O Rangel range e demite toda a gente

(Por Estátua de Sal, 16/02/2017)

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Estive a ver o inenarrável Rangel na Prova dos Nove, da TVI24. O maior trauliteiro do ano, pese a gravata.

Rangel, surge de varapau em riste armado em campeão da verdade e da democracia. O ministro Centeno, mentiu e pronto. Deve demitir-se. O secretário das finanças, Marinho Félix, já há muito que se devia ter demitido. O Galamba disse que o Marcelo errou tanto quanto o Centeno, deve demitir-se. O Costa não se deve demitir, apenas, por enquanto. 

Entretanto o Domingues já se demitiu, uma injustiça, ele que tão bons ofícios iria aportar à coisa pública. O Matos Correia, esse, já se demitiu, vítima de um gravíssimo atentado contra a democracia perpetrado pelos partidos de esquerda.

Ou seja, por vontade da direita o governo, com tanta demissão, qual doente de pernas amputadas, iria a seguir para consumar a chusma de demissões.

Tão democratas que se babam ser e parece que querem chegar a poder a todo o custo, recorrendo a telenovelas de mau gosto, a golpes baixos de intriga, à iniquidade da trafulhice, em vez de discutirem o país, as necessidades dos portugueses e o futuro dos cidadãos.

Estamos cansados, ó Rangel. Queremos discutir coisas sérias. Estamos fartos dos teus uivos. O último deles, que me deu vontade de rir em grandes gargalhadas, é que o Bloco de Esquerda está muito próximo do Trump, esta mais uma pérola do Rangel, porque votou contra o requerimento da direita para levar os SMS do Centeno à Comissão de Inquérito à CGD!

O Trump é aquilo que se sabe. Mas olha que tu, ó Rangel, quando vociferas também levantas muito o dedinho, como se vê na imagem.. E nesse aspecto não ficas a dever nada ao personagem Trump.

O inimigo n.º 1 da economia portuguesa

(Sandro Mendonça, in Expresso Diário, 16/02/2017)

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Não é Trump. Não é o Brexit. Não é Centeno. Não é a CGD. Não é um pássaro, não é um avião. E não é a Uber nem a Goldman Sachs, pelo menos para já.

Tendo em linha de conta o que escreveu recentemente Jens Spahn (quem?!) é difícil escapar a uma conclusão: cheira a enxofre na Europa, não é só por cá. O tal cavalheiro Jens Spahn é o vice-Ministro das Finanças alemão (ah, um vice do senhor Wolfgang Schäuble).

Num artigo publicado no Wall Street Journal (9 Fevereiro, 2017) este governante revelou a abordagem alemã à Administração Trump. Essas ideias são actualmente a principal fonte de risco a curto prazo para a economia portuguesa, para a periferia da UE, e para o próprio projecto europeu.

Mas então o que se passa?! O Ministério das Finanças alemão quer à força um euro mais valorizado. O mini-Schäuble Sr. Jens Spahn dá um sinal claro naquele jornal norte-americano: “Ajudaria ter um euro mais forte”.

Percebe-se. Trump precisa de resultados económicos para segurar a sua audiência eleitorado. A tendência de aumento de taxa de juro, que é a política da Reserva Federal perante o cenário de recuperação da economia norte-americana, complica esse objectivo. Como contra-medida nada melhor que uma depreciação do dólar. Para isso outras moedas têm de ficar mais caras.

Esta é a estratégia por trás da acusação de manipulação cambial feita à Alemanha, que é simplesmente vista em Washington como quem manda na Europa. O superavit da balança corrente alemã tem atingido valores inacreditáveis (8,7% do PIB em 2016, contra um défice de 2,7% os EUA). A isso chama-se um desequilíbrio. E um desequilíbrio é um problema, atrai muita atenção.

O nosso Schäuble 2.0 Jens Spahn afirma no entanto que a razão da competitividade alemã é “o ambiente de negócios, a força de trabalho, a protecção dos direitos de propriedade e administração eficaz da justiça”. Dois economistas discordam: o prémio Nobel norte-americano Paul Krugman (aqui) e o editor alemão do Financial Times (aqui) … e são estes que têm razão. A Alemanha goza de uma moeda furtivamente mais depreciada do que teria se tivesse o Marco. É um centro de acumulação que consegue saldos positivos à custa dos necessariamente saldos negativos da periferia.

Mas a Alemanha não admite isso. Faz o jogo de Trump. Quer valorizar o Euro. Quer diluir o seu excessivo e artificial excedente sem tem ter de fazer reformas. Essas seriam reformas pró-sociais no seu próprio território (por exemplo, re-investir em infra-estruturas e inflacionar a remuneração do trabalho). Prefere, pelo contrário, aumentar as taxas de juro para todos. Sendo que se isso acontecer muitos dos países da periferia começarão a fazer “pop” como bolhas de sabão. Vão rebentar crises gémeas de dívida pública e défices comerciais.

O governo alemão não cede. Não se importa em comprometer a viabilidade da periferia, ameaçar a frágil recuperação europeia e de acicatar ainda mais as tensões em que as populações sentem que este colete-de-forças europeu não lhes serve. O que isto implica tem de ser lido muito claramente em Lisboa. Medidas de antecipação, gestão e mitigação destes riscos têm de ser equacionadas. Pode estar uma disrupção à vista, neste ano de todos os perigos.

