Ao mau cagador até as calças empatam

(In Blog O Jumento, 08/02/2017)
cagador
Para conseguir défices bem acima dos 3% a direita inventava desvios colossais para justificar cortes de vencimentos e de pensões, acusava o povo de consumir acima das possibilidades, difamava o país sugerindo que por cá erramos, mais gandulos dos que os outros, cortavam-se férias e feriados, fazia-se de tudo.
As escolas tinham salas empanturradas de alunos para poupar nos professores, morria-se à porta das urgências, os pilares de uma futura ponte perto de Ferreira do Alentejo foram convertidos em postes para ninhos de cegonhas, o Metro deixou de renovar a sua frota, todas as obras pararam. Não havia dinheiro para nada, criou-se um ambiente de terror, não se sabia quanto se iria receber de ordenado no mês seguinte. Não gastar um tostão era símbolo de rigor, competência e amor à nação.
A direita que sempre se afirmou com o dom da competência e do rigor orçamental apostou no falhanço de António Costa, deixou armadilhas montadas nas receitas fiscais, recusou-se a dar contributos para o OE e os seus deputados recebiam o ordenado para roçar o cu no veludo das cadeiras parlamentares, apelaram à direita reunida em Madrid para que condenassem o governo português, exigiram que Bruxelas impusesse um plano B.
A tese era a de que o défice proposta era aritmeticamente impossível de alcançar, já não seria um problema de rigor, a funcionária da Arrows dizia que Centeno nem sabia fazer as contas mais elementares. Ainda esperaram pelo Diabo em Setembro, e cada vez que uma agência de rating se ia pronunciar toda a direita se excitava, sendo o momento mais alto foi quando chegou a vez da canadiana DBRS; se esta desse a notação de lixo viria aí o desejado segundo resgate.
Mas o país sobreviveu à DBRS e às diatribes fiscais da Maria Luís, a esperança deles passou a ser uma armadilha deixada por Passos Coelho, a situação da CGD e do BANIF. As agências rating deixaram de falar no défice, o problema era a banca. A cada subida nas taxas de juro da dívida sentia-se a excitação colectiva da direita. Mas o tal governo que não respeitaria os compromissos internacionais cumpriu com tudo, o défice foi reduzido a mínimos e a CGD vai ser recapitalizada.
Agora o problema já é o crescimento, todos exigem crescimento. Esquecem-se de que era uma palavra proibida por Passos Coelho; e os mesmos jornalistas e comentadores que hoje exigem crescimento no passado elogiavam o Gaspar, o tal ministro que transportava os valores da avó Prazeres, mulher da Serra da Estrela.
Quando o Sôr Pereira exigia medidas para promover o crescimento o Gaspar respondia “não há dinheiro”, perante a insistência perguntou ao colega “qual das três palavras não percebeu”. Os que hoje exigem crescimento numa economia que deixaram descapitalizada elogiavam na altura o traste que era ministro das Finanças.

Brincar com coisas sérias

(Marco Capitão Ferreira, in Expresso Diário, 08/02/2017)

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É importante sabermos ter memória e lembrar que durante todo o ano de 2016 para além dos erros nas previsões na maioria das instituições internacionais e nacionais, já aqui referidos, e esta esta semana relembrados pelo Ministro das Finanças, foram lançadas suspeições gravíssimas sobre a execução orçamental.

Concretamente no que respeita aos pagamentos em atraso, o PSD produziu acusações de que estariam a ser escondidas despesas e atrasados pagamentos, de forma a compor a execução orçamental. Nada menos do que um estrondoso: “PSD acusa Centeno de “falsear” dados da execução orçamental”.

Era a forma de manter viva a narrativa de que não era viável uma política orçamental alternativa à anterior, com reposição de salários e pensões. Se Maria Luís Albuquerque tinha jurado que o objectivo do défice era aritmeticamente impossível, e ele estava a ser cumprido, a explicação tinha de ser que as contas estavam a ser manipuladas.

Com os dados da execução orçamental de Dezembro de 2016 na mão podemos verificar que nada disso se passou e que, no fecho do ano, o montante de pagamentos em atraso acabou por ficar abaixo do ano anterior.

O jogo político, ditado por um claro desespero crescente, não pode justificar tudo. Acima de tudo, temos de dar conteúdo útil à expressão responsáveis políticos: são isso mesmo, ou devem ser. Responsáveis. E temos todos a obrigação de os responsabilizar. O que o PSD tentou fazer foi de uma irresponsabilidade total.

