COMO PODE (dgie)? Ou O SÍNDROME DE ESTOCOLMO (revisitado)!

(Joaquim Vassalo Abreu, 07/11/2018)

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Já uma vez aqui escrevi acerca deste síndrome, mas em contexto claramente diferente, como poderão (ver aqui), mas desta vez num âmbito um pouco diferente, mas tendo como base a essência do célebre síndrome: o que leva um preso, cadastrado ou um privado da sua Liberdade a acabar por se relacionar com o o seu carrasco ou, neste caso, um votante votar em quem sempre o oprimiu e oprime…como se a sua memória, ou a memória colectiva, não existissem?

Ou, de outro modo, quem tendo sido escorraçado da sua Pátria por quem lhe tirou ou sugou todo o seu suor, a ela volte, ou não, mas continue a votar, nunca saberei em nome de quê, e mesmo que o saiba nem acredito que o sei ( uma questão quase clubistica?), naqueles mesmos que os escorraçaram…é algo que, como justificação ou razão, apenas poderei reportar para o célebre síndrome…porque para o racional entendimento  nunca poderei reportar…

Mas um síndrome de que nunca padeceram os velhos resistentes, aqueles que durante anos e anos foram mortificados nas cadeias, nas cadeias para onde os mandaram privando-os da Liberdade e da Vida ( para além da Família…), apenas por lutarem pelos seus, pelos mais fracos, por aqueles que, mesmo tendo vontade, ainda tinham um conhecimento da “politica” e da relação de Classes ainda sofrível, mas tinham um sentimento e um conhecimento enormes das Injustiças!

E sinto pena, muita pena, que muitos povos de muitos países, o nosso inclusive, a quem pelos vistos não lhes foi ensinada a História, a História do seu País e do Mundo, e ainda das suas Famílias, perante um problema actual, um problema em que toda a sua cultura Humanista, Histórica, e de abraço com a Verdade deveria ser dirigida para a sua elevação, dirija os seus votos a favor dos carrascos dos seus avós, dos seus pais e de muitos dos seus parentes, em nome de uma simples coisa: do seu ocasional egoísmo!

Mas que, de imediato, se verifica, e eles próprios logo verificaram, ter sido o seu acto apenas dirigido pelo ódio…A quem? A quem sempre os defendeu mas que, em determinado momento histórico, os desiludiu! Com toda a razão o pensaram mas sem qualquer razão esse ódio executaram. Porquê? Porque o seu ódio circunstancial obviou o retorno ao poder de quem sempre os renegou e baniu… E que, de imediato, os informou de que, pese o seu voto, os continuaria a banir…

Pois é… e aqui estamos! Lindo serviço fizeram os eleitores da emergente Classe Média Brasileira que agora resta como réstia da esperança de alguma vez lá entrar…Os que desejando paz nos bairros e nas Favelas votou numa arma em cada casa e na militarização dos seus bairros…Os que desejando uma Escola Pública decente e progressiva, acabaram por votar num espécime chamado Frota que, instado pelo seu mestre, proclama uma arma em cada escola e o abandono de tudo o que sejam culturas humanísticas, isto é, Marxistas, segundo eles!

Ora tudo isto demonstra uma tremenda incultura política, uma tremenda iliteracia acerca de tudo o que seja Social e, acima de tudo, um conservadorismo tão profundo, tão arreigado e tão antiquado que, mesmo observando a actualização das pessoas com os aspectos mais fúteis dos tempos, nada lhes conseguimos ver nem quanto à Cultura, nem quanto aos Costumes, nem quanto ao viver em Sociedade, que implica o dar e o receber, o aceitar e o promover, o reclamar e o propor, o perceber e o instar, o exigir e o condescender, em suma tudo isso o que faz a Democracia e o que nos faz sentir parte integrante da mesma…

Mas saber-se que se vai votar e, de imediato, se vai arrepender, simplesmente por um desejo punitivo que, também de imediato, se sabe se vai virar contra si próprio; saber-se que, no fundo, se está a entrar num terreno deveras perigoso e, mesmo assim, se resolve experimentá-lo, com o imediato arrependimento, já se sabe e de quem já o sabia…além de triste é doentio!

