O último pote

(In Blog O Jumento, 16/02/2017)
um-artista

                                                                Um verdadeiro artista

A crer naquilo que se vai ouvindo a propósito do folhetim Domingues este senhor foi traído por um malandro chamado Centeno (o que se poderia esperar de um mafarrico com um apelido espanhol que em português é centeio? É óbvio que se teria de ouvir muito burro a zurrar com cheiro a palha) prometeu-lhe uma CGD com ordenados e prémios iguais ao do sector privado e sem ter de suportar a curiosidade da populaça, com vícios delegados em jornalistas do CM ou do Sol.
Vendo o seu amigo traído, surge um bom cristão, um tal Lobo Xavier que aparece sempre que cheira a palha, personalidade que como todos sabemos anda neste mundo movido pelo desejo de fazer as boas acções necessárias para ter pontos suficientes no seu cartão de cliente do Céu, a fim de poder abrir as portas do dito, dispensado de terços e penitências e outros bilhetes.
Toda a gente sabe que Lobo Xavier é o cristão mais franciscano que anda acima da terra, homem  despojado de riquezas e mais isolado dos vícios do mundo do que os monges da Cartuxa.
Os nossos deputados, gente que cada vez que dizem uma mentirita a primeira coisa que fazem quando chegam a casa é apertar as partes íntimas com o cilício devidamente certificado e desinfectado, estão indignados com a hipótese de o mafarrico espanhol ter dito uma mentira dentro desse santuário da verdade que é o nosso parlamento. Num hemiciclo onde metade das intervenções resultam de pedidos da palavra em nome da defesa da honra, o pecado da mentira é um pecado mortal, e não admira a reacção digna de meretrizes ofendidas a que temos assistido.
Não, o Domingues e os seus amigos, gente que como se sabe pertence a essa nobre estirpe de banqueiros portugueses, verdadeiros exemplos de honestidade e competência, como se pode ver pela situação brilhante em que estão todos os bancos portugueses ou que o eram em tempos mais recuados, não iam gerir a CGD para ganharem prémios chorudos, como fizeram muitos gestores da nossa impoluta banca. Iam servir o país e como gestores franciscanos e só se sentiam obrigados a prestar contas a Deus porque só a isso está obrigado um bom cristão.
Não, o Lobo Xavier não tem o mais pequeno interesse nos muitos milhões da CGD, nem ele nem os muitos interesses que representa teriam interesse nos créditos, na litigância, nos PER ou nos muitos negócios da CGD. A sua presença no processo foi apenas para divulgar os emails e os SMS privados do Centeno, às mijinhas, porque o seu amigo Domingues é muito envergonhado e não se sente à vontade com jornalistas e políticos da direita, até porque o pobre banqueiro começou a sua escolinha no MRPP.
Não, os muitos milhões da CGD seriam um fardo para qualquer um, um trabalho muito penoso. A má cobrança de muitos milhões em dívida e os muitos milhões disponíveis para muitos créditos não interessavam a ninguém. A própria presença de Lobo Xavier e de muitos dos deputados esganiçados da direita são a maior garantia de que qualquer relação entre aquilo que se passa e a vontade de ir ao pote é pura coincidência.
Enfim, por este andar até me vou tornar um devoto do Paulo Macedo, comecei por defender esse Domingues e dou comigo a sentir-me na obrigação de uma pesada penitência, dando graças a Deus por terem metido o Macedo na CGD; ou estou muito enganado ou com essa mudança salvei o que me resta dos subsídios de férias e de Natal.
Advertisements

DANIEL, UM NOVIÇO EM NABIÇAS!

(Joaquim Vassalo Abreu, 15/02/2017)

,daniel_nabo

Antes de mais, e para introdução ao tema, vou aqui reproduzir o essencial de um texto que o Daniel Oliveira publicou no Expresso, acho que Diário, e também via dele no Facebook e a que ele chamou de “O nabo perdeu a sua primeira vida”!

O nabo é, neste caso e para o Daniel, o Centeno! E diz ele: …”no fundo é um zero em política e só está lá a prejudicar o Costa. Não tem capacidade para gerir pequenos problemas, deixando que eles cresçam de forma desastrosa- enredando-se nas suas próprias asneiras. Quanto melhores forem os números da economia maior será o cerco a Centeno, por causa da CGD. É uma lei da “física” na política. Por isso ter na principal pasta do governo um “nabo” como Centeno é uma dor de cabeça para Costa. Ainda por cima um “nabo” que já perdeu uma vida. Os gatos têm sete, os nabos não”. Assim rematou o Daniel Oliveira.

