2016 termina com mais uma anedota da Marilú

 

(Imagem in Blog, 77 Colinas)

Um ponto de encontro

Diz a Marilú, aborrecida pelo facto de o déficit ir ficar abaixo dos 3%, o que ela jurou a pés juntos que seria impossível: ““O Governo opta pela falta de transparência e até de respeito democrático, fingindo que não tem planos B e planos C, que não recorre a nada de extraordinário para obter estes resultados.” Ou seja, o resultado afinal existe mas a Marilú diz que é por causa dos planos B, C, D, etc. Eu se fosse a ela esgotava o abecedário todo nomeando planos sem fim à vista.

Mas fala ela em falta de transparência quando ela própria se fartou de fazer orçamentos rectificativos e de recorrer a medidas extraordinárias?! Haja decoro. Quando é que aprendes, ó Marilú, que o melhor seria mesmo não teres dito nada, já que em boca calada não entra mosca?


Fonte da Imagem: 77 Colinas

Video

O Défice Certo

(In A Geringonça, 26/12/2016)

A não perder. Ela sabia tudo. Nunca se enganava. 3% nem pensar. 2,7% muito menos. Agora parece que se enganou. Miss Swap deve ir fazer reciclagem do pouco que sabe de economia e de déficit para as Novas Oportunidades… 🙂

Não perca a prestação de Maria Luís Albuquerque neste empolgante concurso para toda a família.


Fonte: Vídeos | O Défice Certo

E o senhor Subir Lall não diz nada?

(Nicolau Santos, in Expresso Diário, 09/12/2016)

nicolau

Com regularidade trimestral, o senhor Subir Lall desembarca no aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, à frente da comissão que vem avaliar o andamento das contas públicas e da economia portuguesa. Com a mesma regularidade, o senhor Subir Lall fala à comunicação social portuguesa, ditando sentenças sobre o que devemos fazer e quão longe estamos de chegar ao paraíso económico que ele imagina para nós. E assim em Maio deste ano, o senhor Subir Lall veio a Portugal e disse ao Expresso as palavras que fizeram a manchete do caderno de economia: “FMI dá como perdido o défice de 2016”. Acrescentava o senhor Subir Lall que o défice este ano ficaria nos 3% e que o melhor era começar a tomar decisões para 2017, porque quaisquer medidas em 2016 nada resolveriam.

Pois bem, a última avaliação a Portugal feita pelo FMI, conduzida como sempre pelo senhor Subir Lall, aponta para que o défice em 2016 fique em 2,6% e o de 2017 em 2,1% (quando a previsão do FMI em Setembro era de 3% para os dois anos). Aponta também para um crescimento da economia de 1,3% em 2016 (contra 1% em Setembro e acima da própria previsão do Governo que é de 1,2%) e para o mesmo valor em 2017 (quando antes apontava para 1,1%). A avaliação do FMI revê igualmente em baixa os valores para o desemprego: estimava 11,8% para este ano e 11,3% para o ano, agora prevê 11% em 2016 e 10,6% em 2017

Também nas exportações, o FMI está agora mais otimista: crescimento de 3,5% este ano (contra uma previsão em setembro de 2,9%) e de 3,6% em 2017, mais duas décimas que a previsão de há três meses. As estimativas para pior são as relativas ao investimento, que deve cair 1,4% em vez da queda de 1,2% prevista em Setembro, e à dívida pública (que deve estar pior este ano e no próximo (130,8% e 129,9% do PIB agora contra 128,5% do PIB e 128,2% do PIB em Setembro).

Mas será que o FMI se retrata e que o senhor Subir Lall vem admitir que estava errado? É o retratas! O que o FMI faz é arranjar justificações para a assinalável mudança nas suas previsões em apenas 90 dias. Ou é a aceleração das exportações entre Julho e Setembro (que, pelos vistos, os técnicos do Fundo não conseguiram prever), ou é o mercado de trabalho que evoluiu de uma forma não expectável, ou foi a contenção dos consumos intermédios e do investimento público por parte do Governo que mitigaram a evolução das receitas abaixo do previsto – tudo o que, pelos vistos, a folhinha de Excel e o modelo econométrico não conseguiram captar.

Quanto ao senhor Subir Lall, aguarda-se agora com expectativa a sua próxima entrevista a um jornal ou televisão portugueses para nos revelar, de forma pesadamente circunspecta, que não temos salvação se não aplicarmos a receita que ele trimestralmente nos recomenda. Desta vez as coisas correram melhor mas é seguro que vão correr pior. Subir Lall dixit – tão certo como dois e dois serem quatro.

Com efeito, apesar da revisão significativa das suas previsões para a economia portuguesa em apenas três meses – e quase todas em sentido positivo – o Fundo e o senhor Subir Lall o que vem sublinhar é a possibilidade de derrapagens futuras na economia e no orçamento, se o Governo não aplicar as medidas que recomenda desde 2011 (mais contenção orçamental, mais cortes estruturais na despesa pública, mais reformas). E o documento conclui com uma frase própria do senhor de La Palisse: “para concluir que estamos perante uma mudança sustentada para uma recuperação mais rápida, é preciso que se assista a uma continuação do crescimento forte”. As sentenças do FMI são verdadeiras pérolas de sabedoria.