Mas, pior ainda, votar-se sem saber de nada; votar-se sem nunca ter ouvido nada; votar-se sem nunca ter escutado alguém que alguma vez lhe tivesse ensinado fosse o que fosse; votar quem na vida só sabe o que é obedecer e quem, pior ainda, na vida só anseia ser como o rico, como o patrão…e vota nele?

Perdão para todos eles…não sabem o que fazem, mesmo fazendo mal, muito mal…até a si próprios! Como pode?

Mas pode…


Fonte aqui

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O PLANO DE DEUS

 (Clara Ferreira Alves, in Expresso, 03/11/2018)

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Clara Ferreira Alves

(Pronto. Desta vez a D. Clara merece vir para a Estátua. Uma “aguarela” brasileira de um recorte literário algo naturalista, mas expressivo. Só que, como é costume da escriba, não vai à “causa das coisas”. Não basta retratar a desigualdade e ficarmos incomodados com ela. Desmontar os mecanismos sociais e económicos que legitimam a reprodução das desigualdades, é um desiderato que poucos arriscam prosseguir. E, no âmbito dessa desmontagem, a D. Clara fica sempre aquém, bem sentada na sua confortável cadeira mediática.

Comentário da Estátua, 03/11/2018)


O BRASIL TORNOU-SE UM PAÍS À PARTE. ONDE RICOS E POBRES SÃO OBRIGADOS A VIVER UNS DOS OUTROS E UNS COM OS OUTROS

Tomar o pequeno-almoço na casa de amigos brasileiros era um prazer. Nas boas casas do Rio de Janeiro ou São Paulo, casas de gente abastada mas não milionária, a manhã raiava com a mesa posta. Mãos invisíveis tinham posto a toalha de linho, os guardanapos, o queijo de Mina, o bolo cortado às fatias, os pães, as papaias e o mamão, as bananas, a manteiga, os sumos de frutas espremidas na hora, as compotas demasiado açucaradas. No fim viria o cafezinho e a mulher invisível. A criada. Ou criadas. Figura fugidia, a criada é tratada pelo nome, num tom afetuoso que desmente a realidade. Sai e entra com as coisas, faz desaparecer as sobras e arruma tudo em silêncio. A casa de uma das minha amigas, horrorizada com a vitória de Bolsonaro, tinha três criadas. Uma ficava durante a noite e as outras saíam, a turnos. Não é costume um hóspede aventurar-se na cozinha da casa, ou na copa, são as criadas que acorrem ao toque da campainha. O facto de eu mesma levar para a cozinha o copo vazio, a chávena de café e a casca da papaia desnorteava as criadas, que vinham a correr salvar-me do peso insuportável para as minhas mãos finas e brancas. As criadas eram negras ou mulatas. Nunca vi criado branco nas casas confortáveis. E tinham nomes exóticos, nomes de pobre iletrado, com consoantes difíceis, vogais abertas e acentos graves e agudos. Este é o país da Cafiaspirina da Silva.

