(La Tizza in Resistir, 26/05/2026)

Não compreendemos naquele momento que em Gaza não se estava a violar o direito internacional; estava-se a fundar uma nova ordem, uma em que a barbárie é pública, consentida e televisionada. E essa é a ordem sob a qual um porta-aviões hoje ameaça Cuba.
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Se há algo de valioso na linguagem de Donald Trump, é que ela é crua. Não se esconde em eufemismos nem se demora em circunlóquios diplomáticos. A sua ameaça de enviar um porta-aviões para tomar Cuba assim que o trabalho no Irão estiver concluído não é uma hipérbole de campanha, nem mais uma peça do seu caótico estilo de negociação, nem uma piada de uma improvável sobremesa imperial. É a confissão textual de uma política que nunca foi outra coisa senão a preparação do golpe final.
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O homem linchado e deixado a secar ao Sol chamava se Mohammad Najibullah. Para que conste a este corrector que nos prega partidas destas e por respeito por uma vitima do imperialismo ianque que não começou com Trump.
Se assistiram sentados num sofá a um genocídio em directo acusando as vítimas de terem culpa das suas próprias mortes devido ao levantamento do cerco de Gaza também certamente acharao normal que o Trump mate umas centenas de milhares de cubanos a pretexto de libertar o resto.
Ate porque a indiferença não começou em Gaza.
Toda a gente achou normal a queda do Afeganistão nas unhas de uma gente que cortava maos e apedrejava gente em plena rua.
Foi o meu primeiro contacto consciente com comentários dignos de um degenerado quando os monstros cercavam Cabul após a retirada soviética. “O Afeganistão e um país medieval e a sua população aceitara isto”.
Três anos depois ninguém se chateou quando Najubullah, ex presidente do país foi morto como um cão e o corpo deixado três dias a secar ao Sol, como um bacalhau.
Comentadeiros justificaram acusando o homem de todos os crimes reais e imaginarios.
Ate de gostar de matar gente com as próprias mãos. O homem era fisicamente um bisonte e médico de formação. Era facil acreditar nisso e toda a gente acreditou.
Com o famigerado 11 de Setembro o mundo acordou para os crimes daquela gente mas para assistir com indiferença a bombardeamentos massivos e morte de famílias inteiras a pretexto de matar ou capturar um homem apanhado 10 anos mais tarde numa mansão no Paquistão.
Toda a gente assistiu, corria o mesmo ano de 2011, a seis meses de bombardeamentos sobre a Líbia não escapando nem cidades no meio do deserto a pretexto que aí vivia o cla beduíno de Kadhafi.
O pretexto para mais de 50 mil mortos foi a libertação do povo libio.
Sabemos hoje o que essa liberdade significou para o país. Um verdadeiro regresso a Idade Média, um cenário do Mad Max mas com gasolina.
Mas como o petróleo continua a jorrar ninguém se chateia.
Como ninguém se vai chatear com a miséria de Cuba se puderem fazer la férias baratas com putedo com fartura.
E todos sabemos o que a liberdade Made um USA significa.
Privatização de tudo menos o ar que se respira e isso porque ainda não e possível capturar o oxigénio e vender em garrafas.
Quem passar fome e porque não quer trabalhar.
E quem protestar e levar no lombo e porque merece.
Nenhum pais melhorou, por muito dura que por la fosse a vida devido a sanções e bloqueios vários, Cubs não será o primeiro.
Mas poderá contar com a indiferença do mundo tal como contaram Iraque, Líbia, Líbano, Palestina e tantos outros.
E quem quiser sair do país terá a desagradável surpresa que tiveram os que saíram do Leste Europeu após a queda dos seus regimes.
Serão acusados de não se quererem submeter aos novo regime libertador e ou devolvidos a procedência ou postos a trabalhar onde acharem que gente escura merece. Leia se campos, obras e hotelaria. Alguns médicos poderão ter sorte porque fazem cá muita falta. Mas com o desmantelamento do sistema de saúde pública também não será fácil a quem não tiver a cor certa.
E se voltarem a exigir a toma de uma coisa nefasta para cá entrarem ou tomam ou avião que os trouxe, aviao que os leva.
Já não haverá passadeiras vermelhas para os pobres comedores de frango. Ate porque se forem pobres a culpa será deles.
Isto e tudo uma cambada.