Depois de ter isto lido e ter tirado a primeira e óbvia conclusão de que, para o Daniel, Político é aquele que apenas tem capacidade para gerir pequenos problemas, passou-me assim uma nuvem pelos olhos, apeteceu-me logo dizer e emitir coisas impróprias, mas mantive-me sereno e calmo e comecei a ler as reacções. Não foram bonitas, como bonitas não foram as respostas do Daniel que quando é infeliz não o reconhece e desata logo e sempre a zurzir quem o critica.

E então diz que ao chamar “nabo” ao Centeno responde que apenas fez “comentário político”! Mas perguntado se chamar nabo a alguém é um comentário político ele responde que um “nabo era quem fazia nabices”… e etc.

Ora bem, meu caro Daniel Oliveira, eu desde já, e para que não restem dúvidas, declaro que me acho, eu e muitos, em certas alturas da vida, um valente e robusto “nabo”! Porquê? Simples: quem é que perante qualquer asneira feita, qualquer coisa óbvia que não alcança ou qualquer erro de avaliação comum, nunca disse: “Sou, ou fui, um grande nabo”? Assim como quem diz: “Sou, ou fui, muito burro”? Quem? O Daniel Oliveira, o infalível. O único nabo à face da terra que nunca o foi. Porquê? Porque é comentador político, claro.

Não vou aqui discutir se o é ou não mas, pelo que vejo, todos podemos ser comentadores, mas comentadores políticos, só quem andou ou anda na política. Ora o Daniel pode ser comentador, mas não é político.

Primeiro não sabe distinguir um nabo de uma nabiça. Pensa que a nabiça sai do nabo, mas é o inverso e não sabe sequer quantos nabos tem um molho! O nabo não faz nabices, Daniel: as nabices é que fazem o nabo. Por exemplo você, mal o “acomparando” a um nabo, que já sei que não é, foi espetado pequenino como nabicinha, com dez anitos não foi, no PCP e saiu de lá, já com uns vinte, já nabiça bem verdejante para o BE, para onde foi ocupar um lugar como aquele do Zeca Mendonça no PSD, adido de imprensa, e enquanto a nabiça bem crescida se tornou já flor, em grelo portanto, saiu e tornou-se “Livre”, em verdadeiro nabo.

É que o nabo é uma raiz, Daniel, e a nabiça uma folha, homem. Você de nabiças é ainda um noviço e de nabos nem sabe quantos tem um molho. Quer que lhe diga? Três! É aquilo que o Daniel é em política: um molho de nabos!

O Daniel pensa que pode entrar por todos os caminhos e atreve-se a dizer mesmo que o Centeno, não sendo um gato, já perdeu a vida que tinha. Que o têm tentado assassinar a gente sabe, agora que o Daniel o dê já por morto… Será isso também comentário político? E aqui chegando isso faz-me lembrar daquilo que se diz que o Mark Twain terá dito mas que, segundo um amigo meu que sabe tudo do dito, parece que não teria dito bem assim, mas o que consta que terá dito foi: “O anúncio da minha morte é nitidamente exagerado “. Seria ele gato?

Pois é Daniel, eu sou da terra dos nabos! Gandra, Gemeses, Marinhas, Fão, Apúlia, aquelas zonas junto ao rio Cávado, em Esposende, e de nabos e nabiças sei desde pequenino e até nos matavam a fome quando em crianças andávamos cinco quilómetros a pé para ir para a Escola, em Esposende.

E também conheço desde pequeno aquele ditado: “Seja moderado com chouriças e coma mais nabiças”. Era o que fazíamos. Poucas calorias e muito ferro e coisas mais, todas saudáveis.

O Daniel estava tão bem a falar de chouriças e vem-me agora falar de nabiças!

E nisso não passa de um noviço! Mas o Expresso e a SIC agradecem…Entendeu, ou quer que lhe arranje outro molho?

Com perdão a todos os que se acham “nabos”, nos quais eu me incluo!


Fonte aqui

“OS FRAGILIZADOS”

(Joaquim Vassalo Abreu, 13/02/2017)

fragilizados1

Estávamos nós tão sossegados
Sem remoer velhos passados
Quando nos vemos governados
Por dois seres fragilizados!

Foi a lengalenga que me surgiu quando fui confrontado, em primeiro lugar com aquela surreal conferência de imprensa do CDS (a cujo porta voz já me referi em texto anterior) exigindo a demissão do Ministro das Finanças, por ter conduzido de modo catastrófico o dossier CGD e por alegadamente ter mentido ao Parlamento, mas mais preocupado logo a seguir fiquei quando o (ainda) chefe da oposição veio em público declarar estar o Ministro “muito fragilizado”. E aqui fiquei deveras preocupado!

