Mensagem para Greta Mortágua e os jovens ridículos que se preocupam com o ambiente

(Por Jovem Conservador de Direita, in Público, 28/09/2019)

As eleições legislativas são demasiado importantes para perdermos tempo a discutir temas irrelevantes como alterações climáticas. Mas, esta sexta-feira, um grupo de jovens ignorantes decidiu interromper discussões verdadeiramente fulcrais para o futuro do país, como o caso de Tancos ou a subida do PSD nas sondagens, e fazer uma marcha pelo clima, com a liderança espiritual de uma adolescente sueca. Bons tempos em que os jovens eram inspirados por outros jovens a ingerir cápsulas de Tide ou a fazer o desafio do manequim. Agora são inspirados a mudar o mundo, como se o mundo estivesse mal e precisasse de mudança.

Esta Dra. Greta Mortágua tem 16 anos e, em vez de andar a fazer coisas típicas de 16 anos, como estudar e brincar com o telemóvel, anda a querer fazer política. Um jovem que queira fazer política não faz discursos, nem vai à ONU. Vai para uma juventude partidária, cola cartazes, bate palmas e, se souber obedecer aos adultos, pode eventualmente ir para assessor. Não pode é ter opiniões.

Se a Dra. Greta quer liderar um movimento global, nós, como adversários, temos o dever de a criticar como adulta. Merece todos os memes insultuosos que são feitos com a sua imagem na Internet. É uma menor? Sim. Mas é uma menor que decidiu ser insolente e ter opinião. É uma pena que os pais dela não a tenham protegido para que nós não nos víssemos forçados a ter de a insultar na Internet ou a fazer trocadilhos com o seu nome.

Quanto às crianças que decidiram marchar pelo clima, tenham vergonha. Se nós não as tivéssemos colocado no mundo, elas nem sequer teriam clima para defender. Queixam-se das alterações climáticas, mas, se não fosse o capitalismo, não poderiam usufruir do luxo que é manifestarem-se pela sua sobrevivência.

Andámos nós a destruir o planeta e a libertar dióxido de carbono para agora termos estes jovens a quererem implementar socialismo para salvar o planeta. Foi por estes mal-agradecidos que nós criámos um planeta pior. Em vez de nos agradecerem por termos utilizado recursos e adiado eventuais soluções para as alterações climáticas pelo bem-estar deles, temos de aturar protestos.

Há crianças em países do terceiro mundo a produzir os telemóveis que eles utilizam para divulgar imagens dos cartazes ridículos deles, que, já agora, são feitos em cartão. Sabem de onde vem o cartão? Das árvores, seus hipócritas. Sabem o que salva árvores? O capitalismo e os tablets que crianças da vossa idade andam a produzir em fábricas e que não podem protestar pelo ambiente. E, já agora, queixam-se da libertação de dióxido de carbono, mas sabem o que é que liberta dióxido de carbono? Vocês! Se conseguirem deixar de expirar dióxido de carbono, podem protestar. Até lá deixem de ser hipócritas. Se vocês têm direito a libertar dióxido de carbono, a Exxon Mobil também tem. Julgam que são mais que uma corporação? Uma corporação pelo menos cria empregos. O que é que vocês fazem? Comem cereais enquanto vêm vídeos no YouTube?

Não lêem o Dr. Zé Diogo Quintela? Vocês podem perfeitamente ter uma opinião diferente da comunidade científica. Ninguém vos obriga a estarem preocupados com o ambiente. Vão gozar a vida e abrir franchises de padarias. Até porque, se a comunidade científica estiver certa, vocês podem nem sobreviver até à idade adulta. Sabem que, enquanto protestam, há jovens da vossa idade na Índia a aprender programação e matemática avançada? Eles vivem no mesmo planeta e não estão preocupados. Estão felizes, ao contrário de vocês.

Greves pelo clima? É assim que querem arranjar empregos no futuro? Sabem qual é a melhor competência que o mercado procura? Capacidade de adaptação. Eles querem jovens que aceitem a realidade como ela é e que se adaptem a ela. Não querem jovens que querem mudar as coisas. Um bom colaborador não faz greves para mudar as coisas. Olha para a situação e procura ser o mais produtivo possível em função dessa situação.

É por isso que vocês vão ser praxados quando chegarem à universidade. Os vossos colegas da praxe vão arrancar a rebeldia de dentro de vocês aos gritos e tornar-vos preparados para, com sorte, serem colaboradores das empresas de sucesso contra as quais protestaram ontem. Deixem os adultos resolver os assuntos e não nos chateiem. Cumprem a vossa função, que é estudar e aceitar sem questionar a opinião dos adultos. Podemos estar a destruir o planeta, mas sabemos o que estamos a fazer.

