Ó faxavor, juros baratinhos

(Francisco Louçã, in Público, 19/08/2017)

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Mensagem no telemóvel. “Sr. fulano, transfira mil euros para a sua conta à ordem, sem juros, um ano (TAN de 0%). Acresce comissão de 59 euros na primeira mensalidade. Ligue o número tal, prima 2 e fale com um consultor de crédito. TAEG 17,5% para um limite de cinco mil euros”. Percebeu? Não é para perceber, mas o juro são 17,5%.

Toca o telemóvel.

“Está? É o sr. fulano? Daqui fala João Silva, da agência financeira Tudobom, queria falar-lhe do nosso cartão de crédito…”

“Quem lhe deu o número do meu telemóvel?”

“Bem, está aqui na base de dados.”

“Quem lhe deu a base de dados?”

“Vou perguntar, é um momento… Obrigado por ter esperado. É a base de dados Todostelefones, que regista pessoas que concorreram a sorteios de automóveis.”

“Mas eu nunca na vida concorri a um sorteio de automóveis, não posso estar nessa base de dados. Sabe que é punível por lei utilizar uma base de dados ilegal e há uma Autoridade para vigiar esses abusos?”

“Pois então pode apresentar queixa à tal Autoridade. Mas entretanto vou apresentar-lhe o nosso novo cartão de crédito…”

Toca outra vez o telemóvel.

“Bom dia, sr. fulano. Sou Luís Silva, da Boasaúde, quero apresentar-lhe um plano financeiro que lhe garante todos os cuidados de saúde…”

“Não estou interessado.”

“Porquê? Porque é que não quer um plano que lhe garante todos os cuidados de saúde?”

“Não tenho de lhe dar explicações, não estou interessado.”

“Vou então registar, sr. fulano, que não está interessado num plano que lhe garante todos os cuidados de saúde.”

Saio do Metropolitano e encontro uns jovens vestidos com coletes reflectores cor de laranja. As farpelas têm Idosossós escrito em letras garrafais. Aproximam-se de todos os adultos que não tenham ar de estrangeiro.

“Bom dia, sabe que há idosos sós que vivem abandonados?”

“Sim.”

“E acha que eles devem ficar abandonados?”

“Não.”

“Somos da Idosossós e estmos a proteger os idosos abandonados. Se quiser apoiar o nosso trabalho para proteger os idosos abandonados, tenho aqui um folha para que desconte pelo banco só 60 cêntimos por dia para proteger os idosos abandonados.”

“Portanto, pede-me um contributo de cerca de 200 euros por ano, mas eu nunca ouvi falar da vossa organização, importa-se de me dar algum folheto que descreva a vossa actividade, quem são os corpos gerentes, e referências de onde trabalha com os idosos abandonados?”

“Isso não temos.”

“Site da internet com essas informações?”

“Isso também não temos.”

Chego a casa, toca o telefone fixo.

“Bom dia, é de casa do doutor fulano?”

“Que deseja?”

“É para lhe comunicar que ganhou um prémio na agência de viagens Todomundo e que o pode vir levantar a partir das 9h dos dias de semana.”

“Mas não concorri a nenhum prémio.”

Não lhe aconteceu nada disto? Adivinho que é todos os dias. A sua vida, como a minha, é uma aventura em que navegamos no meio de manipulações, truques, extorsões, seduções e juros baratinhos. Dizem-nos que tudo é fácil, prémios, sorteios, viagens, cartões de crédito, telemóveis. As empresas não vendem, distribuem. A finança não empresta, entrega. Não há contratos, há palavras doces. É um mundo maravilhoso.

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O perdão imaginário

(João Galamba, in Expresso Diário, 24/07/2017)

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Quando não se tem argumentos, inventa-se. A mais recente invenção é a de um alegado perdão à banca, que a UTAO estimou ter causado um rombo aos contribuintes no valor de 633 milhões, resultante da reestruturação do empréstimo do Estado ao Fundo de Resolução (FdR).

É verdade que a UTAO calculou o valor atualizado líquido (VAL) do empréstimo do Estado ao FdR. E também é verdade que, no cenário central, a UTAO estima que o novo empréstimo tem um VAL negativo de 633 milhões. Acontece que isto não constitui nenhum perdão aos bancos, nem é um rombo no défice, por queda da receita, no valor de 633 milhões de euros.