Felizmente, os mercados deram a esta acusação a credibilidade que ela tinha: nenhuma. Caso contrário e em circunstâncias normais, tal acusação poderia ter contribuído para gerar uma desconfiança generalizada quanto a dívida pública portuguesa, com consequências que poderiam ir até a necessidade de um novo pedido de ajuda externa.

É certo que este PSD (não confundir com o PSD) beneficiou, em 2011, de uma violenta crise financeira para poder chegar ao poder e ter um álibi para implementar políticas de sacrifício dos trabalhadores e pensionistas a uma agenda ideológica surpreendentemente radical.

Que não se importe de arriscar repetir esse passado só mostra que os ensinamentos de Sá Carneiro já lá vão há muito. Hoje, é o líder primeiro, o partido a seguir e o País num distante terceiro. É pouco, é curto, e é indigno do maior partido da oposição.

Às quintas é que era…

(Joaquim Vassalo Abreu, 08/02/2017)

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Eu jurei a mim próprio, e quando juro eu juro que juro mesmo, juro-vos, que não falaria mais deste “espécime”, pois julgando-o definitivamente retirado naquele recatado convento, que dizem de S. Sacramento, onde ele assentou o seu gabinete, espaço onde se dedica a escrever as suas memórias e a revisitar os seus imensos avisos, ele não mais falaria e a isso, portanto, nos pouparia.

Mas enganei-me e o “espécime” falou. Quebrou o silêncio, como se diz. Mas que terá ele dito assim de tão oportuno, de tão premente e importante, que me fez sobressaltar e quase pecar pondo em dúvida a jura que tinha feito?

Quem me alertou foi aquele “Expresso Curto”, que insistem em enviar para o meu Mail e que começa sempre assim: “Bom dia, este é o seu Expresso Curto”. Mas como eu tomo um logo que me levanto, deixo sempre esse para mais tarde. Mas quando o fui ler, observei uma coisa extraordinária: Diz ele que o “espécime” vai levar à estampa um livro, livro este de 592 páginas e que se titula “ Quinta Feira e outros dias”, e estes só podem ser os outros dias da semana, e que o “espécime” diz se tratar de uma “prestação de contas aos portugueses, daquilo que foram os seus anos como presidente desta república e em que promete tornar públicos testemunhos relevantes da sua magistratura e que são, em larga medida, desconhecidos dos cidadãos”.

Ora, meu caro “espécime”, eu desde já declaro que dispenso as suas memórias, como faço um enorme esforço para esquecer o que foi a sua magistratura e, portanto, nem o vou ler nem comprar, nem estou minimamente interessado nos “segredos” que ele pode conter. Assim como se fosse o Saraiva a escrevê-lo.

Mas há uma coisa que eu li, ainda agora a propósito de um relatório da OCDE acerca de Portugal, e que remete para um comentário expelido por S.Exª “espécime” em que refere aquela já dinossáurica conclusão: a de que os portugueses “ viveram acima das suas possibilidades”. No fundo como S.Exª “espécime” a quem não chegavam 10 mil aéreos por mês, para acudir às suas necessidades…Que necessidades é que é a pergunta. Casa de praia? Casa de campo? O Meo Arena? Assim do mesmo modo que um seu antigo ministro, um tal de André Gonçalves Pereira, aquele que tinha aquele casarão redondo na Quinta do Lago, onde fazia aquelas festas que apareciam na Caras e outras caras afins, que dizia que aquilo que ganhava como ministro não lhe chegava para os charutos…Que sacrifício foi ser ministro, como que sacrifício foi ser presidente. Só prejuízo! Deviam ser ressarcidos pelo Estado: um pelos charutos que teve que custear e S.Exª, “espécime”, das prestações que terá que pagar. De elementar justiça, sem dúvida.

Ma eu jurei que quando escrevi uma crónica, a que apelidei de “Leva-os…”, e aqui vai o Link http://wp.me/p4c5So-zk ,jurei que não falava mais dele, e eu quando juro não juro em vão, ela seria a última mas, como muitos dos Amigos que vão lendo aquilo que vou escrevendo e publicando não o eram nem o faziam há três anos atrás, eu vou-vos presentear com um texto que escrevi e publiquei precisamente no dia 3 de Dezembro de 2013. Assim, cumprindo a minha jura, considerem tudo o que antes escrevi como simples introdução! Uma ligeira e inócua introdução a um pequeno e jocoso texto a que chamei de “CHAMA O ANTÓNIO…O ANÍBAL ANTÓNIO”, escrito na data que indiquei, vejam lá à eternidade que foi…Link: http://wp.me/p4c5So-F.

´Ás Quintas é Que Era, não era “espécime”? Eu não queria falar, mas obrigam-me…


Fonte aqui