Nos fundos da casa, num espaço de três por três metros quadrados, jaz o quarto da criada, uma cela sem luz com catre. O quarto não é usado numa base permanente, destinado apenas a uma, duas ou três noites, por turnos. Quando não ficam no quartinho, onde ficam? Comecei a ir à cozinha fazer perguntas. Uma vivia na Baixada Fluminense, uma favela nos antípodas da Zona Sul do Rio. Terra de antigos escravos e migrantes do interior. Para lá chegar perdem-se horas nos engarrafamentos. Daí a vantagem do quartinho, quando a patroa dá um jantar ou cocktail. A Baixada é medonha. Favelão inacabado de cimento e tijolo, ruelas esgueiradas por entre morros e riachos podres. Dentro da Baixada crescem as subculturas criminosas, de que o tráfico de droga é a atividade principal atraindo os tanques e as tropas. A violência faz parte da vida e quem não quer que os filhos se tornem “marginais” passa negra vida a tentar defendê-los num país sem sistemas sociais de proteção, educação, saúde. A criada tinha dois filhos pequenos. O rapaz ficava para trás e a menina vinha às vezes com ela porque tinha medo de a deixar à mercê do bairro de lata. Tiroteio era banal e o pai estava preso. A criança, uns oito anos, era linda. Pele de café com leite e um cabelo fulvo, herança de branco que por ali andou e desandou. Numa noite de convidados, a menina entrou com uma travessa de canapés. Levantei-me e retirei-lhe a travessa, servindo eu os canapés. No meu país, e na Europa, não somos servidos por crianças, disse. Os brasileiros fingiram que não se passava nada e nem comentaram, engolindo em seco. Questão de boas maneiras, devem ter pensado. O assunto morreu à nascença. A criança recolheu à cozinha e a mãe começou a chorar. Dias depois, perguntou-me se havia alguma chance, chance disse ela, de virem para a Europa. A mulher era semianalfabeta, devia ter uns trinta anos. Disse que não. Na Europa, uma pessoa sem ninguém e que mal sabe ler e escrever não sobrevive. E no Brasil?

No Brasil, estas vidas miseráveis e desesperadas, tristes como uma doença crónica, sobrevivem em dois territórios paralelos, o material e o espiritual. O crime e a violência como vingança e seleção natural, e a religião e a superstição como salvação. Os criminosos criam as suas periferias morais, e a religião, aliada ao analfabetismo, à crença no sobrenatural que floresce nos trópicos, à necessidade do milagre e à subsistência de antiquíssimos rituais africanos animistas misturados com as promessas missionárias, tece uma manta de retalhos do cristianismo esfiapado. Neste território nasceram os prolíficos evangélicos e todos esses cultos primitivos e supersticiosos que acreditam numa só palavra. Por não terem salvação em vida, têm de acreditar que Deus tem um plano para eles.

O Brasil tinha recursos naturais para dar uma existência decente a toda a população, uma vida mais norte-americana, mas as classes dominantes, a minoritária dona do dinheiro, e da dívida e do PIB brasileiros, e a minoritária burguesia entalada entre os pobres e os multimilionários, onde cabe muita gente de bem e bem intencionada, nunca estiveram interessadas em educar e elevar os miseráveis que os servem. A favela está encostada ao condomínio de luxo, o sequestrador é o marido da ama, o motorista é o ladrão das joias, o porteiro é o assassino, e nessa proximidade e promiscuidade onde todos estão dependentes de todos e o ódio de classes é um sentimento comum, o Brasil tornou-se um país à parte. Onde ricos e pobres são obrigados a viver uns dos outros e uns com os outros. O rico precisa dos criados. Os criados precisam dos patrões. Quem vai servir o pequeno-almoço? O Brasil nunca transcendeu a sociedade pós-colonial que é. O Partido dito dos Trabalhadores também não o fez.

E assim veio o anjo negro Bolsonaro pairar sobre este mundo atrasado e naturalista, agitando as asas da salvação depois de se ter banhado no rio Jordão. Deus tem um plano para ele, diz ele.

Não se riam.

O futuro era tão lindo

(Francisco Louçã, in Expresso, 06/10/2018)

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Com a desaceleração do comércio mundial, cujo ritmo se reduziu para metade com a crise, e com a produtividade estagnada, resta uma forma de gerar lucros, o sonambulismo financeiro.


