Uma lição de política em Vila Velha de Ródão 

(Daniel Oliveira, in Expresso Diário, 14/02/2018)  

Daniel

Daniel Oliveira

Para sermos justos temos dizer que todas as declarações do presidente da Câmara Municipal de Vila Velha de Ródão, Luís Miguel Pereira, têm sido exemplares, expressando o seu empenho, não sei se sincero ou não, na descoberta da verdade sobre a origem da poluição no rio Tejo. Mas é evidente, apesar disso, a sua tendência quase automática para afastar todas as suspeitas da Celtejo. É natural. Citando o autarca, “se a Celtejo encerrasse seria um cenário aterrador para Vila Velha de Ródão”.

Quando pensa em política a maioria das pessoas imagina escolhas fáceis, entre o bem e o mal, o certo e o errado, a competência e a incompetência, a honestidade e a corrupção. Raramente as escolhas são tão claras. A do presidente Luís Miguel Pereira é, em última análise, entre a nossa saúde e o emprego dos seus eleitores. É evidente onde está o bem maior, mas ninguém pode condená-lo por desejar que a principal empresa da terra seja ilibada. É humano.

Sei de quem, naquela região, há anos denuncie as fontes poluidoras. Houve até, no ano passado, uma manifestação entre o porto do Tejo (cais de Vila Velha) e a Celtejo. Segundo sei, a participação das gentes da Vila Velha foi muito reduzida. A maioria vinha de outras terras ou mesmo de Espanha. É mesmo entre elas que se encontra a maior resistência a qualquer denúncia. Apesar do povo de Vila Velha ser vítima da poluição, tem, ao contrário de nós, de pensar na sua própria sobrevivência económica. Sem uma justiça empenhada no combate aos crimes ambientais, ainda vistos em Portugal como contravenções menores, e com as populações economicamente dependentes dos poluidores, as denúncias dependem de heróis solitários, como Arlindo Marques, o homem da proTEJO que enfrenta uma ação judicial da Celtejo, que lhe exige 250 mil euros. Com o baixíssimo ativismo ambiental em Portugal, é uma forma da empresa isolar e calar qualquer denúncia. Não foi contra jornalistas e políticos que agiu, foi contra o elo mais fraco. Para que sirva de exemplo.

A posição solitária e de enorme vulnerabilidade de Arlindo Marques, que dificilmente contará com mais alguém na sua luta do que as associações ambientalistas, diz-nos o mesmo que a natural resistência do presidente da Câmara Municipal de Vila Velha de Ródão em estar do lado dos que têm no combate aos poluidores a sua primeira prioridade: a enorme dificuldade em ter, num país pobre, desindustrializado e faminto de investimento produtivo, uma política ambiental exigente. Entre a sobrevivência imediata e a sustentabilidade, entre o salário ao fim do mês e a saúde pública, as pessoas escolhem sempre a primeira. Sejam portuguesas, suecas ou alemãs. E não hesitam em aliar-se, se preciso for, a quem destrói a sua saúde mas garante-lhe emprego.

É por isto que nunca aderi a movimentos políticos de uma só causa. Porque acredito que elas estão quase sempre ligadas e que a verdadeira política faz sínteses. A luta pela defesa do ambiente está perdida numa economia deprimida ou num interior sem possibilidade de escolher o pouco investimento que recebe. As pessoas não lutam pelo futuro onde não têm presente, não defendem a sua saúde onde não têm emprego.

Claro que o combate à poluição no Tejo não pode ficar à espera da prosperidade em Vila Velha de Ródão. Mas analisar uma coisa sem pensar na outra é esquecer aquilo que torna a política tão difícil e estimulante: nunca se trata apenas de escolher entre o certo e o errado, trata-se de escolher o que permite que o que está mais certo ou menos errado venha a prevalecer.