ENTRETANTO, NO RECTÂNGULO…

  • Carrocel CGD. Já disse várias vezes aqui no Expresso que este país não sabe gerir gestores. E, em particular, os políticos não sabem gerir mega-administradores. Mas agora também se percebe que o país não sabe gerir SMS! Mas pelo menos há um Ministro das Finanças que sabe gerir as contas públicas, algo bem original se compararmos com o anterior executivo.
  • Lobisomem CDS. Então ninguém pergunta como é que um Lobo Xavier Conselheiro de Estado (das bandas do CDS e amigo do inefável Domingues) anda a acicatar o Presidente da República nesta matéria?! O CDS, excitado com um eventual e putativo acesso privilegiado as esses SMS, anda numa berraria de Lua Cheia. Já não mede a ética dessas fugas de informação nem os danos para a CGD?! Quem tem de cair é Lobo Xavier, pois anda em manobras que Belém não deveria tolerar. Tem de cair e já se faz tarde.
  • Tejo turvo. O tejo está realmente poluído e não é só problemas de descargas a montante. É preciso perceber a correlação entre mais cruzeiros e mais poluição no Tejo. A negligência da governança fluvial neste país tem de ter limites.
  • Mochilas tonelada. Há muito tempo que as mochilas dos alunos do primeiro e segundo ciclos estão a passar todos os limites. Dos vários anos que tenho reuniões de escola por deveres parentais nem uma vez isso foi identificado por responsáveis ou professores como sendo um problema de saúde pública. A consciência também deveria pesar neste caso; mas agora o urgente é resolver isto.
  • Mundet mundo. No Seixal, onde antigamente era o saudoso Seixal Jazz, há um novo sítio de bom gosto gastronómico, inteligência de serviço e de respeito pelo património material e imaterial da nossa industrialização tardia e depois decadente. Assim se vai provando a evolução da autenticidade em Portugal. Força, pois.

O último pote

(In Blog O Jumento, 16/02/2017)
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                                                                Um verdadeiro artista

A crer naquilo que se vai ouvindo a propósito do folhetim Domingues este senhor foi traído por um malandro chamado Centeno (o que se poderia esperar de um mafarrico com um apelido espanhol que em português é centeio? É óbvio que se teria de ouvir muito burro a zurrar com cheiro a palha) prometeu-lhe uma CGD com ordenados e prémios iguais ao do sector privado e sem ter de suportar a curiosidade da populaça, com vícios delegados em jornalistas do CM ou do Sol.
Vendo o seu amigo traído, surge um bom cristão, um tal Lobo Xavier que aparece sempre que cheira a palha, personalidade que como todos sabemos anda neste mundo movido pelo desejo de fazer as boas acções necessárias para ter pontos suficientes no seu cartão de cliente do Céu, a fim de poder abrir as portas do dito, dispensado de terços e penitências e outros bilhetes.
Toda a gente sabe que Lobo Xavier é o cristão mais franciscano que anda acima da terra, homem  despojado de riquezas e mais isolado dos vícios do mundo do que os monges da Cartuxa.
Os nossos deputados, gente que cada vez que dizem uma mentirita a primeira coisa que fazem quando chegam a casa é apertar as partes íntimas com o cilício devidamente certificado e desinfectado, estão indignados com a hipótese de o mafarrico espanhol ter dito uma mentira dentro desse santuário da verdade que é o nosso parlamento. Num hemiciclo onde metade das intervenções resultam de pedidos da palavra em nome da defesa da honra, o pecado da mentira é um pecado mortal, e não admira a reacção digna de meretrizes ofendidas a que temos assistido.
Não, o Domingues e os seus amigos, gente que como se sabe pertence a essa nobre estirpe de banqueiros portugueses, verdadeiros exemplos de honestidade e competência, como se pode ver pela situação brilhante em que estão todos os bancos portugueses ou que o eram em tempos mais recuados, não iam gerir a CGD para ganharem prémios chorudos, como fizeram muitos gestores da nossa impoluta banca. Iam servir o país e como gestores franciscanos e só se sentiam obrigados a prestar contas a Deus porque só a isso está obrigado um bom cristão.
Não, o Lobo Xavier não tem o mais pequeno interesse nos muitos milhões da CGD, nem ele nem os muitos interesses que representa teriam interesse nos créditos, na litigância, nos PER ou nos muitos negócios da CGD. A sua presença no processo foi apenas para divulgar os emails e os SMS privados do Centeno, às mijinhas, porque o seu amigo Domingues é muito envergonhado e não se sente à vontade com jornalistas e políticos da direita, até porque o pobre banqueiro começou a sua escolinha no MRPP.
Não, os muitos milhões da CGD seriam um fardo para qualquer um, um trabalho muito penoso. A má cobrança de muitos milhões em dívida e os muitos milhões disponíveis para muitos créditos não interessavam a ninguém. A própria presença de Lobo Xavier e de muitos dos deputados esganiçados da direita são a maior garantia de que qualquer relação entre aquilo que se passa e a vontade de ir ao pote é pura coincidência.
Enfim, por este andar até me vou tornar um devoto do Paulo Macedo, comecei por defender esse Domingues e dou comigo a sentir-me na obrigação de uma pesada penitência, dando graças a Deus por terem metido o Macedo na CGD; ou estou muito enganado ou com essa mudança salvei o que me resta dos subsídios de férias e de Natal.