Ao contrário do que tem sido sugerido, o empréstimo não é entre o Estado e os bancos, nem é entre o Estado e uma entidade detida pelos bancos. O empréstimo é entre o Estado e uma entidade que pertence às Administrações Públicas. O FdR é uma pessoa coletiva de direito público dotado de autonomia administrativa e financeira, mas não é dos bancos, é do Estado. A dívida do FdR não é um passivo dos bancos e não está no seu balanço, está no balanço do Estado. A dívida do FdR é tanto dos bancos como a dívida das universidades seria (parcialmente) dos estudantes que pagam propinas.

A única obrigação dos bancos é, nos termos da lei, pagar as contribuições para o FdR e contribuição sobre o sector bancário, que são receita consignada ao fundo. São estas receitas que afetam o défice público. O défice será tanto menor quanto maiores forem as contribuições para o fundo e quanto maior for a contribuição sobre o sector bancário. Se estas contribuições não forem alteradas, a situação patrimonial e financeira dos bancos e do Estado não se altera.

Ouvindo o PSD parece que o Governo reduziu as obrigações financeiras dos bancos em 633 milhões. Ora isso é pura e simplesmente falso. Se há coisa que este governo fez foi o oposto: aumentou as obrigações financeiras dos bancos. Fê-lo no final de 2015, quando prolongou a vigência da contribuição extraordinária sobre o sector bancário. E fê-lo no Orçamento do Estado para o ano de 2016, quando aumentou o valor da taxa a aplicar, o que teve um impacto de 50 milhões de euros na receita.

Curiosamente, o mesmo PSD que fala de perdões inexistentes votou contra esse aumento. Sim, a única vez que um aumento da contribuição do sector bancário foi a votos nesta legislatura os deputados do PSD votaram contra.

Os bancos pagam contribuição para o fundo e a contribuição sobre o sector bancário nos termos da lei e não nos termos do empréstimo do Estado ao FdR. O PSD, para além de ter votado contra o último aumento da contribuição sobre o sector bancário, ainda não apresentou nenhuma proposta para aumentar estas contribuições. Se o PSD acha que os bancos pagam pouco, então que proponha um aumento da taxa que os bancos pagam, em vez de se dedicar a números políticos sobre perdões que não existem e propostas de novas renegociação do empréstimo do Estado ao FdR que não têm qualquer impacto nos pagamentos dos bancos ao Estado.

Por muito que os partidos que usaram cerca de 4 mil milhões de euros dos contribuintes para injetar no Novo Banco não gostem, esses 4 mil milhões de euros foram mesmo despesa dos contribuintes, não dos bancos. Esses 4 mil milhões de euros seriam pagos com a venda do Novo Banco, o tal banco que era suposto ser excelente e que até seria vendido com lucro. Como essa magnífica venda nunca ocorreu, a dívida resultante da resolução do BES será paga na medida em que se paga toda a dívida pública, dependendo da evolução do défice de cada ano. Para o bem e para o mal, essa dívida é dívida pública, não é dívida privada, não é dívida dos bancos. Se queremos discutir o contributo dos bancos e o modo de reduzir a dívida criada aquando da resolução do BES, então discutamos a contribuição sobre o sector bancário. Tudo o resto é uma cortina de fumo e uma forma de desconversar.

Sobre os 100 milhões que Pais do Amaral deve à banca nacional

(Por Anticapitalista Incorrigível, in Estátua de Sal, 01/07/2017)

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Pais do Amaral é descendente do Marquês de Pombal e pretendente ao título de 2.° Conde de Alferrarede. 

(A notícia que o texto comenta foi publicada neste blog em 30/06/2017 e pode ser lida aqui)