A REESTRUTURAÇÃO VIOLENTA DO MERCADO DE TRABALHO EM PORTUGAL, AUMENTO DA PROLETARIZAÇÃO E DA PRECARIEDADE, E BAIXOS SALÁRIOS 

(Por Eugénio Rosa, in a Viagem dos Argonautas, 11/02/2018)

(Este excelente estudo desmonta de forma inequívoca o argumentário dos economistas pafiosos: o “ajustamento” não passou de uma brutal transferência de rendimento do trabalho para o capital. E querer manter a legislação que tal permitiu e incentivou não é senão uma forma de perpetuar esse estado de coisas.

Comentário da Estátua, 14/02/2018)


Embora tenha passada despercebida a sua dimensão, o certo é que, no nosso país, com a crise e com a “troika” registou-se uma reestruturação violenta e rápida do mercado de trabalho, que determinou a expulsão maciça de trabalhadores com o ensino básico, que foi muito superior ao emprego destruído. Associado a isso, aumentou a proletarização e a precariedade, e os baixos salários tornaram-se cada vez mais dominantes. É tudo isto que vamos procurar mostrar utilizando dados oficiais divulgados pelo INE….


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O PSD uivou ontem em Coimbra

(Por Carlos Esperança, 13/02/2018)05-PASSOS-COELHO-NA-FEUC-LC-8

 

(Convidar o Passos para falar do Orçamento de 2018 é que me parece errado, caros jotinhas da FEUC, ele que teve os orçamentos todos dados como inconstitucionais. Devia perorar, isso sim, sobre como se progride nas jotas, para a prazo se arrebanhar um bom tacho. E parece-me que era isso mesmo que vocês queriam que ele explicasse. para vos potenciar os vossos conhecimentos extra-curriculares. 

Comentário da Estátua, 13/02/2018)   


O presidente terminal do PSD disse que o PCP e o BE “rosnam, mas não mordem”, numa conferência proferida na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (FEUC), para que foi convidado.

O convite terá tido como critério a máxima anarquista surgida em França, ‘Maio de 68’, “quem sabe faz, quem não sabe ensina”. Passos Coelho (PPC) já faz conferências.

Previam-se lugares comuns, medíocre formação económica e leveza intelectual de quem chegou a primeiro-ministro sem experiência, além da subalternidade a Ângelo Correia e Miguel Relvas e da gestão falida da Tecnoforma, que o MP não conseguiu ou não pôde investigar, e agora não quer, com as provas a partir das quais a UE exigiu a devolução de mais de 6 milhões de euros. PPC Não desiludiu.

Só não se previa a terminologia com que se referiu aos partidos que apoiam o Governo PS na AR, como se a legitimidade que lhes nega não resultasse do défice de cultura democrática, dele e do anterior inquilino de Belém.

Dizer que o PCP e o BE ‘rosnam, mas não mordem’ foi a forma de dizer perante alunos e professores que, em vez de um sábio, convidaram um ignorante, a quem já se vaticina a candidatura a PR, como se, depois de Cavaco, qualquer um servisse.

Os alunos da FEUC têm direito a convidar os conferencistas que querem, e PPC a fingir que tem algo a ensinar, mas não saíram sábios os anfitriões nem aureolado o convidado. No período de debate da conferência sobre o OE-2018, um aluno inquiriu-o sobre a proximidade de Rui Rio à esquerda e sobre o futuro do PSD na oposição ao Governo. Passos Coelho recusando responder à plateia de cerca de 300 alunos, afirmou:

“Não é porque eu não pudesse fazer comentários, mas eu não sou comentador. As pessoas pensam, evidentemente, mas não são obrigadas a dizer tudo o que pensam, senão nós assemelhávamo-nos a gente tonta que, em todas as circunstâncias, resolvia fazer considerações sobre todas as coisas que pensam”.

Em português canhestro, de onde a concordância verbal foi exonerada, engoliu o travo amargo do catavento atravessado, com destinatário óbvio.