E aqui, aqui sim, perante a voz grave do (ainda) chefe da oposição, temi pela saúde do Ministro. Da última vez que o tinha visto também o achei com umas olheiras de algo modo pronunciadas e pensei para comigo próprio: Saberia ele de algum relatório médico que ninguém mais sabia? Terá tido acesso a algumas análises clínicas, assim daquelas que a gente olha e vê um item mais desfasado e pensa logo “ó que diabo”, ou a qualquer diz que diz? Mas não…não podia ser. Se assim fosse, o agora chefe da oposição em funções (o Mini Mendes) já o teria dito e detalhado na SIC e o adjunto Gomes Ferreira já teria estudado o assunto e dado a sua aula. Mas não consta ser Médico, dirão. É o mesmo, ele sabe sempre de tudo. É ele e o Rogeiro…Todos na SIC! fragilizar

Este “muito fragilizado” poderia denunciar também algum cansaço, cansaço esse que poderia estar por detrás de algum deficiente desempenho, sabe-se lá, assim num momento menos bom mas, vendo bem o seu desempenho último, nada disso faria sentido. E mesmo não tendo acesso às suas análises clínicas, não custa nada aferir globalmente das mesmas. Reparem: O colesterol total (o défice) melhor, quer dizer mais baixo, até que o esperado; o colesterol bom, o HDL ( o crescimento do PIB) acima da referência também; as plaquetas totais (a estabilidade governativa) dentro dos parâmetros esperados, etc, etc…

De modo que o supremo Presidente do júri médico, o Prof. Dr. Marcelo, veio a público acabar com a questão e proferiu a definitiva pergunta: Têm algum relatório médico? Um assinado? Então mostrem-no…Não têm? Então calem-se…E, ainda hoje mesmo, aquele tipo de nome bolchevique, o Moscovici, em representação da entidade médica superior da Europa, o veio peremptoriamente afirmar: goza de boa saúde e com desempenho melhor que o esperado. Mas tomou algum suplemento (receitas extraordinárias) para o conseguir? Até pode ter tomado mas, mesmo assim, ficaria amplamente aprovado. Então calem-se, repetiu o Marcelo…

Mas, pelas leituras das primeiras páginas dos jornais do fim de semana (é, como já várias vezes disse, o que apenas leio), ficamos a saber que o PSD não se calou e começa também a insinuar estar o Presidente Marcelo, também ele, “muito fragilizado”!

O Marcelo, vendo as últimas sondagens, deve ter-se fartado de rir e, ao mesmo tempo, em Espanha e ao El Pais, diz coisas de uma inanidade tal (para os seus, que não o queriam, mas depois lá tiveram que nele votar e agora já não querem outra vez…), tais como “A Geringonça tem tido um desempenho superior ao esperado”, “uma agradável surpresa até para ele” e coisas assim e de um absurdo tal que até o José Eduardo Martins confessou “sentir-se embaraçado” , acrescentando mesmo que “ sendo ele a última pessoa no PSD que ele (julgo que o Marcelo) poderia embaraçar…”, está tudo dito! Tudo dito? Não, nada disso. Depois de o Marcantónio se declarar “perplexo” com o que ele está a fazer ao PSD, o José Eduardo Martins vem colocar mais lenha na fogueira e só por uma unha negra não o acusa de pirómano. Disse ele : “Ninguém pode ser feliz pegando fogo ao sitio onde nasceu…”.

Ora eu, que até sou amigo do JEM no Facebook, que o considero e acho uma pessoa inteligente e preparada, oriundo dessa bela terra que também é a da minha esposa- Paredes de Coura- onde temos muitos amigos comuns e onde toda a gente se dá bem, só lhe poderei perguntar: Ó Dr. José Eduardo Martins, você passou-se? Passou-lhe assim alguma coisa pelo frontispício? Então você que, quando o Passos era governo, era contra o tipo, agora que ele não é governo resolve ser a favor e vira-se contra o Presidente? Você ainda não se convenceu que ele não pode ser candidato a Lisboa, homem? Ele agora é o Presidente, ainda não perceberam?

Eu sei que o que não percebem é essa coisa das sondagens. Ser da oposição e descer constantemente nas sondagens? Serem contra um Presidente e ele manter níveis de aprovação na ordem dos 80%? Eu sei e é como já disse: O PSD não desce nas sondagens, desce qual quê? Tem tido é um “crescimento negativo”… Não é Drª Maria Luis?

“Fragilizados”? Não, quem está é o Centeno, o Marcelo e, já agora, o Costa!

Ah! Também não posso deixar de referir aqui, mas isto li no Facebook, a pungente pergunta do Camilo: Jerónimo e Catarina, que é feito de vós? Onde andam vocês?
Devem estar também “muito fragilizados” e por isso não aparecem…É o diabo! O diabo? É isso, está encontrado, finalmente…


Fonte aqui