Walter Inge, deão da catedral de São Paulo em Londres, terá escrito nos idos de 1229 que, “quando os nossos primeiros pais foram expulsos do Paraíso, Adão disse a Eva: minha querida, vivemos numa época de transição”. “Não é a primeira vez que alguém pega numa pena para escrever estas palavras: ‘os tempos mudaram’”, é agora Agustina no seu “Ternos Guerreiros”. A ideia de uma transição tormentosa assombra todos os tempos de incerteza e hoje não será diferente. A transição é sempre ambiguidade: como é que os tempos mudam? Adão e Eva não sabiam (e, diz o folclore, foi por culpa deles que chegámos aqui). Na verdade, nós também não, a crer nas intervenções recentes de Paul Krugman, um Nobel da Economia e acérrimo crítico de Trump, e, de modo ainda mais surpreendente, de Gordon Brown, que sucedeu a Tony Blair e teve o azar de ser primeiro-ministro entre 2007 e 2010, ao tempo do crash.

SONÂMBULOS

Brown explicou à BBC há um par de semanas que “estamos a caminhar para a próxima crise como sonâmbulos”. Na sua análise, o sistema financeiro voltou aos seus vícios: os ventos da desregulamentação vêm da Casa Branca, os bancos multiplicaram os riscos durante os tempos de juros baixos, relançaram as operações de finança-sombra e continuam na mesma senda. Este pessimismo radical não resulta de uma tentativa de ficar na fotografia dos adivinhadores da crise (Roubini já está a anunciar que a crise será em 2020), mas de uma desilusão profunda quanto aos seus próprios feitos: Brown foi o criador do G20, na expectativa de conseguir uma coordenação da globalização, e saiu-lhe Trump.

Paul Krugman, num artigo recente, “O futuro da economia já não é o que costumava ser”, inventaria algumas das condições para essas dificuldades no futuro próximo. Política orçamental pró-cíclica, ou seja, austeridade agravando as crises, além de erros nos modelos teóricos que produziram previsões ideologicamente enviesadas, tudo se juntou, na opinião dele, para termos uma condução económica perigosa. Como sonâmbulos, então. Mas quais são os tons deste pesadelo?

O primeiro é que a globalização amplificou a crise. Há muitas formas de o constatar, mas todas confirmam o ponto: criaram-se formas de blindagem internacional contra a tributação do capital (os impostos médios sobre lucros nas economias desenvolvidas desceram de 44% na década de 1990 para 27% agora), o que agrava a desigualdade, tanto mais que em regime de livre circulação financeira são impostas fortes restrições às políticas fiscais nacionais, as únicas que são redistributivas. Como, no caso da União Europeia (UE), os instrumentos orçamentais estão limitados por regras restritivas, as autoridades podem fazer tudo menos o que é necessário para responder a uma recessão, e esse é o medo de Gordon Brown, ele teme que na próxima seja o salve-se quem puder.

O AMOR A KIM JONG-UN

O episódio curioso da declaração de amor de Trump a Kim Jong-un é a contrapartida de uma política não menos surpreendente na gestão do comércio mundial. Numa espiral curiosa, a aproximação à Coreia do Norte, a economia mais insignificante da zona e politicamente dependente de Pequim, ocorre ao mesmo tempo que Washington desencadeia uma guerra comercial com a China. Nesse namoro ganha-se pouco e nessa guerra perde-se muito: aparentemente, Trump e os seus conselheiros nem se dão conta de que uma boa fatia das exportações chinesas para os EUA é de empresas estrangeiras (em 2014 eram 60%), ou que as importações dos EUA são em parte o benefício de investimentos norte-americanos no estrangeiro (por exemplo, detêm 44% do stock de capital estrangeiro do México). Assim, a tributação destas importações nem resolve os problemas da balança comercial norte-americana, nem do défice orçamental, que aliás Trump agrava com a redução de impostos sobre os ricos, nem das empresas nacionais (o comércio mundial de bens e serviços intermédios é o dobro do dos produtos para consumo final, pelo que as empresas são as primeiras a perder rentabilidade com as tarifas). Entretanto, o programa chinês de grandes investimento em infraestruturas, no valor de um bilião de dólares, para ser executado em 60 países, é um projeto de dominação para o Pacífico. Assim, a Trump só resta a força bruta: como precisa de atrair capitais para financiar o seu défice, baseia-se no poder do dólar para manter esse fluxo. Um animal ferido é o pior de todos e é o terceiro pesadelo.