Caso a comunidade científica que estuda e analisa o clima esteja certa, o que é pouco provável, serão os jovens que vão sofrer mais com as alterações climáticas, visto que vão ter de viver mais tempo num planeta inabitável. Em vez de estarem a chorar com pena do planeta e a defender regulações que limitam o capitalismo e o mercado livre, podiam ser empreendedores e descobrir novos planetas. Se a sobrevivência do capitalismo depender do fim do planeta, temos de aceitar. É preferível acabar a vida na Terra do que ter de aceitar medidas socialistas para o planeta continuar a existir. Pessoalmente, prefiro não existir do que viver no socialismo que exige à indústria petrolífera que deixe de extrair petróleo. Os dinossauros morreram para que nós os pudéssemos utilizar para fazer andar os nossos carros. Sempre que enchemos o depósito estamos a homenagear um pequeno velociraptor em decomposição. Ao deixar de queimar combustíveis fósseis só para controlar emissões de dióxido de carbono, estamos a dizer aos dinossauros que a extinção deles foi em vão. É uma falta de respeito para com os mortos. Se tivermos de nos extinguir para os honrar, qual é o problema?

Dizem que não há um planeta B. Como é que sabem? Em vez de andarem a querer gastar dinheiro num Green New Deal ou a taxar grandes fortunas, deixem o capitalismo funcionar. Se houver solução para as alterações climáticas, ela está no mercado livre. E pode muito bem haver um planeta B. A maior esperança da humanidade é o Dr. Jeff Bezos realizar o seu sonho de construir uma nave espacial e enviar-se para o espaço com um bidão do seu sémen e milhares de óvulos para inseminar, garantindo, assim, que a Humanidade não acaba. O planeta B pode ser muito melhor do que o planeta A porque vai ter o Dr. Jeff Bezos como o novo Dr. Adão. A Amazónia antiga pode desaparecer e, com ela, a vida na Terra. Seria poético se fosse a nova Amazónia, a Amazon, a garantir a sobrevivência da Humanidade através do sémen do seu CEO e fundador.



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Ainda a propósito da menina Greta Thunberg

(Guilherme da Fonseca Statter, 07/09/2019)

No que diz respeito a haver relatórios, estudos ou investigações chamando a atenção para «coisas» menos abonatórias a propósito da menina Greta Thunberg – (Ver aqui) -, e a possibilidade desses «estudos» ou relatórios serem encomendados, direi apenas – para resumir – que «cada um puxa a brasa à sua sardinha». Quem puxa os cordelinhos de todas estas encenações, sabe muito bem o que está a fazer.
A ENERGIA, sob as suas múltiplas formas, é o elemento crucial de toda e qualquer civilização.

Não há desenvolvimento económico sem energia abundante e, por conseguinte, mais barata.
Ponto final, parágrafo.
E o facto é que, por enquanto – e quando se somam todos os insumos necessários para levar electricidade ou calor a nossas casas e fábricas ou aos nossos transportes – as mais baratas fontes de energia são ainda o carvão e o petróleo.
Por detrás das encenações mediáticas sobre o clima e as alterações climáticas, está-se a desenrolar uma batalha de titãs, pelo controle da «produção» (transformação eficiente) de energia.
São vários os «actores envolvidos» e todos eles procuram influenciar os governos de todos os países.
A excepção aqui será a China, governada por um comité central onde a esmagadora maioria são cientistas e engenheiros, em contraste flagrante com os governos e parlamentos de países como os EUA ou o Reino (des)Unido, onde predominam advogados e MBA’s.
Esses «actores», na referida batalha de titãs, são de vários tipos: fornecedores de turbinas, fabricantes de eólicas, companhia mineiras de carvão e petrolíferas, fabricantes de painéis solares (dos mais diversos tipos), exploradores de minérios como o lítio, fabricantes de baterias.
Depois há os vendedores da banha da cobra como será o caso de Al Gore que anda a anunciar o cataclismo desde há uns 20 anos a esta parte.
As formas como esses «actores» vão esgrimindo as suas armas, são muitas e variadas. No caso das chamadas «democracias parlamentares», a «coisa» passa pelo barulho mediático, o alarmismo (em todas as tonalidades), a promoção de «estudos» e «teses de mestrado e doutoramento», assim como o financiamento de «convénios» e «conferências» (sobre o clima!… Que é uma coisa que «toda a gente entende»…)
Entretanto, para que conste.
1. É impossível «travar» «de um dia para o outro» toda a logística mundial de transportes, assim como determinar (impor) aos países «em desenvolvimento» que não se desenvolvam «porque estão a dar cabo do planeta» (com as suas novas centrais a carvão)…
2. Claro que devemos preservar as nossas florestas (e até nem é por «sugarem» CO2 da atmosfera, é por serem habitat de milhentas formas de vida…)
3. Claro que devemos combater todas as formas de poluição, desde os plásticos às microfibras e gases tóxicos emitidos por motores de combustão interna…
4. Enquanto não desenvolvem as novas tecnologias da energia nuclear «mais barata do que o carvão», é imperativo lutar pela aplicação «imediata» dos aperfeiçoamentos tecnológicos – já existentes – que permitem produzir electricidade a partir do carvão eliminando à partida todos os poluentes.
Para concluir…