Em que partido é que votará este exemplar de um empreendedorismo implantado por um grupo de uns quantos carrapatosos, mexias, bavas e mais uns quantos CEOs, que constituiram a “nova geração”, todos dentro do arco da governabilidade, todos agraciados com medalhas e agora, depois do mexia em que ainda não tinham mexido, já todos com a careca descoberta, veia/onda esta que viria a ser culminada pela exitosa intervenção do ilustre doutor miguel relvas (lembro um prós e contras onde a Fátima delirou com a presença de um mini-ceo, do Porto, com a cara salpicada de bexigas, a dar corda a este relógio do empreendedorismo luso) no tempo em que os pafistas pafiosos salazarentos exerciam a governança?
Em que lugar poderá encontrar-se o dias loureiro na escala do vidente de Massamá, no que a exemplos de empreendedores respeita?
E o que é que o Expresso do n° 1 da seita matilhada e alcateiada sediada lá prá São Caetano em Lisboa, tem que andar a bisbilhotar a vida deste elemento do Povo português (o tal povo que pró pedante do vitor gaspar louçã era só o melhor povo do mundo a quem ele, o pedante, pagou o que devia a este povo que nele, o pedante, investiu em formação, com um colossal aumento de impostos, ou o mesmo povo que na boca do ricardo salgado era o DDT), visto tratar-se de um empresário de sucesso???
Acaso o grupo chefiado por este tal n° 1 do partido dito popular e social e democrata estará melhor que o grupo deste senhor Pais do Amaral???
É que, que eu saiba, o grupo deste “democrata de gema” (a quem, um dia, o finado charlatão enviou um exemplar do seu “livro” “Portugal amordaçado” e lhe pediu para ele divulgar, o que, ao que parece, anda a ser agora redivulgado, em fascículos semanais, no referido Expresso – então esta farinha não é, ou não foi sempre, farinha do mesmo saco??!!), desde há muito, está numa situação de falência técnica e só não foi já à vida porque “a banca amiga” tem feito como deus faz ao menino e ao borracho, pondo-lhe sempre a mão por baixo, quando vão a cair (por isso, essa coisa do menino brasileiro ter sido salvo por milagre dos pastorinhos de Fátima deveria ser bem esclarecida, ó papa Francisco, porque, a ser verdade o adágio do “ao menino e ao borracho”, ter-te-iam vendido gato por lebre, ó amigo Xico), ao passo que, no grupo deste outro democrata de gema, o Pais do Amaral, claro, a situação do balanço parece não ser de falência técnica!

Enfim, coisas do capitalismo. Pais dos Amarais, Pintos Balsemões, Ricardos Salgados, Migueis Relvas, Belmiros de Azevedos e mais uns quantos (cada vez em menor número dada a imparável caminhada para reduzir o tal 1% que tem tanta riqueza quanta a dos outros 99), são tudo farinha do mesmo saco, saco esse que se designa por C A P I T A L I S M O.