Na Europa, pior ainda. Branko Milanovic, da Universidade de Nova Iorque, resumia num tweet a diferença entre a ação económica chinesa e a da UE: “A China faz algo de concreto, estradas, ferrovias, pontes, ao passo que a UE oferece conferências intermináveis dedicadas ao tema da moda em que os consultores da UE embolsam o dinheiro da UE”.

E DISTRIBUIR O QUÊ?

Com a desaceleração do comércio mundial, cujo ritmo se reduziu para metade com a crise, e com a produtividade estagnada, resta uma forma de gerar lucros, o sonambulismo financeiro. É esse o medo de Gordon Brown e de Krugman. Eles sabem que, mesmo havendo diferenças institucionais entre a crise de 2007-8 e a que temem que se aproxime (uma parte da dívida está agora nos bancos centrais, menos propensos a pânicos), a fagulha surgirá da desregulação.

Ora, este sistema baseado no lucro financeiro sustenta um regime que vai produzindo fraturas fundamentais. Ao contrário dos barões industriais, os financeiros estão fora do alcance das contingências democráticas, dominam os governos sendo invisíveis. Para mais, como o seu negócio são rendas, capturam os decisores políticos e criam condições de continuidade de políticas qualquer que seja o governo. Ou seja, como a sua hegemonia social não se baseia em políticas distributivas, ao contrário da história contemporânea das democracias, estamos perante uma forma diferente de exercício do poder. A consequência da não-distribuição são os populismos xenófobos, que estão a destruir a UE a partir do seu partido dominante, a direita democrata-cristã. Mais do que em Itália, o perigo também mora na Alemanha.


DE MEDALHA AO PEITO

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Há um saboroso pormenor na recente entrevista de António Filipe ao “Público”. O veterano deputado comunista, que tem sido apresentado pelo ministro “anónimo” daquele jornal como ministeriável, diz, com a sua graça de sempre, que “impostos com nome de comunistas não é medalha que o PCP queira ter ao peito”. Vinha isto a propósito do “imposto Mortágua”, que tributa casas milionárias num adicional de IMI e que já permitiu cobrar mais de 80 milhões de euros. O valor cobrado é mais do dobro do que o Governo pôs em cima da mesa de negociações para aumentar os funcionários públicos, que vão para dez anos de salários congelados, o que não deixa de ser um argumento razoável para a negociação que ainda anda tão embrulhada.

Quando a proposta desse imposto foi apresentada, o PCP manifestou o seu descontentamento, com o argumento de que seriam necessárias outras medidas fiscais e que as ia apresentar. Depois, naturalmente, votou a favor e das alternativas não se voltou a ouvir falar. Agora, entusiasta do “imposto Mortágua”, até propõe o seu reforço neste Orçamento do Estado com um novo escalão. Teremos portanto o “escalão João Oliveira (foto) no imposto Mortágua”, se tal for aprovado, e seria positivo que fosse. Mas essa medalha do nome, o partido não quer nada a ver com isso.

Fica então a pergunta: se, para combater a evasão fiscal e, neste caso, para tributar a acumulação de capital imobiliário e a sua valorização invisível, são precisos impostos adequados, ninguém os deve propor para não ficar com a mancha da “medalha ao peito”? Ou os impostos são filhos de pai e de mãe incógnitos? O que me parece difícil é querer o resultado e não querer a responsabilidade. Ou antes, duvido que seja política realizadora, essa de desejar que apareça uma medida desde que outrem a proponha, que com impostos não me meto porque só o nome é desagradável.

O facto indesmentível é este: para combater a especulação imobiliária ou financeira, a tributação é o instrumento mais poderoso. Isso chama-se imposto. Será defeito meu, mas aprecio quem tem a inteligência e determinação de propor e fazer aprovar os impostos certos para beneficiar o meu país, e até acho interessante a contribuição de quem, não querendo propô-los por razões estéticas, acaba sempre por aprová-los por serem medidas fundamentais.