Suspeito, com uma «certeza» crescente, que todas estas encenações em volta das «alterações climáticas» são manobras de diversão («red herring», dizem os anglófonos) para distrair as diversas classes trabalhadoras dos países industrializados, de modo a não pensarem demasiado na natureza predadora do sistema capitalista…

Assim a culpa é só de uns capitalistas (os fabricantes de automóveis a diesel, por exemplo) e os «salvadores» do planeta são outros capitalistas (os fabricantes de painéis solares e eólicas, por exemplo…).
No meio dos «pingos da chuva mediática» o Capitalismo, esse, espera continuar sem julgamento histórico…

Quanta vida poderemos esperar?

(Viriato Soromenho Marques, in Diário de Notícias, 10/08/2019)

Viriato Soromenho Marques

Nunca tivemos tanto dados, mas escasseia a capacidade de os pensar articulada e sistemicamente, produzindo conhecimento relevante. Um bom exemplo disso confirma-se no confronto entre duas séries temporais, distintas mas associadas, que se prendem, respetivamente, com a cronologia da Terra e a longevidade humana. A Terra foi até ao século XVIII, dominantemente, considerada como um planeta jovem. O diretor da classe de Matemáticas da Academia de Ciências de Berlim, o francês Alphonse de Vignolles (1649-1744), depois de uma vida de pesquisa matemática em torno dos livros do Antigo Testamento, calculava que, no máximo, desde o momento do Genesis (que formara a Terra e o resto o universo) não teriam decorrido mais de 6984 anos (a sua obra Cronologia da História Santa foi publicada em 1738). Contudo, seja com o conde de Buffon (1707-1788), seja com Kant (1724-1804), a Terra rapidamente ganhou um imenso passado. Buffon, modestamente, não arriscou, por escrito, mais de 74 000 anos. Kant, na sua obra Teoria do Céu (1755), na altura pouco influente, rompe com a clausura bíblica falando de uma Terra como parte de um cosmos potencialmente infinito no espaço e no tempo.

Na entrada do século XX, a Terra tinha já um longo passado (hoje estimado em 4,54 mil milhões de anos), e os humanos uma breve esperança de vida (pouco mais de 40 anos na Grã-Bretanha vitoriana). O futuro, por seu turno, parecia prenhe de esperanças tanto para o planeta como para a humanidade. No século XXI, pelo contrário, ocorre uma reviravolta paradoxal. A Terra aparece envolta num processo de alterações ontológicas aceleradas, induzidas pela ação tecnológica da civilização humana, que levaram mesmo ao atual debate sobre a mudança da nossa época geológica da designação de Holoceno (iniciada há 12 000 anos, no final da última glaciação) para Antropoceno, que segundo o nobel da Química Paul Crutzen, um dos seus proponentes, teria sido iniciada com a Revolução Industrial. O planeta não se encontra fisicamente ameaçado, pois continuará a rodar no espaço em torno do Sol ainda por muitas centenas de milhões de anos. O que corre risco de colapso irreversível nas próximas décadas são as miraculosas condições biofísicas do Sistema Terra que suportam a exuberância de vida no planeta. Condições de que a humanidade moderna se apoderou de modo predatório, irresponsável e potencialmente suicidário. Defender a tese de que o aumento da esperança de vida da espécie humana pode atingir mil anos, como o faz, entre outros, o biogerontologista Aubrey de Grey – autor do bestseller Acabar com o Envelhecimento (2007) – é sinal da imensa perturbação moral do nosso tempo, que não poupa sequer o mundo académico.

A vida dos indivíduos humanos não pode prolongar-se indefinidamente num planeta em que o atual modelo de crescimento económico destrói o software que permitiu e protege toda a vida, incluindo a da espécie humana. Quem não percebe isto envergonha não só a ciência como ofende o simples senso comum.

Professor universitário