E enquanto este hediondo sistema, que vem invadindo, ocupando, matando, roubando…há já mais de 400 anos, não deixar de ser o sistema económico social dominante, situações como esta do Pais do Amaral continuarão. E vão continuar porque o Zépovinho paga.
E o Zépovinho paga porque tem (falsos) representantes nos chamados órgãos de soberania que o obrigam (democraticamente, pois claro, e em liberdade, obviamente).
E os órgãos de soberania(?) cá no jardim à beira mar plantado, são o PR, a AR, o Governo e os Tribunais. Mas a Presidência da Republica, a Assembléia da República, o Governo e os Tribunais, são instituições, que por serem isso mesmo, não vivem, não falam, não ouvem, não vêem não sentem, e normalmente localizam-se em grandes e sumptuosos edifícios, onde, na sua construção, predomina o mármore e o granito (tal como nas igrejas) não vá o diabo tecê-las e um dia o Zépovinho pagante e votante acordar e botar fogo nelas, nas ditas cujas. Mas, assim construídas, não vão nunca arder de certeza (foi curioso que, uma vez, já na primeira metade do séc XX, houve uns anarquistas, ali na vizinha Espanha, que, uma das iniciativas que tiveram para a sua tentativa da tomada do poder, foi lançar tochas a arder para dentro das igrejas, e a seguir fugirem!!!…). Porque, como o saudoso Aleixo ensinou:
Vós que lá do alto império
prometeis um mundo novo,
cuidado, não vá o POVO
um dia levar-vos a sério!
Daí as cautelas das elites do poder na escolha dos materiais com que são construídas “as casas da democracia”.
Deste modo, jamais poderemos (nós, o Zépovinho pagante e votante) pedir satisfações aos tais órgãos de soberania.
Mas neles, lá dentro das ditas instituições, estão pessoas, mulheres e homens, a exercer o poder (fundamentalmente para se governarem), os tais que se candidatam às eleições, vendem gato por lebre ao Zépovinho nas campanhas eleitorais, mas que, uma vez eleitos, c@gam no POVO e orientam mas é as suas vidas, as vidas dos seus e a dos amigos (quem é que não ouviu já falar dos boys).
E essas pessoas têm nomes.
E essas pessoas vivem (e de que maneira, se compararmos com o modo como vive o Zépovinho), comem e bebem do bom e do melhor, respiram por pulmões o oxigénio do ar que, por ser natural, dado pela mãe NATUREZA, é público e não se paga [por enquanto, claro, porque, por este andar, com a persistente crise do capitalismo, qualquer dia ainda se lembram (as tais pessoas eleitas pelo Zépovinho e pelos Ricardos salgados ou insossos, Pais do Amaral, Balsemões e quejandos, e mais os lacaios serventuários do capitalismo como os passos coelhos, os vitores gaspares, os miguéis relvas e macedos, os montenegros, os zezitos filósofos e tantos outros e outras, alguns deles, porque descobertas as falcatruas que fizeram quando detinham o poder, estão já a contas com a justiça, mas a maior parte ainda cá anda fora e muitos há que ainda não estão, sequer, indiciados como é o caso do cherne) ainda se vão lembrar de aplicar uma taxa (ou “taxinha” – ó Senhor PM, onde é que eu já ouvi falar disto) ao oxigénio ou aos outros componentes do ar].
Ou seja, as ditas cujas, que exercem as funções de soberania são primatas que tanto podem fornicar o Zépovinho, como podem vir a ser fornicados pelo mesmo Zépovinho.
Mas como é que se podem pedir as contas/responsabilidades?
Como é que o Zépovinho pode pedi-las aos seus eleitos (ou não eleitos, porque são mais os não eleitos que vagueiam por aí nos sítios chave para fornicar o Zépovinho, do que os eleitos, porque, em última análise, eleitos são os deputados à AR e o Presidente: e daquela sai o Governo que é empossado por este, e depois há toda a máquina do estado a funcionar e em que as chefias são nomeadas tendo em conta as negociatas que os três partidos do arco da governabilidade entendem cozinhar para dividir entre os três o “recheio do pote”.
E destas nomeações saem os directores disto e daquilo, os presidentes disto e daquilo, os comandantes disto e daquilo, etc.
Por exemplo, e por estar ainda fresquinho na memória do Zépovinho, há um destes gajos, que melhor dito seria: há um destes filhos de puta, que foi nomeado chefe da Santa Casa da Misericórdia regional, por algum dos que saíram do referido cozinhado e que lhe deve confiança política ou entre eles se estabeleceram relações de interesse recíproco (no Brasil chamam-lhe propinas, aqui já ouvi chamar-lhe fotocópias e até robalos), que, para deitar mais umas pedrinhas na engrenagem da GERINGONÇA [curiosamente, os pafistas pafiosos salazarentos que inventaram este termo para aplicar ao actual governo do partido dito socialista, e que durante tanto tempo foi um rega-bofe de risadas, até na própria AR, parece que já se arrependeram de ter inventado “a coisa”, porque já nem o fascistoide de um tal jornaleiro que gira sob a sigla de raul vaz e que ganha uns cobres na rádio pública como comentador de política nacional (lá está o tal cozinhado a funcionar entre os três partidos do arco, e o actual PM nada tem contra estas coisas; por acaso o outro Zezito da seita, o Seguro, até disse em público que se opunha a estas bandalheiras – bom, esta da bandalheira é da minha lavra, porque este Zezito não usa tais vocábulos para designar o cozinhado, até porque, segundo ouvi dizer, ele é Prof. não sei de quê, ou era, aí numa escola/universidade qualquer, ministrando um curso também não sei de quê, curso esse que tinha duas turmas, o Zezito Seguro assegurava uma e o DOUTOR miguel relvas assegurava a outra, e quando um não podia ir dar a aula, telefonava ao outro para ele tapar o buraco, mas, repito, estas coisas eu ouvi dizer), esse fascistoide, escrevia eu, deixou de falar em geringonça e passou a chamar “a actual solução governativa”, mas eu cá, nem que seja só por pirraça, irei continuar a escrever e a falar em GERINGONÇA e, como se pode ver, até escrevo em maiúsculas, dentro do mesmo princípio que me leva a escrever em minúsculas os nomes de gente, ou gentalha, por quem nutro consideração zero], inventou uns suicídios e logo foi meter a boa nova no cu do chefe, o vidente, que logo veio para as TVs atacar o governo com a falta de apoio psicológico!!!???… miserável é esta direita lusa, para ter à frente gentalha reles e sem escrúpulos como este canalha.
Bom, tudo isto para dizer que no capitalismo, seja sob os chapéus da social democracia, do socialismo em liberdade, do liberalismo, da democracia liberal, ou seja lá do que for, continuará a ser o capitalismo, esse hediondo sistema a que urge pôr termo, acabar com ele, pôr-lhe FIM! E como, perguntar-se-á?…
Ao lado dos explorados,
no combate à opressão,
não importa que me matem,
outros amigos virão!
Haja Sol e marinheiros, porque marés não vão faltar, por serem obra da NATUREZA!
Mas artigos como este, sempre vão alimentando discussões e são pano para mangas, enquanto até os indignados como o amigo Estatuadesal vão encontrando motivo para dar asas à sua pena, ou aos teclados do computador ou agora dos ecrãs!
Entretanto, em cada minuto que passa, morrem, em média, 17 crianças com fome ou subnutrição!…