeza doentio que não se enxerga como tal, porque foi metabolizado como virtude no imaginário coletivo. Na sua base está a crença naturalizada de que o mundo é um mero quintal de Washington, ou quem sabe uma arena global cujo papel é testemunhar a glória de uma nação que se acredita ser a nova Israel. E, cá entre nós, um projeto político-cultural que leva um povo a imaginar-se não apenas superior, mas essencial, não passa de uma forma elaborada de barbárie.
Patriotismo? Não, patriotismo não é isso, é outra coisa – não tão gloriosa, mas não é isso. O sentimento patriótico também é infantil, atrasado, tosco. Assim o percebo. Mas, pelo menos é mais discreto. Já uma crença que leva as pessoas a uma absoluta ausência de modéstia ao falarem da própria cultura e dos seus valores comuns, sem nem ruborizar um pouquinho, só pode ser patológica. Uma psicose que contamina todo o espectro político e a cultura de massa daquele país.
Mas não é lá a terra dos wokes, aquela gente iluminada cujo desporto preferido é denunciar o imperialismo do seu próprio governo? Enganam-se. A filosofia woke é muito mais ianque do que aparenta; é o braço esquerdo do imperialismo do Norte cuja missão é catequizar o planeta. Mídias, universidades, militâncias e grupos políticos mundo afora, todos convertidos em colónias ideológicas para que por meio delas se imponham padrões ridículos de problematização político-cultural gerados no ventre académico norte-americano – se o imperialismo à direita tem seu centro em Washington, o “imperialismo do bem” emana do Ivy League, portanto, mais difuso e mais dissimulado.
Besta é quem os chama de comunistas; são mais liberais do que se imagina. O único comunismo que defendem é o das ideias: as suas. Reparem nos padrões comportamentais que agora se adotam e se ensinam em todas as instituições estatais e educacionais da América Latina, com a desculpa de “civilizar” as nossas relações humanas. Toda a estrutura concetual empregada nesse projeto de adestramento mental é importada dos Estados Unidos, e serve mais às suas elites que aos nossos oprimidos, supostamente assistidos por tal projeto.
No fundo, o progressismo woke – lá chamado “liberal” – só quer colonizar também, impondo o seu próprio imperialismo, ou impondo o imperialismo ao seu modo. No fundamental, são iguais aos trumpistas e demais republicanos: creem-se o povo escolhido.
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